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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

24
Ago15

Uma estreia como provador de vinhos

José Carlos Pereira

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Há sempre uma primeira vez para tudo e este Verão fiz a minha estreia como jurado numa prova de vinhos verdes. Integrada no programa das festas do concelho de Marco de Canaveses, a Feira dos Vinhos contou com a Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno como entidade avaliadora dos vinhos presentes no evento.
Marco de Canaveses tem conhecido um significativo aumento da qualidade dos seus vinhos nos últimos anos, com a conquista de vários prémios nacionais e internacionais, e a Rota dos Vinhos do Marco é uma iniciativa coroada de êxito, reunindo quintas e produtores do município.
Pois bem, pude constatar que não é tarefa fácil seleccionar um entre doze vinhos a concurso numa prova cega. Até porque a maioria desses vinhos faz uso das mesmas castas e muitos deles contam com o contributo do mesmo enólogo. Para um estreante, torna-se difícil, a meio da prova, guardar os aromas e os sabores de todos os vinhos, pese embora as notas que iam sendo tiradas. Fiquei com um respeito ainda maior por provadores e escanções!
O vinho vencedor da prova, não por unanimidade como por lapso refere o texto da Câmara Municipal, pois isso seria praticamente impossível, foi o “Leiras do Forno 2014”, da Quinta do Forno, localizada em Paços de Gaiolo, já na encosta voltada para o Douro. Fica aqui o convite para que conheçam e provem os vinhos verdes de Marco de Canaveses.

30
Mar15

Aquapura e Ongoing – que ricos exemplos!

José Carlos Pereira

Os jornais dos últimos dias trouxeram ecos de dois casos exemplares de súbita ascensão e queda, no turismo e na comunicação social. Sempre com a banca (ou o BES) por trás.
O empresário Diogo Vaz Guedes foi um dos paladinos do movimento Compromisso Portugal, mas não perdeu tempo a vender a Somague aos espanhóis da Sacyr Vallehermoso. Depois, claro está, de ter obtido concessões de exploração e distribuição de água e saneamento verdadeiramente ruinosas para vários municípios. Há cerca de dez anos lançou-se na área do turismo. Ambicionava construir um número considerável de hotéis e avançou com a construção do hotel Aquapura Douro Valley, em Lamego, no Douro, juntamente com outros investidores, entre os quais António Mexia, ex-ministro e actual presidente da EDP, que entretanto, se desfez da sua participação no projecto. Compreende-se porquê.

Segundo veio recentemente a público, a empresa promotora do hotel teve de recorrer a um Plano Especial de Revitalização, acumulando dívidas a credores de cerca de 46 milhões de euros! Mais de noventa por cento desses créditos pertencem ao BES Investimento. Como é fácil encomendar o luxo e defender as virtudes do liberalismo…
Nuno Vasconcellos criou a Ongoing para construir um grupo de comunicação social dominador, em parceria com o seu sócio espanhol Rafel Mora. A empresa teve participações significativas na Impresa e na TVI, comprou o grupo “Diário Económico” e investiu também nessas áreas no Brasil e em Angola. A Ongoing foi um player destacado na gestão da PT nos últimos anos, sempre alinhado com os interesses do BES, e fez gala de contratar políticos e gestores influentes, com vista a alicerçar um projecto de poder com raízes maçónicas.
Quando tudo parece ruir, estima-se agora que a dívida da Ongoing atinja os 500 milhões de euros, pelo que os sócios estão em vias de separação e alguns dos investimentos vão ter de ser vendidos à pressa, sob pressão dos bancos credores. Ah, e Nuno Vasconcellos foi mais um dos promotores do Compromisso Portugal. Que rico alfobre!

25
Ago14

Um brinde na Comporta

José Carlos Pereira

 

As férias deste Verão coincidiram com o auge da crise no BES e no GES, pelo que o tema terá sido recorrente nos veraneantes habituados a escolherem a Comporta como destino de férias. Não sei se este ano circularam por lá, como é costume, muitos membros da família Espírito Santo, mas não faltavam clientes aos restaurantes locais mais conhecidos.

