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Incursões

Instância de Retemperação.

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a varapau 10

mcr, 28.09.10

Autógrafos em vez de marradas

O dr. Pinho que foi ministro e se demitiu por fazer corninhos a um deputado qualquer, foi entrevistado há pouco sobre como lhe corria a vida.

Se a pergunta era essa, convenhamos que foi ociosa. Alguém daí, desse lado do ecrã e deste lado da vida (de pagador sofrido de impostos, e  dura labuta diária, com ordenados lentamente comidos pela inflação pelos impostos que eles aumentam para pagar as dívidas que estouvadamente criaram e as asneiras que leviana mas continuamente vão fazendo) acredita que ele, coitado, andava por aí triste e à rasca contando os tostões?

Nada disso, obviamente. A pergunta era só para obter uma resposta que nos doesse ainda mais. Claro que os ex-ministros nunca se perdem. E este também não. Anda a ganhar o dele sem o suor do seu rosto mas com o de muitos cidadãos inocentes.

Não vou propagandear as actuais munificências  da criatura dos corninhos. Que lhe façam muito proveito. E que não se engasgue.

Apenas gostaria de referir, com as cautelas que se impõem quanto à veracidade da situação por ele descrita, que  as pessoas o param na rua, não para lhe darem dois tabefes ou dizer qualquer coisa pouco abonatória sobre ele ou a mãe dele, mas, pasme-se, para lhe pedirem autógrafos!

Se isto é verdade (e si non é vero é ben’ trovato) coisa que não me causa tanta desconfiança quanto repulsa, temos que há portugueses que andam perto de serem verdadeiros sevandijas. Strictu e latu senso! Então o homem que andou pelos ministérios a fazer nem sei bem o quê, que saiu como saiu ainda tem de dar autógrafos? E há gente que lhos pede? Em nome de quê? Qual a raiz da admiração, do entusiasmo pelo dr. Pinho? Serão amantes das touradas? Da garraiada à portuguesa? Do gesto boçal e desbragado? Da cintilante ironia de Pinho, o mordaz? Ou, ilusão perniciosa e extravagante,  querem o autógrafo para poderem provar, através de documento escrito, que Portugal  é mesmo assim?

 

d'Oliveira fecit 27.9.10

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