Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

19
Fev10

PARTILHAR O QUE TEMOS

Mocho Atento

"Deixarmo-nos trabalhar pela sede de Deus não nos desliga das preocupações do mundo que temos à nossa volta. Pelo contrário, esta sede leva-nos a fazer o impossível para que outras pessoas possam tirar proveito dos bens da Criação e encontrem uma alegria de viver.

Fazer uma escolha dos nossos desejos, aceitarmos não ter tudo, leva-nos a não monopolizarmos as riquezas para nós próprios. Santo Ambrósio já dizia no século IV: «Não são os teus bens que distribuis ao pobre, apenas lhe dás o que lhe pertence

Aprender a não termos tudo preserva-nos do isolamento. As facilidades materiais levam muitas pessoas a fecharem-se sobre si mesmas, descurando as verdadeiras formas de comunicação. Bastaria muito pouco para que as coisas não fossem assim.

Há muitas iniciativas de partilha que estão ao nosso alcance: desenvolver redes de entreajuda; favorecer uma economia solidária; acolher os imigrantes; viajar para compreender por dentro outras culturas e outras situações humanas; promover geminações de cidades, de vilas, de paróquias, para ajudar aqueles que precisam de auxílio; utilizar bem as novas tecnologias para criar laços de apoio...

Permaneçamos atentos para não nos deixarmos invadir por uma visão pessimista do futuro, focando-nos nas más notícias. A guerra não é inevitável. O respeito pelos outros é um bem inestimável para prepararmos a paz. As fronteiras dos países mais ricos devem poder abrir-se mais. É possível haver mais justiça na terra. As análises e os apelos com vista a promover a justiça e a paz não faltam. O que falta é a motivação necessária para perseverar para lá das boas intenções."

Irmão Alois, Carta da China.

 

06
Nov09

Hable com Ella

Mocho Atento

"Um filme sobre a palavra que cura e a ternura no cuidar ...entre a ausência e o excesso" era o lema do convite para visionar o filme de Almodóvar na passada quarta-feira na Aula Magna da Faculdade de Medicina do Porto. Seguiu-se um debate moderado por Laurinda Alves, com a aprticipação do Dr- Toma Torres (psiquiatra e crítico de cinema), Prof. António Sarmento (médico) e Célia Queirós (enfermeira).

 

Assistiu-se a uma reflexão importante (e participada) sobretudo dirigida aos profissionais de saúde.

 

Ninguém se referiu ao facto de o protagonista Benigno ter-se suicidado na prisão ao saber que o filho que gerara com Alicia, doente em coma por quem se apaixonara, tinha morrido sem que tivesse conhecimento de que Alicia tinha acordado do coma e reiniciava a sua vida normal. Tal facto não lhe  foi revelado porque o advogado de Benigno entendeu que isso poderia prejudicar o desenlace do processo judicial em curso!!!

 

De facto, a relação advogado/cliente exige que haja verdade e confiança recíproca. E no filme o advogado age de acordo com o que considera melhor para o arguido, pensando que lhe pouparia anos de prisão em julgamento, mas acaba por o  levar à morte! Não medira bem as consequências das suas opções.

 

O filme é uma metáfora dos dilemas da nossa vida. Entre o sorriso e o silêncio...

 

 

 

22
Set09

Que Justiça?

Mocho Atento

Estava marcado julgamento num processo, onde uma das testemunhas terá de fazer centenas de quilómetros.

 

Verifiquei que o processo já estava prescrito e apresentei o requerimento onde deduzi todos os "passinhos", citando todas as normas, perdendo tempo com uma questão que é do conhecimento oficioso do tribunal.

 

Pensava evitar a deslocação inútil das testemunhas, que foram notificadas com obrigação de comparência.

 

Chegou o despacho judicial: "em audiência nos pronunciaremos".

 

E assim lá vamos todos em excursão para que o tribunal mande arquivar o processo, por prescrição, não sei se no princípio da audiência, se termos de esperara pela sentença.

 

Manda quem pode, obedece quem deve !!!

22
Set09

Gestão dos hospitais

Mocho Atento

Hoje levei a minha mãe ao Hospital. Deu uma queda. tinha dores, não conseguia andar (não era nada de grave, tem de de repousar uns dias!).

 

Quando cheguei à urgência, pedi uma cadeira de rodas. Não havia! E tinha de esperar para haver uma maca livre.

 

E, mesmo assim, teve de se deslocar assente na própria perna traumatizada, com muita dificuldade e com muita dor.

 

Acho incrível! E ainda ouvi o comentário que a culpa ´é da Ministra e do Governo da maioria absoluta...

 

Sugeriram-me que procurasse ajuda dos Bombeiros! Mas eles estavam muito ocupados com os seus próprios serviços.

 

Felizmente tive ajuda dos familiares de outros doentes.

 

A única coisa de jeito que pude verificas foi a acção solícita e profissional do médico.

 

Mas vinha a perguntar-me para que servem tantos gestores, tantas hierarquias, tantos regulamentos e protocolos, se não há nenhuma atenção ao doente.

 

Foi hoje, para que conste, no Hospital Pedro Hispano.

