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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Portugal reduz em 47% mortes nas estradas

O meu olhar, 23.06.09

                                                                                                      

 

De acordo com notícia doJN  “Desde 2001 Portugal diminuiu em 47% o número de vítimas mortais em acidentes rodoviários. Mais, só mesmo o Luxemburgo, com 49%, e a França, com 48%. Se os três países, bem como a Espanha, a Bélgica e a Letónia, mantiverem o sentido decrescente da sinistralidade, poderão "cortar em metade o número de mortes até 2010", lê-se no relatório do Conselho Europeu de Segurança Automóvel (ETSC), ontem divulgado em Bruxelas”.

 

 

É uma boa notícia. Lamenta-se o facto de, mesmo assim, em 2008 terem morrido 885 pessoas nas estradas portuguesas. É uma guerra sem fim.

Sondagens marcam o dia das eleições?

JSC, 23.06.09

O Presidente da República resolveu emitir opinião pública sobre a data das eleições legislativas e autárquicas. Até aqui tubo bem. Diz que vai ouvir os partidos, o que nem era necessário dizer, porque parece que está obrigado a tal. Diz que já sabe o que os partidos pensam sobre o assunto, “nem todos pensam o mesmo”, mas que mesmo assim quer “conhecer os argumentos de cada um”.

O que é verdadeiramente novo na declaração presidencial é Cavaco Silva revelar que os portugueses, de acordo com informação a que teve acesso, de «sondagens que terão sido feitas [e que] manifestam uma preferência por eleições simultâneas”.

Será que a Presidência da República encomendou sondagens para medir o sentir dos portugueses quanto à data (conjunta) daquelas eleições? Se não foi a Presidência, qual foi a força política ou entidade que as promoveu? Um ex-primeiro ministro inglês marcava o local das suas férias de Verão em conformidade com o resultado de sondagens, que mediam o impacto (popularidade) das férias em função do local. Será que vamos nesse caminho?

 

Um bom conselho…

O meu olhar, 22.06.09

                                                                                           


Passei alguns dias no Hotel & Spa Alfandega da Fé. Recomendo vivamente, sobretudo a quem queira namorar, renascer, viver. É o sítio certo. Deste hotel escrevia-se na Sábado, em Fevereiro deste ano, que é uma das sete coisas que deveriam ser experimentadas antes de morrer.

 

 

Estes dias que passam 170

d'oliveira, 21.06.09

A economia não é uma coisa demasiado séria para ser deixada na mão dos economistas?

E os comboios, andam ou desandam?

 

Quem me lê sabe que eu não sou um especial defensor do TGV Porto Lisboa. E que acho incompreensível o Porto-Vigo. Também já por aquí murmurei que era bom reanimar as linhas existentes mormente a do Oeste que mais parece a do Far-West depois de um ataque de índios Sioux. Eu gosto de comboios mas não pratico: os que poderia usar estão num estado comatoso e os que estão bem não me servem.

Todavia, convém deixar no ar umas perguntas inocentes. O que é mais barato para transportar mercadorias? O camião ou o comboio? Se, como penso, for o segundo porque é que se insiste tanto em auto-estradas e se deixam apodrecer carris, travessas, apeadeiros e estações?

A linha do Norte está ou não incapaz de receber sequer um comboio de brinquedo? Se está faz sentido fazer outra(s) linha(s), no mesmo percurso, num percurso paralelo para deixar as antigas para o tráfico lento e de proximidade e a nova para o transporte de passageiros entre grandes distâncias? Se sim, como eventualmente me parece, essa(s) linha(s) deverá(ão) ser adequadas ao TGV ou, internamente basta-nos um bom pendular que faça uma hora e pico entre Lisboa e Porto? Ou a linha é a mesma para ambas as modalidades (Grande Velocidade e Pendular) e o que é diferente é o material rolante?

Se a Europa está a criar linhas de TGV a ligar todas as capitais europeias, fará sentido, estarmos de fora? Se já nos comprometemos solenemente, e por tratados que se devem honrar, a fazer a nossa parte do Lisboa Madrid como é que, a pretexto de dinheiro (de que boa parte virá da Europa, julgo) agora dizemos que não?

