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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

21
Jul17

"Carrinhas, listas e cacicagem. Todos os detalhes da guerra pelo poder no PSD/Lisboa"

José Carlos Pereira

documento publicado pelo "Observador" merece ser lido por quem milita nos partidos, por quem por lá andou e por quem desconhece por completo essa realidade. E o que se vive no PSD/Lisboa, infelizmente, não é muito diferente do que se passa em muitas secções e concelhias por esse país fora, sobretudo nos dois principais partidos. Uma lástima.

05
Jan17

O mau jornalismo da Lusa

José Carlos Pereira

Por ocasião do seu 30º aniversário, a Agência Lusa publicou um texto que devia fazer corar de vergonha os jornalistas daquela agência. Um panegírico de Avelino Ferreira Torres que olvida e mente. São omitidos os insultos e as agressões a adversários, os sucessivos escândalos no futebol e na política, as inúmeras infracções detectadas nas inspecções à Câmara Municipal de Marco de Canaveses, a teia de poder construída com base no domínio exercido sobre instituições e empresas da terra, o controlo sobre a comunicação social local, etc., etc.

E a notícia da Agência Lusa acaba a mentir quando refere que Avelino Ferreira Torres foi absolvido de todas as condenações, pois o antigo autarca foi condenado a dois anos e três meses por abuso de poder, tendo a pena ficado prescrita na sequência de sucessivos recursos que apresentou. O que é manifestamente diferente.

16
Nov16

As reflexões de Jorge Sampaio e Augusto Santos Silva

José Carlos Pereira

Nestes tempos algo incertos que se seguem ao choque provocado pelo resultado das eleições nos EUA, os textos publicados no jornal "Público" por Jorge SampaioAugusto Santos Silva ajudam-nos a reflectir sobre o futuro próximo e a maneira de defender a União Europeia e as democracias liberais e sociais construídas no pós-guerra.

17
Fev16

O impertinente Rui Moreira

José Carlos Pereira

O coordenador do jornal "Expresso" no Porto, acertou em cheio, há dias, quando escreveu sobre o modo como Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, passou a ser visto por certa comunicação social depois de levantar a voz "contra o esvaziamento do aeroporto portuense em favor do desvio de voos e rotas para Lisboa."

Escreveu Valdemar Cruz no "Expresso Curto": "Lembram-se da história do comunista bom, que só o passa a ser depois de morto? É um pouco o que está a suceder com Rui Moreira, embora em sentido contrário. Até agora era um presidente exemplar, até pelo modo como foi eleito, civilizado, com mundo. Bastou-lhe dizer o óbvio para passar a ser olhado com desdém e até algum paternalismo pela generalidade dos fazedores de opinião. De repente tornou-se um parolo, a quem com toda a propriedade se aplicaria a frase celebrizada por Shakespeare dirigida pelo ditador Júlio César, no momento do seu assassinato, ao seu amigo Marcus Brutus: "et tu, Brute?". Moreira terá passado a ver fantasmas centralizadores num país orgulhoso do exemplo dado ao mundo no campo da descentralização de competências e poderes. Roma não paga a traidores, terá alguém dito aos assassinos de Viriato. Lisboa não perdoa a quem ousa dizer que o rei vai nu.”

Nada de novo. Já assistimos a esta súbita mudança de avaliação de certa imprensa bem pensante sobre outros protagonistas do Porto e do Norte, primeiro tidos como muito qualificados e interessantes e pouco depois já levados na conta de calimeros e regionalistas a padecer de complexos de inferioridade. Mas a verdade é que quase sempre têm razão.

11
Fev16

A "impressão” do Sr. Schauble sobre o Orçamento de Estado

JSC

O Sr Schauble à entrada para a reunião do Eurogrupo – aquele naipe de ministros das finanças que manda na UE – deixou no ar mais uma frase assassina, para estimular os mercados a sangrarem ainda mais as finanças lusas. Disse ele, como quem não quer a coisa, “Portugal deve estar ciente de que pode perturbar os mercados financeiros se der impressão de que está a inverter o caminho que tem percorrido. O que será muito delicado e perigoso para Portugal”.

