Norte 2020
No início do mês estive presente no lançamento da Iniciativa Norte 2020, que procura definir uma estratégia que permita à Região Norte tirar o melhor aproveitamento possível do próximo ciclo de fundos comunitários e prosseguir um “crescimento inteligente, inclusivo e sustentável”. Presente no acto, o então secretário de Estado Almeida Henriques disse que o executivo definira já as quatro grandes prioridades para esse período 2014-2020: a competitividade e internacionalização, a formação de capital humano, o desenvolvimento sustentável e a coesão social e territorial.
As palavras são bonitas e bem intencionadas, não restam dúvidas, mas o mesmo já se passou em ocasiões anteriores e nem assim a região conseguiu crescer e aumentar a sua convergência com o país e com a Europa. Antes pelo contrário. O desafio para as lideranças regionais – se é que as há… - é evitar que tal continue a ocorrer.
Na retina de muitos dos presentes na sessão, aliás, ficaram os dados arrasadores que o responsável pelo Centro de Avaliação de Políticas e Estudos Regionais da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Rui Monteiro, trouxe para reflexão. O Norte, região exportadora por excelência, e que tem contribuído decisivamente para “aguentar” o país no momento actual, continua na cauda de quase todos os indicadores e compara hoje com as mais pobres regiões da União Europeia.
Mais do que aos governantes sentados em Lisboa, creio que devemos começar por apresentar a factura aos autarcas e responsáveis políticos da região, de todos os partidos, que se têm mostrado totalmente incapazes de combater esta realidade. Que garantias nos dão de que agora será diferente?
