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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Tranquilidade

O meu olhar, 22.09.10

Tenho andado muito ocupada pelo que nos últimos tempos apenas apanho as notícias de raspão. No entanto, como são centradas em alvos específicos é fácil apanhar os motes em voga: Queiroz/Mourinho/Paulo Bento; Benfica/erros de arbitragem; FMI/execução orçamental/ aumento da despesa pública. Foquemo-nos nesta última porque as outras são romances com final datado.

Grandes títulos nos jornais, análises na televisão, informações alarmistas na rádio, levam-nos a pensar que isto vai cair tudo nas mãos tenebrosas do FMI, que o país está numa vertiginosa derrapagem e que a oposição, leia-se o PSD, não quer eleições e até gostava de segurar o Governo mas assim não há condições. Alarmada, resolvo perder um pouco de tempo para tentar perceber o que tinha acontecido entretanto desde a última vez em que eu me considerava mais ou menos informada. Tentei perceber porque de repente toda a gente falava do FMI e da sua inevitável intervenção em Portugal. Tentei ainda averiguar que especialistas proclamavam essa análise. Busquei saber que números tinham surgido para sustentar tais pontos de vista. Procurei essa informação, mas com alguma dificuldade porque a comunicação social está inundada de análises, mas os factos são escassos.

Conclusões que retirei em síntese:

- Os especialistas que têm sustentado na comunicação social, com mais alarmismo,  a tese da intervenção eminente do FMI são Medina Carreira, Eduardo Catroga, Ernâni Lopes, António de Sousa e Miguel Beleza;

- O défice do subsector Estado aumentou entre Janeiro e Agosto de 2010 em 445 milhões, face a igual período de 2009, sendo que este aumento está abaixo do previsto no OE 2010, com a revisão decorrente do PECII;

- A receita aumentou naquele período 1,8 %, correspondentes a 22,72 milhões de euros;

- A segurança social registou em Agosto um excedente de 661 milhões de euros, mais 32 milhões do que em 2009;

- O FMI questionado sobre uma eventual intervenção em Portugal garantiu que não está a preparar qualquer intervenção no nosso país e elogia o esforço do Governo no controlo do défice e avança que acredita que será feito o necessário para garantir a redução do défice para menos de 3% do PIB em 2013.


Face a tudo isto questiono-me: a quem interessa a instabilidade gerada? É que essa sim é verdadeiramente grave porque em nada ajuda o grande problema que o país enfrenta actualmente: a especulação sobre a dívida portuguesa, que leva a que a taxa de juro cobrada pelos investidores estrangeiros tenha subido perigosamente situando-se agora em 6,390%, quando em Agosto tinha descido para 5,011%.

 

Com tudo isto continuo intranquila. Não porque a despesa pública esteja descontrolada como nos querem convencer, nem tão pouco pela anunciada intervenção do FMI, mas sim porque os partidos que não ganharam as eleições, (sim, porque se a memória não me falha tivemos eleições muito recentemente) fazem uma oposição pouco responsável, em alguns casos notoriamente alarmista e teatral, falo concretamente do PSD, não do partido como um todo mas directamente de Passos Coelho e assessores, quando o país precisa, e muito, do grande valor do novo seleccionador nacional de futebol: tranquilidade.