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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

Estes dias que passam 217

d'oliveira, 30.10.10

E pronto!...

Aí têm o acordo que se previa, o orçamento por que suspiravam Cavaco, os banqueiros, a oposição inerme e que (abusivamente) se reclama da esquerda, os assustados e o Governo incompetente que de há seis anos a esta data tem precipitado o país na triste situação que se conhece.

A telenovela de mau gosto de que, nos últimos dias, fomos forçadas testemunhas chega ao fim sem glória nem alívio. Os actores eram medíocres, o enredo um mero dramalhão de faca e alguidar e a plateia estava aturdida e anestesiada.

Cumpre-me, aqui, enquanto envergonhado eleitor (da primeira vez!..., não desta) do senhor J. Sócrates pedir desculpa pelo facto e prometer que nunca mais me apanham. Confesso, aliás, que esse meu voto não foi tanto nesta medíocre criatura mas mais, muito mais, contra Santana Lopes. Mal eu sabia que o substituto tinha os mesmos defeitos mas não as mesmas parcas qualidades. Culturalmente é ainda pior, o que já é difícil, e politicamente pertence à mesma espécie de acrobatas de feira.

Também devo, enquanto comentador, penitenciar-me pelo facto de, algumas vezes ter referido com sobranceria a dr.ª Manuela Ferreira Leite. A pobre senhora não suscita simpatias, tem ar de catequista, mas –há que convir – não se enganou no diagnóstico económico-financeiro que, desde o primeiro dia no seu posto de presidente do PPD, teimou em fazer. Pode ser uma criatura do mais pernóstico que há mas disse, contra ventos e marés, no meio de desmentidos governamentais infames, algumas verdades. E escreveu por várias vezes sombrios diagnósticos no “Expresso” (basta ir ler...). A gentuça do seu partido em alegre e destemperada sintonia com as autorizadas vozes governamentais escarneceu da pitonisa da desgraça. Conseguiram arredá-la do poder, despediram-na como quem despede uma criada de servir desleixada e crapulosa. Agora, é o que se vê. O pobre diabo que a substituiu, mesmo que tenha um penteado mais artístico e cuidado, nem de economia percebe. Alanzoou basófias e ao fim e ao cabo teve de ceder no essencial, isto é no orçamento. Venha daí quem me consiga convencer que entre a proposta original e esta ora acordada, depois de insultos (O senhor ministro até chegou a chamar mentiroso ao enviado do PPD...) há alguma diferença essencial. Tudo se resumiu a uns parcos 0,2% que aliás ainda vamos ver consumidos na mesma voragem do anteriormente.

A paisagem depois desta incruenta batalha é a mesma de antes. São os mesmos cem ou duzentos figurões nos mesmos postos, xcom as mesmas mordomias a vampirizar um pais anémico. Pessoalmente preferia o FMI. Pelo menos essa gente é competente. Já cá estiveram e o resultado é conhecido. Travaram a incompetência e conseguiram umas ligeiras melhoras neste corpo moribundo a que teimamos em chamar pátria.

Mas as carraças voltaram e é o que se vê: a internet e os jornais estão cheias de denúncias de benesses, de números astronómicos de negociatas de ordenados faraónicos. Ele é as parcerias público-privadas, a multiplicação de lugares de direcção de institutos  de unidades de missão de altas autoridades numa estapafúrdia concorrência com a administração pública que como de costume acaba por ser a ré.

Os jornais trazem as cartas de repúdio destas criaturas quando se apontam negociatas, veja-se uma lamentável carta ao Expresso de um ex-ministro todo poderoso agora metido na privada parlapateando do seu amor à pátria, dos inúmeros serviços a ela prestados sem sequer corar e lembrar-se de algumas ocorrências desastrosas nos ministérios  a que presidiu.

As televisões trazem-nos outros excelsos servidores públicos que agora mostram o seu valor nas grandes empresas para onde foram nomeados depois de nada, rigorosamente nada, os afiançar como competentes. Os melhores não estragaram ou estragaram pouco e os restantes é o que se sabe...

Alguns, mais discretos (ou mais inteligentes) tentam passar despercebidos mas, regra geral, a grande maioria não resiste aos holofotes do palco, às revistas cor de rosa que os fotografam gozosamente. À falta de aristocracia, de velhas famílias da burguesia educada,  de gente simples e modesta, eis que aparecem estas criaturas que ninguém de bom senso convidava para a sua casa ou para uma mesa de bridge. Também, neste último caso, não tem importância: eles ou não sabem ou não têm modos. Nem vergonha... mas isso já sabíamos.

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