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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Negócio que anuncia outros negócios

JSC, 22.07.12

 

Lê-se e ouve-se que o Governo acordou com o Município de Lisboa a compra dos terrenos do aeroporto pela módica quantia de 286 milhões de euros. Dizem-nos que este contencioso se arrastava há anos e que no pacote do negócio se encaixaram outros casos, que também se arrastavam entre os dois poderes (central e local).


O negócio visto do lado da Câmara parece ser um bom negócio. A CML vê reduzida em 43% a sua dívida bancária, com a consequente poupança anual do serviço da dívida e, ainda, recebe nove milhões de euros em dinheiro fresco. Deve ser um bom negócio porque, admito, os terrenos do aeroporto não deveriam dar lugar a qualquer rendimento, sendo apenas expectável as mais valias que a CML poderia vir a obter no caso do aeroporto vir a ser encerrado.


A questão que se pode colocar é qual o interesse para o Governo neste negócio? O que é que terá levado Vitor Gaspar a aceitar abrir mão de 286 milhões de euros numa altura em que nega financiamentos a tudo e a todos (para já não falar no confisco)? A resposta só pode estar na expectativa que Coelho e Gaspar têm relativamente às mais valias que vão obter com aqueles terrenos. Ou seja, a compra dos terrenos à CML permite ao governo  tomar, sozinho, a decisão da privatização da TAP e da ANA.

 
Como é que o governo podia avançar com a privatização destas entidades se o principal terreno, onde as mesmas exercem a sua actividade, era propriedade de uma terceira entidade? Assim, acabou este constrangimento. O negócio com a CML é o prenúncio dos negócios que se seguem. Aos governantes exigia-se mais clareza quanto aos verdadeiros objectivos destes negócios. Aos jornalistas exigia-se que fossem mais argutos na leitura das notícias que lhe dão para transmitir.