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Incursões

Instância de Retemperação.

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24
Nov17

O leitor (im)penitente 206

d'oliveira

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Livros, alfarrabistas & outras fantasias 8

(nem tudo o que luz é ouro; nem todos os alfarrabistas são baratos)

 

mcr 24.11.17

 

Há mais de um ano, um alfarrabista portuense telefonou-me com um curioso pedido: tinha adquirido uma obra e, nada sabendo sobre ela, pedia-me uma opinião. De facto, ando, há já tantos anos, a comprar (e a ler, e a estudar) literatura sobre a expansão portuguesa que a pergunta fazia sentido. Aliás, esse mesmo livreiro já me tinha vendido diversos livros sobre o tema.

No caso em apreço, ele queria informar-se sobre uma obra em dez volumes mas apenas cinco partes intitulada “Primeiro congresso de história da expansão portuguesa no mundo” .

Lá o informei que, efectivamente, no seguimento dos trabalhos desse primeiro (e suponho que único) congresso, se tinham reunido em volumes todos os trabalhos apresentados mesmo se também circulasse um copioso número de separatas sobre diferentes teses apresentadas.

Que a obra, melhor dizendo a edição, estava datada de 1938 e que conhecia e possuía oito dos dez volumes, comprados aqui e ali, a preços relativamente moderados (entre 15 e 25 euros), provavelmente por se tratar de volumes isolados.

Disse-lhe também que estava interessado nos dois volumes que me faltavam.

Dias depois, caiu a resposta: o livreiro só vendia a obra na totalidade e fixava um preço: 500 euros.

Achei excessivo o preço tanto mais que, além da minha informação ele não conseguira nenhuma referência quanto a preços. Perante a sua recusa em negociar, desisti e ao longo dos meses que se seguiram fui alertando outros alfarrabistas. Há pouco tempo, o senhor Gonçalves da “Nova Eclética” (Lisboa) avisou-me que tinha algo para mim, pedindo-me que o visitasse. O pedido era desnecessário pois aquela livraria faz parte obrigatória do meu percurso mensal dos alfarrabistas lisboetas.

Ontem, fui visitá-lo e descobri que o livreiro me guardara (sem compromisso!) o obra em causa, magnificamente encadernada e num surpreendente bom estado. Como sabia que eu tinha vários volumes, propunha-me a troca por um preço global que andava na média dos praticados. (Aliás, da “Nova Eclética” eu levara um ou dois volumes soltos). Mesmo contando com o que entretanto gastara, a peça ficou-me mais barata do que a que me era proposta no Porto. Com a enorme vantagem da encadernação. É que encadernar dez volumes em “meia francesa”, cantos e lombada em pele, fica no mercado pelo triplo do que paguei.

Esta pequena aventura ilustra, também, uma outra verdade: em Lisboa, porventura por ser um mercado maior, quer em clientes quer em vendedores, os preços são notoriamente mais baixos do que no Porto (com a excepção da “Livraria Académica” que tem um enorme “fundo”). E, nesta última cidade, há mesmo dois ou três casos de preços quase escandalosos. Como exemplo, basta este: publicou-se entre o final dos anos 30 e 1986 um “boletim da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais” (ao todo 131 números mais cinco edições não numeradas). Comprei a quase totalidade dos meus exemplares em Lisboa ao preço médio de 10 euros. Os que faltavam vieram, com excepção de um, do Algarve e com portes de correio ficaram entre 15 e 20 euros. O único exemplar comprado no Porto custou-me €35 !!!

 

 

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