Eu não passo de “um pobre homem de Buarcos” pelo que sofri na pele e no pobre carro o mau estado da EN 109, um buraco com algum alcatrão que isolava a Figueira, Mira ou Leiria norte de Aveiro e de Lisboa. Agora, aquilo é uma fervurinha: a gente sai da A1, embica para a A25 torce para a A17 e nem dá conta que, cem quilómetros depois, está na A8 a caminho das Caldas, de Loures, da A10, enfim de Lisboa ou de Santarém ou de Cascais, sempre por auto-estrada. Claro que ainda há pouco trânsito. Em contrapartida foge-se ao susto de alguns troços da A1 sobretudo porque agora há sempre um trecho em obras de alargamento. O meu bolso ganha com a troca da velha 109 pela nova A17. A minha segurança ganha, e muitíssimo. Algum empreendedor pode começar a pensar que a Costa de Prata tem outros potenciais que excedem o turismo que ainda por cima fugia todo para o Algarve a pretexto de mar quente. Esquecem-se de tudo o resto: da hotelaria, dos restaurantes, das praias grandes e desafogadas, do excelente peixe etc…

Sou, como disse, ou como me sinto, um pobre homem de Buarcos. A minha cidade, enchia-se de turistas trazidos pela linha da Beira Alta, pela linha do Oeste e pela do Norte, via Alfarelos onde se mudava para a Figueira.  Tais linhas estão em petição de miséria. Assim nem turistas trazem, pelo que a A14 e a A17 podem reanimar a região. Mas não chega. Urge pensar noutra riqueza e, o porto da Figueira só será competitivo se puder exportar e importar por vias económicas o que receber. Ou querem aquilo só para marina?

É por isso que humildemente, como é de moda, me pergunto e vos pergunto isto dos comboios. E pergunto se a opinião sempre autorizada de economistas chega para definir o nosso futuro a curto e médio prazo. É que eu, como bom iberista, até poderia pensar que não se justifica a maçada de ser independente de Espanha: se fossemos súbditos de Juan Carlos provavelmente ganharíamos mais, pagaríamos menos por um grande número de produtos, poderíamos até ser uma autonomia muito catita e poderosa (10 milhões de habitantes e oitenta e cinco mil quilómetros quadrados, punha-nos em primeiro lugar) sempre a pedir mais e mais ao centralismo castelhano que tem costas largas, enfim um regabofe. Dirão que isso é impossível que tenho de ter presente uma série de condicionantes que vão muito além do lucro imediato e da sensatez economica e política. Muito bem: então em que pé ficamos com a opinião dos grandes economistas que agora resolveram tocar a rebate? Isto, este vago país que me irrita sobremaneira, move-se só pelo deve e haver?

A política, a história, a língua e a cultura (essa mesma que esqueceu ao engenheiro!) são assim tão pouca coisa face aos cacaus que não há e que nunca houve?

Respondam-me, por favor que eu já tenho as meninges numa balbúrdia. 

Expediente 13

d'oliveira, 21.06.09

Aviso urgente aos meus abençoados leitores

 

Vocês sabem que nisto de blogs eu sou um burrp. Um asno. Uma azémola. E ajaezado á andaluza!

Imaginem que nunca me passou pela cabecinha pensadora que tinha de autorizar os comentários.

Autorizar? Mas está tudo alucinado? Eu que defendo a não censura?

Bem, parece que tenho mesmo de autorizar, que esta coisa funciona assim mesmo e que não há volta a dar-lhe. Lá terei eu, todos os dias que vir aquí e dar à manivela.

A minha ideia é que isto é um diálogo livre com quem tem paciência para me aturar mas pelos vistos a liberdade lá terá as suas peias. Vou tentar portar-me à altura e abrir a porta da chafarica para os fregueses entrarem.

Desculpem lá, se alguma vez, algum comentário vosso ficou no éter, no limbo, na terra de nenhures, ao fim da old brick road. O mcr pede desculpa pelos incómodos, agradece do fundo do coração e pede que não desistam: comentem, arreiem, digam da vossa justiça. Isto não é, não pode ser, uma coisa de sentido único. Vou ler os comentários todos que estavam congelados e que se referem a textos menos recentes e prometo responder num post especial se for caso disso. Obrigado, grazie, thank you, danke, merci kanimambo gracias, arigato! 

