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Incursões

Instância de Retemperação.

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16
Jun16

Estes dias que passam 340

d'oliveira

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Além do mais presunçosos e/ou ignorantes

 

O jornal Público pela pena de uma senhora chamada Leonete Botelho persiste em falar de bidonville (substantivo masculino) ou seja do “bairro da lata”, em letra grande e no feminino. Bidonvilles houve dezenas ou centenas à volta de Paris, das suas cidades satélite e de outras grandes ou médias urbes para onde a emigração se dirigiu.E conviria lembrar à criatura que não há nenhuma povoação chamada Bidonville pelo que a letra grande só demonstra ignorância. Crassa!

A mesma senhora ao falar das porteiras de Paris (sobretudo das condecoradas) chamou-lhes “gardiennes” o que nem está mal mas, desta feita, precedeu a palavra de um artigo masculino. Estaria certa se falasse de “gardien(s)” mas o seu a sua dona. As excelentes porteiras mantêm em francês o género feminino....

 

 

O Senhor Presidente da República lá entendeu celebrar o 10 de Junho em Paris. Daí não veio mal ao mundo e até entusiasmou uns milhares de portugueses que por alí fazem pela vida.

Parece-me, porém, estulto, duvidoso e pouco sério, o populismo com que atacou as elites e louvou o “povo”. Ele próprio, Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, é um acabado exemplo de membro das elites, nasceu nas elites e os seus amigos, familiares, colegas e demais conhecidos vêm todos das elites. De elites que vêm desde o Estado Novo ou mesmo antes até hoje. E que se têm continuado pelos filhos do Sr Presidente, emigrantes de luxo no Brasil

Que muita da elite nacional, nossa, seja o que é, e é bem pouco, não justifica o populismo tolo (para não usar expressão mais dura e mais adequada) da comparação. Pode exaltar-se o trabalho, o sacrifício, a honradez e progresso sem andar a armar aos cucos. Mas, como previ, o Senhor Presidente não tem contenção no entusiasmo e na procura de popularidade fácil.

 

O Sr Primeiro Ministro, sempre à boleia do PR entendeu discursar em francês. Por acaso dirigia-se aos emigrantes e bem poderia ter metido algumas frases em português. Mas não: lá foi desfiando num francês medíocre, alguns lugares comuns nisso igualando o PR que também não disse nada de substantivo. Digamos que ambos teráo pensado que para quem era (o povo ignaro emigrante) bacalhau bastava.

Bem mais disse Hollande que até prometeu muito ensino de português nas escolas francesas. Promessas de Hollande são o que são mas, na verdade até falou das relações franco-portuguesas e da Europa. Os dois portugueses bem poderiam ter aprendido alguma coisa mesmo se o professor (Hollande) raras vezes ultrapasse o sofrível se é que lá chega.

Uma senhora Secretária de Estado da “Educação” é, diz-se, a ponta de lança do ajuste de contas com o ensino privado. A criatura, seguramente mãe estremosa e endinheirada, tem dois rebentos que frequentam a Escola Alemã, coisa privada e cara. Parece que a senhora justifica o facto com a vantagem da aprendizagem de uma segunda língua (“materna”) e com as possibilidades de um ensino (e de um futuro?) “internacionalizante”!

Entschuldigung, gnadige Frau, a internacionalização pela língua alemã é de via estreita. Dá para a Alemanha e para a Áustria, por junto e atacado. Para as criancinhas adoráveis se internacionalizarem mais valera o Liceu Francês ou as diferentes escolas inglesas incluindo a St. Julians!

Vir uma criatura assim defender com argumentos irrisórios e coxos a sua opção prova que nisto de Educação quem tem dinheiro foge para o Privado mesmo a cantar as maravilhas do Público. Resta saber se a Escola Alemã foi alvo por parte do Estado Português de alguma benesse mesmo que não se traduza em apoio financeiro.

A discussão ensino público versus privado esquece que os privados estão obrigados a leccionar exactamente o mesmo que o público. Fica, também, por saber quanto custa cada turma no público. Dizem-me que o mesmo ou até mais. Ponhamos que até é menos (não estou a ver os privados a perder dinheiro ou, a deixar de o ganhar). A questão essencial é saber onde reside o melhor ensino, o mais próximo, o mais adequado, o dotado de melhores instalações e melhores professores para já não falar das actividades circum-escolares postas à disposição dos educandos. Andei, quando liceal, quer em liceus quer em colégios. Bons e maus. A única diferença que notei era que no privado a turma era mais, muito mais, pequena (Falo dos 6º e 7º anos alínea de Direito) o que tinha como consequência um ensino muito mais personalizado, logo mais eficaz.

E terminemos com o fantasma do senhor Nogueira da Fenprof. Convenhamos que em 30 anos de professor apenas deu aulas nos dez primeiros. E, mesmo durante esse período, já gozava das regalias atribuídas aos sindicalistas, o que provavelmente reduzirá o seu tempo efectivo de professor ainda mais.

Há vinte anos, mais de metade da sua vida adulta, que não dá aulas. Teme-se mesmo que vá passar os próximos vinte a fazer o mesmo que ora faz. Pessoalmente, entendo que para a função sindical deveria funcionar o mesmo limite que existe para um par de funções públicas relevantes seja a de Presidente da Câmara seja a de Presidente da República. Para evitar a cristalização no ortorrômbico...

Eu sei que há instituições, mormente políticas, em que a profissão de origem é orgulhosamente apresentada mesmo se o marceneiro ou o serralheiro não entram há décadas numa oficina. Convém, porém, manter a ficção de que são trabalhadores, verdadeiros proletários, povo e não elites, como afirma o Sr. Presidente da República, morador no bairro económico da Quinta da Marinha.

Acabemos, para já, o folhetim melancólico sobre o estado pouco reluzente da “pátria exausta” se é que me permitem citar o sr. Couto Viana, poeta e corifeu do Estado Novo de que já ninguém, mesmo eu, se lembra com exactidão. Também estas criaturas acima citadas caminham velozmente para o olvido. Daqui a 50 anos serão puro esquecimento o que se não me consola sempre me alegra.