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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

21
Jun17

Responsabilidade

José Carlos Pereira

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despacho do Governo que exigiu apuramento de responsabilidades efectivas à GNR, à Autoridade Nacional da Protecção Civil e ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera é a reacção adequada perante a tragédia dos últimos dias. O que se exige é que tudo seja devidamente apurado e que as responsabilidades sejam assumidas por quem tiver de o fazer. Sem pressas, sem emoções, mas com total exigência.

05
Jun17

A falta de argumentos de Rui Moreira

José Carlos Pereira

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entrevista de Rui Moreira ao “Expresso” desta semana (disponível na íntegra apenas para assinantes) mostra como os argumentos para recusar o apoio do PS vão caindo com o tempo. Agora já não há qualquer incómodo com as declarações da secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, e afinal até seria normal que o PS festejasse também como sua a vitória prevista na noite eleitoral.

O novo argumento é que o PS nunca veio desmentir a “boca” do eurodeputado Manuel dos Santos, segundo a qual Rui Moreira teria um acordo para, mais tarde, sair para o Governo ou para o Parlamento Europeu, deixando o caminho livre para Manuel Pizarro assumir a presidência da autarquia. Como se uma liderança partidária tivesse de andar a desmentir todos os desabafos plasmados nas redes sociais…

Enfim, à falta de razão plausível para esconder a verdade – o núcleo mais próximo de Rui Moreira não se identificava com uma lista com forte presença socialista nem gostaria de se ver misturado com as bandeiras do PS na campanha – vão surgindo os argumentos uns atrás dos outros. Quem quiser que acredite num presidente que assume nesta entrevista que não diz a verdade toda.

08
Mai17

A cisão entre Rui Moreira e o PS

José Carlos Pereira

Há menos de um mês, escrevi aqui pela última vez sobre a forma como Rui Moreira tinha capturado os partidos e em particular o PS. Nunca compreendi a estratégia socialista e admitia nessa altura que o PS pudesse "estar prisioneiro do caminho que seguiu e completamente nas mãos de Rui Moreira e dos seus primeiros apoiantes, que olham de soslaio para tudo o que seja socialista".

No final da semana passada estalou o verniz e zangaram-se as comadres. Rui Moreira serviu-se do PS enquanto precisou dele para governar com maioria e lançou agora os socialistas porta fora. Foi um xeque-mate a um ingénuo e deslumbrado Manuel Pizarro. Só me surpreende a forma como António Costa se deixou envolver neste filme.

O PS cometeu o erro de decidir apoiar Rui Moreira sem negociar condições, sejam programáticas ou de lugares, o que sempre me pareceu inconcebível e ao arrepio do que é natural em política. O alegado descontentamento gerado pelas declarações da secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, não passou de um mero pretexto, pois a dirigente socialista não disse nada que não devesse. Então o PS, segundo partido mais votado em 2013, não teria de ter uma representação forte nas listas? E quando disse que uma vitória de Rui Moreira também seria uma vitória do PS, pelo facto de apoiar e integrar a candidatura, não disse nada de diferente do que Paulo Portas exprimiu em 2013.  Misturar a Foz com Campanhã, com tudo o que isso representa, exigia maleabilidade, flexibilidade e inteligência. Ana Catarina Mendes veio afirmar em público, porventura, aquilo que Manuel Pizarro queria dizer e não podia.

O PS e Manuel Pizarro saem diminuídos deste processo, naturalmente, mas depois de confirmada hoje a inevitável renúncia aos pelouros na vereação, os socialistas ganham espaço para fazer as críticas que até aqui tiveram de silenciar (caso Selminho, parcerias económico-institucionais que valem bons negócios, proliferação na Câmara e nas empresas municipais de boys do CDS e do PSD vindos de Gaia e de Gondomar e muitas opções discutíveis face a projectos, clubes e instituições da cidade, por exemplo). O PS fica numa posição débil por ter sido até agora cúmplice com o poder na Câmara Municipal, mas as novas circunstâncias exigem uma mudança clara de atitude política. O caminho não vai ser nada fácil para Manuel Pizarro...

12
Abr17

Capturados

José Carlos Pereira

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Já aqui escrevi sobre a captura que o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, fez dos partidos e em particular do PS na cidade do Porto. Até se podia admitir que os socialistas fizessem um acordo de governação e de partilha de lugares e de responsabilidades com o movimento que apoiou Rui Moreira nas eleições, no caso de entenderem que isso seria o melhor para a cidade. Seria sempre uma opção discutível, mas até se poderia compreender. Mas já não é tolerável que de cada vez que altos responsáveis socialistas vêm a público dizer que o PS vai apoiar Rui Moreira, que o PS vai ter uma representação forte nas listas para a autarquia ou que o presidente da Câmara vai participar numa iniciativa socialista, logo apareça o presidente da Câmara, ou algum seu assessor (!), a dizer alto e bom som que aceita o apoio de todos mas não negoceia lugares nem programas, que não participa em iniciativas partidárias e que não haverá “jobs for the boys – como se não abundassem boys e girls nos serviços e nas empresas municipais…

Admito que tudo não passe de show-off para mostrar às "elites" quem manda e que, lá no fundo, estejam acordadas com Manuel Pizarro e com o PS as bases do entendimento entre as partes, mas também concedo que neste momento o PS possa estar prisioneiro do caminho que seguiu e completamente nas mãos de Rui Moreira e dos seus primeiros apoiantes, que olham de soslaio para tudo o que seja socialista. O que sei é que muitos eleitores de esquerda no Porto não se revêem neste comportamento e neste tacticismo, nem se identificam com falsos unanimismos. E sentem que não podem dar o seu voto a estratégias erráticas.

