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Incursões

Instância de Retemperação.

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30
Mar10

Marco de Canaveses comemora 158 anos

José Carlos Pereira

O concelho de Marco de Canaveses, a minha terra natal, assinala amanhã 158 anos sobre a data da sua fundação, em 31 de Março de 1852. A autarquia local promove algumas iniciativas para assinalar esse facto, entre as quais a conferência "O Marco de Canaveses e a República".

Essa conferência decorrerá amanhã à noite, no salão nobre dos Paços do Concelho, cabendo-me a tarefa de partilhar com o Prof. Jorge Alves, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, algumas reflexões sobre a evolução do concelho nestes cem anos da República e a sua realidade actual e futura.

02
Fev10

A balança do poder... (Parte 1)

Castro

Graphic of hourglass, colored in blue and grey; a circular map of the western hemisphere of the world drips from the top to bottom chamber of the hourglass.

 Muito se fala do poder das grandes corporações, governos e de todo e qualquer interesse instalado que se movimenta para lá das leis nacionais e internacionais para benefício próprio. Todos sabemos que isso é uma realidade, e muitas vezes pensamos que o único papel que nos resta é falar, falar e falar um pouco mais, pois sabemos que essas corporações têm imenso poder e conseguem dissimular quase tudo. Quando existe uma falha, e um desses esquemas vê a luz do dia, o sistema vê-se obrigado a actuar, o que resulta normalmente em anos de tribunais que resultam em... nada. Não sou um teórico de conspirações, bem pelo contrário, quando quero tomar uma posição gosto de ter factos, mas bem sabemos que em casos destes esses factos muitas vezes estão guardados a sete chaves.

  Alguns amigos meus, mais conservadores, atiram-me com o argumento que essas histórias são fruto de mentes anti-globalização fertéis de mais, e na verdade que mais posso dizer se não tenho factos para rebater?

 

Onde eu quero chegar com tudo isto é ao facto de, normalmente, quando um grande esquema é desvendado, acontece porque algum pobre desgraçado ganha coragem e denuncia. Normalmente acaba inundado em burocracia legal existente para proteger essas mesmas corporações ou governos. Isso mudou em 2006. Um grupo de activistas criou um sítio, wikileaks, em que a sua única função é receber e publicar documentos incriminatórios sobre governos e corporações. A única função do sítio é verificar a sua veracidade e colocá-los disponíveis para toda a gente ver. Porque é que isto é inovador? Dois motivos, primeiro permite ao delator uma barreira de protecção legal que de outra forma não teria, segundo está acima de qualquer lei nacional ou internacional de bloqueio de privacidade criada (também)  para proteger esses mesmos interesses. 

 

Não me quero prolongar em descrever o que é o wikileaks, pois tenho uma opinião muito pessoal, e quero reservar-me, para que vocês possam formar a vossa opinião sem qualquer tipo de influências de leituras pessoais. De referir, no entanto, que neste momento o sítio não está a divulgar documentos, apenas a recebê-los, por dificuldades financeiras. No entanto, aconselho-os a irem ao sítio, pois tem dois vídeos que explicam mais detalhadamente o que é o wikileaks. São em inglês e um bocado massudos mas aconselho vivamente a vê-los.

 

Assim que passar algum tempo, para poderem conhecer melhor este projecto, prometo uma segunda parte para explicar, traduzindo em casos reais, como este sítio já contribuiu para um pouco mais de transparência.

 

 Wikileaks has probably produced more scoops in its short life than the Washington Post has in the past 30 years 
—  The National, November 19. 2009

 

www.wikileaks.org

 

Aqui deixo dois vídeos que explicam o que é o wikileaks. O segundo vídeo tem sete partes, mas vale a pena ver pois é a apresentação pelos próprios fundadores.

 

 

15
Jan08

Museu do Pão

ex Kamikaze
O Museu do Pão é um complexo museológico privado onde se exibem e preservam as tradições, história e arte do pão português. Em mais de 3.500m² o visitante encontra uma gama de actividades destinadas à cultura, pedagogia e lazer.
Através de quatro salas expositivas e de vários outros espaços do complexo museológico, poderá conhecer os antigos saberes e sabores da terra portuguesa.


