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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 303

d'oliveira, 27.09.13

 

Aberrante?

Não: simplesmente á portuguesa!

 

Já por aqui falei da lei que proíbe acumular mais de três mandatos de presidente de Câmara ou de Junta de Freguesia.

Considerei tal dispositivo legal uma burrice supina e uma prova provada de quão difícil é fazer política em Portugal. De todo o modo, nessa mesma ocasião, eu entendia (para alguma coisa me serve um já inútil dioloma de licenciatura em Direito, ganho penosamente no tempo em que aquilo parecia uma dupla maratona salpicada de obstáculos e barreiras várias) que a solução era a da proibição total de candidaturas mesmo em áreas geográficas diferentes.

Tudo porque só assim se conseguiria a tal “renovação” de pessoal político que agora parece erigida em dogma de democraticidade. Foi outro o entendimento dos senhores juízes do Tribunal constitucional que assim se fizeram  momentaneamente perdoar de anteriores tropelias contra o actual Governo.

Aliás, eu também recordava que a lei me parecia infeliz e estúpida (qualidades bastante generalizadas na nossa legislação recente). De facto,

ao só contemplar presidentes de câmara e de junta (coitados destes últimos), a lei deixava de fora  a multidão imensa dos vereadores que pelos vistos se podem perpetuar ad aeternum sem mossa nem beliscadura para a famosa renovação. Convenhamos que, num grupo de uns bons milhares de eleitos, ir tocar apenas em pouco mais de 350, parece facécia de mau gosto. Sobretudo quando, nos que escapam à rasoira democratoide, estão os senhores vereadores das obras e de outras competências igualmente interessantes do ponto de vista financeiro.

Em segundo lugar, porque atrás deste tonto dispositivo legal, que o TC manteve em toda a sua inanidade jurídica e (sobretudo) ética, aflorava uma velha ideia mesquinha e populista: a ideia de que “eles” andam ali para se governar, acrescida a estoutra igualmente manhosa: se há cacau para encher a burra de um deve haver para o resto da malta.

Em Portugal, todo o eleito é corrompivel ou assim parece. A ideia de alguém se dedicar generosa e simplesmentye ao bem comum parece ser mera ingenuidade e tolice a toda a prova.

Não que eu negue quer há lideres municipais corruptos, Deus me livre! O que não percebo é como se castigam os pecadores permitindo-lhes ao fim de doze anos a ida para o consellho exactamente ao lado. E sobretudo porque é que se castiga toda a gente?

E finalmente porque, como agora se vê abundantemente, não só os senhores eleitos com mais de doze anos se transferem em número apreciável para outras municipalidades ou freguesias, como também, e à falta de lugar, optam (e são mais de cinquenta!) por ir dar uma voltinha nas Assembleias Municipais –onde farão tudo para manter o seu controlo político partidário – ou até se candidatam como vereadores...

Parece que ao alto critério dos defensores da falida “renovação” e de todos quantos sobre o assunto fizeram lei, escapou esta tão lusitana espertalhice.

Mas deixemos este problema e passemos à substância das eleições que se avizinham.

Por um lado, o país  indefeso viu-se atacado por hordas de listas independentes que não só não o são mas nem sequer disfarçam. O presidente A ou o vereador B não foi (como esperava e pensava merecer) reconduzido?  Aguenta aí que é só desfiliar-me e candidatar-me aureolado por uma independência manca e manhosa que eventualmente poderá enganar uma dúzia de eleitores desprevenidos.

Um pequeno partido do arco parlamentar não tem gente suficiente (ou não lhe convém aparecer sob o seu nome) ou garantias mínimas de impreesionar o pagode? Sai rapaidamente outra lista independente, cidadã, virgem e inocente.

O PCP como de costume aparece vestido de CDU, como se os raros ecologistas daquela coisa “os verdes” fossem mais do que uma antena “companheira de viagem” ilustrada pela senhora Apolónia.

O PPD, em vários sítios, mormente no Porto (ó esperteza saloia e aldrabona) não é PPD é “porto forte”! E nesse porto fortalhaço aparece em fundo azul (cor muito ppd!) um cavalheiro chamado Meneses, responsável pela colossal dívida camarária de Gaia. A criatura pálida apesar do fotoshop a que os criativos da publicidade o submeteram, desdobra-se em mangas de camisa e muito leitão assado em promessas que, pelos vistos, não convencem a cidade que durante doze anos premiou Rui Rio com maiorias absolutas.

