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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

12
Dez17

Sem rei nem roque

José Carlos Pereira

As redes sociais criam agora ondas de clamor perante reportagens que desvendam gestão danosa e falta de ética, para dizer o mínimo, em certas IPSS e outras entidades sem fins lucrativos. A realidade da Raríssimas ou de algumas Associações Humanitárias de Bombeiros é multiplicada por muitos outros casos, por todo o país. 

Instituições que gerem muito dinheiro, com acesso a fundos públicos, são pasto fácil para a prática de abusos por quem ocupa a gestão dessas entidades, às quais falta quase sempre o devido escrutínio dos associados, dos próprios órgãos sociais e, em muitos casos, das entidades públicas financiadoras. A super-estrutura dirigente assegura o controlo da instituição como bem quer. E quanto maior for a instituição, maior é a impunidade e a falta de escrutínio. Não faltam exemplos.

18
Jan15

7 Mortes. 7 Inquéritos para silenciar a responsabilidade política

JSC

Nas duas últimas semanas morreram 7 doentes nas urgências dos hospitais. Os últimos dois casos aconteceram nos Hospitais de Almada e de Santarém. Hoje morreu uma doente que esteve nove horas à espera para ser atendida.

Já aqui nos referimos ao colapso das urgências hospitalares. A cada morte segue-se um inquérito. O inquérito é a chave para as não respostas, para ninguém assumir responsabilidades.

O ministro veio dar umas palavras a abater. É o excesso de procura, É a idade avançada das pessoas, disse ele. Como é óbvio o ministro da saúde não diz a verdade. A verdade é que morrem pessoas sem serem atendidas. Este é que é o verdadeiro problema.

A verdade é que por imposição do Ministro das finanças, corroborado pelo primeiro ministro, os cortes na saúde foram devastadores. Não foram só os enfermeiros que foram mandados para o estrangeiro. Foram também os médicos que foram forçados a sair, foram os cortes na manutenção e renovação dos equipamentos, na aquisição de materiais. Mesmo nos centros de saúde e nas USF faltam meios e materiais básicos, simples desinfectantes. Este é o resultado de opções políticas. Por isso é que os políticos deveriam ser responsabilizados pelo que está a suceder.

É espantoso que os próprios utentes, apesar das muitas horas de espera, não culpam os profissionais de saúde. Pelo contrário, louvam-nos porque reconhecem que trabalham muito para além do tolerável, fazem-no para suprir as carências de pessoal. Só o Governo é que continua a falar dos profissionais que irá admitir, quando o problema é o presente, as pessoas que estão a desesperar, a morrer amontoadas nas urgências.

É espantoso como esta situação não gere uma onda de repúdio na população. É espantoso como os partidos da oposição não reagem mais frontalmente, como o Presidente da República convive tranquilamente com tudo isto, como a equipa do ministério da saúde e a das finanças passam incólumes, vendendo a imagem que estão a salvar o SNS e o país.

05
Jan15

Aconteça o que acontecer não se demitem!

JSC

Começaram por pôr os portugueses contra os funcionários públicos. Gizaram um plano de desmantelamento dos serviços públicos. Fecharam serviços. Concentraram funções e serviços díspares. Pouco se importaram se as populações tinham condições de acesso. Subiram as taxas moderadoras e as custas judiciais. Encerraram tribunais, escolas e centros de saúde. Fizeram o mesmo com estações dos CTT, com as Repartições de Finanças. Obrigaram as populações a fazerem dezenas ou centenas de quilómetros para tratar de assuntos que até então tratavam no centro da vila. Diziam que era a Troika que assim obrigava. Agora sabe-se que a redução de funcionários foi de 80.000. O dobro do acordado com a Troika. Mas ainda não estão satisfeitos. Anunciam, para 2015, mais 12.000 saídas na função pública. 

Entretanto, mata-se no recreio das prisões (por falta de guardas) e morre-se nas urgências dos Hospitais. Morre-se em casa porque não se pode comprar os medicamentos ou porque não há condições para ir aos tratamentos que o IPO ou outros hospitais receitam. E enquanto se morre assim, o que fazem os responsáveis do Ministério da Saúde? Abrem inquéritos. E porque abrem inquéritos, nada respondem pelo crime de não assitência. Estão à espera das conclusões que os inquéritos vão dar. À espera das suas respostas. à espera que se encontre uma desculpa, quando a verdadeira culpa está na política que o governo aplicou na área da saúde.

O ministro é que não aparece. O primeiro ministro também não. Estas coisas passam-lhe ao lado. Ou esperam que passem para logo aparecerem a anunciar qualquer coisa desviante de atenções.

