Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

01
Ago17

Diário político 217

d'oliveira

f_venezuela_crisis_170419.jpg

 

Mais venezuelano que isto só no finado Reich de mil anos

Uma criatura dada, ao que consta, à sociologia, entendeu dever defender o inqualificável regime venezuelano nas páginas do “Público”. O jornal, na sua ansia de respeitabilidade e de independência, dá lugar a todos os plumitivos mesmo aos que, como é o caso, defendem a prisão arbitrária (e na Venezuela a coisa além de comum, frequente é abundante), a repressão policial (já quase nem se contam os feridos e os presos nas manifestações mesmo se o número de mortos (de mortos, reparem bem) já ultrapasse a centena, o ataque às instituições, mormente ao parlamento eleito há pouco mais de um ano, seja o que se sabe.

Na Venezuela, os proventos do petróleo servem para pagar pinguemente os polícias, os militares, as milícias e fornecer uma espécie de refeições aos sequazes do regime. O resto, a maioria, que se aguente. Nos hospitais falta tudo, a inflação ronda os 800%, faltam os produtos mais básicos no mercado e não se passa um dia sem que uma população inerme mas desesperada não proteste, arriscando a liberdade e a vida. Na Colômbia já passa de meio milhão o número de refugiados. Ainda ontem, o governo colombiano(o mesmo que conseguiu fazer a paz com a guerrilha, estendeu o direito de permanência sem limite de tempo a essas centenas de milhares de pessoas que assolados pela fome e pela ameaça passa as fronteiras.

Tirando Cuba, beneficiária de generosas doações de petróleo, não há país latino americano que abone aquele ridículo mas perigoso ditador de pacotilha herdeiro do falecido Chavez, inventor duma delirante ideologia “bolivariana”. O “bolivarianismo” é um cocktail de velhas ideias todas mais ou menos radicais que fizeram a desgraça da América Latina e a glória de uma pequena multidão de generais e caciques corruptos, incultos e ignorantes.

O senhor (presumo) professor ou ex-professor em Coimbra atreve-se a dizer que de fora da Venezuela chovem medonhos ataques contra a democracia cristalina defendida por Maduro e sequazes. A palavra democracia neste arauto da tirania grotesca que assola um país que poderia ser próspero, rico e tranquilo, parece a de um émulo daquele Scaramucci que durou dez dias na Casa Branca. No afã de defender o indefensável, o sociólogo coimbrão mostra até que ponto pode descer um “intelectual” fascinado pelo fanatismo ideológico, pela moda dos radicalismos cada vez menos operantes naquela parte do mundo.

Por muito menos, infinitamente menos, Antero qualificou um intelectual do seu tempo como “esgoto moral”.

Maduro, o herói do embevecido “sociólogo” faz Trump parecer um democrata inteligente e um político tolerante. A que miserável ponto chegámos!

Depois de mais uma facecia eleitoral, em que pouco mais de dois milhões de eleitores votaram, ainda não se conhece país, decente ou menos decente, que aprove esta caricatura de democracia. Mais, são já numerosos os governos que declararam não reconhecer esta fraude chamada eleição da assembleia constituinte, fuga para a frente de um regime iníquo, criminoso e opressor.

Sabe-se, aliás, e socorro-me, entre outros, de “Le Monde” que boa parte dos votantes compareceram mais por temor de serem excluídos (ainda mais excluídos) dos favores do regime do que por convicção. As ameaças de Maduro, hoje mesmo postas já em execução com a prisão de dirigentes da posição recentemente saídos dos calabouços onde vegetavam há anos cumprindo penas enormes por “conspiração”, “traição” e outras acusações aberrantes são um sinal de que as coisas vão piorar. Com o aplauso do liberticida de Coimbra, espera-se, adivinha-se...

(é propositadamente que se não nomeia a criatura ora posta em questão. Uma pessoa, mesmo condenando, não deve sujar a metafórica folhinha de papel em que escreve nomeando-a. De resto, e desde há muito, desde sempre, aliás, a criatura mostra o que vale. Desde um passado de assistente no tempo em que estes só entravam nesse grupo depois da aprovação dos poderes da altura, até um lamentável livrinho de versos tudo concorria para tornar a personagem risível. Todavia, isto, o artigo no Público, ultrapassa todas as (más) espectativas que a vaidade e o desejo de se mostrar poderiam suscitar. O homenzinho não presta. Não presta e, como uma espécie de Midas da fossa, transforma em merda tudo o que toca).

d'Oliveira fecit,  1 Agosto 2017