Deus, se existir, honrará seguramente as sondagens que dão Meneses em 2º lugar.

Na mesma zona geográfica o herdeiro de Meneses, uma tonitruância que dá por Abreu Amorim também não parece entusiasmar os gaienses. Do outro lado, um trauliteiro matosinhense que em seu tempo se ilustrou nas violências da doca de Matosinhos (que perderam Narciso Miranda), aparece como candidato do P.S.!!! Dermasiado mau para ser verdade mas, pelos vistos, também esse ferrabrás de bairro parece batido pelo actual presidente de Câmara, agora independente, que se não conformou com as conspiratas concelhias que Seguro (o homem não acerta uma!) avocou.

Como exemplo de renovação política, o mesmo Seguro, ou alguém por ele, candidata por Coimbra o viçoso Machado, ex-dinossaurio local.

Outro dinossáurio, pior do que o de Coimbra, Moita Flores, foi exportado de Santarém, onde já não cabia, para Oeiras. É um favor que fazem à lista chefiada pelo nº 2 de Isaltino.  Aliás em Oeiras, onde agora estou, o delírio dos candidatos da oposição atinger as raias do absurdo no que toca a promessas.

Claro que não vão ao ponto de, como o inefável dr. Seabra, prometer um túnel para o Saldanha. Passo lá frequentemente e nunca vi, fosse a que horas fosse, a necessidade de   um buraco em tal sítio. O dr. Seabra é, como eventualmente não se sabe, o menos péssimo de três comentadores de futebol num programa televisivo medíocre mas que deverá ter imensa audiência. Disse o menos péssimo porque assistir aquilo e às tiradas dos outros dois contrincantes de Seabra deve dar remissão dos nossos pecados por dez anos.

Convinha explicar ao dr. Seabra que quanto a túneis nem toda a gente é Santana Lopes, quand-même. E que há túneis e tonéis, neste caso vazios como a promessa de Seabra. De todo o modo, Lisboa parece vir a ser um passeio para Costa e um pesadelo para Seguro.

Em Lisboa ainda, alguém, candidato sem esperanças,  propunha-se meter o fado como disciplina obrigatória no ensino unificado!  A burrice e a estultícia juntas não têm limites...

E por aí fora.

Estas eleições são, convém acentuar, locais. Ou seja, fora dois ou três grandes centros urbanos, vá lá seis, joga-se sobretudo no plano municipal. Mesmo que se queira dar aos escrutínios  de domingo, um carácter nacional, o que é duvidoso, é bom lembrar que, em eleições intercalares o Governo costuma perder. Todavia, para que destas corridas municipais saia de facto uma derrota (merecidíssima!) para Coelho, Portas & comandita, é preciso perder muito mais do que o que se adivinha. E, para o P.S., é preciso ganhar muito mais do que está ao alcance dele. Aliás, a previsível derrota no Porto (e seria a quarta vez!) e o infamante 3º lugar, que tudo indica o seu candidato obterá, empanarão sempre a inalcansável vitória dos socialistas. Na melhor das hipóteses conquistarão Sintra (à sombra desse socialista dos quatro costados e de sempre, que é Basílio Horta que pelos meus cálculos ainda acabará a sua deriva polítca, iniciada na extrema direita, no Bloco – se o aceitarem!), reconquistarão Coimbra e mais um par de praças semi-abandonadas pelo PPD. Como já disse, se Costa ganhar Lisboa com a percentagem que lhe auguram, tal vitória trará amargos de boca a Seguro, líder frágil e pouco convincente e facilmente ejectável assim que comece a cheirar a eleições.

Ao jogar (tolamente) tudo por tudo nesta jornada, Seguro arrisca-se a sair mais depressa da cena  política. É com ele. E da sua evicção também não virá mal ao mundo, aos portugueses e muito menos ao P.S. O homenzinho era um jarrão mudo no Parlamento mas o silêncio só é de oiro quando depois se virem as pepitas. Com boa vontade e muita compaixão, de Seguro só se viu até agora uma vaga purpurina e já é ser generoso.

Quanto a Coelho (e nem se fala no rapazinho Portas responsável máximo da falta de consideração de que gozamos na  Europa), tem os seus tristes dias contados. A menos que surja um milagre, as legislativas estarão perdidas. E nós com elas, cumpre dizer, graças à mediocridade, à falta de senso e de inteligência da criatura.

 

 

 

 

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