Neste Governo nenhum ministro se demite. Só o dos vistos Gold. Devia estar ansioso por ter uma boa razão para partir. Os outros parecem lapas. O desmantelamento dos serviços da Justiça gerou o caos. A Ministra pediu desculpa. Caos é o que se tem vivido e vive na Educação. O Ministro pediu desculpa. O Ministro da Saúde nem isso. Bem podia pedir desculpa aos familiares dos mortos. Sim, pedir desculpa e demitir-se de seguida, para segurança de todos nós, para se por termo ao desmantelamento do SNS.

19
Ago13

É preciso criar nos cidadãos a ideia de que SNS é deles e é pré-pago

O meu olhar

Notícia no SOL:

 

 

A Fundação para a Saúde quer devolver aos cidadãos a sensação de que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) lhes pertence, como um seguro público, para que possam exercer a sua influência: protegê-lo e pedir prestação de contas.


O documento que serve de base à discussão do futuro congresso "SNS: Património de Todos", a que a Lusa teve acesso, considera que é essencial para a sobrevivência do Serviço Nacional de Saúde desenvolver o sentimento de pertença nos portugueses.

 

"Só fazendo o SNS efectivamente nosso poderemos assegurar a sua sobrevivência", refere o documento, lembrando que a falta de crescimento económico e o aumento da dívida pública colocaram em risco o futuro do serviço.

 

Para o presidente do conselho de administração da Fundação para a Saúde, Constantino Sakellarides, o cidadão português sabe pouco sobre o SNS, muito devido à transição das caixas de previdência para o actual sistema.

 

"Passámos de um modelo explícito de seguro público para um modelo implícito. As pessoas perderam o sentido de pertença. É necessário desconstruir a noção de que isto é do Estado e reconstruir a noção de que isto é consequência de um seguro público que é nosso", afirmou à Lusa.

 

Ao fazer do SNS um serviço de todos os cidadãos, Sakellarides acredita que se está a dar um passo importante para o proteger, mas igualmente para "exigir contas".

 

Esta "prestação de contas", refere o especialista em saúde pública, tem que ver com a forma como foram usados os recursos do cidadão para o funcionamento do SNS.

 

Sakellarides lamenta, por exemplo, o desinteresse e desconhecimento sobre a lei que obriga a definir anualmente os tempos máximos de resposta para uma cirurgia e a facultar aos utentes a informação sobre esses tempos.

"Ninguém se interessou sobre essa lei. O Ministério todos os anos faz uma portaria igual de ano para ano e os serviços não as cumprem. E as pessoas não querem saber", lastimou.

 

O documento estratégico que servirá de debate ao congresso de Setembro indica ainda que é preciso vincar a ideia de que "o SNS não é gratuito, nem sequer tendencialmente".

 

"Tem sido e continua a ser pago por todos - é pré-pago, através de impostos, segundo os princípios de um seguro público - para nos poupar da preocupação de pagar quando estamos doentes", lê-se no texto.

 

A Fundação insiste também na ideia de que seria indispensável antecipar o impacto da crise e dos programas de ajustamento financeiro nos serviços de saúde dos países intervencionados, como Portugal, considerando "a falta de interesse das instituições europeias no assunto sintomática e preocupante".

Lusa/SOL

15
Jan13

Uma discussão enviesada

José Carlos Pereira

O país encontra-se mergulhado num clima de dúvidas e incertezas, que acaba por ser exacerbado pelo comportamento errante da classe política dirigente. O Governo, por não saber como deitar mãos ao corte de quatro mil milhões na despesa pública, esconde-se por detrás de relatórios de entidades internacionais, como o FMI e a OCDE, esperando que sejam esses economistas estrangeiros a dizer-nos de que Estado é que Portugal precisa. O caricato é que os jornais de hoje até já antecipam o que a OCDE vai defender, mesmo antes de lhe ter sido encomendado o trabalho…

Incapaz de construir um diálogo frutuoso com o principal partido da oposição e com os parceiros sociais, o Governo usa esses relatórios como forma de pressão sobre o PS e a UGT, nomeadamente, escapando-lhe que, com esse comportamento, esgota qualquer possibilidade de compromisso para encetar as reformas necessárias e inadiáveis.