07
Abr17

"A Bíblia em Verso"

José Carlos Pereira

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No próximo domingo, tem lugar em Soalhães, Marco de Canaveses, a apresentação da obra de uma vida de um amigo de família. M. Monteiro da Costa, major da força aérea aposentado, dedicou dez anos à escrita de “A Bíblia em Verso”, cujo primeiro de seis volumes já foi apresentado em Alcochete, Montijo e Setúbal, onde se radicou há várias décadas.

A obra foi elaborada em sonetos heroicos (lírica de Camões) e conta com prefácio de Frei Fernando Ventura e breves notas dos Bispos D. José Ornelas e D. Manuel Martins, tendo merecido a validação de reputados biblistas. Será certamente uma obra de enorme interesse para crentes e não crentes e um momento relevante para os seus conterrâneos marcoenses.

 

05
Abr17

Mais uma machadada na justiça

José Carlos Pereira

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Não aposto um cêntimo na inocência de Dias Loureiro no processo que o envolvia no âmbito do BPN. Mas também não aposto um cêntimo na sua culpa. É à justiça que cabe investigar e  acusar. Ou, em alternativa, investigar e arquivar o processo se constatar que não é capaz de reunir provas bastantes. Como sucedeu agora com este processo que abrangia o ex-ministro e ex-conselheiro de Estado, entre outros suspeitos.

O que a justiça não pode é plantar insinuações após vários anos de investigação terem conduzido à ausência de provas concludentes. Não é a primeira vez que esta actuação ocorre e provavelmente não será a última, mas este comportamento contribui gravemente para o descrédito dos agentes da justiça. Ah, e claro que também dá uma ajuda ao populismo crescente, que olha sempre para os políticos e os mais poderosos como culpados de tudo e do seu contrário.

24
Fev17

O livro das quintas-feiras

José Carlos Pereira

O embaixador Seixas da Costa disse aqui o que eu diria sobre o último livro de Cavaco Silva, com a vantagem de o ter lido, coisa que me dispenso de fazer. Bastaram-me alguns resumos. É prosápia a mais, sobretudo quando refere, mais do que uma vez, e com a humildade que lhe é própria, que tem a certeza de que o exercício dos seus mandatos presidenciais fez melhor a Portugal do que se tivesse sido outro candidato a ganhar as eleições.

O livro servirá para uns ajustes de contas pessoais, mas não serve certamente para Cavaco Silva recuperar a sua imagem junto dos portugueses.

20
Fev17

Os SMS e o resto

José Carlos Pereira

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Já todos perceberam o que se passou na Caixa Geral de Depósitos (CGD) no processo que envolveu o Governo, empenhado em encontrar uma solução de capitalização que não fosse considerada ajuda de Estado, por causa do défice, e a anterior administração liderada por António Domingues. Mário Centeno procurou satisfazer as reivindicações do presidente escolhido e terá laborado em erro ao considerar que a alteração do Estatuto do Gestor Público seria suficiente para responder ao capricho dos administradores, que não queriam divulgar rendimentos e património. António Domingues e a sua equipa, por sua vez, queriam o impossível: gerir um banco público sem as limitações impostas por lei. Daí à nebulosa criada foi um instante.

A administração mudou entretanto e a questão da CGD não passa, por ora, de mera arma de arremesso político. Contudo, enquanto a generalidade dos meios de comunicação se centrou na questão da declaração de rendimentos e património, creio que o mais relevante das exigências colocadas por António Domingues estava para além disso. O ex-presidente pretendia que a CGD deixasse de estar adstrita ao cumprimento de orientações estratégicas do Governo, que os administradores ficassem desobrigados de cumprir orientações ou recomendações fixadas pelo Governo e que a sua autonomia não ficasse restringida em função dos resultados apresentados ou de avaliações negativas. A administração também deveria ter autonomia para decidir sobre aquisição ou alienação de participações sociais, constituição e extinção de empresas. As exigências contabilísticas e de nomeação de órgãos sociais deveriam ser as mesmas do sector privado. Ou seja, António Domingues e a sua equipa queriam gerir a CGD à margem de qualquer concertação com o Governo, como se se  tratasse de um banco privado. Mas sem responder aos accionistas...

O ministro das Finanças não andou bem no processo, foi permissivo em demasia face a tamanhas exigências, mas um experiente banqueiro como António Domingues deixou ainda mais a desejar. E já não falo na consultora que contratou quando ainda não estava na CGD, nas reuniões em que participou enquanto se mantinha em funções no BPI, no escritório de advogados que não se percebe quem pagou ou na escolha atrapalhada dos administradores chumbados pelo BCE. Continuasse António Domingues em funções e creio que seria um fartote de casos, uns atrás dos outros.