 

Como se lê, a coisa está ao nível da “impressão” que se dá. Mas também pode estar ao nível da “impressão” que quem está do outro lado quer ter. A “impressão” de uma coisa até pode estar mais do lado de quem a recebe do que do lado de quem a transmite. No caso, é expectável que o Governo queira passar boa “impressão”.

 

O Sr Schauble, que vê o Governo e o Orçamento pelas lunetas do PPE, é que desfoca a “impressão” criada pelo Governo, para ver a “impressão” que quer ver. Ao deixar esta maldade, logo à entrada, o Sr. Schauble está a dar um recado aos mercados: Voltem-se para Portugal, forcem a subida das taxas de juro. Os mercados que já estavam no terreno a fazerem o seu trabalhinho irão, daqui em diante, dar maior voracidade à coisa, para fazerem jus ao alento recebido.

 

Cá dentro, os familiares políticos do Sr. Schauble aclararão melhor o que ele insinua. Jornalistas/pivôs colocarão as perguntas certas, a que comentadores, ao estilo futebolístico, responderão exacerbando os factos, as insinuações, a referência a riscos hipotéticos e outras maldades.

 

Com os estímulos “impressionistas” que vêm de fora e com o eco interno que têm, vai ser mesmo muito difícil ultrapassar o discurso do bota-abaixo, repor a confiança, puxar o país para cima.

 

Começa a ser insuportável ouvir muita desta gente, que vive do comentário, a reproduzir discursos que visam desacreditar as políticas públicas, a valorizarem riscos hipotéticos, a passarem por cima das medidas gravosas tomadas no ano anterior e que condicionaram as escolhas orçamentais para 2016, a darem todo o tempo de antena aos chavões e frases tipo Schauble, para depois concluírem que está em risco a avaliação do rating, que só uma agência nos qualifica acima de lixo, que se essa agência nos qualificar como lixo perdemos acesso ao financiamento do BCE. Lindo, não é? Só lhes falta pedir à tal agência para se apressar, para não estar com mais delongas, para nos colocar no lixo.

22
Dez15

O caso BANIF

José Carlos Pereira

O Governo e a Assembleia da República têm a obrigação de fazer da resolução do BANIF um caso exemplar. O que disse, há um ano, a Comissária Europeia da Concorrência, o que se sabe do modo como o Governo PSD/CDS (não) conduziu o dossier junto da UE, com oito planos de reestruturação rejeitados, as consequências de todo este processo para os contribuintes e para o sistema financeiro exigem isso mesmo.
Do muito que se tem escrito nestes dias sobre o tema, que ocupa legitimamente o centro das atenções nos meios políticos e económicos, permito-me destacar o editorial do "Público" e as opiniões do antigo ministro Bagão Félix e do director-adjunto do "Expresso" João Vieira Pereira.

22
Out15

“O provedor da Direita”

JSC

“O provedor da Direita”

«Cavaco Silva não foi um bom presidente da República. Entre outras razões porque, ao longo dos últimos quatro anos, optou por ser o presidente de apenas uma parte da República. A parte que se identificou com a prática política do Governo PSD/CDS e que dela beneficiou. Apertando o critério, mais do que um presidente da República, foi um provedor do Governo. Por exemplo: quando era evidente que estavam a ser tomadas decisões fora da lei (a Constituição que jurou defender, independentemente do pouco apreço que lhe tenha), Cavaco contemporizou, deixando passar sem fiscalização sucessivos orçamentos. Outro exemplo: quando se percebeu, no verão de 2013, que já não existia Governo, com a demissão de Vítor Gaspar e a trapalhada do "irrevogável" Paulo Portas, fez aquela disparatada proposta ao PS de antecipar eleições a troco de segurar Passos Coelho no poder por mais um ano.

Mais ainda: ao longo do mandato esteve sempre disponível para o apoio aos poderosos e pouco preocupado com os deserdados. Pronto para um afago aos interesses da Banca (o BES…»

 

Rafael Barbosa, JN, 22/10

13
Out15

Costa arrasa mercados internacionais

JSC

A bolsa de Lisboa fechou em queda. A imprensa económica, a que as Tvs deram amplo destaque, quem fazer-nos crer que a queda das cotações está relacionada com a possibilidade de termos um governo de esquerda. O Jornal de Negócios, da Helena Garrido, titula mesmo: “Costa assusta investidores”.