Como se este quadro não fosse suficiente, o PS dá uma ajuda na atrapalhação e, a propósito da reforma ou extinção da ADSE, consegue dizer uma coisa e o seu contrário. O responsável por acompanhar a área da saúde no secretariado defende a extinção da ADSE, o líder parlamentar diz que não senhor, socialistas com responsabilidades na área, como António Arnaut e Correia de Campos, dizem que é necessário reformular esse subsistema e António José Seguro vê-se obrigado a vir a terreiro serenar ânimos. Já José Lello, sempre atento “à mercearia”, recorda que a maioria dos funcionários públicos vota no PS, pelo que é necessário cautela com as reformas…

É hoje evidente que o país não tem condições para suportar uma miríade de subsistemas e regalias que algumas classes profissionais foram conquistando ao longo dos anos, levando a despesa pública para níveis incomportáveis. Olhe-se então de frente e sem preconceitos para aquilo que o Estado pode proporcionar aos cidadãos com o nível de impostos que estes estão disponíveis para pagar. Depois é fazer as contas, como dizia Guterres. Preferencialmente num clima sereno, com diálogo e reflexão, envolvendo e responsabilizando Governo, oposição e parceiros sociais. Sem correrias e tiros para o ar, até porque a meta ainda está longe…

29
Mar12

Um simples número nas estatísticas do SNS

O meu olhar

Uma amiga minha muito especial, doente oncológica, enviou a carta que abaixo transcrevo, a um conjunto de entidades ligadas ao sector da saúde.

Para o Ministério da Saúde e para o Governo ela é apenas um número que integra as estatísticas. No entanto, ela é mais que isso, é uma pessoa com um problema de saúde cujo apoio do SNS para a boa evolução do mesmo não se compadece com decisões cegas de gabinete.

Fica aqui a carta, para reflexão:

 

  

Exmos. Senhores

Ministro da Saúde

Presidente do Conselho de Administração do Hospital de Santa Maria

Director Clínico do Hospital de Santa Maria

Presidente da Comissão de Coordenação Oncológica

Director do Serviço de Oncologia Médica do Hospital de Santa Maria

  

1. Sou doente oncológica há vários anos, actualmente seguida no Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria;

2. Na sequência de uma recaída da minha doença, iniciei quimioterapia em Agosto de 2011;

3. Dados os maus resultados revelados pelas análises clínicas, em 26 de Outubro de 2011, o meu médico optou pela suspensão da quimio e prescreveu TAC abdominal, pélvica e torácica, para uma mais completa avaliação da situação e selecção de tratamento mais adequado; estas TAC foram pedidas com urgência, desejavelmente num prazo máximo de 15 dias;

4. Fui informada que, por força das restrições em vigor, determinadas pelo Ministério da Saúde, os exames tinham obrigatoriamente de ser feitos no Hospital de Santa Maria, não sendo possível a sua requisição ao exterior, como era habitual;

5. Na ausência de um contacto do Hospital de Santa Maria nas semanas seguintes, dirigi-me aos serviços de imagiologia deste hospital; aí, fui informada da impossibilidade de previsão exacta da calendarização das TAC, e de que era extremamente improvável que as mesmas pudessem concretizar-se a curto prazo;

6. Preocupada com as consequências do adiamento dos exames, decidi recorrer aos serviços de uma empresa privada, a IMI, onde realizei as TAC, em 16 de Novembro de 2011, pagando 350 €;

7. O relatório da IMI  veio confirmar o agravamento da doença já sugerido pelas análises clínicas e, em 22 de Novembro, o meu médico oncologista prescreveu-me um novo tratamento de quimioterapia, que iniciei em 5 de Dezembro de 2011;

8. Na tarde de 30 de Dezembro de 2011 (2 meses depois da data da requisição das TAC e decorridos já 2 ciclos da nova quimio), recebi um telefonema do Hospital da Cruz Vermelha, informando-me que seria neste hospital que iriam concretizar-se os exames requisitados em Outubro no Hospital de Santa Maria e propondo-me marcação das TAC para Janeiro de 2012; devido à minha argumentação e à boa compreensão da pessoa com quem falei, consegui que os exames fossem antes marcados para o final de Março, altura em que, na opinião do meu médico oncologista, seria útil fazer uma nova avaliação da eficácia da quimioterapia em curso. Em 28 de Março de 2012, fiz as TAC, no Hospital da Cruz Vermelha.

 

Gostaria de expressar aqui a minha profunda insatisfação com a não realização atempada do meu exame através do SNS.

Gostaria ainda de alertar para as graves consequências que esta situação poderia ter tido para a minha saúde, caso eu não tivesse optado pela realização do exame numa empresa privada, assegurando o pagamento de 350 € não reembolsáveis.

 

Concluo, deixando ainda as seguintes interrogações:

 

- O que acontece aos doentes que confiam cegamente no sistema de saúde e concluem que a falta de contacto do hospital numa situação como esta significa que o diagnóstico e inicio de novos tratamentos não são urgentes?

 

- E aos que, não conseguindo reunir as somas avultadas cobradas pelas empresas privadas e não passíveis de reembolso, não realizam os exames com a rapidez necessária?

