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Incursões

Instância de Retemperação.

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missanga a pataco 79

d'oliveira, 25.01.10

Django está vivo.......(em disco, claro)

Em tempos bem antigos dizia-se de um sanguinário que atormentou meia Europa que “estava vivo nos nossos corações”. Bem no meu não, que eu, para tal peditório, não dei. Mas a verdade é que havia uns rapazolas que, alucinados pela acne politica, achavam que o camarada Yossip Djugatchivilli, conhecido no século por Stalin, estava vivo. Não estava, graças a Deus, estava até bem morto e enterrado, mas para uma jubilosa e ignorante proto-esquerda o cavalheiro estava fresquinho, pronto a servir.

E Django? Django Reinhardt, ao completo, guitarrista de jazz emérito, manouche de boa cepa, fundador do Hot Club de França, companheiro e cúmplice de Stéphane Grapelli?

Pois Django faria hoje cem anos, bonita idade não fora dar-se o caso de ter morrido em 53 depois de uma vida extraordinária. De facto, era um verdadeiro autodidacta, incapaz de ler música mas com um ouvido e uma intuição absolutamente excepcionais. Mais excepcional ainda é o facto de ter perdido o uso de dois dedos da mão esquerda, devido a um incêndio na casa onde vivia. Mesmo assim, e os discos estão aí para o confirmar, o seu virtuosismo é mais que evidente.

Passou a guerra em Paris e, diz-se, teve a vida salva graças a um oficial alemão amador de jazz que terá conseguido livrá-lo das perseguições de que os ciganos eram vítimas.

Foi igualmente um dos primeiros músicos brancos e não americanos a ser reconhecido nos Estados Unidos onde tocou com Ellington. Deixou nesse pais um rasto de admiração e há inclusive algumas composições celebrando-o. De regresso a França trouxe na bagagem o bee-bop de que foi um defensor e um percursor na Europa. Ainda hoje o seu modo de tocar, as suas invenções são seguidos e imitados a pontos de se falar num jazz manouche ou jazz cigano, ainda que, talvez, se possa dizer com expressão limitada à França. Fora de dúvida é seguramente a sua ainda forte influência nos seguidores da guitarra jazz. E a sua música essa, felizmente, continua a ser ouvida e editada (até cá!).      

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