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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Au Bonheur des Dames 72

d'oliveira, 22.06.07

Eu e as máquinas? Era o que faltava!

As minhas parcas (mas excelentes) leitoras quando me lêem as balivérnias com que as vou entretendo provavelmente desconhecerão que nisto de informática não sou propriamente um ás. Os leitores, perante esta confissão terão sentido um bálsamo milagroso percorrer-lhes o espírito malévolo. Afinal o gajo de informática não vê um boi! Um boi? Um elefante! E há-de ser dos africanos desses de duas bossas! O gajo é um zero à esquerda!
Alto aí e para o baile, ó malta! À esquerda aceito mas zero, o que se chama zero, essa bolinha redonda inventada sabe-se lá por quem, também não! Sou fracote, confesso mas no estado actual das coisas ainda sei o suficiente para sair engenheiro por uma universidade manhosa.
Já agora e antes que me esqueça quando aí em cima escrevi “também”, o sacrista do computador deu “bembém”! Palavra! Aliás até a deixei ficar e depois arrastei a sacaninha para aqui. Alguém me explica esta facécia do Macbook Pro? Ninguém? Grandes nabos!
Portanto, eu de computadores pouco, poucachicho, quase nada. Eu ainda sou do tempo em que o telefone era um luxo desses que fica na memória de um cavalheiro. O primeiro telefone lá de casa era o 454. E havia clientes do meu pai que depois da consulta, de sacarem umas amostras ao velho (na altura novo) João Semana ainda lhe pediam para fazer uma chamadinha. O meu pai pensava que era por forretice. Qual quê! Nada disso. Era para saberem qual era a sensação de um telefone normal... E depois queriam pagar-lhe. Ao preço do posto dos CTT! O meu velho ficava doente! Esta gente mata-me, queixava-se à minha mãe. E ela, tão nova mas já sábia, dizia-lhe: não, Marcelo aqui quem pode matar és tu! E o Pai nessa altura desorbitava...
E o segundo telefone era o 2222. Nunca percebi porque é que os telefones dos médicos são (ou eram...) sempre assim, com números fáceis. Se calhar era para os chatear às três da manhã por causa de uma dor de barriga devida a uma comezaina das antigas, sabe-se lá!
Mas eu já me desviei. Ia falar-vos da minha confessada inépcia computacional. O diabo do bicho chegou tarde á minha vida. E mesmo se o tenho por útil e indispensável, hei-de confessar que este amor é mal correspondido. Amores de velho... Um tipo a esforçar-se, mas das meninges anquilosadas já sai pouco. De modos que o simples configurar uma nova impressora me assusta. Aliás, eu, com aparelhos novos tenho já tácticas de galã de filme indiano. De Bollywood, pois claro! O aparelho chega e passa uns dias dentro da caixa de origem a adaptar-se ao novo lar. Depois desembrulha-se com vagares de cobra capelo a dançar a tal dança da flauta. Ou seja: vai-se desembrulhando com cautelas excessivas não vá a coisa morder. Não morde? Onde é que isso está escrito? Ah! Nunca mordeu...! Mas pode morder. Há sempre uma primeira vez!
Desembrulhado o espécime, temos um terceiro e angustiante capítulo: ler as instruções! Isto de instruções também tem muito que se lhe diga. À uma, o redactor das ditas cujas pensa que somos ainda mais burros do que na realidade somos e começa por um par de vulgaridades que nos fazem desconfiar que alguém nos anda a tomar por catatónicos do último grau. Daqueles que cristalizam no ortorrômbico se é que isso ainda se ensina.
Depois, as ditas instruções vem em imensas línguas de grande utilidade, serbo-croata, arménio, urdu, maori, chinês e finalmente em línguas mais próximas e igualmente difíceis. De longe em longe aparecem em francês, espanhol e, milagre!, em português. Bem, numa espécie de português, digamos num português na voz perifrástica (e esta?) mas com claros toques de estrangeirês! Desenvencilhando-nos de qualquer modo da língua eis que começa o calvário da instalação. A gente tem de concordar com uma série gigantesca de arrazoados que provavelmente eximem o fabricante de qualquer responsabilidade, escritos em letra pequena, chatíssimos, que ninguém lê mas que todos com um suspiro de alivio carregam no botão “agree”.
