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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

S. João do Porto

O meu olhar, 23.06.07

OLHA A RUSGA DO BONFIM
DA SÉ E DE CAMPANHÃ
QUANDO POVO CANTA ASSIM
CRÊ NO DIA DE AMANHA!

Esta foi a quadra que me calhou no manjerico.

A todos os que festejam o S. João uma excelente festa!

Ainda o aeroporto de Lisboa

José Carlos Pereira, 23.06.07
A discussão em torno da construção do novo aeroporto de Lisboa tem-se resumido (e já não é pouco) a opções de custo económico, de impacto ambiental e de distância face à capital, submetidos a uma visão egocêntrica do poder instalado sobre o que é melhor para Lisboa e para os seus.

Lamentavelmente, a questão não é colocada da forma que deveria ser: se Lisboa precisa de um novo aeroporto, qual é a melhor solução para o país, para o seu desenvolvimento harmonioso e ordenado? O que é que se deve privilegiar como programa condutor da construção de um novo equipamento aeroportuário? O que se pretende do novo aeroporto? Que consequências para outros projectos estruturantes advêm da opção de construir o aeroporto numa determinada localização? O objectivo é fazer do novo aeroporto uma grande plataforma intercontinental, apesar de ser praticamente impossível competir com o efeito de atracção que Madrid exerce sobre a América Latina?

A resposta a estas questões deve esclarecer se o país (e o seu governo) pretende alicerçar o desenvolvimento com base num eixo sobre o Oeste e o médio Tejo (opção provável na Ota), tirando partido das suas indústrias e potencialidades naturais e de uma maior aproximação à região Centro. Se, pelo contrário, se deve privilegiar a margem Sul e o eixo sobre o norte e a costa do Alentejo e a ligação a Espanha. Se, outra alternativa, o que se deve favorecer é a atracção turística de Lisboa e da sua costa, mantendo um aeroporto o mais próximo possível da capital.

Também é importante perceber as consequências dessas opções nos investimentos já realizados ou ainda em projecto e que têm forçosamente de estar articulados com o aeroporto. Falo nomeadamente das vias rodoviárias, da rede de plataformas logísticas, dos investimentos nos portos marítimos, na rede ferroviária e na ampliação do aeroporto do Porto.

O que queremos afinal para o país? Há que pensar e projectar o futuro, tomando decisões políticas consistentes, à luz do que a Europa espera de nós e do que o futuro QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) desenha para Portugal. Não pode ser o LNEC ou uma qualquer universidade a decidir o futuro do país. A construção de um novo aeroporto exige, em primeiro lugar, visão, estudo e reflexão política. Depois, aí sim, seguem-se as decisões técnicas que decidirão sobre a melhor localização em concreto. Mas a técnica não pode vir antes da política.

missanga a pataco 20

d'oliveira, 23.06.07

A CG às compras!

