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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

19
Mar10

Intervir contra a aldrabice

O meu olhar

No post Jornalismo sem glória, colocado mais abaixo, o nosso caríssimo incursionista JVC deixou um comentário que pelo seu interesse e testemunho gostaria de destacar passando-o à “primeira página” do Incursões.  

 
Há dias, no acolhedor café da FNAC de Alfragide, estava o homem a vender o seu livro e a embasbacar muita gente com coisas capciosas sobre os graves riscos em que estamos de atentados ao direito de expressão, coisa espantosa dita por quem foi assessor de imprensa de Kaulza em Moçambique (importante não é que o tenha sido, podia estar arrependido; importante é que, já depois do seu episódio recente, tenha gabado esse trabalho, com grandes vénias ao general fascista - não uso com frequência este termo, mas aqui está um caso indiscutível).

Perguntei-lhe três coisas.
1. se a isenção, objectividade e imparcialidade de um jornalista é compatível com escrever uma crónica sobre si próprio.
2. se a liberdade de imprensa é a mesma em relação a um jornalista típico, que informa e noticia, e em relação a um "cronista", afinal um escritor de opinião que, como tantas vezes na minha vida, se sujeita aos critérios de publicação do jornal.
3. dizendo ele que lhe tinham acabado com o seu instrumento de opinião, eu tinha curiosidade de saber quais os outros jornais que cometeram igual crime, não aceitando a transferência para esses jornais da escrita de MC no JN, presumindo que ele certamente teria logo ir procurar outra "casa do seu pensamento", como ele gosta de dizer, invocando delirantemente a 3ª emenda dos EUA, que não tem nada a ver com isto, apenas com uma situação de guerra.

Imaginam como o homem se engasgou? Mas acho que algumas pessoas presentes, antes idas na onda do embalo de MC, ficaram a pensar. Não estou a gabar-me, acho só que, em cada pequena situação, devemos sempre intervir contra a aldrabice.
 
JVC
19
Mar10

O regresso a Marx

JSC

«Um trabalhador por conta de outrem trabalha, na verdade, por conta de dois, digamos, outrens: por conta do empregador e por conta do Estado. São os trabalhadores, e não as empresas e os bancos, os grandes «criadores de riqueza». Criam a riqueza dos patrões e a do Estado, que depois toma essa parte da riqueza e a devolve às empresas e aos bancos, sob a forma de nacionalização do que for prejuízo e privatização do que der lucro.»
(Ricardo Araújo Pereira, Visão – 11 a 17/3/2010)

 

Retirado do blog Sine Die

 

18
Mar10

Jornalismo sem glória

JSC

"Ainda não ouvi ninguém falar, nem sequer colegas, sobre o que o ministro Morais Sarmento fez ao meu programa. Há apenas um enorme alvoroço,

 

“… de todos estes dias do jornalismo português não vai ficar nem rasto nem glória. Destes jornalistas que estão sentados sobre o poder que acham que a sua opinião tem, como é o caso de Mário Crespo, que é um exemplo de histrionismo público.”

 

Carlos Pinto Coelho, jornalista, a ler aqui.

 

18
Mar10

A falência do Estado

JSC

aqui nos debruçamos sobre a alienação das participações do Estado em empresas que formam o chamado Sector Empresarial do Estado, em extinção, pela via das privatizações.

 

Não vai assim há muitos anos que as políticas sócio-económicas do Estado tinham como instrumento importante as empresas públicas, pelas quais o Estado procurava atingir objectivos económicos, incluindo em matéria de preços, mas que também instrumentalizava na captação de recursos financeiros, forçando o endividamento externo de muitas dessas empresas públicas.

 

A instrumentalização que o Estado fez dessas empresas, a par de actos de notória má gestão, desencadeou a ineficácia na gestão do SPE, com resultados negativos ou muito reduzidos, ingredientes que apontavam para insuficiências de gestão, a consolidar a ideia de quem defendia a entrega ao sector privado, porque entendiam que o Estado não deve intervir na economia e que são os empresários que melhor sabem gerir empresas. Portanto, as privatizações tiveram a sua génese na apontada falta de eficácia da gestão pública e na proclamada incapacidade do Estado em gerir empresas, incluindo aquelas que davam razoáveis dividendos para os cofres públicos.