Expediente 12

d'oliveira, 21.06.09

 

Já por algumas vezes chamei a aquí a atenção para o blog  ograndezoo.blogspot.com animado por Rui Namorado. Deveria tê-lo feito com mais veemência mas sou amigo do Rui desde os sessenta coimbrões, aliás desde 1960 mesmo, e por isso talvez me tenha coibido. É altura de novamente o nomear. Ele pertence, à Comissão Política Nacional do Partido Socialista, pela minoria, claro. E publicou no seu blog um resumo tão fiel quanto possível da sua intervenção na ultima sessão desse orgão. Recomendo vivamente a sua leitura. Para que se perceba como é que uma voz de dentro pode ter ecos numa de fora. Eu escrevi aquí alguns comentários, o JCP idem, o d’Oliveira e “o meu olhar” e JSC referiu também a realidade saída das eleições. Ou seja, esta tripulação do incursoes manifestou uma pluralidade de opiniões como vem sendo hábito nosso, a que gostaria de adicionar o meu amigo Rui Namorado. Não por ele ser uma voz crítica (a familia Namorado desde que conheço aquela tribo foi sempre “crítica”) mas por ser a voz de alguém que pertinazmente vai traçando o seu caminho com todos os incómodos mas toda a liberdade que significa ser membro de uma minoria que dá a cara. Eu deveria “linkar” o texto dele mas ainda não sei fazer habildades dessas pelo que me limito a sugerir-vos a leitura sempre refrescante e inteligente de Rui Namorado. N’ O Grande Zoo” ou ograndezoo como se escreve em bloguês. Boa leitura!

 

estes dias que passam 169

d'oliveira, 20.06.09

A "conselheira” Gomes

A dr.ª  Ana Gomes é um carácter. De cada vez que abre a boca há algo que perpassa no éter e não são anjos. Venho assistindo ás suas declarações desde que ela declarou que conhecer Xanana Gusmão era a meta da sua vida. Ou algo no género. Um arroubo de imaginação e, sobretudo, de audácia naqueles tempos em Gusmão estaria a ferros numa enxovia secreta na Indonésia e, por milagre muito digno de se contar, fazia filhos a uma jornalista australiana. Como é que estas coisas sucedem assim á distancia é coisa que muito prazer me daria saber. Não que agora valesse a pena. Mas, recordado dos meus tempos, de cadeia, disse contristado para os meus botões “que pena não ter sabido isso naquela época”. Isto, pressupondo que á procriação propriamente dita estariam associados alguns prazeres. Mesmo que efémeros. Bom, deixemos este tema, sempre espinhoso e regressemos aos arroubos da dr.ª Gomes.

Nunca percebi como é que alguém na direcção do PS entendeu que ela seria uma boa recruta, mesmo tendo em vista o seu passado politico de activista do mrpp. E, porventura porque já estou fora de prazo, continuei sem perceber. Que a senhora se esforça, esforça-se. Mas que ela seja melhor do que a média geral mesmo dos deputados europeus que o PS apresenta é que já me põe fartas dúvidas. De todo o modo, ela lá está. Como deputada eleita e, pasme-se, como candidata à Câmara de Sintra.

Durante a passada campanha, assisti, sem especial surpresa às divagações politico-partidárias da referida senhora que, convenhamos, não foram particularmente inspiradas. De todo o modo, a campanha do PS também o não foi e o resultado viu-se. Sim, que aquilo não foi só reflexo da incerta marcha do Governo. Aquilo deveu-se também aos principais candidatos que tudo fizeram para meter os mimosos pés no prato.

Acabadas as eleições, eleita a excelente criatura, pensei que ela se remeteria ao prudente silêncio que a derrota exigia e os nossos cansados ouvidos mereceriam. Mas não.

Ei-la que, qual nova Cassandra, resolveu jogar à batalha naval verbal.

E que disse a novel deputada europeia? Qualquer coisa como isto: que Rangel às tantas não fica muito tempo em Bruxelas porque poderá ser chamado a exercer funções governamentais. E isso será um embuste muito grande pregado ao povo do ppd.