 

10
Jun09

Responsabilidade social da empresa - O exemplo do BPI

Mocho Atento

O Dr. Artur Santos Silva, presidente do Banco BPI, proferiu ontem, no Rotary Club do Porto, uma conferência sobre responsabilidade ética e empresarial. Recordou todo o processo de constituição da SPI e da sua  evolução até ao actual grupo BPI. Desde o início as instituições financeiras que estiveram na génese do projecto impuseram normas de comportamento que não eram habituais em Portugal. A SPI/BPI recrutou muitos jovens licenciados a quem formou e preparou para os desafios do futuro, pelo que o sucesso na emissão de obrigações, fundos de investimento e operações de privatizações resultou das competências desenvolvidas e fomentadas em contexto laboral. Foi elogiada a acção desenvolvida pelo Instituto de Formação Bancária

O banco BPI tem actualmente 50% dos seus funcionários com formação académica universitária. O Banco tem feito grande esforço de formação que todos os anos ocupa, durante, pelo menos, 30 horas, mais de 90% dos trabalhadores. Os funcionários beneficiam de sistemas próprios de crédito, segurança social e assistência na doença.

O sistema de governo do Banco é constituído por um Conselho de Administração alargado, tendo no seu interior uma Comissão de Auditoria e Avaliação e uma Comissão Executiva, esta constituída por profissionais independentes, que não representam accionistas, nem deles estão dependentes. Esta estrutura permite evitar muitas das confusões e operações suspeitas conhecidas de outras instituições bancárias.

O BPI não se tem visto envolvido em processos judiciais, como a Operação Furacão, porque tem um Código de Conduta exigente e que é assumido por todos os colaboradores do Banco, seus administradores e pelos accionistas que detêm o controlo do Banco (Banco Itaú, Allianz e La Caixa).

O BPI afecta anualmente 8 milhões de euros a projectos de mecenato social e cultural, muitos deles em parceria com a Fundação Gulbenkian e a FLAD, Em Angola, 5% dos lucros bancários do grupo BPI são afectos a projectos comunitários de promoção do desenvolvimento nas áreas da educação e da saúde. No Porto, são conhecidos os patrocínios do BPI à Fundação de Serralves, à Casa da Música e outras instituições culturais.

O BPI patrocinou recentes eventos dos clubes rotários do Porto que angariaram fundos para a Caritas e para a Campanha Mundial de Erradicação da Poliomielite

 

Colocada a questão de que os Bancos estão a cortar indiscriminadamente crédito a PME exportadoras, sendo indicado um exemplo concreto (que não envolve o BPI) em que uma empresa teve de afectar 20% das vendas do útlimo ano para pagar passivo bancário, decorrente da não renovação de linhas de crédito, a resposta obviamente foi simplesmente dizer que isso decorre da análise do risco de crédito. Só que a resposta não é assim tão simples. De facto, a crise actual resultou do excesso de ganância dos bancos e, quando se viram apertados, recorreram ao Estado e, agora que já voltou a funcionar o sistema bancário, tocaram a rebate e cortaram crédito a empresas viáveis, que apenas precisam de folga pelo prazo de um ano para retomar os níveis anteriores de produção e de capacidade de gerar riqueza. Se aos bancos tivese sido aplicado o mesmo critério que agora exigem às pequenas empresas, tinham desaparecido. Aliás, no contexto da discussão, foi referido o caso da COSEC. Se é verdade que a concessão de seguro de crédito tem de ser ponderada, também é verdade que não podem ser tão apertados os critérios que a tornam uma miragem para quem mais precisa: as empresas sérias que trabalham com muito esforço e querem honrar os seus compromissos. E assim se destroem actividades, empregos e vidas.

A política de crédito bancário é uma das causas da grave crise económica e social actual. E quando se tomam decisões de corte de crédito, sem medir as consequências sociais, não vale a pena lavar a consciência com apoios a projectos humanitários.

29
Mai09

A crise, as opções e as pessoas

Mocho Atento

No âmbito do POPH (QREN), foi anunciado comparticipação a fundo perdido de 1.800 milhões de euros para construção de lares para idosos.

 

Trata-se de uma opção errada. O internamento em lares provoca o desenraizamento, a ruptura das relações sociais, quer familiares, quer de vizinhança.

 

Com aquele dinheiro, seria possível criar milhares  de equipas de apoio domiciliário, que acompanhassem os idosos e lhes prestassem na respectiva residência cuidados de higiene pessoal e da habitação, alimentação e outros serviços domésticos, assim como apoio na medicação e deslocação aos centros de saúde.

 

Esses serviços para além da darem emprego e formação a milhares de pessoas do estrato social mais desfavorecido, teria um efeito multiplicador social, não só nos utentes como nos prestadores do serviço. De facto, valorizar o cuidado dos outros e respeitar o seu próprio espaço são vectores fundamentais do desenvolvimento social.

 

Mas hoje em dia a opção é pela higienização social, pela padronização, pela  despersonalização.

 

E o betão dá dinheiro! E o dinheiro dá votos! E os votos dão dinheiro!

18
Mai09

Amnistia Internacional em Portugal

Mocho Atento

Hoje a Secção Portuguesa da Amnistia Internacional comemora 28 anos.

 

Tendo entrado pelo  Grupo Local 13, que julgo se encontra actualmente inoperacional,  sempre me mantive membro e atento às Campanhas da organização (apesar de algumas tendências, designadamente esquerdismo e anti-semitismo, que me desagradam).

 

Hoje, mais do que ontem, o combate pelos direitos humanos é fundamental na criação de um espaço democrático respeitador da dignidade e da liberdade das pessoas.

 

Parabéns à secção Portuguesa e votos de que consiga ter sucesso na acção e no combate pelos direitos do Homem.

16
Abr09

Execução das Penas e Medidas Privativas da Liberdade

Mocho Atento

Está em apreciação  na Assembleia da República um diploma fundamental para a reforma do processo penal em Portugal. Trata-se do novo Código da Execução das Penas e Medidas Privativas da Liberdade. Esta propost, já aprovada na generalidade,  merece um debate sério e profundo na sociedade portuguesa. A tensão entre liberdade e segurança é sempre difícil de gerir numa sociedade aberta e democrática.