Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Voltar as costas aos políticos

José Carlos Pereira, 06.09.13

A recente decisão do Tribunal Constitucional (TC) veio pôr fim à indefinição que se abatia sobre as candidaturas dos autarcas que, após atingirem o limite de mandatos consecutivos num determinado município, decidiram candidatar-se noutro concelho. Não querendo discutir aqui a bondade da decisão do TC, que reuniu com um colégio mínimo de juízes, não posso deixar de dizer que é absolutamente lamentável e desprestigiante para o regime democrático e o Estado de Direito que a decisão fosse conhecida por alguns dos interessados, com todos os pormenores, dois dias antes do respectivo anúncio público.

Estas candidaturas autárquicas dos denominados “dinossauros”, conjuntamente com as dos ditos “independentes”, que, na sua esmagadora maioria, não são mais do que ex-autarcas e dirigentes partidários preteridos pelos respectivos partidos, vieram aumentar o descrédito dos eleitores sobre os partidos, os políticos e o sistema em geral.

Naturalmente, o período que atravessamos, com a perda continuada de direitos e rendimentos, o aumento do desemprego e das falências e a persistência de alguns privilégios por parte dos detentores de cargos públicos, também leva o cidadão comum a rever-se cada vez menos nas atitudes e nos princípios seguidos pelos políticos que dirigem o país e cada parcela do território nacional, criando uma onda crescente de descontentamento e de alheamento.

Estou convicto que a abstenção vai aumentar nas próximas eleições autárquicas e nas que se seguirem de âmbito nacional e este é um problema que deve ser atacado de frente por todos os agentes políticos, antes que despertem entre nós fenómenos extremistas iguais a alguns que vemos lá por fora. Ainda há dias, em Marco de Canaveses, tive oportunidade de comentar isso mesmo com Jorge Lacão, ex-ministro e líder parlamentar do PS. Não é pelo facto de estar presentemente na oposição que o PS deve cavalgar a onda do “quanto pior melhor”, pois num futuro mais ou menos breve o PS voltará ao poder e aí vai ter o problema a estourar-lhe nas mãos.