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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

08
Mar17

estes dias que passam 345

d'oliveira

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Os aprendizes de ratazana e a necessária digna resposta

(ponto prévio:não conheço e não gosto do sr. dr. Jaime Nogueira Pinto que, nos meus longínquos tempos de estudante, representava a Direita radical na Universidade. Ficou-me desse tempo uma antipatia visceral pela personagem mesmo se admita que os tempos mudam muito quando não mudam tudo. Em teoria, estou disposto até a acreditar que JNP seja actualmente um pacífico conservador pronto a aceitar a Democracia em todos os seus aspectos).

A questão: parece que o dr Nogueira Pinto ia proferir uma conferencia na Universidade Nova sobre Democracia e Populismo. E que a dita conferencia seria apadrinhada por uma organização chamada “Nova Portugalidade”.

Pelos vistos, a Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas entende que a desconhecidíssima Nova portugalidade é “nacionalista e colonialista” pelo que a conferência de Nogueira Pinto mesmo se trata de questões absolutamente diferentes sê-lo-ia também!!!

Vai daí a AE avançou com um protesto que coenvolveria ameaças à boa ordem dos trabalhos. O diligente director da FCSH aproveitou a boleia para cancelar a alegadamente incómoda conferência receando eventualmente pela vida ou pela saúde do dr Nogueira Pinto ou de qualquer eventual espectador.

Nada de novo sob a roda do Sol. Por razões não muito diferentes (sempre a ordem pública) foram proibidas as Conferências do Casino patrocinadas pelos díscolos da Geração de Setenta (o melhor que Portugal teve no século XIX).

Um bando de rapazinhos patetas e provavelmente ignorantes faz um berreiro, grunhe um par de ameaças veladas e lá se vai o verniz democrático de uma Faculdade, dos seus dirigentes e dos seus estudantes que provavelmente desconheceriam o evento na sua esmagadora maioria.

Conheço, de raspão o senhor Coronel Vasco Lourenço e a Associação a que preside (A Associação 25 de Abril onde tenho comido uns magníficos cozidos à portuguesa, numa ambiente simpático e caloroso com amigos de sempre).

A Associação 25 de Abril é claramente – e com todo o direito – uma associação progressista, conotada com a Esquerda e que reúne boa parte dos chamados militares de Abril. Nada pois que permita associá-la a Jaime Nogueira Pinto, claramente um dos vencidos do 25A.

Todavia, nem o facto de JNP ser, eventualmente, um adversário político perturbou o claro pendor democrático e abrangente da Associação 25 de Abril que, ao saber do cancelamento canalha da conferência, imediatamente pôs os seus salões à disposição do conferencista. Chama-se a isto “espírito democrático”, nobreza democrática e amor à liberdade e à discussão livre.

A associação 25 de Abril não precisava de mais louros para se estabelecer como organismo digno e relevante na sociedade portuguesa. Porém, ao perceber ameaçada uma das liberdades que fizeram nascer o movimento que lhe deu corpo e razão de ser não hesitou em mostrar o caminho. O caminho da liberdade, da troca franca e leal de opiniões. Em breve, com os amigos do costume, lá irei para mais um almoço de cozido. Desta feita, entrarei mais contente, mais grato e mais consciente de que piso uma zona livre e digna.

 

*Ao senhor Coronel Vasco Lourenço (de quem por vezes discordo) à Direcção da A25A aos seus associados e frequentadores o abraço do cronista: o 25 A faz-se todos os dias mesmo que isso pese aos imbecis de alguma associação de estudantes e aos que com eles tergiversam, fogem, escondem-se ou calam.

09
Mai13

D iário Político 184

d’Oliveira

 

O jornalista João Miguel Tavares assina no Público uma crónica sobre o assassínio de um estudante que tentou defender os cofres da Queima das fitas do Porto.

Mesmo assim, a festa finalístico-alcoólica continuou como se nada fosse. Parece que pará-la por uns momentos, máxime um dia, custaria uma dinheirama preta.

E depois, ao que alegam uns alegres beberrões, o morto era “praxista” e choraria de alegria ao saber que lhe festejam o trágico passamento com hectolitros de carrascão, cerveja e anónimos shots.

O jornalista, e bem!, pergunta-se que gentinha é esta que bebe para festejar um luto como ocorreria “entre os bosquímanos do Kalahari”-

Não tenho procuração para falar em nome dos povos Koisan, assim se chama às etnias Guy e Gana que constituem, no essencial, o grupo que habita aquelas inóspitas paragens.

Posso, porque já li umas coisinhas sobre eles, afirmar que se algum membro do clã lhes morresse em semelhante circunstância não se arrastariam bêbados como carros pelas dunas do deserto.

Há nesta gente primordial e anterior a todas as restantes populações africanas um sentido da vida, da ética e da moral que felizmente os distinguem a léguas de distância da avinhada estudantada portuense que queima fitas energia e solidariedade a jactos de aguardente ou similares.