 

- O que me teria acontecido a mim, se não tivesse feito a TAC por minha conta e, após 3 meses sem tratamento e iniciando mais tardiamente um tratamento novo, a minha doença se tivesse agravado de forma irreversível?

 

- O que poupou o SNS e o país com esta situação, se afinal a TAC foi realizada no Hospital da Cruz Vermelha, um hospital privado, com a agravante de se vir a concretizar, no mínimo, com 3 meses de atraso em relação à data recomendada para o exame?

 

- O que pouparia o SNS se eu tivesse aceite passivamente a realização da TAC na data que me foi proposta (Janeiro) - demasiado tarde para o objectivo à data em que foi prescrita, demasiado cedo para fazer uma nova avaliação - resultando, portanto, num custo desnecessário?

 

Espero que esta reclamação e reflexões possam contribuir para uma maior ponderação do impacto na saúde dos doentes das decisões que estão a ser tomadas na área da Saúde pelo Governo e Ministério da Saúde.

 

 

Nota final minha:

Todos sabemos o que está por detrás dessa decisão de não marcação de exames em entidades privadas no final do ano: a execução orçamental de 2011. Em Janeiro de 2012 essa medida já não se aplicou, como vimos neste caso, porque já não influenciava os dados da Execução orçamental de 2011.

 

"Custe o que custar". Foram estas as palavras que usou, não é assim sr. primeiro ministro?

19
Jul11

Do discurso fácil à realidade em sentido contrário

O meu olhar

Tomei a liberdade de reproduzir parte de um excelente texto de Mariana Vieira da Silva do JUJULAR por tratar de um assunto ao qual sou particularmente sensível: a área da saúde pública. Esta área está no centro de fortíssimos interesses económicos e á alvo fácil para discursos fáceis e não fundamentados, como foi o caso ontem, no Prós e Contras.

 

César das Neves debita frases nas quais parece não ter pensado mais de meio segundo, cheio de certezas e de "eu sempre disse". A questão é que grande parte dessas frases são pura e simplesmente falsas.

Um exemplo. Diz-nos César das Neves, gesticulando: "Nós temos um sistema de saúde pior que os outros e que gasta mais que os outros per capita" Daria imenso jeito ao argumento de um Estado gordo, que desperdiça e onde seria facílimo cortar que esta frase de César das Neves fosse verdadeira; mas não é. Portugal gasta menos em saúde do que a média da OCDE, quer quando falamos de despesa pública per capita, quer quando falamos de despesa privada per capita, como mostra o gráfico abaixo.

 

   

 

Podia dar-se o caso de sistema de saúde ser pouco eficiente e estar afundado em gastos desnecessários e consumos intermédios, mas, para mal de César das Neves, não é assim. Portugal apresenta melhores indicadores de qualidade e tem menos despesa percapita que a média da OCDE . Os EUA são o país que mais gasta e apresenta uma esperança média de vida de 78 anos, Portugal com quase ¼ do gasto alcança os 79 anos.Portugal está entre os 6 países mais eficientes da OCDE

22
Nov09

Gripe A

José Carlos Pereira

Ter alguém do nosso núcleo familiar com Gripe A permite-nos ver como o sistema está a responder. Ou não.

Perante o avolumar de casos de Gripe A, o Serviço Nacional de Saúde deixou de ter condições para fazer as triagens e os exames necessários para despistar a doença. No caso que acompanhei, o serviço Saúde 24 respondeu com eficácia e o centro de saúde da área de residência também. Contudo, não há meios suficientes para fazer os exames a todos os que apresentam sintomas consistentes da presença do vírus. Tudo é tratado como se fosse Gripe A.

Presumo que só as pessoas com perfil de risco, devido a outras doenças, têm os exames assegurados. Assim, o comum dos cidadãos, se quiser saber com certeza se padece ou não de Gripe A, tem de recorrer a laboratórios privados - que cobram preços que variam entre os 60 e os 150 euros!

 

 

A Gripe A confirmou-se cá por casa, mas estamos a envidar esforços para a abater...

03
Set09

Ressonar

O meu olhar

                          

 
Estudo relaciona ressonar alto a maior risco de morte. Indivíduos que apresentam sérias dificuldades para respirar durante o sono têm um risco 50% maior de morrer antes de alguém da mesma idade que não sofre dessa condição.
Esta é a conclusão de um estudo da Universidade de Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que relacionou sintomas como ressonar alto e sono difícil a uma menor expectativa de vida.
Entre homens de 40 a 70 anos, o aumento do risco é ainda maior: esses sintomas podem indicar o dobro de risco de uma morte prematura para a mesma faixa de idade, afirmaram os investigadores.
O estudo, publicado na revista científica online Public Library of Science (PLoS), acompanhou mais de 6.400 homens e mulheres durante oito anos.