É verdade leitoras “velidas" (soo aquestas avelaneiras frolidas. Ora tomem, poesia e da melhor...) isto de um cavalheiro ter mulher é por vezes muito complicado. Eu tinha, e tenho aqui guardados no quentinho, 3 textos escritos quase de rajada e motivados por cartas vossas uns e por sucessos avulsos outros. O meu problema era apenas ir publicando-os devagar, tais e quais saíram do dedinho dactilográfico. Já sei que não é dactilográfico mas dá-me jeito a palavra e enche-me de saudades da velha Underwood compra em décima mão por quinhentos mil reis. Escrevi aí os meus primeiros textos para a Vértice e mais uma série de coisas que um oportuno incêndio levou. Mas deixemos escorrer essa “furtiva lágrima” e vamos ao que interessa: a CG encasquetou na cabecinha perigosa que a televisão que tínhamos no quarto já não cumpria cabalmente o seu dever. Porque era pequena (um mastonço enorme do tempo dos afonsinos!) porque o som estava a piorar (!) ou porque era feia. Recusei estes argumentos logo de entrada. Um homem nestas coisas não pode tergiversar. Se hesita está feito ao bife. Já perdeu. Portanto eu armei-me em almirante Nelson. Não! Nada! A harmonia do casal espera que madame CG cumpra o seu dever e continue a adormecer serenamente ao cabo de um quarto de hora de televisão no quarto.
A CG, convém dizê-lo com tristeza, não tem pachorra para o mar, com ou sem almirantes. Decretou secamente que se o aparelho não era comprado pelo casal, seria comprado por ela. Para tal avisou os familiares que este ano não quer prendas pessoais mas cacau vivo, grana, massa, capim, enfim o que queiram desde que tenha circulação e seja aceite como modo de pagamento pelas senhoras peixeiras do Bolhão. Para isso eu já não tive argumentos. Ou melhor, tinha um, mas tão reles que quase não merece referência. E é este: entro com a minha parte na quete mas ai de mim se no dia 19 do próximo mês, não avanço com uma outra prenda que demonstre urbi et orbe, amor, carinho, preocupação, enfim tudo aquilo que já devia estar cumprido com a minha entrada de capital. Posso, evidentemente, chegar ali à loja dos bombons e mandar aviar um quarto da melhor doçaria da casa, e juro que não é barato. Mas se apareço camuflado atrás de bombons ou chocolates tenho para quinze dias. Para a CG, chocolates e similares são mera comida sobretudo se oferecidos em vez de...E não são, nunca por nunca, uma prenda pessoal. E como eu gosto de livros, os livros oferecidos em épocas especiais também não são prendas pessoais, idem no que toca a discos.
Prosseguindo. Hoje ao cair da tarde fomos a um hiper à procura dum estendal da roupa. O nosso está de facto a pedir reforma urgente e misericordiosa. Com a característica cautela de quem sabe o valor do dinheiro optei por um Jumbo onde saldavam televisões planas. Já que se caminha imparavelmente para a desgraça o melhor é limitar-lhe os efeitos. Como calculam, a CG nem hesitou. Viu a Samsung por que sempre sonhara e já só dali saiu com ela comprada. Para disfarçar, e à falta de um estendal decente, comprámos uma esfregona e uma caixa de tostas.
Claro que adivinham quem é que teve de montar a televisão, tirar quadros da parede, arranjar uma ligação para a antena e finalmente tentar começar a programar os canais. Enfim, quase... Naufraguei miseravelmente no segundo canal e entendi deixar para melhor ocasião essa dramática provação. O sábado de S João promete...

na gravura: Charlie Brown o moralista impiedoso e ingénuo diz o que sente ao ver o estado do mundo.Graças e muitas se dêem a Charles M. Schultz , seu criador.

ARGUIDO → ACUSADO/NÃO ACUSADO → CONDENADO/INOCENTE

JSC, 22.06.07
(leitura à luz do senso comum – o meu)

Esta é a via-sacra de justiça. Por esta ou aquela má razão, começa-se por ser investigado, passa-se à condição de potencial arguido. Que normalmente dá lugar a arguido a corpo inteiro. Esta é a fase em que a comunicação social toma conta do caso e estabelece as condições para o julgamento na rua. O que se passou na CM Lisboa mostra o perverso efeito que a condição de arguido exerce ou pode exercer sobre quem carrega esse qualificativo judiciário.

Claro que esse efeito foi potenciado por razões políticas (em princípio estranhas às justiça) mas existe. De qualquer modo, começa a ser socialmente relevante ter o estatuto de arguido. Manuel Serrão, criou o seguinte título a um artigo de opinião, publicado no JN: “QUEM NÃO É ARGUIDO NÃO PODE SER GRANDE COISA”. Mesmo descontando a ironia não deixa de ser curiosa esta visão do futuro.

Depois, se os indícios não se confirmam, não é formulada a acusação. Se os indícios se confirmam, então, como já alguém disse, passa-se a uma fase superior na aplicação da justiça: assume-se a condição de acusado. Do ponto de vista comunicacional, segundo dizem, esta fase é melhor que a anterior. Agora o acusado já se pode defender na comunicação social, porque terá acabado aquilo a que chamam segredo de justiça.

