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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

22
Nov12

“Não martelem os dados” para atacar o Estado Social

JSC

Santana Castilho é um reconhecido especialista na área da educação, cujo prestígio está acima de qualquer suspeita, com tribuna assente no Público.

 

Há dois, três anos, quando Passos Coelho começava a fazer o caminho que o confrontou com a opção “ou há eleições do país ou há eleições no PSD”, por essa altura, Santana Castilho parecia aproximar-se dessa ala de pensamento, a ponto de aparecer na comunicação social uma colagem do PSD ao pensamento de Santana Castilho (e vice-versa).

 

Chegado Passos Coelho ao poder, depressa Santana Castilho descobriu com que gente se tinha metido e mais depressa ainda se afastou das políticas delineadas para a educação pelo governo PSD/PP-CDS.

 

No artigo publicado no Público, sob o sugestivo título “Não martelem os dados”, Santana Castilho desmonta, de algum modo, a estratégia que o governo está a utilizar para desmantelar o sistema de ensino público. O Governo não teve pejo em utilizar uma instituição prestigiada como o Tribunal de Contas, com o objetivo de poder apresentar números não validados, falsos, mas que a comunicação propala segundo a visão dos promotores e que articulistas, tipo JMF, fazem eco e replicam numa visão ultra liberal, de autentica obstinação contra o ensino público, de defesa dos muitos interesses instalados no ensino privado pago com dinheiros públicos.

 

O recente artigo de Santana Castilho bem merecia ser lido, debatido e ser objeto de reflexão por todos os agentes do ensino público e pelas associações de pais. O Governo vai deitar mão de todos os instrumentos para desmantelar a educação pública. Para a reduzir a um sistema que apenas sirva os pobres e os novos pobres.

03
Jan12

O doutoramento de Adriano Moreira em Cabo Verde

José Carlos Pereira

O texto do Prof. António Fidalgo, da Universidade da Beira Interior, publicado no "Expresso" desta semana sobre o doutoramento honoris causa do Prof. Adriano Moreira pela Universidade do Mindelo, em Cabo Verde, revelou-me um acto que desconhecia e do qual terá havido um eco reduzido nos nossos media.

Académico e pensador do Portugal contemporâneo, Adriano Moreira é uma daquelas personalidades de espessura invulgar que fazem falta à reflexão e acção política quotidiana, o que não custa reconhecer mesmo quando se está em quadrantes políticos diferentes. Foi, de resto, o único ministro de Salazar que o regime democrático acolheu de braços abertos, tendo sido deputado e líder do CDS no final dos anos 80 e no início da década de 90 do século passado.

Este primeiro doutoramento honoris causa em Cabo Verde reuniu o consenso da intelectualidade e dos políticos cabo-verdianos, contando com a presença do primeiro-ministro e dos reitores das seis universidades de Cabo Verde, entre os quais Iva Cabral, filha de Amílcar Cabral.

Adriano Moreira tem-se empenhado ultimamente na defesa de uma maior aproximação de Cabo Verde a Portugal e à União Europeia. No espírito de muitos estará ainda a revogação da Lei do Indigenato, que privava dos direitos de cidadania os nativos do ultramar, quando exerceu funções ministeriais em 1961/62.

 

21
Dez11

O "bom" professor ausente

José Carlos Pereira

O professor do 1º ciclo do ensino básico Mário Nogueira, actual secretário-geral da Fenprof, está há 21 anos destacado no seu sindicato e afastado da actividade docente. Ainda assim é avaliado como “bom” professor pelos seus pares. Diz ele que foi "avaliado com base num relatório de toda a actividade desempenhada na Fenprof, acções de formação que realizei, conferências e congressos em que participei, artigos que escrevi na comunicação social, tudo".

Ora bem, já que não ensina, alguma coisa haveria de o avaliar como professor, mesmo se já não se deve lembrar do que é pôr os pés numa sala de aula. E teve a nota limite para não ter de concorrer com os colegas e ter de se sujeitar a fazer um trabalho, o que seria uma chatice. Tudo legal e o afastamento de 21 anos da sua profissão também não o impediu de chegar ao topo da carreira docente.

Mais palavras para quê?!

20
Jul11

Mudam-se os tempos…

O meu olhar

Em Março de 2011  a então Ministra da Educação Isabel Alçada propunha na Assembleia da República, a eliminação da área de projecto e a limitação do estudo acompanhado. Na altura toda a oposição, incluindo portanto o PSD e o CDS, votaram contra. Agora o actual Ministro da Educação defende o mesmo, sem oposição à vista. Então e o despedimento dos professores? E a falta de estudos que fundamentem a medida? Mudam-se os tempos... A mim, o que me espanta, é que apenas decorreram quatro meses entre as duas posições.

