estes dias que passam 289
Nem os ”ungidos pelo Senhor”!....
O senhor Cardeal Patriarca entendeu beneficiar-nos com os seus conhecimentos de política vaticana.
A propósito do futuro Papa eis que nos iluminou com o seu verbo forte: que o colégio cardinalício elege quem muito bem entende (ouvido que terá sido, espera-se, o Espírito Santo) pelo que a eleição pode recair num europeu, num americano num asiático ou num “preto”.
Ora aqui está um colega para o senhor secretario geral da CGTP, o tal do escurinho membro da troika. Les beaux esprits se rencontrent. Não numa manif reivindicativa, muito menos aos pés do altar, mas tão só nesse eufemismo racistóide que no caso de Sª Eminência vai ao preto, ao pretinho da Guiné ou a qualquer confrade da mesma raça e teor.
A boquinha, por onde morre o peixe, foge-lhes para o preconceito. Fica-se a saber que há europeus, asiáticos, americanos e pretos. Ao que parece não há africanos. E na Europa ou na America não há pretos. Ou havendo, trata-se de “niggers”, de “bamboula” de “blanche neige”, enfim de “pretalhada”.
A África deve ser um buraco negro, uma região atingida pelo deserto e por algum meteorito gigante que a fez desaparecer da família humana.
Ou então, trata-se de um continente de réprobos trabalhados prelos protestantes, pelas novas seitas e pelo perigo muçulmano. Uma inexistência religiosa, portanto.
Claro que me dirão que isto foi apenas um tropeço, uma distração, que não há na pessoa do patriarca qualquer preconceito. Quero, queria, qcrer que sim. Mas que há na sua inocente frase um resquício da velha ideia racial, não tenho dúvidas. E é isso que urge criticar, anotar, sublinhar. Só isso. =Para que o espírito missionário não seja apenas, como em tempos longínquos vi, uma espécie caridosa do white man’s burden que ia civilizar os “índigenas” e fornecer-lhes uma alma nova em folha E branca, de preferência. .