Ora, uma vez que as bolsas em diversas praças europeia e não só - Wall Street fecha em baixa – também fecharam em queda é de concluir que António Costa arrasou os mercados internacionais…

12
Out15

Tão agitados e medrosos que eles andam…

JSC

É impressionante o nervosismo que grassa nos “opinadores” encartados que proliferam nos meios de comunicação social. É igualmente impressionante a coincidência de posições de diferentes directores de jornais, no sentido de considerarem que os contactos de António Costa com os partidos da esquerda é algo de tenebroso, impensável até há poucos dias, que nem dá para acreditar que está a acontecer. Escrevem e falam sobre isso, com o objectivo de influenciar a opinião pública para depois concluírem que é isso que a opinião pública pensa.

 

Uns e outros – opinadores e directores de jornais ou equivalentes – procuram todo o tipo de razões para mostrarem que o que António Costa está a fazer é a política no seu pior, que quer ganhar na secretaria, considerando até que António Costa está a fomentar um aberração democrática.

 

Uns e outros criticam António Costa por este estar a procurar uma solução, de entre as possibilidades que o novo quadro parlamentar possibilita. Mas uns e outros nada dizem sobre o silêncio a que os senhores do PàF se remeteram, seguindo a mesma estratégia que adoptaram na campanha eleitoral: Nada dizerem de substantivo, esconderem-se.

 

Só por grande miopia ou por interesses particulares muito profundos é que esta gente pode qualificar como anormal o esforço que António Costa está a fazer e que, se tiver sucesso, conduzirá a uma alteração radical no modo de fazer política em Portugal.

 

Talvez seja o medo desta mudança que os senhores dos jornais e os opinadores profissionais mais temem. Até hoje, o que eles qualificaram de arco da governação tem criado as condições para uma estabilidade de águas promíscuas, que eles influenciam mesmo quando parecem criticar.

 

Será por isso que a mera hipótese de um Governo formado pelas forças de esquerda já os assusta. Mas a constituição desse Governo e a hipótese desse Governo poder ter sucesso é uma coisa que os amedronta, torna-os pequeninos, irracionais até.

11
Out15

UMA PRESSÃO INTOLERÁVEL

JSC

Os principais programas de debate/análise política dos diferentes canais televisivos mostram como a balança na comunicação pende, fortemente, para o lado da PaF, da direita.

Desde os moderadores introduzirem os temas a debater na perspectiva do PaF, até os convidados – que eles escolhem – serem maioritariamente favoráveis à visão política do PaF, tudo serve para incutirem nas pessoas um discurso dominante, que procura mostrar como a formação de um Governo à esquerda é uma coisa má, antidemocrática, que atenta conta a nossa história recente, que nada há que aproxime os partidos à esquerda com o PS.

Por outro lado, onde até há dias viam opções radicais do PS veem agora programas “casáveis”, com muitos pontos de contacto, com os mesmos objectivos, fáceis de operacionalizar, porque, dizem, é uma questão de dose.

Ouvir Paulo Rangel, Marques Mendes, Luís Montenegro e outros defenderem que o PaF deve governar, porque ganhou as eleições, parece-me natural e legítimo.

Ouvir José Gomes Ferreira, José rodrigues dos Santos, Helena Garrido, André Macedo e outros que sob a capa de jornalistas apresentam autenticas propostas políticas; que estão sempre a apontar o fantasma dos mercados, os papões da Europa, como se este país fosse um protectorado ou coisa parecida; que espalham a ideia de que uma maioria parlamentar, desde que seja de esquerda, não é democrática; que olham para o PCP e para o BE como se estas organizações fossem a ralé da sociedade, com as quais não se pode negociar, apesar de representarem 20% do eleitorado.

As posições destes jornalistas, claramente comprometidos com o Paf, só é preocupante porque eles falam como se fossem profissionais politicamente isentos e é assim que muitas pessoas os ouvem, porque não os identifica com nenhum partido.

O principal obstáculo à constituição de um Governo de esquerda não estará tanto nos partidos do PaF mas na formatação da opinião pública que a comunicação social – jornais, rdp/tsf e televisões – leva a cabo de modo certeiro e contínuo com o objectivo de descredibilizar o PS e em particular António Costa.