A esse propósito, não resisto a partilhar um testemunho impagável sobre um brinde efectuado à mesa de um desses restaurantes. O brinde não foi presenciado por mim, mas sim por alguém a quem ouvi o curioso relato.

Pois então, na hora de erguer copos e taças, uma respeitável senhora fez um brinde à saúde…e à liquidez!

Sem dúvida, um brinde adequado aos tempos que correm.

20
Ago14

O nosso Agosto

José Carlos Pereira

Uma silly season mais movimentada do que o habitual trouxe-nos motivos vários para adensar as nossas preocupações e os nossos debates:

BES

De repente, ficámos a saber que o BES, afinal, não estava imune ao contágio do GES, ao arrepio daquilo que nos foi sendo dito meses a fio por governantes, Presidente da República, governador do Banco de Portugal (BdP) e comentadores económicos. Viu-se o descalabro que atingiu o banco e as suas ramificações empresariais e comprovou-se que as (melhores) famílias não resistem a recorrer à especulação financeira para sustentar os seus negócios descapitalizados. Ainda falta muito para se perceber se a solução engendrada pelo BdP e pelo Governo foi adequada, assim como se desconhecem os encargos que vão recair sobre o bolso dos contribuintes. Entretanto, outros bancos estão a ser auditados e as notícias que vão chegando não prometem descanso…

Carlos Moedas

Passos Coelho tirou da manga o seu secretário de Estado adjunto e indicou-o para comissário europeu. Descontinuado o trabalho que tinha no executivo, após a saída da troika, Moedas tornar-se-á o comissário indicado por Portugal com pior curriculum. Curriculum político e profissional, pois a sua ligação à Goldman Sachs, nesta altura do campeonato, não é flor para usar na lapela. Quando a Europa e o próprio Juncker procuram dar uma guinada no sentido da competitividade, do crescimento, do emprego e da inovação, Portugal indica alguém que quis ser mais troikista que a troika e que acolheu a austeridade com um sorriso nos lábios. Um justo prémio!

PS

A campanha interna para as primárias do PS amoleceu um pouco, o que permitiu conter algum radicalismo extemporâneo. A vida partidária não se deve assemelhar a um clube de futebol, mas isso nem sempre é tido em conta pelos militantes mais aguerridos. António Costa percorre o país e ganha a simpatia dos portugueses. António José Seguro procura suster os seus apoios de sempre. O país não se basta com palavras bonitas e redondas e precisa de competência comprovada, experiência governativa em áreas-chave, capacidade de diálogo e de compromisso com outras forças políticas, liderança forte e constituição de equipas de trabalho muito qualificadas. Só António Costa responde a estes quesitos.

Turismo

Agosto é mês de turismo por excelência e sabe bem ver o país com tantos turistas, de várias proveniências. Quero acreditar que nos preparámos para esta nova realidade, nomeadamente na oferta, no serviço e no atendimento a quem nos visita. Mas o que pensarão esses turistas, caso entendam a nossa língua, quando vêem os primeiros nove minutos do Jornal da Noite de ontem, na SIC, exclusivamente ocupados com crimes e violência? Não é esse o país que eles sentem lá fora. Será esse o país que queremos vender-lhes?

08
Ago12

Férias na cidade

José Carlos Pereira

Uns dias de férias na cidade permitem sempre revisitar monumentos, passear por ruas e praças menos frequentadas e descansar em esplanadas que nos dão uma panorâmica diferente da cidade e das suas gentes.

O final de Julho no Porto conduziu-me de novo, ao fim de alguns anos, ao Museu Nacional da Imprensa, situado entre a Pousada e a Marina do Freixo, para ver a exposição do Porto Cartoon Festival e rever a exposição permanente que retrata a evolução das técnicas de impressão em Portugal. Um bom programa para os mais novos também e que pode ser visitado gratuitamente aos sábados, domingos e feriados.

Também o Centro Português de Fotografia justificou uma nova visita para ver as magníficas exposições que aí estão patentes. O próprio edifício da antiga cadeia da relação merece uma visita demorada, com o atractivo de podermos olhar o Porto a partir da cela onde Camilo Castelo Branco esteve detido e escreveu as suas obras de perdição. E segundo, os funcionários de serviço, "por enquanto ainda não se paga"...