Tertúlias
No derradeiro sábado de cada mês, o museu convida uma personalidade da cultura portuguesa, que no Bar-Biblioteca conversa com o público. Deste modo se procede a uma aproximação entre personalidades culturais portuguesas e o público, numa frutuosa troca de ideias. Estas tertúlias, por onde têm passado algumas das mais ilustres personalidades culturais portuguesas, em muito tem contribuído para a dinamização da região serrana, tendo já alcançado assinalável projecção.

Dia 26 de Janeiro, 22h00 - SÉRGIO GODINHO

Exposições Temporárias
Várias exposições temporárias já passaram pelo espaço reservado para tais eventos, na Sala da Arte. O destaque que têm alcançado na Comunicação Social e na apreciação do público atestam a sua qualidade. Estas exposições duram em média seis meses.

Actualmente está patente ao público, até Abril de 2008, a Exposição Temporária “Saborosos Postais”.



Outras actividades e informações

11
Jan08

Aviso à navegação

ex Kamikaze

Kamikaze, por estes tempos e pelos mais próximos, travestida de capitão perna-de-pau, ainda que do sabre apenas se sirva da bainha, vem chamar a atenção de tripulantes e companhia para as alterações feitas às listas de blawgs e blogs na side bar, esperando que sejam do vosso agrado. Os critérios de selecção foram do mais pessoal que há - os colocados são os que visito ou gostaria de visitar e, propositadamente, não incluí os ditos blogs "de referência", geralmente de cariz mais político, excepção feita ao Causa Nossa (porque o vejo regularmente, ainda que para me irritar).

À co-administradora "o meu olhar" digo: "não se acanhe em acrescentar a lista!", aos demais incursionistas: "sugiram!", a quem souber como se faz, de maneira simples, a colocação da lista de "etiquetas" na side bar (sem usar o "new blogger"), peço: "uma dica!", de novo a todos os incursionistas: "se continuam a ser tão criativos na escolha de etiquetas, a lista vai ficar tão, mas tão tão grande que se tornará impublicável, tornando inútil a "dica" atrás pedida"... :)

ADENDA em 15 Jan. 08:

dada a ausência das solicitadas "dicas", a proliferação de "etiquetas" temáticas, o elevado nº de posts a etiquetar (são hoje um pouco mais de 4.100 e só recentemente passámos a usar esta função de "etiquetagem"), informo que criei novas categorias - tantas quantos os nomes dos contribuidores actuais e passados, a saber: L.C., compadre Esteves-primo de Amarante (J.B.M.), carteiro (C.R.), til, Tomás, Kamikaze (L.P.), Nicodemos, Gastão, Rui do Carmo, Sílvia Chueire, Rebeldino Anaximandro, Amélia Pais, JCP, mocho atento, M.C.R., Simas Santos, Rui Cardoso, Cabral Mendes, contraverso, Forte, Anto, d'Oliveira, o meu olhar, JSC.

A pouco e pouco irei colocando as etiquetas nos quase 5.000 posts. Não se preocupem, isto está a funcionar para mim como imagino funcione para quem tricota (coisa que nunca fui capaz de aprender e a minha mãe bem tentou ensinar-me): mãos ocupadas em tarefas basicamente mecânicas, enquanto o pensamento flui e se organiza sem propósitos prévios. É só um interlúdio nas demais ocupações sedentárias a que estou limitada.

Para pesquisa sugiro que utilizem as páginas mensais (vide "Arquivos", na side bar), pois se usarem a função "pesquisar neste blog" vão aparecer muito poucos postais.

Para que o trabalho valha a pena terão é de, cada um de vós incursionistas, passar a incluir o vosso nome, tal como consta das etiquetas, em cada um dos postais que escrevam.

07
Jan08

Cursos de Formação Avançada Justiça XXI

ex Kamikaze
Cursos a promover no ano de 2008 pela ASJP com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra/Observatório Permanente da Justiça Portuguesa

. 1º curso - Garantias e eficácia no quadro da nova reforma penal -
Incrições abertas até ao dia 16 de Janeiro de 2008
. Novos desafios do Direito do Trabalho
. Imigração, integração e direitos humanos
. Organização e gestão dos Tribunais
. A nova intervenção da Justiça Administrativa

Destinatários -
Os cursos de formação avançada são dirigidos a todos os profissionais da justiça ou com especial ligação a este sector, designadamente magistrados judiciais e do Ministério Público, advogados, funcionários judiciais, órgãos de polícia criminal, meios de comunicação social, técnicos de instituições do Estado, de associações ou de organizações não governamentais.