E começa o rodeo! Faça isto. Continue. Aguarde. Adiante! Meta a quarta. Abrande. Cuidado com as curvas! Enfim meia hora de carrega e descarrega, com números a passar, palavras incompreensíveis a aparecer e desaparecer, milhares de coisas a anunciarem que estão instaladas, e a malta a olhar para aquilo e a pensar que noventa por cento do que está a ser metido no computador ou é lixo ou nunca se usará. Mas finalmente lá aparece a mensagem (quando aparece) a afirmar que a nossa instalação (agora o sacaninha escreveu: cãotalação!!!) foi um sucesso. E se foi um sucesso faça o favor de reiniciar.
Eu quando chego a este ponto reinicio e vou dar uma volta ao bilhar grande. Aquilo, aquele corropio de coisas e de nomes, cansou-me! E o alivio da mensagem com a notícia do bom sucesso da instalação, dá-me cá uma descarga de adrenalina que fico meia hora alapardado a recuperar.
E deixo as coisas neste pé. É que não quero tentar Deus, os espíritos dos computadores, criaturinhas vingativas, a má sorte, o que quer que seja. Amanhã também é dia, digo para os meus botões. Que concordam. E passam-se uns dias a ganhar coragem para ver se a “coisa” funciona.
No caso em apreço, a “coisa”, uma Epson Stilus DX 6000, não funcionou. Tempos houve, eu era mais novo e mais parvo, em que tentava perceber. Agora nem isso. Loja Apple com o material. Impressora, computador, livro de instruções, enfim só visto.
Loja Apple, 10 horas certinhas. O pobre funcionário vê-me chegar ajoujado com aquela impedimenta toda, empalidece, olha em volta e tenta escapulir-se. Mas eu corto-lhe as voltas com um “Bom Dia!” capaz de acordar um regimento. E o desinfeliz lá responde em voz sumida e pergunta educadamente ao que venho. E eu, pimba! Entrego-lhe os maquinismos, os fios de ligação, o livro de instruções e advirto-o que a máquina, nova em folha!, népia.
Nesta altura do campeonato, o tipo olha-me de soslaio e pensa: o que eu fiz para só me saírem duques?
E atira-se ao trabalho. Isto é uma fervurinha, quer ver?
A fervura de hoje começou às 10 e à 1 e meia, a maquineta não andava nem desandava. Instala, desinstala, vai à net buscar drives, mete os drives, tiro na água, Na lista de mais de 300 epsons reconhecidas pelo computador brilhava pela ausência a DX 6000!
Atarantado o especialista e esfomeado, eu, concordámos que o melhor era levar a impressora ao Corte Inglês, local da malfadada venda.
Entretanto, o desanimado técnico da Apple ia dizendo que se calhar aquela epson era incompatível. Isto mesmo depois de ver o disco de instalação paraMac!
14 horas da mesma tarde: este, de novo com aquela parafrenália toda, frente a um batalhão de funcionários do Corte Inglês. Que se riam do homem da Apple. Um ignorante! Três horas depois o técnico especialista de impressoras pedia para ir comer qualquer coisinha. Nesse lapso de tempo tinha instalado e desinstalado meia dúzia de vezes. Um telefonema para a Epson dera resultados patéticos. Ninguém sabia nada.
E eu, que já estivera três horas de pé de manhã e outras três à tarde, brandamente, como quem diz os definitivos tremendos palavrões que a coisa merecia disse com uma doçura comovente. Acabou! Venha outra máquina. Já perdi mais dinheiro com a espera do que o preço dela!
O pessoal do Corte inglês adora vender. E odeia receber as coisas de volta! Sai segundo técnico para a arena, enquanto o primeiro se arrastava exangue para almoçar (às cinco da tarde!)
Pelo que ele murmurou, repetiu tudo o que já fora feito. Mudou os cabos da impressora. Instalou e desinstalou até que, como D Sebastião surgido da névoa marroquina, a impressora roncou e cuspiu uma folha mal amanhada com um texto que eu tinha em lista de espera (de imaginação porque está a meio...)
Que foi? Que não foi? Mistério! Felicitámo-nos uns aos outros. Reembalei o material, distribuí bacalhoada a tordo e a direito e regressei a penates ao fim da tarde.
E a impressora? Pois está aqui ao lado à espera que eu a ligue para comprovar que tudo continua bem. Mas isso é para mais tarde. Amanhã. Ou depois! Lá para segunda se o tempo melhorar...

na gravura: um maquinismo dos bons! dos inexistentes! ou melhor: dos que existindo ninguém sabe para o que servem. Ora aqui está um bom tema de conversa para o jantar do dia 13. E a Sílvia lá no Rio de Janeiro a chuchar no dedo!...

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