Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Pia

Incursões, 24.08.05
Confesso que hoje andei afastado das notícias. Mas, depois de jantar, soube que o Dr. António Pinto Pereira, por "razões académicas e profissionais", tinha abandonado a posição de advogado da Casa Pia, para ser substituído pelo Dr. José António Barreiros. Nas redacções, havia muitas dúvidas sobre esta mudanaça. Em sectores do MP, notei grande regozijo. Pela minha parte, está tudo bem desde que o putativos pedófilos sejam condenados, caso sejam culpados. Por aqui, já percebi que o Dr. JAB é uma figura querida - leiam-se os posts dos últimos meses. Eu não conheço nenhum dos dois advogados. Que seja tudo a bem da Nação... Ah, já agora, uma preocupação: com o ritmo do processo Casa Pia, o Dr. JAB não vai ter tempo para tantos blogues...

Postal de S. Pedro de Moel

José Carlos Pereira, 23.08.05
Há terras pelas quais nos apaixonamos e que se “agarram” a nós como se das nossas próprias raízes se tratasse. É isso que eu sinto relativamente a S. Pedro de Moel, uma pequena localidade situada no litoral da Marinha Grande, a escassos quilómetros de Leiria. As suas gentes, o casario, a praia, o mar, o farol, o pinhal, tudo aquilo me é tão familiar como se sempre aí tivesse vivido.

Descobri S. Pedro de Moel, um pouco por acaso, no Verão de 1988 e desde então volto sempre com a mesma sensação de quem regressa a casa após uma longa viagem. Neste Verão, além da praia, do descanso e das investidas gastronómicas, pude visitar a Casa-Museu Afonso Lopes Vieira.

O edifício, uma prenda de casamento de seu pai, foi a casa-nau do escritor e o local privilegiado de inspiração para a sua obra poética. Aí se reuniram personalidades ilustres do seu tempo, como Aquilino Ribeiro, Vitorino Nemésio e tantos outros que procuravam S. Pedro de Moel para as suas criações pessoais. O prédio foi acrescentado de uma capela, em Agosto de 1929, quando Afonso Lopes Vieira, ateu na juventude, reconheceu o milagre do sol, avistado da varanda da casa, e pretendeu afirmar publicamente a sua fé.

Após a sua morte, em 1946, a casa foi doada à Câmara Municipal da Marinha Grande com o objectivo de albergar uma colónia balnear para os filhos dos operários vidreiros, dos pescadores e dos trabalhadores florestais, o que evidencia bem as preocupações sociais do escritor. Com a abertura da Casa-Museu, a Câmara da Marinha Grande dá a conhecer a vida e a obra de Afonso Lopes Vieira, lado a lado com a agitação peculiar que as crianças da colónia balnear transmitem aos outros espaços da casa. Um bom exemplo de como fazer reviver um edifício secular.

Tomar os desejos por realidades

Incursões, 22.08.05
Talvez movido por este post, Vital Moreira escreve hoje estoutro:

Há quem já veja nos blogues um "quinto" poder -- ou mesmo um "sexto" poder, conforme as contagens ... --, a par dos media tradicionais, funcionando como "watchdog" do poder político, ou mesmo do poder mediático. Mas essa visão sobre o impacto desse novo poder emergente parece manifestamente exagerada, pelo menos por ora, sendo conveniente manter alguma prudência na avaliação do poder dos blogues entre nós.
Descontados os blogues dedicados ao desporto e ao sexo, são muito poucos os blogues com alguma notoriedade; e vários deles devem o seu impacto essencialmente ao conhecimento público dos seus autores fora da blogosfera. E não é a repercussão efémera de abaixo-assinados colectivos, em arremedo de movimento cívico, que vai alterar significativamente as coisas...
A propósito, talvez não seja mau ouvir um pouco de Mahler... Sinfonía nº 5 (1904):

P.S. - Como é possível que, quem gosta de ouvir isto, subscreva isto?

