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Incursões

Instância de Retemperação.

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20
Nov14

Em que pensará Cavaco Silva?

JSC

As notícias do país não são famosas. A pouca-vergonha que campeia por aí deveria merecer um olhar atento e preocupado do Presidente, que, por sua vez, deveria transmitir para o país um sinal, um simples sinal, que revelasse o que pensa sobre o lodaçal que submerge instituições, descredibiliza governantes, a que nem o próprio Presidente deixará de estar imune, em particular, se persistir no silêncio, talvez porque siga a regra “calado é o melhor”, sem ter em conta que “quem cala consente”.

 

Outrora, Cavaco Silva tinha essa preocupação. Todos nos recordamos do famoso princípio que enunciou: “há limites para os sacrifícios”. Também nos lembramos das visitas/denúncia de situações a reclamarem a atenção dos governantes. Agora, desde há pelo menos três anos, os tempos e a motivação são outros.

 

O problema é que os escândalos, a traficância de influências, a roubalheira continuada na banca, a atrofia da máquina estatal, com pontos máximos no sector da Justiça e da Educação estão aí, a mostrar que não foi só no campo económico que se degradou a vida dos portugueses. Se esta negra realidade não reclama a palavra do Presidente, então, o que é que podemos esperar do Presidente?

 

É legítimo que nos interroguemos sobre o que pensará o Presidente acerca da continuada fraude bancária - BPP, BPN e BES? E o que pensará o Presidente acerca do papel dos supervisores? E das entidades que permitiram a fuga de informação, que possibilitou que grandes investidores (Goldman Sachs…) se livrassem das acções BES enquanto os pequenos, sem informação privilegiada, continuavam a comprar? 

 

Em que pensará o Presidente quando vê o país ser noticia em todo o mundo porque os vistos Gold não trouxeram só dinheiro fresco? 

 

É legítimo que nos interroguemos acerca do que pensará o Presidente quando vê o colapso de instituições que suportam o Estado de direito – SEF e IRN – com o SIS a obstaculizar o trabalho da PJ.

 

Em que pensará o Presidente quando vê, só no último ano, sair do país mais de 100.000 portugueses e depois ouve o Governo vangloriar-se da descida, numas décimas, da taxa de desemprego? Em que pensará o Presidente quando “a um mês do fim do primeiro período ainda há alunos sem aulas de compensação”? Quando a Justiça continua amarrada por um programa informático que não responde?

 

Em que país pensará o Presidente quando empresas de top se revoltam contra o Estado, afrontam o Estado, não cumprindo as suas obrigações? – “A REN e a Galp deixaram passar o prazo-limite para pagar a contribuição extraordinária. Empresas dizem que vão contestar legalidade da taxa”.

 

Em que país pensará o Presidente quando ouve o Presidente executivo do grupo Peugeot Citroën dizer que os problemas de competitividade em Portugal não estão nos salários, mas sim custos de outros factores de produção, entre outros, nos elevados custos energéticos (+40% do que em França) e vai promulgar o OE2015 que prevê mais aumentos no factor energético?

 

Por fim, o que pensará o Prof. Cavaco Silva do papel que o Presidente da República deve desempenhar num momento de crise tão profunda e generalizada como esta que devasta e atinge este Portugal, cada vez mais atulhado num lodaçal financeiro e político?