Entretanto o processo lá vai fazendo o seu caminho, com discussões formais, de prazos, legitimidades, inconstitucionalidades e, também, sobre a matéria de facto. Até que surge o grande dia: a primeira decisão final (sempre passível de recurso): Condenado/inocente

Como sabemos haverá inúmeros processos a aguardar desenvolvimentos e decisões judiciais. Da esmagadora maioria ninguém ouviu falar. De entre todos, alguns destacam-se pelas personalidades envolvidas ou pela matéria de facto ou por razões que têm a ver com a política editorial deste ou daquele órgão de comunicação social.
São inúmeros os processos notáveis que vão fazendo a via-sacra da justiça. Casa Pia, Caso Moderna, Apito Dourado, Universidade Independente, Hospital São João/Bragaparques, CML/Bragaparques, Autarquias e autarcas, Caso dos sobreiros/Portucale. Como se vê temos processos que tocam vários sectores de actividade e todos, excepção para o da Casa Pia, apresentam a mesma natureza económico-jurídica: corrupção. Uma outra característica comum é que são processos muito mediáticos e cujo fim não se anuncia para breve. A alguns talvez se venha a aplicar aqui aquilo que o Tribunal de Contas designava por “manto diáfano da amnistia”, ou talvez prescrevam, mas nunca se sabe.
Não interessa agora questionar o desenvolvimento destes processos e as inúmeras peripécias que lhe estão associadas nem o desfecho que possam vir a ter. As minhas dúvidas são de outra natureza

Mas é justamente no desfecho que me surgem as grandes interrogações. É corrente ouvirmos algumas pessoas, ainda na fase de arguidos, ameaçarem o Estado com futuros pedidos de indemnização caso os factos não se confirmem. Pior, alguns, mesmo depois de deduzida a acusação, afirmam que caso sejam declarados inocentes vão pedir pesadas indemnizações, que o Estado terá que pagar ou que vão recorrer para o Tribunal Europeu. Esta das indemnizações pegou moda.

É legítimo alguém avançar com um pedido de indemnização contra o Estado porque um Juiz, no âmbito da aplicação da justiça, lhe imputou a condição de arguido ou de acusado? E na situação em que o processo foi mesmo a julgamento e a decisão final foi de inocente, ainda assim é legítimo avançar com um pedido de indemnização?

Se a resposta for positiva, então, essa possibilidade é dada a todos os cidadãos. Neste caso não o melhor é o Estado dar apoio judiciário ao cidadão comum para este poder avançar com pedidos de indemnização contra o mesmo Estado sempre que seja inocentado?

Se a resposta é negativa, então, a PGR ou outra entidade não deveria esclarecer publicamente esses ex-arguidos ou ex-acusados que o não poderão fazer? É que ao ameaçarem pedir uma indemnização, o que fica na opinião pública é ele (ou ela) está inocente, …até vai pedir uma indemnização.

P.S.: Não se pode extinguir a figura de arguido? Talvez se prestasse um bom serviço à justiça e ao país.

quando nos encontramos

Sílvia, 22.06.07
para a.r.


quando nos encontramos
nascemos para um sentido absolutamente novo,
o mundo despertou em nossas mãos.

tudo o que a vida oferece de fúria,
risos, sexo, palavras partilhadas
dentro da noite, pequenas ternuras,
corpos delirantes,
despertou com o mundo.

quando nos encontramos
as palavras elevaram-se,
os gestos se concatenaram com as palavras,
os corpos pareciam sempre ter se conhecido,
nenhuma pergunta era necessária,
nada estava fora de lugar.
o universo dentro e em torno de nós
tinha uma lógica óbvia,
estava lá para que existíssemos.

tudo só a nós pertencia,
éramos divindades.

quando nos encontramos
soubemos que o amor é
para sempre.


