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Incursões

Instância de Retemperação.

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14
Set17

O "adeus" de Francisco Assis

José Carlos Pereira

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Na passada semana, Francisco Assis interveio na última sessão da Assembleia Municipal do Porto, tendo referido que terminava ali a sua experiência autárquica e não voltaria a ser candidato a nenhuma autarquia. Referiu ainda que, “muito provavelmente”, encerrará a sua vida política em 2019, no final do mandato que exerce no Parlamento Europeu.

Francisco Assis é ainda muito novo, mas a verdade é que já anda na vida pública há quase 30 anos, compreendendo-se que algum desgaste e o actual afastamento das opções seguidas pelo PS estejam na base deste pré-anunciado adeus à vida política. Assis foi eleito presidente da Câmara de Amarante com 24 anos, foi deputado e por duas vezes líder parlamentar, exerce o segundo mandato interpolado no Parlamento Europeu, foi candidato a presidente da Câmara do Porto em 2005 (obtendo o melhor resultado absoluto desde que o PS está na oposição), disputou a liderança do PS com António José Seguro em 2011 e foi candidato a presidente da Assembleia Municipal do Porto em 2013 (suplantando a votação de Manuel Pizarro para a Câmara). Em 2001 fora candidato a presidente da Assembleia Municipal de Marco de Canaveses, terra a que está ligado por laços familiares.

Como se vê, Francisco Assis nunca se resguardou das circunstâncias mais desfavoráveis. A disponibilidade para ir a todos os combates terá prejudicado o seu desempenho em vários dos cargos que exerceu, somando faltas aqui e acolá, pois não era fácil conciliar os mandatos de deputado europeu com o de vereador da oposição ou de deputado municipal no Porto, como não foi fácil arranjar tempo para estar na Assembleia Municipal de Marco de Canaveses, onde quase perdeu o mandato por faltas, quando era líder parlamentar.

Uns dirão que Assis deveria ter gerido melhor o seu envolvimento político, outros verão nesta disponibilidade de Francisco Assis a generosidade de quem gosta de ir à luta em momentos difíceis. Seja como for, Francisco Assis, com cujas opiniões não tenho estado de acordo, nomeadamente quando apoiou António José Seguro para a liderança do PS e, sobretudo, quando depois insistiu na aproximação entre PS e PSD num período, pós-troika, em que isso era materialmente impossível, tem muito ainda a dar ao país e à sua área política, seja no exercício de cargos públicos ou na reflexão e no debate de ideias, pois não abundam os agentes políticos com a sua capacidade e espessura.

Conheci Francisco Assis quando ambos fomos eleitos para a Assembleia Municipal de Marco de Canaveses e nessa altura valorizei mais a sua disponibilidade para enfrentar o poder absoluto de Avelino Ferreira Torres e apoiar aqueles que há muito estavam envolvidos nessa luta do que propriamente a sua reduzida participação como deputado municipal. Depois, em 2005, quando era líder distrital do PS e candidato à Câmara do Porto, interveio na apresentação da minha candidatura à Assembleia Municipal local. Em 2014, não hesitei em aceitar ser o mandatário concelhio da lista que liderou ao Parlamento Europeu.

Francisco Assis é um político que não faz unanimidades, com certeza que não, mas a sua voz, ainda que divergente das maiorias de ocasião, faz falta ao espaço do socialismo democrático.