Um passeio pela baixa conduziu-me à nova Praça das Cardosas, ali por trás do Hotel Intercontinental. Uma praça considerada zona privada de acesso público, mas que mereceu a chancela da toponímia da cidade. Ao ver o estado em que a praça se encontra - um verdadeiro estaleiro entaipado - custa a compreender o que é que Rui Rio ali foi inaugurar no início do mês passado. Enfim, opções obsessivas de um autarca em final de mandato...

08
Ago11

Um Porto pleno de turismo

José Carlos Pereira

 

Circular nestes dias de Agosto pela cidade do Porto dá-nos a sensação de estarmos numa cidade verdadeiramente cosmopolita, com turistas de diferentes nacionalidades, jovens e menos jovens à descoberta dos recantos da urbe portuense. Os monumentos, os museus, as ruas e as esplanadas enchem-se de pessoas curiosas de saberem mais e de desfrutarem daquilo que o Porto tem para oferecer.

Na sexta-feira subi ao topo da Torre dos Clérigos e aí encontrei dezenas de turistas estrangeiros a subirem a íngreme escadaria e a visitarem a Igreja. Hoje vi a Rua de Santa Catarina cheia de gente, com muitos e muitos estrangeiros a circularem de mapa na mão e às compras nas lojas da baixa.

As entidades públicas deveriam olhar para esta nova realidade, muito potenciada pelos voos low-cost, e prepararem melhor a cidade e as suas infra-estruturas para receber os milhares de turistas que nos visitam. Há ainda muito por fazer para que o Porto seja uma cidade onde apeteça (sempre) voltar. 

05
Set10

Algarve 2012 onde nada acontece...

Castro



 

A associação de Hotéis do Algarve, apoiada pelo Turismo do Algarve, está indignada com a organização da Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. Consideram que a imagem do Algarve foi profundamente afectada e caso nada seja feito para reparar o problema levarão a Fundação Guimarães 2012 a tribunal para pedir uma indemnização!

 

Meu deus! Que terá feito a Fundação Guimarães 2012 para reacção tão visceral de desagrado por parte desta associação? Perguntam vocês.

 

"Costa Algarvia, 11h30 da manhã de 2 de Agosto de 2012", esta é a legenda da imagem que se encontra mais a esquerda das acima expostas e que mostra uma praia vazia. A mensagem é rematada com a frase Guimarães 2012 é onde tudo acontece. Uma pessoa no seu juízo normal percebe que isto foi uma forma com humor para dizer que em 2012 devem visitar Guimarães e não passa pela cabeça de ninguém que o Algarve vá ficar vazio ou que esta campanha contribua minimamente para prejudicar a sua afluencia em 2012.

 

Pelos vistos a mesquinhes das cabeças pensantes da Associação de Hotéis do Algarve pensa que sim. Sem mais comentários deixo-vos apenas um excerto da declaração desta associação a imprensa bem como a ligação para a noticia do Público referente a este assunto.

 

"Para além do mau gosto e ignorância dos seus autores esta campanha fere de forma grave os interesses da maior actividade económica nacional e dos seus agentes e trabalhadores, sendo penosamente lesiva da nossa economia", diz a Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).

08
Jul10

Red Bull ganhou asas...

José Carlos Pereira

A novela sobre as provas da Red Bull em Portugal, primeiro em Lisboa e depois no Porto e em Gaia, terminou com a anulação da prova por parte da organização. Nunca uma marca de refrigerantes que realiza umas provas acrobáticas de aviões deve ter tido um país a seus pés como aconteceu com Portugal. Governantes, autarcas, responsáveis pelo turismo, todos ficaram sem palavras perante a decisão ontem anunciada.

A Red Bull sempre fez o que quis e sobrou-lhe tempo. Viu-se antes e viu-se agora. Só faltavam mesmo os parolos portugueses para se porem a jeito...

05
Jul10

Por outras paragens

José Carlos Pereira

 

 

Arredio da escrita neste blogue, estive também ausente do país durante algum tempo. Em férias e contra a vontade do presidente da República, Cavaco Silva. A crise, a PT e o mundial de futebol foram assim vividos do outro lado do Atlântico, em Bávaro, um destino turístico criado nos anos 80 no leste da República Dominicana.