silvia chueire

Lino volta à ribalta

ex Kamikaze, 22.06.07
«Ainda decorria a conferência de Imprensa [apresentação do modelo de negócio da AV feito pela RAVE], já o PS, numa atitude pouco habitual, apresentava um requerimento para que o ministro das Obras Públicas vá à comissão parlamentar, "com carácter de urgência" dar esclarecimentos. Os deputados fazem questão de afirmar que "o grupo parlamentar do PS teve conhecimento pela Comunicação Social que o Ministério apresentou publicamente as propostas de financiamento para o TGV". »

notícia integral no JN

Lista de blawgs

ex Kamikaze, 22.06.07
A listagem de blawgs na side bar do Incursões foi hoje aditada com os seguintes:

angulo recto, da advogada Nicolina Cabrita

Haja Direito, de um advogado estagiário que assina AR (ou será paquete? ou telemarketier? a pergunta fá-la o próprio, neste post de leitura recomendada a todos os candidatos a Bastonário da Ordem dos Advogados; e já agora, à boleia do Dia da Consulta Juríidica, leiam também este consultas "grates" ).


Au Bonheur des Dames 72

d'oliveira, 22.06.07

Eu e as máquinas? Era o que faltava!

As minhas parcas (mas excelentes) leitoras quando me lêem as balivérnias com que as vou entretendo provavelmente desconhecerão que nisto de informática não sou propriamente um ás. Os leitores, perante esta confissão terão sentido um bálsamo milagroso percorrer-lhes o espírito malévolo. Afinal o gajo de informática não vê um boi! Um boi? Um elefante! E há-de ser dos africanos desses de duas bossas! O gajo é um zero à esquerda!
Alto aí e para o baile, ó malta! À esquerda aceito mas zero, o que se chama zero, essa bolinha redonda inventada sabe-se lá por quem, também não! Sou fracote, confesso mas no estado actual das coisas ainda sei o suficiente para sair engenheiro por uma universidade manhosa.
Já agora e antes que me esqueça quando aí em cima escrevi “também”, o sacrista do computador deu “bembém”! Palavra! Aliás até a deixei ficar e depois arrastei a sacaninha para aqui. Alguém me explica esta facécia do Macbook Pro? Ninguém? Grandes nabos!
Portanto, eu de computadores pouco, poucachicho, quase nada. Eu ainda sou do tempo em que o telefone era um luxo desses que fica na memória de um cavalheiro. O primeiro telefone lá de casa era o 454. E havia clientes do meu pai que depois da consulta, de sacarem umas amostras ao velho (na altura novo) João Semana ainda lhe pediam para fazer uma chamadinha. O meu pai pensava que era por forretice. Qual quê! Nada disso. Era para saberem qual era a sensação de um telefone normal... E depois queriam pagar-lhe. Ao preço do posto dos CTT! O meu velho ficava doente! Esta gente mata-me, queixava-se à minha mãe. E ela, tão nova mas já sábia, dizia-lhe: não, Marcelo aqui quem pode matar és tu! E o Pai nessa altura desorbitava...
E o segundo telefone era o 2222. Nunca percebi porque é que os telefones dos médicos são (ou eram...) sempre assim, com números fáceis. Se calhar era para os chatear às três da manhã por causa de uma dor de barriga devida a uma comezaina das antigas, sabe-se lá!
Mas eu já me desviei. Ia falar-vos da minha confessada inépcia computacional. O diabo do bicho chegou tarde á minha vida. E mesmo se o tenho por útil e indispensável, hei-de confessar que este amor é mal correspondido. Amores de velho... Um tipo a esforçar-se, mas das meninges anquilosadas já sai pouco. De modos que o simples configurar uma nova impressora me assusta. Aliás, eu, com aparelhos novos tenho já tácticas de galã de filme indiano. De Bollywood, pois claro! O aparelho chega e passa uns dias dentro da caixa de origem a adaptar-se ao novo lar. Depois desembrulha-se com vagares de cobra capelo a dançar a tal dança da flauta. Ou seja: vai-se desembrulhando com cautelas excessivas não vá a coisa morder. Não morde? Onde é que isso está escrito? Ah! Nunca mordeu...! Mas pode morder. Há sempre uma primeira vez!
Desembrulhado o espécime, temos um terceiro e angustiante capítulo: ler as instruções! Isto de instruções também tem muito que se lhe diga. À uma, o redactor das ditas cujas pensa que somos ainda mais burros do que na realidade somos e começa por um par de vulgaridades que nos fazem desconfiar que alguém nos anda a tomar por catatónicos do último grau. Daqueles que cristalizam no ortorrômbico se é que isso ainda se ensina.
