Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

02
Nov15

Em busca da “fractura” do Assis

JSC

Pelos vistos Francisco Assis nem sempre pensou que o PS deveria abster-se de fazer acordos à esquerda. Mas agora diz que pensa. E porque será que Assis pensa que agora é mesmo mau o PS fazer acordos à esquerda? Porque os acordos serão maus? Porque a esquerda de hoje é muito diferente da esquerda de outros tempos? Pelo que tenho ouvido parece-me que o que faz correr Assis nada terá a ver com os acordos em perspectiva, com o seu conteúdo nem com quem os assine.

 

Assis está a marcar terreno, a posicionar-se, a tomar a dianteira, para não ser surpreendido por alguém que no PS venha a reclamar-se como crítico da linha que está a ser seguida. Assis diz que vai andar por aí, a correr o país, à procura de gente que se queira juntar a ele para formar “uma corrente crítica alternativa no PS”.

 

Ao anunciar o lançamento da escada para a tomada do poder no PS, Assis granjeou, desde logo, a simpatia dos media, Assis virou vedeta, de ora em diante Assis vai ser ouvido e tudo o que disser vai ser usado contra a outra parte do PS, aquela que ele quer despojar.

 

O que é absolutamente confrangedor é que Francisco Assis, político e filósofo, apenas apresente como razões para a sua “fractura” os mesmíssimos argumentos que a direita usa para não aceitar o Governo de esquerda. Diz ele (e dizem os outros) que se trata de criar um “governo contranatura”, que as divergências entre os partidos de esquerda são muito profundas, que bloquistas e comunistas não vão mudar”…

 

Mas é exactamente porque existem grandes divergências entre PS, BE e PCP é que estes partidos estão a negociar, a procurar pontos de entendimento que lhes permita definir uma plataforma de actuação conjunta. Ao ouvir Assis até parece que ele não entende esta coisa natural, que é negociar plataformas de entendimento e intervenção política.

 

É óbvio que entende. O problema dele é outro. Identificado o seu ponto de “fractura”, Assis lança a escada e vai, por aí fora, à procura de quem a segure e de quem junte degraus, que ele escalará, impulsionado por uma comunicação social afável, muito afável. Depois, é só criar as condições para que o Governo de esquerda falhe, minar por dentro, até que António Costa sucumba. Então, no centro do palco estará Assis, a reclamar-se líder da “corrente crítica e alternativa”.

 

Francisco Assis nada acrescenta de novo ao PS. Ouço-o e não descortino uma ideia para o país. Como filósofo podia mostrar uma apetência para a descoberta do novo, para o aprofundamento de novas soluções governativas. A única coisa que fica é a sua crença ou fixação no velho “arco da governação”. Talvez acredite que seja este o caminho para o poder.

2 comentários

Comentar post