o leitor (im)penitente 73
Duas vezes na mesma semana!
Nem sempre o “Público” (declaração de interesses: é o meu jornal desde o número 1) merece que o tratemos bem. Defeitos, e muitos, como qualquer um de nós, tem-nos e não são poucos nem raros. Mas, nestes 23 anos, conseguiu, apesar de tudo, ser o melhor, o mais livre, e o menos parcial de quantos andam por aí.
Esta semana, melhor dito, ontem e hoje, excedeu-se. Inseriu dois pequenos cadernos dedicados a dois desaparecidos escritores. Ontem (15 de Novembro) foi Eduardo Prado Coelho e hoje (16) é Manuel António Pina num destacável do suplemento “ípsilon”.
Leitores e amigos, se é que ainda os tenho por aqui: corram ao quiosque e comprem estes dois exemplares. Mesmo se os jornais são, no dia seguinte, mera embalagem “para peixe” (MAP dixit), nestas páginas faz-se um bocadinho de história literária e, daqui a anos, alguém nas vossas casas, descobrirá, encantado/a, estas folhinhas carinhosamente guardadas.
E verificará surpreendido que o cuidadoso guardador desses papeis amarelecidos era, sem o saber, um coleccionador de “ephemera”, coisa fina como agora alguém subitamente descobriu.
Eu que, desde que me lembro, recortei jornais (e que num incêndio estúpido, perdi vinte e tal anos de histórias incríveis) aconselho mesmo para estes recortes uma camisa dessas que se vendem ao cento em qualquer papelaria: bom plástico, bom tamanho ( A4) e protege mesmo o papel frágil do jornal.
E nos dois caderninhos perpassam gatos......
*na gravura: as gatas Kiki de Montparnasse e Ingrid Bergman, muito cá de casa, meditam no futuro do mundo