Formadores - O corpo de formadores pretende-se ajustado à multidimensionalidade dos domínios temáticos trabalhados em cada curso de formação. Contará com a colaboração de académicos, investigadores, profissionais do foro (magistrados judiciais e do Ministério Público e advogados) e outros profissionais detentores de conhecimento específico e relevante no âmbito das temáticas formativas.

Regras de participação - Inscrições limitadas a 40 participantes. As inscrições deverão efectuar-se desde o anúncio do curso de formação até 15 dias antes da data prevista para o seu início. A prioridade é dada às inscrições por ordem de chegada. Em cada curso 25% das vagas são reservadas aos associados da Associação Sindical dos Juízes Portugueses.
Dois dias após o fecho das inscrições, será enviado a todos os inscritos um plano do curso com a indicação das matérias e questões que os formadores prevêem desenvolver, bem como a documentação relevante para o acompanhamento do curso (legislação, bibliografia, textos de apoio).
Até 5 dias antes do início do curso, os formandos poderão suscitar, no âmbito do tema agendado, outras questões que considerem igualmente relevantes e que gostariam de ver discutidas no decurso da formação.
Todos os participantes no Curso passam a ter acesso ao Fórum de discussão on-line, dinamizado pelas entidades organizadoras.

Local de funcionamento - Os cursos decorrerão nas instalações do
CES (Coimbra), da ASJP (Lisboa) ou, sempre que se justifique, noutros locais do país.

Mais informações em:
http://www.ces.uc.pt/misc/formacao_avancada_justica_xxi.php
05
Dez07

Cafés e Tertúlias

ex Kamikaze
Um interessante trabalho, dinamizado pelo A Defesa de Faro, um blog em que o futuro se pensa também pela evocação do passado.
Vejam, que vale a pena e é só clicar aqui!



(o que foi o) Café A Brasileira (antes "O Baleizão"), de cujos bolos de aniversário - ai, aquela "abelhinha", que surpresa marivilhosa foi! - ainda me lembro... )

Ao ler/ouvir o texto do vídeo, poderia imaginar exactamente a zona em que o meu pai "abancava" no café Aliança, não fora saber que, entre tantas outras coisa boas, ele se distinguia por não se encaixar nesse mundo socialmente estratificado que o vídeo refere... tinha entre os seus melhores amigos pessoas que se espalhariam por algumas das zonas do café descritas no vídeo, pelo que fico curiosa em saber se andaria de mesa em mesa ou se ia variando consoante os dias... Vou tentar averiguar :)

30
Out07

do Diário do tenente Pires

ex Kamikaze
Foi no passado dia 18 de Outubro a apresentação, na Fundação Mário Soares, perante uma numerosíssima assistência, deste livro de investigação histórica que, durante os dois últimos anos, fez com que não pudesse usufruir tanto como gostaria da companhia do meu bom amigo António Monteiro Cardoso, o seu autor.

Na apresentação, bem entregue a José Medeiros Ferreira, a leitura dramatizada, pelo escritor timorense Luís Cardoso, de um texto (*) de sua autoria, foi um momento alto.

O António, que conheci nos idos de 70 na Faculdade de Direito de Lisboa, onde se licenciou, apesar de não renegar o jurídico na sua vida profissional, nunca deixou de alimentar a sua paixão pela investigação histórica e, contador nato que é de histórias, dera já à estampa, em co-autoria, o ensaio A Guerrilha do Remexido (que comandou a guerrilha miguelista no barlavento algarvio) e o romance Boas Fadas que te Fadem (uma delícia de escrita e reconstituição, que se inicia em Freixo de Espada à Cinta, terra das suas origens, em plena Inquisição).
Doutorado, entretanto, em História Contemporânea pelo ISCTE, sempre se interessou também especialmente pelo direito da Comunicação Social, tendo obra publicada nesta área, e lecciona a cadeira de Direito da Comunicação Social na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa.

Para ti António, com uma vénia ao teu espírito irrequieto, inteligência vivíssima, memória incomum e notável sentido de humor, os meus PARABÉNS e votos de sucesso para este teu novo livro.


