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Incursões

Instância de Retemperação.

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02
Jun17

estes dias que passam 352

d'oliveira

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Boas notícias? Não!

Péssimas notícias!...

 

A inda não tinha secado a metafórica tinta do meu último texto e, Zás!, Catrapáz!, lá foi tudo borda fora.

A Dívida Pública (com letra grande e tudo) voltou a aumentar. Neste momento vai em 247 mil milhões e se o mês correr como o anterior chegarem ao verão com 250 mil milhões!!!

E há todas as razões para crer que a coisa vai ser assim pois verifica-se de há vários meses para cá a tendência suicidaria de subida.

Isto para não falar da dívida privada que, todos os indicadores o confirmam, está outra vez a adejar pelas alturas. Bem podem os optimistas de serviço (Costa ou o 4ª Pastorinho) felicitar-se com outros resultados ao mesmo tempo que, e não por acaso, esquecem este que é esmagador. Em Portugal à melancolia do costume sucede-se a euforia dos tolos e dos ignorantes logo que um raio de sol pálido e fortuito espreita por entre as nuvens. A taxa de aforro privado é a mais baixa de sempre (e isto num país que, durante décadas sempre poupava uns trocados) o que torna ainda mais frágil a posição dos que teimam em dar um passo mais comprido do que a perna. Que o diga o disparo do consumo de bens quase todos importados (com relevância para o automóvel), para a previsão de férias mais caras e mais longe, o arranque do preço da habitação para venda que sobe aceleradamente em todos os lados , sobretudo, em Lisboa e no Porto. Por outro lado não há dos lados da banca (e já nem falo dessa coisa chamada CGD que foge do interior a sete pés e mima o litoral com mais oferta) qualquer sinal de encorajamento da poupança. Quem tem meia dúzia de tostões bem pode gastar a cabeça à procura de alguém que lhe cuide do dinheiro poupado.

Mais: a Banca, toda ela, aumentou todos os preços dos seus serviços que, graças à informática, tem baixado sucessivamente. A deputadagem na AR e a gentinha das finanças andam mais preocupadas em afrontar os escassos organismos independentes de controlo do que em evitar que quem pode mande os dinheiros para fora. Agora, sem que se perceba muito bem, Jersey, a ilha de Man e o Uruguai já saíram da lista de off-shores suspeitos. Consta que quem devia dar parecer sobre o assunto não foi ouvido.

A discussão (ou a pré-discussão ) sobre o futuro Orçamento está prenhe de sound-bites despesistas. O senhor Mário Nogueira, eterno dirigente da Fenprof, depois de um silêncio obediente de quase dois anos, volta a alanzoar reivindicações. A funçanata pública agita-se e promete greves tremendas que, como de costume atingem apenas uns desgraçados inocentes. Sempre os mais pobres e os mais desprotegidos, nunca os poderosos. Na disputa sobre quem exige mais, o excelso BE na voz de um tal Jorge Costa, deputado, quer ainda mais. “Desobedecer à Europa”, sintetiza o jornal. Esta criatura finge que não sabe de onde nos veio durante décadas o dinheiro, todo o dinheiro, de onde ele ainda vem, dos baixos ou nulos juros, enfim para ele, e amigos, a Europa é um ogre e nós somos o carneirinho tenro onde a malvada criatura ferra o dente fétido e mortífero.

Evidentemente, não comparo este despesista irresponsável e ignorante com os drs Costa e Centeno que, apesar de tudo, certos que já quase têm no papo uma sólida maioria, travam às quatro rodas. Mas a opinião pública excita-se mais com o esganiçamento reivindicativo do que a cautela do dia a dia.

E as notícias são as que os beijinhos e as selfies narram na televisão assim como os épicos sucessos do jardim à beira mar plantado, o “torrãozinho de açúcar” de que falava uma das personagens de Eça...