Eu pensava que nisto de asneiras a dr.ª Elisa Ferreira tinha atingido o máximo do ano. Engano meu. A dr.ª Ferreira é do Porto e a dr.ª Gomes, sendo de Lisboa, tinha que lhe ganhar.  Numa frase diz três aterradoras coisas.

Primeiro, põe em causa a colega Ferreira depois desta jurar que se ganha a Câmara do Porto, abandona a doce vida bruxelloise! Depois, e no mesmo registo sugere algo de semelhante ou parecido para si própria: se ganhar a Câmara de Sintra, como é que vai continuar em Bruxelas?

Finalmente, e aqui é que entra a malévola batalha naval, aventa a hipótese, senão a certeza, de que Rangel virá a ter de abandonar o Parlamento Europeu para assumir funções governativas. Ora, corrijam-me se estiver enganado, isso só poderá ocorrer se o PPD ganhar as eleições e constituir governo. Assim sendo, o que a dr.ª Gomes quer significar é apenas isto: ela (e com ela o círculo dirigente do PS, ou parte dele) está convencida que em Outbro se repete a catástrofe iminente para a qual não há meios de a conjurar (as leitoras mais argutas dirão que cito Lenin, ou pelo menos o título de um dos seus mais famosos panfletos e terão razão. Cito-o em homenagem à vigorosa militante de uma certa extrema esquerda mesmo que desconfie que ela nunca terá lido tão arrevezada literatura. Também não era preciso. Bastava repetir o imortal e “grande educador do proletariado”, o meu amigo Arnaldo de Matos.

Ora se foi isso o que ela cripticamente disse, estamos, em termos de batalha naval, perante o chamado tiro no porta-aviões. Com um pequeno reparo. O tiro é no nosso porta-aviões e não, como as regras mandariam, no porta-aviões do adversário. Por outras palavras: tiro no pé. Três tiros para ser mais exacto.

Leitoras gentis e leitor Rui Ferrão Lucas, velhíssimo e enlouquecido amigo que ontem reencontrei na blogo-esfera: isto está que ferve!

E não o digo metaforicamente nem metereologicamente. Digo-o porque com Anas Gomes assim, o PS pode arrumar as chuteiras. Perde o campeonato na secretaria por desistência.

Ou. melhor, e voltando a estes calores que prenunciam um S João d’arrebimba o malho: isto está de “estorricar os untos” como Eça, sempre ele, terá dito, no dia entre todos glorioso em que conheceu o excelso Fradique, modelo de virtudes, sabedoria e elegância, que o recebia nos seus aposentos, reclinado numa otomana e mergulhando a mão aristocrática numa taça de morangos fresquíssimos. Eça que subira não sei quantos andares do hotel e vinha encalorado, não conseguiu murmurar mais do que essa torpe frase enquanto com um lenço enxugava o suor do pescoço.

Só que no caso da dr.ª Gomes os untos estorricados são os dela e não é pelo calor.

 

* a crónica vai dedicada a Rui Lucas, um amigo de há quase cinquenta anos. encarnação viva do que naquele tempo se chamava, e bem, "espírito coimbrão". 

 

 

 

 

o leitor (im)penitente 47

d'oliveira, 19.06.09

As batalhas que ganhámos

ou “As máscaras da Utopia

 

Já anda por aí um livro que também já foi mencionado no “incursões”. Mencionado e louvado, que o escriba impenitente teve a honra de ser o (ou um dos) seu primeiro leitor. Deu logo por duas gralhas, prontamente corrigidas, há que dizê-lo e ficou subjugado pela qualidade literária, pelo rigor crítico e (por que não confessá-lo) pelo aparato iconográfico.

As Máscaras da Utopia (História do teatro universitário em Portugal 1938-74) de José Oliveira Barata (Fundação Calouste Gulbenkian, 2009) é, mais do que uma aposta ganha, uma história viva e inteligente de uma das frentes de batalha que quase desde o início se abriu contra o cinzentismo do Estado Novo. E contra, há que dizê-lo, o espectáculo desolador do teatro que se fazia em Portugal. Não que tudo o que subia ás tábuas fosse mau, medíocre ou tristonho. Nada disso. Fez-se durante aqueles anos bom teatro mesmo com a Censura a apertar. Mas fez-se igualmente muito mau teatro, premiou-se péssimo teatro, distorceu-se até ao grotesco o gosto do público, contemporizou-se em excesso com os diktats do regime, obliterou-se a modernidade quando, pura e simplesmente não se tentou sonegá-la.

