As alternativas
Anda por aí uma moda estranha. Então não é que agora se queremos ter o direito a criticar a política do actual Governo temos sempre de as acompanhar com as medidas que propomos, ou seja, as famigeradas alternativas. Se a memória não me engana, ainda há poucos meses, o que estava a dar era criticar o Governo, o anterior claro, a propósito de tudo que mexesse. Na altura apresentar alternativas não era uma condição essencial para poder criticar.
Se alguém critica as medidas do Governo lá aparecem os chavões: e alternativas? Digam lá. Quais são as alternativas?
E alternativa é o que não falta. Podemos não ter líderes neste momento à frente dos partidos para as tomarem, mas alternativas existem, quer a nível nacional, quer a nível europeu. algumas são até apresentadas, imagine-se (!), por Cavaco Silva e Ferreira Leite. Se me dissessem há algum tempo atrás que estas seriam vozes sonantes de contracorrente a um Governo do PSD, eu não acreditaria.
A esse propósito, o que se passa com a liderança de José Seguro é verdadeiramente preocupante. Quando Portugal precisava de uma oposição forte eis que assume o poder no PS uma pessoa que se verifica ser muito próxima de Passos Coelho, que segue a estratégia de Passos Coelho, que apenas tem para oferecer lutas pontuais e desconexas, sem vigor, sem rumo. Atrevo-me a dizer que se José Seguro não sair rapidamente da liderança do PS pode causar estragos irreparáveis. Também aqui há alternativas.