O Mundo das Sombras

Incursões, 22.08.05

O Dr. José António Barreiros continua a surpreender-nos.
Depois da Revolta das Palavras, e para além do blog jurídico Patologia social e da sua participação no Cum grano salis, sustenta os blogues A Janela do Ocaso e Geometria do Abismo.

Recentemente, descobrimos-lhe mais um, O Mundo das Sombras, blog dedicado aos estudos de investigação que tem vindo a fazer sobre as redes estrangeiras de espionagem, contra-espionagem e operações especiais em Portugal, sobretudo durante a segunda guerra mundial.

José António Barreiros, advogado, nascido em 1949, tem-se dedicado nos últimos anos a investigar as redes de espionagem estrangeira em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial.

Sobre o tema já publicou:
(1) «A Lusitânia dos Espiões», uma colectânea de artigos que editara na imprensa sobre o tema;
(2) «O Espião Alemão em Goa-Operação Longshanks», um relato de um incidente ocorrido em 1943 no porto de Mormugão, em que um comando do SOE britânico tentou apresar navios cargueiros do Eixo estacionados naquele porto neutral;
(3) «O Homem das Cartas de Londres - Rogério de Menezes», a biografia de um dactilógrafo da Embaixada portuguesa em Londres, preso em 1943 por espionagem a favor do Eixo e condenado à pena de morte, mas que o autor encontrou vivo em Castelo Branco.

Prepara actualmente um outro livro biográfico sobre a agente duplo «Treasure», Nathalie Sergueiew.

Tem colaboração dispersa em artigos na imprensa e em conferências.

Não resistimos a dar-lhe, daqui, um forte e entusiasmado abraço pelo feito e a desejar-lhe o maior êxito nesta sua outra faceta.

Os “fora-da-lei”

Incursões, 21.08.05
Depois do 25 de Abril é a primeira vez que vamos ter eleições autárquicas com candidatos “fora-dos-partidos” (e não independentes!) por serem acusados de agirem “fora-da-lei”. E o mais paradoxal desta situação é o apoio que tais candidatos recebem das respectivas populações locais, a ponto das sondagens indicarem que podem obter a maioria das intenções de voto.
Uma das causas desta situação é, certamente, a perda de legitimidade dos partidos perante a opinião pública. Prometem e depois não cumprem, perderam o carácter ideológico, não cultivam o respeito por regras e não estimulam uma militância de inserção nos movimentos sociais. Aliás, de uma forma geral, os directórios locais dos partidos estão mais empenhados nos jogos de poder aparelhístico que no apoio aos militantes ou simpatizantes envolvidos em causas sociais. E as denúncias de corrupção e favorecimentos pessoais, que atingem todos os governos, acabam por justificar um pessimista lugar-comum: os partidos só servem para beneficiar alguns e não o povo.
Os partidos, aos olhos dos eleitores, foram-se tornando em meras legendas de reprodução de interesses individuais ou de grupo e, assim, abriram caminho ao populismo que, rapidamente, foi promovendo uma espécie de privatização de mandatos. A acção politica deixa de ser mediada pelos partidos e no quadro do respeito pelas leis para passar a conjugar-se unicamente na primeira pessoa: “eu faço, eu quero, eu mando”. Em nome pessoal, promete-se a resolução de todos os problemas e a vontade do povo passa a ser a única lei. É neste contexto que surge uma nova categoria de independentes: a dos que não são independentes por razões ideológicas, mas porque, sendo suspeitos ou acusados de crimes, os partidos (como é sua obrigação) não apoiam as suas candidaturas a autarquias. São os “fora-de-partido” por serem os “fora-da-lei”. Estes “chico-espertos” servem-se da erosão dos partidos para invocarem a vontade do povo e afirmarem, como Valentim Loureiro, que nada devem ao Partido ou se gabarem, como o senador do CDS, Ferreira Torres, que valem mais do que o Partido.
É urgente fazer reformas que ponham a funcionar as instituições, antes que a proliferação dos “fora-da-lei” acabe com a democracia.