No meio disso tudo, dessa história trágico teatral onde soçobraram tantas companhias, tantos actores, tantos projectos,  o teatro universitário  foi um oásis. Mesmo quando  roçou o pueril e o amadorístico. Em Coimbra, primeiro, com o TEUC, no Porto logo de seguida com o TUP e finalmente em Lisboa com os emblemáticos grupos de Letras (GTFLL) e de Direito (GCAEFD), para não falar no CITAC coimbrão também, apareceu um novo público, uma nova atitude e criaram-se as bases para muito do (bom) teatro que hoje se faz e se vê.

A rapaziada nova que sentia o fascínio da palavra sobre as tábuas fazia fogo de tudo o que estava ao seu alcance, perdia dias, semanas, meses, o ano se fosse necessário, para levar à cena autores esquecidos, autores proibidos, autores ignorados.

Foi uma longa e incerta batalha, uma guerra de guerrilhas cultural, com os seus momentos altos e baixos, sempre exaltante, trazendo e levando para o teatro profissional  (e para o amador, também e de que maneira!!!) sangue novo, entusiasmo, senso crítico e exigência, a exigência dos vinte (irrepetíveis) anos, os aplausos e as pateadas que um sistema e um regime medíocres não toleravam.

De tudo isto dá conta José Oliveira Barata, professor emérito da Faculdade de Letras de Coimbra, ele próprio antigo membro do TEUC.

Se o Aníbal Almeida fosse vivo teria ocasião de repetir a propósito deste texto uma das suas célebres boutades: “Trabalho milimétrico, meninos!, Trabalho milimétrico!!!”

Fiz parte do numeroso grupo de amigos e conhecidos de JOB que se prestaram a longas entrevistas, a perguntas massacrantes, por vezes a horas impossíveis da noite, sobre pormenores á partida bizantinos mas que o antigo professor catedrático tentava resolver como se disso dependesse a vida. O resultado está á vista nos quase mil e cem protagonistas citados (lá está: ribeiro, mc, claro!), nos aproximadamente trezentos espectáculos recenseados,  na impressionante bibliografia (quatro densas páginas em letra miudinha!). Mas isto, não é nada em comparação com a limpa história que JOB relata numa linguagem viva, alegre, bem humorada, irónica em certos pontos sempre bem escrita, excelentemente escrita. Exactamente o contrário de muita dessa aterradora prosa universitária que derruba o mais intrépido leitor ao fim de duas páginas e dez dicionários compulsados. Até nisto Barata se mostra diferente. Não que seja de hoje. Quem, porventura teve a sorte de o ler  a tese de doutoramento sobre o Judeu (“António José da Silva, criação e realidade” (Coimbra, 1986) ou “Para compreender Felizmente há luar" (2004) sabe bem do que a casa gasta em rigor, inteligência, sensibilidade e clareza.

Ao que consta o livro já por aí anda, pelo menos, nas FNAC mas provavelmente já noutras cadeias livreiras. No dia 10 de Julho pf será oficialmente apresentado na Gulbenkian onde, espero, seremos muitos a estar presentes para ouvir o Emílio Rui Vilar, um citaqueano, o Jorge Silva Melo  e o Luís Miguel Cintra   dois brilhantes expoentes da passagem do teatro universitário para o profissional. 

Leitoras e leitores, apesar de amigo do autor não me atreveria a tanto empenho e entusiasmo se não pudesse garantir-vos que isto é uma obra maior, necessária e oportuna. Ofereçam a vocês mesmos o livro e vão para férias mais leves de carteira e levíssimos de coração. Somos nós todos que estamos ali naquelas páginas naquela história e nesta verdadeira cultura de que no Verão muitas vezes nos esquecemos. Boa leitura, bons banhos de sol e de mar. Viva o teatro!  

 

*a gravura: cartaz do extraordinário espectáculo "assim que passem cinco anos" de Lorca, encenação de Vitor Garcia, cenários de Nestor de Arzadun: Zé falhou-te este cartaz mas a culpa é minha. Fica para a 2ª edição!