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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

07
Abr17

"A Bíblia em Verso"

José Carlos Pereira

Foto do livro.JPG

 

No próximo domingo, tem lugar em Soalhães, Marco de Canaveses, a apresentação da obra de uma vida de um amigo de família. M. Monteiro da Costa, major da força aérea aposentado, dedicou dez anos à escrita de “A Bíblia em Verso”, cujo primeiro de seis volumes já foi apresentado em Alcochete, Montijo e Setúbal, onde se radicou há várias décadas.

A obra foi elaborada em sonetos heroicos (lírica de Camões) e conta com prefácio de Frei Fernando Ventura e breves notas dos Bispos D. José Ornelas e D. Manuel Martins, tendo merecido a validação de reputados biblistas. Será certamente uma obra de enorme interesse para crentes e não crentes e um momento relevante para os seus conterrâneos marcoenses.

 

18
Set12

Por todos nós

JSC

 

« A escritora Maria Teresa Horta, distinguida com o Prémio D. Dinis pelo romance “As Luzes de Leonor”, disse esta terça-feira à Lusa que não o aceita receber das mãos do primeiro-ministro, conforme o previsto.

 

  “Não recuso o prémio que me enche de orgulho e satisfação, recuso recebê-lo das mãos do primeiro-ministro”, deixou claro Maria Teresa Horta.  “o primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril [de 1974] e as grandes vítimas têm sido até agora os trabalhadores, os assalariados, a juventude que ele manda emigrar calmamente, como se isso fosse natural”. »

 

 In Público

08
Ago12

Férias na cidade

José Carlos Pereira

Uns dias de férias na cidade permitem sempre revisitar monumentos, passear por ruas e praças menos frequentadas e descansar em esplanadas que nos dão uma panorâmica diferente da cidade e das suas gentes.

O final de Julho no Porto conduziu-me de novo, ao fim de alguns anos, ao Museu Nacional da Imprensa, situado entre a Pousada e a Marina do Freixo, para ver a exposição do Porto Cartoon Festival e rever a exposição permanente que retrata a evolução das técnicas de impressão em Portugal. Um bom programa para os mais novos também e que pode ser visitado gratuitamente aos sábados, domingos e feriados.

Também o Centro Português de Fotografia justificou uma nova visita para ver as magníficas exposições que aí estão patentes. O próprio edifício da antiga cadeia da relação merece uma visita demorada, com o atractivo de podermos olhar o Porto a partir da cela onde Camilo Castelo Branco esteve detido e escreveu as suas obras de perdição. E segundo, os funcionários de serviço, "por enquanto ainda não se paga"...

Um passeio pela baixa conduziu-me à nova Praça das Cardosas, ali por trás do Hotel Intercontinental. Uma praça considerada zona privada de acesso público, mas que mereceu a chancela da toponímia da cidade. Ao ver o estado em que a praça se encontra - um verdadeiro estaleiro entaipado - custa a compreender o que é que Rui Rio ali foi inaugurar no início do mês passado. Enfim, opções obsessivas de um autarca em final de mandato...

23
Jan12

Guimarães Capital da Cultura e do Encantamento

O meu olhar

Fui à abertura da Capital Europeia da Cultura em Guimarães. Assisti ao espectáculo no Toural. Foi maravilhoso. A projecção foi impressionante, inesquecível. Guimarães é uma cidade encantadora, com pessoas que vivem a cidade e isso também se notou neste momento único. Foi bom, muito bom, ter feito parte desta festa.

Para quem não esteve lá deixo aqui algumas imagens para dar alguma ideia do que se passou, apesar de que estes momentos… só vividos!

 

 

 

 
16
Mar11

Verão de 95

sociodialetica

Estrada poeirenta. Montes de lixo desleixadamente acumulados junto às toscas habitações que traçam o desenho do percurso a seguir. No cimo do morro à direita os contornos do mercado Roque Santeiro, de mil cores e trocas, informal de nome, rico em negócios, poderoso em influências, formal, estatal, organizado nos apadrinhamentos. Caminhamos para Cacoaco no deslumbramento da cidade que fica no esquecimento das nossas costas.

Poucos quilómetros rodados a paisagem modifica-se. Há hortas, há plantas, há espaço. Também há empresas, pessoas e povoações.  Marcados pela urbanidade de um mundo selvagem de cimento, azáfama, esquema, loucura e intranquilidade estranhamos o que vemos, como se o rodopiar agreste da estrada nos impedisse de admitir que para além houvesse mundo.

As linhas de caminho de ferro que há muito não sentem o deslizar das rodas surgem aqui e além, entre estrume, mercados e a sonolência de hoje à espera do dia de amanhã que talvez exista. Linhas paradas mas que continuam a servir com as suas vigas para delimitar terrenos de nada, balizar imundices e esgotos onde as crianças brincam, pescam e ignoram que há um mundo diferente.

A pequena vila surge no desvio de um buraco do maquedame gasto. Azáfama de comércio rudimentar, face visível da produção que quase nunca nasceu. Pequenos restaurantes improvisados, de marketing apurado na captação dos poucos que vão chegando.

Depois de almoço tranquilo, mescla de sabores portugueses e angolanos confeccionados por patroa de grossas almofadas saindo pelos interstícios das roupas largas, procuramos onde labutava vidreira. É aí que nasce a esperança de encontrar lagosta em mercado conhecido.

Ei-lo à direita, em pequeno planalto, recuado na soleira do sol descoberto de cacimbo. Depois do ataque inicial de vendedores de limões, camarões, linguados e outros manjares, feitas as primeiras compras em saco plástico de ocasião, a preços que desconhecemos no contexto da sua ridicularia, percorremos as leiras entre montes de mamões, papais, jibungo, carvão, galinhas, medicamentos, quiabos, vinhos, garoupas e tudo o mais que a imaginação aprouver.

Ignorada a nova moeda são os velhos kuanzas que contam: muitos milhões por qualquer coisa. A nossa tez e maneira de estar e andar não os engana, habituados como estão à caça, ao assalto à presa desprevenida: temos direito à compra de outras mercadorias como de fardos de que se querem livrar. Aquela criança, um mês no máximo, é-nos oferecida por mãe solicita. O seu preço é em dólares. Quatro, que a vida está cara. Bem podemos recusar que o fardo está pesado. Mas a solícita mulher de sorriso de vendedor habituada a essas andanças não desarma. Afinal não percebe porque recusamos oferta tão vantajosa. Uma criança,  animal de leite, por quatro dólares nem está muito mais caro que as galinhas, linguados ou mamão. Até é mais barato que o camarão. E sempre valia mais despachá-la aqui do que esperar pelo novo mercado de fim de semana ou abandoná-la em local ermo da aldeia onde habita.

Como é diferente o mercado em Angola, porque hoje é sábado!