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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

30
Ago17

Parques empresariais e desenvolvimento local

José Carlos Pereira

Um amigo que lidera uma candidatura independente para a Assembleia de Freguesia do Marco solicitou o meu contributo para ajudar a reflectir sobre a relação entre parques empresariais e desenvolvimento local, o que resultou na publicação do seguinte texto no jornal da referida candidatura:

 

"A atracção de pessoas, empresas e emprego qualificado é hoje em dia um dos principais focos das autarquias locais e uma das alavancas em busca da sustentabilidade dos municípios e das regiões.

A competitividade dos territórios depende fortemente da capacidade revelada pelas autarquias para atrair e manter empresas, sobretudo aquelas que possam acrescentar valor à economia local. Isso exige políticas activas que promovam um contexto favorável ao empreendedorismo e ao desenvolvimento dos negócios. Enquadram-se nesse âmbito, designadamente, as medidas de natureza fiscal sob alçada das autarquias, as taxas e tarifas praticadas e o envolvimento dos municípios na agilização dos procedimentos de instalação e licenciamento, que devem ter como mote criar um ambiente facilitador e amigo das empresas.

Um dos eixos mais destacados das iniciativas autárquicas direccionadas para as empresas envolve a disponibilização de terreno industrial devidamente infra-estruturado a preços competitivos. Os parques empresariais, com efeito, são hoje um cartão de apresentação dos municípios mais avançados na captação de investimento e um elemento determinante no marketing territorial.

Os parques empresariais devem ser projectos bem estruturados, com a dimensão adequada ao meio em questão, cumprindo todas as exigências em termos de salvaguarda do meio ambiente e de fruição dos espaços comuns. A gestão condominial desses parques, com a prestação de serviços de gestão ao nível da promoção, da segurança e da manutenção, é um elemento diferenciador e muito valorizado pelas empresas que percebem que têm a ganhar se puderem contar com uma estrutura que as liberte de tarefas menos relacionadas com o seu processo produtivo.

Com a instalação das empresas nos parques empresariais surge com naturalidade o interesse de áreas conexas com a actividade industrial (serviços financeiros, seguros, medicina, higiene e segurança no trabalho, manutenção industrial, consultoria de gestão, restauração, etc.) também se fixarem nesses parques, contribuindo para que essas infra-estruturas se constituam como verdadeiros pólos de desenvolvimento.

Os parques podem também ser um bom exemplo de cooperação empresarial, uma vez que a concentração de empresas de diferentes sectores de actividade num único local fomenta a prestação de serviços entre empresas instaladas e a promoção integrada de marcas, produtos e serviços.

A atracção de investimento qualificado traz também associada a procura de trabalhadores com as qualificações adequadas, o que faz elevar o patamar de formação dos quadros existentes e abre oportunidades àqueles que estão ainda a estudar.

Mais empresas representam mais emprego. Melhor emprego traz melhor remuneração. Mais poder de compra é sinónimo de desenvolvimento da economia local. Tudo o que uma política autárquica deve procurar para afirmar o seu território."

18
Ago17

Empresas do Norte lideram desempenho económico

José Carlos Pereira

As empresas do Norte lideraram os principais indicadores de desempenho económico no período entre 2008 e 2015. Mais uma vez, o Norte a puxar pelo país, antes, durante e depois da troika. Na análise de conjuntura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, sobressai, pela negativa, a perda de população na região (cerca de 135 mil habitantes) na década 2006-2016, explicada sobretudo pelo saldo migratório negativo.

29
Set16

Que competitividade?

José Carlos Pereira

Pelo segundo ano consecutivo, Portugal desceu no índice mundial de competitividade elaborado pelo Fórum Económico Mundial (FEM). E desta vez foi uma queda de oito posições, do 36º para o 48º lugar, no ranking liderado pela Suíça. Entre os factores que mais concorreram para essa descida, destacam-se as taxas e impostos, a burocracia do Estado e a “instabilidade política”.

Depois de ocupar o 23º lugar em 2002, no final dos governos de António Guterres, a tendência foi de descida ao longo da última década, assistindo-se a uma significativa recuperação de quinze lugares em 2014, curiosamente o ano que coincidiu com o fim do Programa de Assistência Económica e Financeira e com a celebrada partida da troika. O arauto Daniel Bessa exclamava ontem na televisão que nem no tempo da troika se assistira a tamanha queda de competitividade em Portugal.

Pois bem, mas afinal o que justificará esta montanha russa do índice de competitividade português medido pelo FEM, que recupera quinze lugares em 2014 e perde oito lugares em 2016? Se os indicadores de saúde, educação, infra-estruturas e mercados financeiros não registaram grandes alterações de 2014 para 2016, se temos até um Governo manifestamente comprometido com a modernização administrativa e o combate à burocracia no Estado, podemos concluir que as grandes variações ocorreram na política fiscal e na solução de Governo em vigor. Ou seja, a competitividade de que os empresários auscultados gostam é aquela que é formatada pelas políticas austeritárias aplicadas pela troika, carregando nos impostos sobre o trabalho, aliviando a regulamentação laboral e seguindo os ditames orçamentais de Bruxelas e do Norte da Europa. Quando aparece um Governo que procura inverter essas políticas, lá se vai a competitividade. É um bom retrato das elites que temos.

