Auditar os auditores?
O Ministro das Finanças anunciou que mandou fazer uma auditoria às empresas públicas da "Face Oculta". O Primeiro Ministro, por sua vez, disse que só se pronuncia sobre o assunto depois de conhecidos os resultados da auditoria pedida pelo Ministro.
Quem tem experiência da governança pública sabe que quando não se quer tomar posição ou se tem como objectivo empurrar o problema com a barriga, a melhor saída é pedir uma auditoria. Esta, uma vez concluída, ainda pode dar lugar a uma sindicância. Tudo instrumentos utilizados pela administração (política) para empurrar o problema para a frente, de modo a que quando tiver (se tiver) de tomar posição tudo esteja bem mais sereno, esquecido, para que nada ou pouco aconteça.
No caso da auditoria pedida à Inspecção Geral de Finanças, sobra-me uma dúvida: Sendo todas essas empresas, permanentemente, auditadas por entidades externas e sendo, ainda, as suas contabilidades e as prestações de contas sujeitas à intervenção de Revisores Oficiais de Contas, o que é que a IGF vai auditar? Vai auditar os “procedimentos” dessas empresas (para quê?) ou vai auditar os auditores externos, que, ano após ano, validam esses memos procedimentos e as respectivas contas?
Uma outra questão que o pedido de auditoria ministerial pode colocar é a da pouca confiança que lhe merecerão as diligências em curso, que as autoridades judiciais estão a desenvolver, daí a auditoria para validar (ou não) as tropelias que vão saindo para a praça pública.