«O livro tem como tema central a ocupação japonesa de Timor e a guerra de guerrilhas, movida por tropas australianas, a partir das montanhas, com o auxílio dos indígenas e de muitos portugueses, que o fizeram à revelia da política de neutralidade ditada pelo Estado Novo.
A maior parte desses portugueses eram funcionários, plantadores e sobretudo deportados, que para ali tinham sido desterrados por motivos políticos em 1927 e 1931. Muitos desses homens combateram ao lado das tropas australianas, constituindo o que aqueles chamavam a “brigada internacional”. Essas tropas acabariam por retirar do território, ficando aqueles portugueses, bem com os timorenses que as tinham apoiado, abandonados em Timor, à mercê das forças japonesas e dos seus auxiliares das “colunas negras”, por eles arregimentadas.
Para tentar convencer os comandos militares aliados a evacuar aqueles homens, o tenente Pires, administrador de Baucau, aceitou deslocar-se à Austrália, mas deparou com a indiferença das autoridades, o que o levou a encetar uma campanha para salvar os seus companheiros. Por fim, como única forma de o conseguir, acabou por se oferecer ele próprio para se deslocar a Timor, então fortemente ocupado pelo exército japonês. Desse modo, conseguiu salvar aqueles homens, mas acabou por ser capturado e morto nas prisões japonesas.

Através do diário que o tenente Pires escreveu, cruzado com importantes dados colhidos nos arquivos militares australianos, reconstitui-se neste livro a situação desesperada então vivida por timorenses e portugueses, durante a ocupação nipónica.
Para enquadrar estes acontecimentos, o livro debruça-se sobre as campanhas militares que levaram à ocupação efectiva do território, bem como o modelo de colonização estabelecido. O quadro político e diplomático complexo em que se entrechocam na zona os interesses nipónicos e australianos constitui o pano de fundo desta narrativa.
Neste contexto a política de Salazar em relação a Timor, apresentada como um notável sucesso, é analisada à luz de factos, então ocultados, que põem em causa essa visão triunfalista, sobretudo o abandono à sua sorte dos portugueses, que se mantiveram escondidos no território, muitos dos quais vieram a morrer em circunstâncias trágicas.
Curiosamente, a política de Salazar quanto a Timor, de desguarnecimento militar da colónia, ordens irrealistas de resistência e responsabilização do governador por não as ter cumprido, antecipa já o que veio a suceder em relação à Índia, cerca de vinte anos depois.»

António Monteiro Cardoso

(*)

Ao António e à Luísa, agradecendo a colaboração no enquadramento histórico do romance “Requiem para o Navegador Solitário” (Lisboa, D. Quixote, 2007)

Caramba Manuel
como esperas conseguir esconder tanta gente?
foi isso mesmo que ouviu numa mensagem enviada da Austrália após o seu desembarque em Timor, regressado daquele país, para onde se havia ausentado em busca de apoio dos aliados para salvar os portugueses, que embora estivessem cobertos pelo estatuto de neutrais, eram brancos e ocidentais, uns desterrados pelo regime e outros abandonados pelo Império numa ilha do fim do mundo, no extremo oriente, lá onde “O Sol logo em nascendo vê primeiro”. Talvez Camões ao escrever este verso, tivesse intenção de referir-se aos japoneses que têm estampado na sua bandeira o Sol, símbolo de Deus ou Imperador, e em nome de quem não davam descanso a ninguém, nem mesmo ao Manuel e ao seu grupo, que foi engrossando com toda gente que lhe pedia protecção. Afinal foi para isso que se tinha retirado para a Austrália com a promessa de regressar com ajuda

Caramba
Manuel
como esperas conseguir esconder tanta gente?
perguntava Manderson com quem havia estabelecido o compromisso de que a sua missão em Timor seria a de um grupo secreto com a função de observar o movimento das tropas japonesas, tão invasoras como todas as forças militares que antes haviam entrado em Timor. O australiano recomendava-lhe que se libertasse de alguns. Como poderia libertar-se de alguns, se lhe juntava mais um fugitivo, mais desesperado ainda que o anterior, um desterrado do Alentejo ou um nativo de Kelikai, que no seu entender era tão português como o malae.

o texto do Luís Cardoso na íntegra AQUI