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Incursões

Instância de Retemperação.

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Estes dias que passam 75

d'oliveira, 30.08.07

O mundo move-se... apesar de tudo

Há uns tempos, num desses programas de televisão estrangeiros, que infelizmente não passam telenovelas portuguesas (nem sabem o que perdem, os tristes), li que no Texas havia um preso no corredor da morte á espera da execução. Presos nos corredores da morte há muitos nos Estados Unidos (que não é o único pais onde ainda se mata legalmente, convém dizer) mas este, que se chama Kenneth Foster era diferente. Não matara ninguém, não roubara nem mandara matar. Simplesmente estava in the wrong place at the wrong moment. De facto auxiliara um amigo a fugir à polícia, guiando o carro da fuga. Veio-se a provar que esse amigo (já executado) matara um homem. A ajuda de Foster foi suficiente para ser condenado à morte. Esta monstruosidade jurídica foi atacada em todo o lado e na América também. Foster deveria ser morto esta noite. Não o será. O governados do Texas comutou-lhe a pena em prisão perpétua. Convenhamos que é um passo de gigante. Insuficiente: prisão perpétua por ajuda a um assassino (coisa que segundo o próprio, Foster ignorava: dava uma boleia a um ladrão sem sorte). Urge, agora tantos anos já passados na cadeia, exigir uma revisão decente e justa da sentença.
Fosse Foster branco e as coisas provavelmente correriam melhor mas ainda não se conseguiu obter a formula milagrosa que tem tornado Michael Johnson cada vez mais branco.

A China quer mostrar que também é um país normal ou quase. Enfim, o quase é um pouco excessivo, mas há que saudar todos os minúsculos passos que vai dando. E para o provar, ei-la que liberta um dos dissidentes da praça Tien-an-men. Faltam ainda 99 mas só o facto de libertar um preso de consciência anima a malta. Vamos todos pedir a libertação dos restantes. E isso antes dos jogos olímpicos. “Camaradas” chineses arregacem as mangas e tratem de, também aqui, imitar o melhor do Ocidente. Estas imitações, podem acreditar, ninguém as recusará.

Uma criatura americana morreu. Era rica muito rica. A fortuna (ou uma bela talhada dela) é herdada por um cão que já tem oito anos. Quando o bichinho falecer, será inumado no panteão familiar da dona.
Ah, já me esquecia: os quatro netos da senhora não recebem um só dollar. Nem agora, nem nunca porque o remanescente da fortuna da bizarra americana ira para uma fundação.
Ora aqui está uma ilustração do belo brocardo: quem espera por sapatos de defunto morre descalço.

E a “nossa” Europa. Pois lá vai cantando e rindo. Enfim, lá vai. Como exemplo desta bela inocência eis que a Orquestra Sinfónica de Osnabrück está a fazer uma digressão nada mais nada menos do que no Irão. Parece que por lá há muitos amadores da grande música ocidental. A orquestra tocou portento para um públco caloroso. Com um pequeno pormenor, coisinha insignificante...
As mulheres da orquestra para tocar tiveram que pôr véu.
Espera-se fervorosamente que uma orquestra semelhante mas iraniana venha à Europa. E que, em Roma sê romano, as mulheres iranianas toquem de cabelo ao vento. Eu não sou de Osnabrück, nem alemão mas palavra que fiquei envergonhado. É assim tão importante levar Beethoven a Teerão?

Em Espanha, aqui tão perto, abriu-se hoje mais uma fossa comum do tempo da guerra. Desta vez foi na Corunha. Desenterraram-se os ossos dos vereadores republicanos e de um grupo de sindicalistas galegos. A direita espanhola acha isto escandaloso. Andam a perturbar os mortos! Não se deve mexer no passado! Esta campanha é revanchista!
Tem toda a razão. O melhor mesmo seria desenterrar Franco e pô-lo de novo em El Pardo. Fazia, mesmo morto, melhor papel que Rajov.

E sempre ali, na “pele de touro” uma euro-deputada, Rosa Diez abandona o PSOE e seu lugar em Bruxelas para se juntar ao movimento “Basta ya” e aos Ciutadans... Está na forja um novo partido político que se tiver a sorte dos Ciutadans nas recentes eleições autonómicas da Catalunha poderá fazer a diferença. Bons ventos de Espanha, desta vez...

a gravura: cartaz da UGT publicado na Catalunha: operários organizem os campionatos do trabalho, frente à guerra.

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