Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

06
Jun17

Estes dias que passam 353

d'oliveira

images-1.jpeg

Espera lá!...

(ou Mexia mexe com quem?)

(nota: não conheço nem nunca vi o sr. dr António Mexia, não conheço (que eu saiba) amigos dele e pouco me importam a sua saúde, o seu salário, o seu nome e a sua reputação).

Parece que o principal dirigente da EDP está arguido num processo de corrupção. Pelo (pouco, pouquíssimo) que os jornais dizem, a criatura terá conseguido para a empresa que dirige uns excelentes proventos, “rendas”, considerados excessivos pela troika (afinal a tal troika não era assim tão nossa inimiga?) pelo Ministério anterior e, já agora por vários partidos e actores políticos.

Ora, se é que ainda consigo raciocinar, se Mexia está arguido ou é corruptor ou corrompido. No segundo caso, nem se percebe como é que os chineses o aturam e lhe pagam (principescamente).

Enquanto corruptor, isto é alguém que untou as mãos (e provavelmente o antebraço, o braço, o ombro e o resto da anatomia) de quem em nome do Estado lhe concedeu as referidas e excessivas rendas, conviria saber como se construiu a tramoia, quem saiu beneficiado, por quanto, há quanto tempo etc., etc.

Se a informação é boa, essas rendas foram negociada com o governo do irrepreensível e, vagamente, engenheiro sr. Sócrates. Mais, o ministro que deu a cara teria sido um certo cavalheiro de seu nome Manuel Pinho, ou algo do mesmo teor, que depois de sair pela porta baixa da arena onde fazia corninhos a uma qualquer criatura, apareceu travestido em visiting professor da reputada Universidade de Colúmbia em Nova Iorque.

Eventualmente, por acaso, mero acaso, curioso acaso, a dita instituição recebera uma vultuosa soma da EDP para, também eventualmente criar uma cátedra sobre economia da energia ou outra treta qualquer.

Dizer que o sr Pinho (o dos corninhos) fora pago desta maneira pela EDP pelo serviço de negociar brandamente as rendas é passo que não dou, deus me livre, Jesus, Maria, José!...

Pinho, como Sócrates, apesar da cornamenta feita com os dedinhos, é, até prova em contrário, criatura impoluta. Por junto poderei considera-lo grosseirote, esparvoado que isto de fazer figas tão imbecis no Parlamento não lembra nem a um idiota chapado.

Todavia, subsiste esse pequeno pormenor das rendas excessivas que puseram os cabelos em pé até ao careca da troika. Então o Estado, na pessoa do seu Governo dá de mão beijada um porradão de maravedis a uma empresa glutona? E logo um governo do povo, de Esquerda (ou tido como tal...) que mais tarde até foi desautorizado por outro governo, esse de Direita (que como se sabe e o PCP ensina, é sempre reaccionário, favorável aos monopólios, ao patronato, aos ricos e sei lá quem mais) que diminuiu as rendas para o actual nível. E neste ano e meio de governo revertedor, socialista e gerigoncista, ninguém foi às mãos papudas de Mexia e da EDP e lhes ferrou o par de reguadas fiscais da ordem?

E ninguém buscou um corrupto (ou meia dúzia...) já que, segundo os agora clarividentes jornais, toda a gente andava intrigada com as benesses concedidas à EDP? É que, se há corrupção, tem de haver corruptor e corrompido, ou não é assim?

Eu sou um leitor furioso. Leio tudo até a informação, farmacêutica dos medicamentos que tenho de tomar, não vá pílula fazer mais mal que bem. Porém, nisto de pílulas, há sempre um copo de água para acompanhar. Ora aos actuais arguidos (Mexia & alia)falta o copo de água para os engolir. Falta a gente que encheu o bolso em troca da sua generosidade. Falta a gente que permitiu (se é que também não se encheu) ao(s) primeiro(s) corrompido(s) aumentarem a sua fortuna pessoal.

Enquanto este pequeno mistério não se aclarar (contratem o Poirot, que diabo!, ou o Moita Flores ou quem quer que seja) estou de pé atrás. Atrás e fazer figas. A vontade era seguir o exemplo pouco brilhante do sr Pinho mas a mim basta-me entrelaçar os dedos atrás das costas.

 

Nota: o sr Jerónimo de Sousa resolveu dizer que este eventual escândalo nunca ocorreria se a EDP não tivesse sido privatizada. Ou é ingénuo ou não conhece o Estado e a sua engrenagem interna. Aliás, quem senão o Estado ou os seus representantes poderia decidir das rendas a pagar?

Seria de recomendar ao sr Sousa um breve estudo sobre como na anquilosada URSS a burocracia se governava (e desgovernava a sorte dos desgraçados súbditos) e como alguns dos próceres dessa altura se têm mantido à tona sem prestar quaisquer contas aos cidadãos de segunda em que mandam despudoradamente. Mas isso é outro conversar...