Depois, as ditas instruções vem em imensas línguas de grande utilidade, serbo-croata, arménio, urdu, maori, chinês e finalmente em línguas mais próximas e igualmente difíceis. De longe em longe aparecem em francês, espanhol e, milagre!, em português. Bem, numa espécie de português, digamos num português na voz perifrástica (e esta?) mas com claros toques de estrangeirês! Desenvencilhando-nos de qualquer modo da língua eis que começa o calvário da instalação. A gente tem de concordar com uma série gigantesca de arrazoados que provavelmente eximem o fabricante de qualquer responsabilidade, escritos em letra pequena, chatíssimos, que ninguém lê mas que todos com um suspiro de alivio carregam no botão “agree”.
E começa o rodeo! Faça isto. Continue. Aguarde. Adiante! Meta a quarta. Abrande. Cuidado com as curvas! Enfim meia hora de carrega e descarrega, com números a passar, palavras incompreensíveis a aparecer e desaparecer, milhares de coisas a anunciarem que estão instaladas, e a malta a olhar para aquilo e a pensar que noventa por cento do que está a ser metido no computador ou é lixo ou nunca se usará. Mas finalmente lá aparece a mensagem (quando aparece) a afirmar que a nossa instalação (agora o sacaninha escreveu: cãotalação!!!) foi um sucesso. E se foi um sucesso faça o favor de reiniciar.
Eu quando chego a este ponto reinicio e vou dar uma volta ao bilhar grande. Aquilo, aquele corropio de coisas e de nomes, cansou-me! E o alivio da mensagem com a notícia do bom sucesso da instalação, dá-me cá uma descarga de adrenalina que fico meia hora alapardado a recuperar.
E deixo as coisas neste pé. É que não quero tentar Deus, os espíritos dos computadores, criaturinhas vingativas, a má sorte, o que quer que seja. Amanhã também é dia, digo para os meus botões. Que concordam. E passam-se uns dias a ganhar coragem para ver se a “coisa” funciona.
No caso em apreço, a “coisa”, uma Epson Stilus DX 6000, não funcionou. Tempos houve, eu era mais novo e mais parvo, em que tentava perceber. Agora nem isso. Loja Apple com o material. Impressora, computador, livro de instruções, enfim só visto.
Loja Apple, 10 horas certinhas. O pobre funcionário vê-me chegar ajoujado com aquela impedimenta toda, empalidece, olha em volta e tenta escapulir-se. Mas eu corto-lhe as voltas com um “Bom Dia!” capaz de acordar um regimento. E o desinfeliz lá responde em voz sumida e pergunta educadamente ao que venho. E eu, pimba! Entrego-lhe os maquinismos, os fios de ligação, o livro de instruções e advirto-o que a máquina, nova em folha!, népia.
Nesta altura do campeonato, o tipo olha-me de soslaio e pensa: o que eu fiz para só me saírem duques?
E atira-se ao trabalho. Isto é uma fervurinha, quer ver?
A fervura de hoje começou às 10 e à 1 e meia, a maquineta não andava nem desandava. Instala, desinstala, vai à net buscar drives, mete os drives, tiro na água, Na lista de mais de 300 epsons reconhecidas pelo computador brilhava pela ausência a DX 6000!
Atarantado o especialista e esfomeado, eu, concordámos que o melhor era levar a impressora ao Corte Inglês, local da malfadada venda.
Entretanto, o desanimado técnico da Apple ia dizendo que se calhar aquela epson era incompatível. Isto mesmo depois de ver o disco de instalação paraMac!
14 horas da mesma tarde: este, de novo com aquela parafrenália toda, frente a um batalhão de funcionários do Corte Inglês. Que se riam do homem da Apple. Um ignorante! Três horas depois o técnico especialista de impressoras pedia para ir comer qualquer coisinha. Nesse lapso de tempo tinha instalado e desinstalado meia dúzia de vezes. Um telefonema para a Epson dera resultados patéticos. Ninguém sabia nada.
E eu, que já estivera três horas de pé de manhã e outras três à tarde, brandamente, como quem diz os definitivos tremendos palavrões que a coisa merecia disse com uma doçura comovente. Acabou! Venha outra máquina. Já perdi mais dinheiro com a espera do que o preço dela!
O pessoal do Corte inglês adora vender. E odeia receber as coisas de volta! Sai segundo técnico para a arena, enquanto o primeiro se arrastava exangue para almoçar (às cinco da tarde!)
Pelo que ele murmurou, repetiu tudo o que já fora feito. Mudou os cabos da impressora. Instalou e desinstalou até que, como D Sebastião surgido da névoa marroquina, a impressora roncou e cuspiu uma folha mal amanhada com um texto que eu tinha em lista de espera (de imaginação porque está a meio...)
Que foi? Que não foi? Mistério! Felicitámo-nos uns aos outros. Reembalei o material, distribuí bacalhoada a tordo e a direito e regressei a penates ao fim da tarde.
E a impressora? Pois está aqui ao lado à espera que eu a ligue para comprovar que tudo continua bem. Mas isso é para mais tarde. Amanhã. Ou depois! Lá para segunda se o tempo melhorar...