 

Isabel Alçada em defesa da reforma

 

 

 

 O PSD respondia assim:

 

21
Out10

O Ranking das Escolas e as Olimpíadas de Física

JSC

Não me recordo de se ter dado algum destaque à participação de estudantes portugueses nas XV Olimpíadas Ibero-Americanas de Física e muito menos aos bons resultados obtidos. Nesses dias a noticia e debate, aquelas conversas fiadas inventadas pela TSF, copiadas pela RDP e que agora algumas televisões já seguem, foram em redor do ranking das escolas, colocando ênfase no mau posicionamento das escolas públicas.

 

Segundo se lê no Público, o bom resultado obtido naquelas jornadas de física foi conseguido por alunos de escolas públicas, o que de algum modo pode contradizer o que jornalistas e comentadores têm andado a dizer.

 

Acresce que o tal ranking, em meu entender, não vale coisa nenhuma, porque compara o que não tem comparação. Como sabe, as escolas públicas admitem, indiscriminadamente, os alunos das respectivas zonas de influência. Por sua vez, as escolas privadas, designadamente as melhores qualificadas nos ditos rankings, seleccionam os alunos que pretendem admitir, apreciam o seu curriculum escolar como se tratasse de uma candidatura a um emprego, recaindo a decisão na escolha selectiva dos alunos de um estrato social médio alto, com um percurso escolar com melhores notas (que não são necessariamente os mais capazes) e, consequente, a eliminação dos outros, que acabarão por escolher uma escola privada menos selectiva ou a escola pública.

 

 Também por esta razão os meios de comunicação social, designadamente os de serviço público, deveriam ser capazes de separar as coisas, dar o toque distintivo que os tornasse diferentes da ligeireza comentarista que reina no universo da comunicação social e que, qual praga, se transmite às pessoas em geral.

16
Set10

É destas notícias que eu gosto

O meu olhar

 


De acordo com a notícia do DN a secundária Alves Martins, em Viseu, conseguiu que 27 alunos entrassem em Medicina, o curso superior com a média mais alta no País. Um feito do qual poucas escolas do País se podem orgulhar. Na escola, considerada com tradição e referência em Viseu, houve ainda 15 alunos a ingressar em Arquitectura, "outro curso com médias de acesso elevadas". Mas na secundária houve ainda outros oito alunos com médias suficientemente altas para entrarem em Medicina, mas que optaram por Medicina Dentária, Medicina Veterinária e Nuclear.

o director Adelino Pinto, para quem este "sucesso mostra que é sinónimo e resultado de bons alunos, bons professores e boas práticas". O director lembra que, "apesar de estar no interior do País, a exigência é sinónimo de qualidade" e acrescenta que "a escola tem adequado o seu grau de ensino às exigências do Ministério da Educação e da sociedade". Mas salienta que a escola "tenta ir ao encontro do que se exige, e adaptamos os nossos métodos em busca de melhores resultados".

Marta Costa, que ensina português, aponta a "postura exigente e rigorosa" da secundária onde "todos trabalham para o mesmo objectivo". E salienta "uma cultura organizacional apurada que permite ter um objectivo e atingir estes resultados".

Também os alunos apontam a "exigência" como causa para estes resultados, diz Bernardo Santos. "Não andam atrás de nós, mas exigem sem nos castrar", conclui este aluno de 16 anos.Já Carlos Esteves, finalista, garante que na escola "os professores estão sempre disponíveis, mesmo fora dos horários e motivam-nos a ser mais exigentes connosco, remata". Por outro lado, "o ambiente é descontraído, há muitas actividades e os alunos funcionam como um grupo, unido, o que nos impele a querer fazer melhor", assevera Joana Lemos, de 15 anos.

 

 

Esta notícia do DN reforça a ideia que em todas os sectores há quem se esforce, quem procure dar o seu melhor, se envolva e se empenhe para atingir objectivos elevados e outros, com as mesmíssimas condições, optam por se queixarem, deitarem culpas a terceiros pelos maus resultados e deitam-se confortavelmente nas suas desculpas. É assim no ensino, é assim nas empresas, é assim em todas as áreas. Mais do que nas condições, é nas pessoas que está, de facto, a diferença.

21
Jul09

O que se avalia na Escola?