Dias de tranquilidade, repouso e sol, com chuvadas pelo meio, que permitiram retemperar forças. A República Dominicana é ainda uma sociedade muito desorganizada, sem vias de comunicação decentes, com grandes carências básicas, mas com um povo humilde e aparentemente feliz. Não são muito de trabalhar, desenrascam-se com pequenos negócios e vivem um dia de cada vez. Para trabalhos mais pesados, como nas plantações de cana-de-açúcar, estão lá os imigrantes haitianos, que vivem em bairros de lata fora das cidades, porque os dominicanos não apreciam o seu convívio dentro das cidades. O ensino público é levado muito a sério e via-se em todas as escolas meninos e meninas de uniforme, tal como se vê por cá na maioria dos colégios privados.

Não fui à capital Santo Domingo – distanciada quatro horas de autocarro do local em que me encontrava – mas visitei as cidades de Higüey, onde está a maior basílica católica da América Central e Caraíbas, um autêntico mamarracho arquitectónico, e La Romana, onde têm residência de férias vários artistas latino-americanos de renome (Júlio Iglésias, António Banderas, Jennifer Lopez, Shakira e outros que tais).

A nível político, o país vive o rescaldo de um recente período eleitoral e ainda se viam cartazes e outdoors pelas ruas. O Partido da Liberación Dominicana ganhou as eleições para o Congresso e o Partido Reformista Social-Cristiano ganhou as municipais. O Partido Revolucionário Dominicano, filiado na Internacional Socialista, queixa-se de várias ilegalidades e exige recontagens de votos. O usual por aquelas paragens.

 

Na imagem vê-se o rio Chavón, onde foram filmadas cenas do mítico filme Apocalypse Now.

07
Dez09

Os aviões voam para onde?

José Carlos Pereira

Levantou-se nos últimos dias um escarcéu sobre a possibilidade da prova Red Bull Air Race – aquelas avionetas que fazem umas piruetas sobre o Douro – mudar-se de armas e bagagens para Lisboa. Depois, houve mesmo quem viesse lembrar que, se a confusão criada for prejudicial para as empresas patrocinadoras, a prova pode mesmo ir-se embora do país – foi um ai Jesus!

Devo dizer, para começar, que nunca fui ver as provas da Red Bull Air Race no Porto e em Gaia. Entendo também que se investe demasiado dinheiro público numa prova de perícia com intuitos comerciais que se esgota num fim-de-semana e que, a meu ver, não traz quaisquer mais-valias para a promoção sustentada do turismo na região e no país.

Quantas pessoas acompanham o “campeonato” da Red Bull Air Race? Quem conhece os resultados das outras provas realizadas? Quem sabe onde se realizam as provas? Quem passou a conhecer e a valorizar mais essas cidades por causa das provas de aviões? Quantas pessoas vêm de fora do país assistir às provas em Portugal? Não estaremos todos a ser demasiado pacóvios? E depois a ameaça de boicote às marcas comerciais não lembra ao Diabo…

A Red Bull Air Race é exactamente isso: uma prova com fins comerciais. As marcas envolvidas movimentam agentes, representantes e uns VIP’s à mistura e procuram promover os seus produtos. Que o Estado e as autarquias lhes metam pelas mãos dentro algumas centenas de milhares de euros é fantástico.

O mais natural é que as marcas procurem os mercados mais apetecidos. Compreende-se perfeitamente que prefiram realizar a prova em Lisboa do que no Porto/Gaia, já que o retorno será superior. Do mesmo modo se entende que uma qualquer metrópole espanhola ou de outro país ainda terá mais interesse para as marcas. O que não têm lá, por certo, é a mesma almofada de dinheiro público.

Portugal precisa de delinear uma estratégia coerente de promoção das regiões turísticas nacionais e de promover os destinos de forma sustentada e não à custa de uns fogachos. E quando o dinheiro é escasso há que ser rigoroso na sua aplicação. É isso que se exige aos senhores que gerem os dinheiros do Turismo de Portugal e aos senhores autarcas.