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Incursões

Instância de Retemperação.

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21
Jun10

a varapau 7

mcr

Foice em seara alheia

Hoje um dos meus companheiros de tertúlia do café da manhã comentava que o fraco desempenho  das selecções europeias clássicas (França, Inglaterra ou Itália sem esquecer a Alemanha) se devia ao cansaço natural dos jogadores. Os campeonatos europeus são muito duros e os jogadores estão nas lonas.

Estaria disposto a acreditar nele não fora dar-se o caso de nesses mesmos campeonatos jogarem quase todos, se não todos, os grandes jogadores africanos e um bom número de sul-americanos. Pelos vistos as equipas africanas e latino-americanas deveriam sentir (em forte medida) os efeitos dos campeonatos ultra-competitivos onde as suas estrelas jogam.

Todavia não se passa isso, ou não se passa exactamente da mesma maneira.

Mas há mais. Como Vasco Pulido Valente já notou, a afluência notória e excessiva de jogadores vindos de outros continentes não permite a natural capacitação de jogadores europeus nos respectivos campeonatos. Simplesmente, não têm lugar nas equipas do seu país.

Também conviria lembrar que o “sistema” instalado no futebol dos grandes e médios países europeus em que as transferências internacionais são a regra relativiza o “patriotismo” dos jogadores e torna as selecções nacionais em mero mostruário destes. Ou seja, um campeonato europeu ou mundial é sobretudo uma ocasião para se aferir a cotação dos jogadores.

Basta ver a pouca convicção com que os hinos nacionais são cantados para perceber que a continua transumância de jogadores não torna o “trabalho” nas selecções mais importante ou interessante do que num qualquer clube nacional ou estrangeiro onde o jogador vai fazer um par de temporadas.

Perguntar-se-á então porque razão o sentimento nacional parece mais vivo entre latino-americanos e africanos. Provavelmente por que os seus jogadores imigrados na Europa rica não se integram totalmente. À uma pela cor, desde logo e depois porque é tão brutal a diferença de ambiente e condições de vida entre o pais de destino e o pais de origem que a integração no primeiro é geralmente defeituosa e mal assumida. Depois, finalmente, o jogador imigrante mesmo num episódico regresso ao país natal sente que neste o seu lugar se mantém ou melhor até melhorou. Regressa (mesmo se o regresso é provisório) aureolado pela fama conquistada num outro sítio e pelo dinheiro ganho. Não é a mesma coisa ser Drogba na Costa do Marfim ou Cristiano Ronaldo em Portugal...

Deixemos em último lugar esta anotação: O futebol internacional e a sua mais forte organização a FIFA é claramente controlado pelos europeus. O campeonato do mundo ocorre neste período mesmo com os jogadores “extenuados” por razões claras e evidentes. Os campeonatos nacionais são mais importantes e as delegações nacionais à FIFA sabem-no. Mesmo correndo o risco de verem algumas das mais clássicas e tradicionais nações futebolistas desfavorecidas no embate de um mundial.

Vir agora chorar sobre o leite derramado e lembrar a dureza dos campeonatos é apenas uma consolação para adeptos acríticos. E uma maneira cómoda de não pôr em causa as verdadeiras causas da eventual perda de qualidade do futebol europeu.

 

  • Sete golos sem resposta é mais do que uma vitória uma violência e um escândalo.
  • E um desperdício. Poderiam ter guardado dois ou três para os próximos jogos não vá fazerem falta.
  • Isto faz lembrar aquele outro jogo (grande jogo!)de há quase cinquenta anos onde o mais emblemático dos jogadores portugueses mostrou o que valia. Ele e os outros há que dizê-lo. Os coreanos devem achar que lhes trazemos azar.
  • Nem quero pensar nos jornais de amanhã. Apostamos que nem do luto vão falar?

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