JBM, no JN de hoje

FERNÃO DE MAGALHÃES

Incursões, 20.08.05
Image hosted by Photobucket.comrota de Magalhães

A Igreja diz que a terra é achatada, mas sei que ela é redonda, porque vi a sombra na Lua
, e tenho mais fé numa sombra do que na Igreja.
Fernão de Magalhães
(1480? - 1521), único português a ter o seu nome nas estrelas

Image hosted by Photobucket.com


A queixa-crime que ninguém quer

Incursões, 20.08.05
No dia 20 de Julho, desloquei-me a um tribunal para uma leitura de uma sentença criminal, que tinha sido adiada do dia 15, por causa da greve dos funcionários. Na véspera, um cliente que eu não conhecia - dessa comarca - pediu para se encontrar comigo para um "caso urgente". Marquei com ele no próprio tribunal.

O senhor em causa andava a ser fustigado com cartas anónimas e ameaçadoras. Temia pela vida dele e dos seus familiares, sobretudo dos netos. A conselho de alguém, tinha decidido não abrir a última carta, para tentar salvaguardar as impressões digitais que eventualmente estivessem no papel interior.

No final da leitura de sentença, pedi para falar com o Procurador-adjunto, com quem trabalhei várias vezes e de quem tenho a melhor das impressões. Expliquei-lhe o sucedido e tentei que ouvisse o meu cliente, doente do coração e receoso das ameaças. Disse-me que não o faria, até porque não estava de turno e só tinha ido ao tribunal por causa da sentença. Presumo que com a sua presença ali, teria acordado com o colega de turno a desnecessidade de se deslocar ao tribunal. Mas deu-me algumas ideias úteis: aconselhou-me a GNR local, para que pedisse a intervenção do NAC competente, com vista a proceder ao exame lofoscópico das eventuais impressões digitais.

No dia seguinte, um colega do escritório, já munido da queixa, deslocou-se ao posto da GNR. Em vão. NAC? Medidas cautelares de preservação de prova? O que é isso? Apenas uma garantia: se a queixa cá ficar, segue de imediato para o tribunal da comarca e faremos o que nos mandarem.

No dia seguinte, uma incursão ao NAC. Quê? Recolher as impressões digitais? Só depois do MP determinar. Telefonamas para aqui, para ali e regresso ao escritório.

Nova tentativa no tribunal competente. O procurador-adjunto de turno ouviu o meu colega. Decidiu perguntar ao funcionário se podia fazer "aquilo"? Aquilo era um mero despacho a ordenar os exames periciais... Que sim, disse o funcionário. O magistrado disse que faria. Eu pensei que tinha feito.

Há dias soube que não fez. Depois disso, já houve outros turnos. Ninguém achou o assunto suficientemente entusiasmante para prolatar o simples despacho? Ora, um mero crime de ameças?!

A queixa lá continua (estivemos até às 11 da noite para a apresentar no dia seguinte...). À espera que alguém lhe dê alguma importância.

Eu não sei se as eventuais impressões digitais se compadecem com a demora. Imaginemos que existem e se vão perder daqui até ao momento em que alguém decidir que deve fazer alguma coisa. Que fazer se tudo se perder?

Entretanto, espero que o meu cliente, doente cardíaco e que já teve um problema na sequência das cartas, resista.

Estranhei

Incursões, 19.08.05
Eu estranhei que nos últimos dois dias não tivesse havido sequência na discussão, aqui no blogue, sobre o diferendo Público-PGR. Chamaram-me a atenção para o facto de o debate se ter transferido para a GLQL. Não fiquei suficientemente motivado para ir ler, apesar de me terem dito que era por lá citado.
Não percebi a mudança de palco. Por isso, pela minha parte, discussão encerrada. Eu não opino na GLQL e, mesmo verificando que o debate voltou, hoje, para aqui, também não se sinto motivado a prosseguir sobre o tema no Inc..