na gravura: um maquinismo dos bons! dos inexistentes! ou melhor: dos que existindo ninguém sabe para o que servem. Ora aqui está um bom tema de conversa para o jantar do dia 13. E a Sílvia lá no Rio de Janeiro a chuchar no dedo!...

Prognósticos para o jantar

J.M. Coutinho Ribeiro, 21.06.07


Em boa-verdade, eu acho que os colaboradores deste blogue gostam mais de comer e de confraternização do que propriamente de escrever. E isto é verdade mesmo quando, como se vê, os últimos dias têm sido de grande produção de caracteres, sendo eu - imagine-se! - o menos produtivo. Não imaginam a animação que aí vai por causa do jantar de sexta-feira 13! Claro que a Sílvia fica lá pelos brasis e o compadre lá arranjou forma de não aparecer outra vez. Nada a fazer. Tal como está sobejamente demonstrado, os que vão dão conta do recado quando se sentam à mesa. Atiram-lhe forte e feio. Falam que se fartam. Discutem que se fartam, sobretudo quando a conversa descamba para a história e para a história das religiões - isto quanto o confronto é entre o MCR e o Mocho, com umas achegas do JSC com o seu ar compenetrado, que o historiador, o JCP, esse fuma o seu displicente charuto e ouve, umas tiradas às vezes, e eu apenas provoco. Mas não me levam a mal, que já estão habituados, nem tanto das conversas, mas sobretudo da escrita, mesmo quando o meu olhar olha para mim de esguelha de vez em quando, incerta sobre se eu estou a brincar ou a sério. Tais as tolices. Mas desta vez prometo-me mais comedido. É que, para além disso, a Kami (e o JAB, praticamente membro honorário) também estará - já percebi que aposta num fim-de-semana absolutamente gastronómico - e ela não perderá a hipótese de me dizer, a cada provocação ou encabulação: Ó, homem, deixe-se dessas coisas, ai, ai! e, por sua vez, o problema do Mocho - o homem não come peixe - parece que já está resolvido, por boa lembrança do MCR, que já estava a ver o homem munido de umas sandes de chouriço à cautela. Claro que sobra ainda um problema, um pequenino problema. Em casa dos anfitriões não se fuma. Nem se deixa fumar. Parece que talvez à janela e com o braço convenientemente esticado. Resta-me esperar que esteja bom tempo. Até depois.


yours

carteiro