JSC

Hoje, ao ler esta notícia, lembrei-me de um aluno que depois de chumbar pelo terceiro ano consecutivo à disciplina que leccionava veio expor-me a sua situação. Disse ele, que só lhe faltava essa disciplina para acabar o curso, que obtivera passagem, com boas notas, às disciplinas com precedência, cuja nota aguardava pelo resultado desse exame. Disse mais, que estava empregado e que tinha programado o casamento para esse Verão, que por tudo isso lhe traria um grande desarranjo se não fizesse a disciplina e com isso acabasse o curso (bacharelato).

Ouvido isto, falamos sobre a disciplina e o seu desempenho, perguntei-lhe o que pensava fazer em matéria de estudo, ee ia prosseguir para a licenciatura ou se ficava por ali. A resposta foi pronta, estava farto de estudar, ia casar e apostar no trabalho que tinha.

Analisado o “contexto” pareceu-me que nada de grave aconteceria se lhe desse um dez no exame. De uma assentada resolvia o problema dele, da namorada e dos pais. Ainda falei com um colega, também professor do referido aluno, que foi da mesma opinião. Afinal de contas o rapaz queria era casar e para isso os pais exigiam que acabasse o curso. Pelo estilo nunca mais pegaria num livro e outros comentários deste jaez, convenceram-se a dar (em sentido literal) o dez.

E a coisa bem podia ter acabado por aqui. Contudo, dois ou três anos volvidos, eis que me cruzo com o ex-aluno numa Universidade. Cumprimento-o e digo, então, que faz por aqui? A resposta foi requintada: Estou a acabar a licenciatura. Muito bem, felicidades, disse.

De seguida telefonei ao meu colega e contei-lhe. Olha o malandro, disse ele.

Agora que li a notícia do Público, quem sabe se este aluno ainda não vai acabar uma licenciatura ou mesmo um mestrado, quem sabe…

 

03
Fev09

Promover a educação integral do aluno

mochoatento
Ontem, o Rotary Club do Porto visitou a Escola Básica 23 Augusto Gil, sede do
Agrupamento Vertical Augusto Gil, no Porto. Admirei, desde logo, a organização, o aprumo e a limpeza da Escola, que é frequentada por 650 alunos. Trata-se de uma escola pública que, no local, sucedeu aos privados Colégio de Nossa Senhora da estrela (feminino) e, posteriormente, Colégio João de Deus (masculino), que é uma referência na cidade. Presente estava o decano dos rotários portuenses que, há 70 anos, deixara o Colégio, após conclusão dos estudos liceais. Um pequeno museu mantém viva a história do João de Deus. Anualmente, reúnem-se na Escola os antigos alunos do Colégio João de Deus (119 no último evento).

A Dra. Teresa Miranda, Presidente do Conselho Executivo, apresentou o Projecto Educativo do Agrupamento, "Aprender a Ser, Aprender a fazer, Aprender a Conhecer". Foi uma exposição interessante, viva, clarividente, reveladora de um grande conhecimento da realidade educativa, dos recursos e dos objectivos pretendidos. Comentei, no momento, que estávamos perante uma professora. De facto, no gesto, na exposição, na paixão, não podia ser senão professora.

A Escola tem, entre outros, dois problemas. Os edifícios de Santa Catarina estão abandonados, por não reunirem condições de segurança, o que é uma pena porque a Escola se debate com falta de espaço. Acresce que não dispõe de laboratórios. O respectivo espaço é no terceiro andar e por razões de segurança têm de transitar para o nível térreo, mas não há verbas nem para as obras, nem para os equipamentos.

Na mesma ocasião, foi entregue bolsa de estudo, patrocinada pela Fundação Rotária Portuguesa, a uma jovem do 9º ano, do quadro de mérito da Escola, para que a ajude a suportar os custos de prosseguir nos estudos e vir a concluir Economia, como é o seu sonho.

Momentos como os de ontem servem para descobrir que ainda há sistema de ensino em Portugal, que há pessoas empenhadas em ensinar e educar, da melhor maneira, os mais jovens. Apesar das dificuldades, ainda há quem não se deixe paralisar pela inércia.

3 pequenas notas: a Escola tem alunos de muitas nacionalidades; a Escola integra alunos portadores de deficiência; a Escola elabora planos de recuperação (para os que apresentam dificuldades de aprendizagem), e planos de desenvolvimento (para os que revelam capacidades acima da média).

Gostei da Biblioteca e dos clubes que funcionam na Escola. E vale a pena ler o Gilinho.