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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

26
Jul09

Estes dias que passam 174

d'oliveira

O S

Um aborígene da Madeira que dá por Ramos entendeu comparar  o Primeiro Ministro José Sócrates com Salazar. Foi aliás a propósito do famoso “S" que a rapaziada usava no cinto da farda da mocidade Portuguesa.

Eu acho o engenheiro Sócrates um espertalhaço e tenho as mais fundadas dúvidas quanto às suas qualificações académicas. Também nunca o vi como um homem de esquerda. Não lhe faço essa desfeita nem ele alguma vez deu azo a que pudesse ser acusado de esquerdismo. De resto, o seu passado é significativo. Vem da Juventude Social Democrata se não estou em erro e não me parece que o que ele vai por aí afirmando saia muito desse carril.

Todavia, daí até comparar Sócrates com Salazar vai alguma distância. Do ponto de vista político, desde logo. Aliás, é impensável sequer imaginar Sócrates a governar como a múmia de Santa Comba. Sócrates será vaidoso, autoritário mas não é, de nenhum modo, um ideólogo. Também não é um reaccionário. Porque Salazar era, além de conservador, reaccionário. Que não restem dúvidas disso. Basta lê-lo, de resto.

Sócrates também não tem, nem parece ambicionar, a preparação cultural e filosófica de Salazar. Aliás, se alguma coisa o poderá caracterizar quanto a isso, será seu completo alheamento desse conjunto de probemas e questões. Daí também não vem grande mal ao mundo. O problema, se problema há, está na pesporrência da criatura, na sua transbordante auto-confiança,   na capacidade de falar horas sem dizer nada, ou dizer muito pouco. Salazar, o melífluo, era, nesse capítulo, parco de palavras, ameaçava suavemente não perdia a calma e não se arriscava como Sócrates.

Não se pense que se está aquí a tentar um retrato amável do tiranete. Nada disso. Estou apenas a tentar incidir no essencial: Salazar era simplesmente incapaz de viver em democracia. Nem sequer acreditava na troca livre de opiniões. Ouvia poucos, pouco e raramente tinha dúvidas. Considerava-se um cruzado leigo, acreditava piamente nas virtudes da contra-revolução, num ocidente mítico e civilizador, nas diferenças sociais, na missão salvífica com que Deus, o Deus dele, o tinha imbuído.

Sócrates pode ter tiques de autoritarismo mas isso vem mais da vaidade que o anima. Se acaso não ouve a rua é porque a confiança em si próprio e a alta ideia que tem dos seus dotes o torna surdo. Mas é capaz de recuar, coisa impensável para Salazar que se louvava nos mártires com que o terão aturdido no seminário.

Mas deizemos estas duas desinteressantes criaturas e ocupemo-nos do pobre diabo da Madeira, do espanta-caça de Jardim. Confiando em que, na altura, o homenzinho ainda não estaria sob o efeito dos licorosos que tornaram famosa a festa de Chão de Lagoa, convém perguntar o que é lhe passou na cabecinha pensadora. Ainda por cima falou em “fascismo” logo ele, pajem de Jardim, que viveu bem e regaladamente ao sol da ditadura!  Aquilo é, definitivamente, outro país. Honradamente boçal e primitivo como se vê pelas imagens da televisão, por uma vez, sem exemplo, implacável. Ver Jardim, de palhinhas no cocuruto, a propor licor de eucalipto aos jornalistas seria divertido se não fosse ridículo. Ver o outro abencerragem a condenar o “fascismo” seria patético se não fosse um insulto.

Ver esta gente aos saltos lá na festarola deles reforça-me a vontade de me ver livre daquela insalubre espécie de compatriotas. Eles não gostam de nós, porquê obrigá-los a serem parte deste país que, nas palavras deles, os oprime, os injustiça, os esmaga?

Deixem-nos viver a sua vida. Libertem a Madeira das amarras ao continente. Ela que vá mar fora, cantar as excelências de Jardim e Ramos e do licor de eucalipto. Com sorte chegam à Venezuela onde a palhaçada à jardineira tem sérios concorrentes.