22
Dez15

O caso BANIF

José Carlos Pereira

O Governo e a Assembleia da República têm a obrigação de fazer da resolução do BANIF um caso exemplar. O que disse, há um ano, a Comissária Europeia da Concorrência, o que se sabe do modo como o Governo PSD/CDS (não) conduziu o dossier junto da UE, com oito planos de reestruturação rejeitados, as consequências de todo este processo para os contribuintes e para o sistema financeiro exigem isso mesmo.
Do muito que se tem escrito nestes dias sobre o tema, que ocupa legitimamente o centro das atenções nos meios políticos e económicos, permito-me destacar o editorial do "Público" e as opiniões do antigo ministro Bagão Félix e do director-adjunto do "Expresso" João Vieira Pereira.

24
Fev15

A Europa, a Grécia, Portugal e…as claques

José Carlos Pereira

A situação que se tem vivido nos últimos tempos na Europa, na sequência das eleições na Grécia e do posicionamento do novo governo grego face aos programas de ajustamento e às medidas de austeridade, levou a discussão e o comentário político para uma nova dimensão: a irracionalidade das claques!

Em vez de se adoptar uma atitude de mente aberta e de reflexão consciente das várias possibilidades em cima da mesa, o comportamento do governo grego passou a ser o azimute a partir do qual os diferentes sectores da sociedade se pronunciam. Em Portugal, isso é por demais evidente.

Os partidos políticos, certos movimentos sociais, jornalistas e comentadores comprometidos com a maioria no poder enquistaram numa posição: nós, em Portugal, passámos por muitas privações, abusámos da austeridade, empobrecemos o país, cientes de que esse era o único caminho permitido pelos credores e pela Alemanha. Sempre dissemos que não havia outra via para a consolidação das contas públicas e que não era viável amenizar a austeridade que nos auto-impusemos. Agora, não podemos vir dizer que é possível enfatizar outras políticas, ajustar a caminhada em termos sociais e privilegiar o crescimento económico que permitirá pagar as dívidas. Não, era o que faltava! Logo, há que criar uma barreira na opinião pública gritando que não há alternativa e que é preciso castigar os levianos dos gregos. A TINA (There Is No Alternative) ao poder!

Já do lado da oposição, e mesmo entre alguns sectores da área política da maioria que não se revêem nas políticas seguidas, tem prevalecido uma visão mais sensata. Ou seja, estando mais do que visto que o preço social pago pela austeridade sem freio é incomportável e que a sociedade não aguenta mais prosseguir nesta via, é fundamental criar condições para uma negociação aprofundada das condições de reembolso dos empréstimos obtidos junto da UE, do BCE e do FMI. Assim, se a Grécia fizer bem o seu trabalho de casa e ganhar vencimento para algumas das suas causas, naturalmente isso será positivo para Portugal e para outros países. Já escrevi sobre isso mesmo aqui.

Não compreendo, portanto, esta sofreguidão da claque contra a Grécia, os seus governantes e o Syriza. Como se os mesmos tivessem lepra e deles tivéssemos de nos afastar. Pelo contrário, tendo sido tão bons alunos, de acordo com o discurso do governo português, só teremos a ganhar se os gregos levarem esta luta por diante e ganharem alguma coisa com isso. Lá estaremos, depois, a levantar o dedo para reivindicar condições semelhantes. É assim tão difícil de entender?!

09
Fev15

“Conto de crianças” começa a fazer caminho

JSC

O ainda primeiro-ministro Pedro Passos Coelho olha para a nova realidade grega e vê um “conto de crianças”.

Por sua vez, o Chanceler da Áustria, Werner Faymann olha para a mesma realidade e conclui que se tem de “encontrar uma solução entre o enquadramento acordado no passado e os esforços do novo Governo [grego]", porque, diz, "um novo caminho tem de ser encontrado". Aos jornalistas reforçou que ambas as partes têm de ceder nalguns pontos: "Temos de encontrar soluções mutuamente aceitáveis."

Não se pense que o Chanceler é algum esquerdista ou membro de algum grupo anti austeridade. É um social-democrata, provavelmente, da família política do partido a que pertence o grupo liberal liderado por Pedro &Portas. Pelos vistos, o Chanceler pensa pela sua cabeça, capaz de interpretar os malefícios que esta política de austeridade tem produzido, consciente que prosseguir esta política não só empobrece cada vez mais os países devedores, como acabará por destruir o Euro e a própria UE.

Como é imensa a distância entre o olhar do governante austríaco para a Grécia e aquele que a troika pedinte  germanizada – Pedro Passos Coelho /Paulo Portas / Pires de Lima – nos tem passado.

16
Jan15

Dez anos de prisão e mil chicotadas por querer ser livre

JSC

Os governantes sauditas são nada mais nada menos que os nossos grandes amigos, vendem petróleo a preço justo, compram aviões, armamento, alimentam a economia ocidental com matéria-prima e depois compram o produto acabado. Deve ser por isso que os governantes do Ocidente nunca tentaram ali a “primavera árabe” nem se preocupam com a barbárie que se abate sobre os sauditas que ousam libertar-se do jugo.

Raif Badawi, o Charlie saudita condenado a mil chicotadas

15
Dez14

20 Fundos internacionais acossam Governo

JSC

Há dias Cavaco Silva comentava os efeitos sobre Portugal resultantes da prisão preventiva do ex-primeiro-ministro… Para nos tranquilizar, concluía que não vai afectar a imagem de Portugal. E parece que era verdade.

Pois bem, Cavaco Silva tem agora uma nova oportunidade para nos tranquilizar sobre o efeito das medidas tomadas pelo Governo na opção de partis o BES em Banco Bom e Benco Mau, porque;

Cerca de 20 fundos internacionais, que perderam dinheiro com o fim do BES, pediram à União Europeia a anulação da medida de resolução aplicada ao banco, que poderá travar a venda do Novo Banco, segundo a agência Bloomberg.

Está-se mesmo a ver quem vai pagar…