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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

Diário Político 117

mcr, 03.07.09

“A catástrofe iminente…”

Nunca pensei ter de voltar a esta vexata quaestio da candidatura da dr.ª Elisa Ferreira mas o jornal “Público” dedicou-lhe uma meia página ontem e o que por lá se relata pede comentário.

Ora vejamos: uma recentíssima sondagem dá à excelsa candidata menos de metade dos votos de Rui Rio. Parece que esta evidência, de que há meses se deu aqui conta, constitui uma enorme surpresa para a o PS local e para a aspirante à edilidade! De facto, a dr.ª Ferreira fala em "duche de água fria", enquanto uma notabilidade distrital que dá por Avelino Oliveira fala abertamente em “O PS assumir a campanha” e acrescenta num tom elegíaco de general golpista espanhol: “ é preciso quebrar o pendor intelectual da candidatura e recuperar a força partidária.

Detenhamo-nos por segundos nesta expressiva frase, neste grito de alma: ao que parece não convém ao PS (ou ao PS tripeiro) um toque intelectual na campanha mas uma mera demonstração "partidária”. Para um partido miticamente fundado por Antero de Quental a confissão é, alem de pungente, uma clara confissão do estado de espírito com que actualmente se faz politica no partido socialista. Conviria lembrar ao argumentativo Oliveira que o abandono do "intelectual” pode conduzir, conduziu sempre ao chamado método Joãozinho das perdizes, o tal que varria feiras a pau de marmeleiro.

Conviria lembrar a este aparatchik socialista que o que não temos visto nesta campanha, nem nas últimas posições do Partido e da candidata, é pensamento ou política. Nada!  Vejamos. O socialismo a la tripeira andava desaparecido, escafedido, volatizado sob o fado pungente das acusações a Rui Rio. Este, olímpico, nem lhes ligava. E o partido, na sua versão insensata e municipal, vivia á sombra basbaque das vitórias governamentais.  E das putativas luminárias portuenses que o ilustravam. Sobre a cidade não tugiam nem mugiam. Foi então que, numa noite aziaga e de nevoeiro,  se lembraram de que as eleições autárquicas estavam à porta. E o partido sem viço nem candidatos.

Deu-se nesse momento de doloroso despertar o milagre (o segundo milagre, o da famosa repetição da história segundo Marx) da “santinha da ladeira”. Inventaram a candidatura paraquedista da dr.ª Elisa Ferreira! Esperavam ter um efeito certo e, na medida (escassa) que este blog pode testemunhar, tiveram-no. Só aqui, se referiram à candidata JCP (duas vezes, mas muito incidentalmente) e mcr (4 vezes : Au Bonheur … 169 e 170; estes dias… 146 e 158, textos inteiramente dedicados ou quase). Eu mesmo deixei sobre o tema o diário… 115. Em seis meses é obra! Vê-se que vivemos na “invicta” cidade  e que a coisa nos perturba.

Pela parte que me toca, isto vai mais longe. Eleitor natural do PS (ele não merece mas voto PS, Alexandre O’Neil) isto mexe comigo. É que não me passa pela cabeça votar num fantasma, numa ausência, numa não-candidata. E como não me vejo a votar no dr. Rio, num dos seus cúmplices, Rui Sá, o cavalheiro do PC que andou com ele às costas um largo período ou no Bloco, resta-me a hipótese desagradável de votar em branco ou de ir para a praia, coisa pouco salutar em Outubro. E como eu, muito boa gente, fez, começa a fazer ou ainda fará o mesmo raciocínio.

O problema, porém, é mais grave e mais fundo. Elisa Ferreira candidata tous azimuts é tão só a ponta do iceberg que faz naufragar qualquer embarcação socialista. O que está em causa é um modo de fazer “política” para os media, para os aplausos da claque. Quando se semeiam inanidades politicas e insensatas declarações sobre a intrínseca maldade do intelectual no governo da coisa pública mostra-se de facto ao que certa auto-denominada esquerda se reduziu: a uma caricatura de si própria, sem ideais, sem ideias, sem espírito, sem regra e sem pensamento.

E contra isso não vale a pena importar “santinhas” seja de que cor forem. Isto não vai com milagres mas apenas com trabalho honrado, com seriedade e propostas claras e exequíveis. E com noção de serviço público, claro. Todavia, parece, ao ler as declarações dos dirigentes portuenses do PS, que a politica para eles é exactamente a mesma que faz com que um ministro se disfarce de touro manso a ameaçar paspalhices para a oposição. Ou seja isto nem para touradas dá. Uma garraiada e mesmo assim.

d’oliveira fecit

 

O título refere um conhecido panfleto de V.I Ulianov que não vale a pena recomendar aos dirigentes socialistas do norte. Não sabem ler e se soubessem não o compreenderiam.

 

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