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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

15
Fev17

o leitor (im)penitente 196

d'oliveira

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Livros, alfarrabistas & outras bizarrias 1

 

“Tenho cinco minutos para contar uma história” é o mais recente e ressuscitado livro de Fernando Assis Pacheco que faria por estes dias oitenta anos. Faria, disse e repito- Quis a malina que nem aos sessenta chegasse. O Assis morreu cedo e mal. Tinha à sua frente uma bela carreira poética a adivinhar pelo que “A musa irregular” revelava. Acompanhei-lhe os versos desde 1960 na “Via Latina”, nos “Poemas livres”, nas pequenas edições só para amigos, fui mesmo editor dele (fui eu e mais quarenta que a “Centelha” era uma multidão de malucos que gostavam de livros) e, a certa altura, uma criatura manhosa convenceu-me a desembolsar cinquenta contos dos antigos para reeditar um desses livrinhos. Depois nem livro nem volta da massa: anos depois, o Assis contava-me em carta as maçadas e desgosto que tivera com o importuno e abusivo editor.

Faria, dizia, oitenta anos mas o coração, maior do que o mundo, traiu-o vilmente à porta de uma livraria. Mulher, filhas e filho e um monte de amigos persiste em lembrá-lo para o que contamos com a honrada colaboração de vários jornais e de antigos colegas. “A musa irregular” primeiramente editada pela Hiena Editora do excelente e culto Rui Martiniano é um dos bons (dos muito bons) livros de poesia da quarta parte do século XX. Parece que ainda se conseguem exemplares da última edição (3ª?, 4ª?): leitoras e leitores aproveitem. Se alguém não gostar que me devolva o livro que eu pago-o.

Este livrinho (cinco minutos...), ora editado (Tinta da China ed) é um apanhado de crónicas lidas ao microfone duma rádio. Instantes de vida, lembranças, achados, conversa boa, tudo para despachar em cinco minutos o que é obra!

Só tenho um reparo: o Assis escreveu muitas outras crónicas que ainda andam por aí esparsas em jornais. Há uns anos a família (ou talvez apenas a Rosarinho) mandou-me umas folhinhas do “sempre fixe” ou do “diário de Lisboa”, dessas que servem para manter um título jornalístico onde se apanhavam mais outros textos. Está por fazer a reedição completa e integral destas prosas de destino incerto e qualidade certa. Tivesse eu tempo e idade e atirava-me à tarefa de as recolher mas estou já avançado em anos para vencer a preguiça e a trabalheira. Ainda por cima a pesquisa teria de se centrar sobretudo em Lisboa e nos jornais onde Assis trabalhou e eu, provincial e provinciano que sou, estou longe.

À falta de melhor, deem-lhe ao dente nestes “... cinco minutos...” e acompanhem cada garfada com um copo de um bom tinto que o Assis, fino gourmet, merece a vossa boa companhia.