 

Do que é conhecido da maioria das empresas que o Governo pretende privatizar, salvo a anormalidade do BPN, sabe-se que são empresas muito rentáveis, das quais o Estado retira bons dividendos anuais, com boa performance e imagem nos mercados. Ou seja, não serão razões de ineficiência, provocada pela participação do Estado no capital dessas empresas, que justificará a sua privatização. A ser assim, não subsistem dúvidas que a realização de dinheiro imediato é o único objectivo a atingir pelo Estado com estas privatizações, descurando tudo o mais.

 

Nesta perspectiva, o Estado comporta-se como um particular completamente falido, que busca no fundo das gavetas os últimos bens com algum valor e que se dirige à casa dos penhores, para vender pelo preço que lhe oferecerem. De seguida, talvez vá beber um copo para esquecer como vai pagar as dívidas que estão muito para além do que arrecadou e sem se dar conta que ficou numa situação muito pior, porque acabou de alienar os últimos bens que ainda lhe davam algum rendimento.

 

Sabendo-se o que se sabe hoje acerca do funcionamento dos mercados e do insucesso das entidades de regulação (públicas e privadas) é preocupante, muito preocupante, que o Estado abdique, por inteiro, de ter uma intervenção directa na economia, nomeadamente junto das empresas prestadoras de serviços de interesse geral, algumas em autentico regime de monopólio natural, de modo a garantir o acesso universal a esses mesmos serviços, a coesão social e mesmo a coesão territorial.

 

17
Mar10

Diário Político 140

mcr

Oh que de virtudes....

 

O imparável e incontrolável dr. Santana Lopes conseguiu o impossível. Com a sua proposta de expulsão de críticos da direcção partidária no caso de atacarem a liderança nos dois meses anteriores a eleições eis que se levanta um coro piedoso e virtuoso de recauchutadas virgens políticas.

É a lei da rolha, arrulharam indignadas. Nunca se viu disto...

Nunca? Façamos um exercício de memória e outro de lógica. Qual é o destino dos críticos seja em que partido for? A direcção homenageia-os, convida-os para um bacalhau com todos à volta do qual discutirão essas diferenças de opinião? Coloca-os na lista dos próximos deputados para dar cor e viço à bancada informe de deputados que regra geral está por ali para levantar e sentar o dito cujo segundo as ordens da direcção? Chama-os à direcção política?

Não vale a pena insistir muito nestas perguntas cujas respostas são de uma evidência gritantemente obscena. Em Portugal (e provavelmente num grande número de países) a divergência política é paga com língua de palmo.

Dir-se-á que mesmo que os críticos acabem por perder influência, poder, postos partidários e respectivas benesses, isso não significa que se aceite o facto de verter nos estatutos a norma que os elimina. Poderão não haver diferenças mas pelo menos a discrepância não tem legitimidade escrita.

A isto poderá chamar-se cinismo mas nunca mentira. Os ajustes de contas com os adversários internos são o dia a dia da vida partidária. No PC a dissidência paga-se ou com a expulsão ou com o silenciamento dos opositores. A menos que estes decidam sair pelo seu pé, depois de meses e anos penosos de isolamento dentro do partido.

No PPD, bastaria relembrar o veto contra a escolha de Passos Coelho para deputado. A dr.ª Ferreira Leite achou-o (com alguma razão, diga-se de passagem) desnecessário. Por essa razão poderia ter dispensado um quarteirão de deputados cuja manifesta inoperância e inutilidade só a dr.ª Ferreira Leite não discernia.

No livre “Bloco” consta que uma combativa dirigente partidária passou subitamente a soldado raso depois de  proclamar os seus pontos de vista heterodoxos.

No CDS as coisas não são diferentes mesmo se, razões de vária ordem e necessidades inadiáveis, tenham concorrido para recuperar anteriores adversários da actual direcção. Veja-se por todos o dr. Ribeiro e Castro.

E no P.S.? Será que a história desta partido está pulcramente salva de perseguições às minorias que se vão agitando por lá? Será que, tal como no partido irmão (o PPD) o albergue espanhol em que sempre se converteu o corpo de deputados, está imune a purgas e exclusões. É verdade que bastaria lembrar Zenha ou Alegre para se pensar que o P.S. tem na sua marca genética um horror patológico à evicção de adversários da direcção, seja ela qual for. Todavia, visto mais de perto, facilmente se distinguem as diferenças de tratamento dos inconformados: aos tenores deixa-se algum espaço de manobra embora se lhes reduzam drasticamente os meios efectivos de agir dentro dos círculos de poder. A arraia miúda, deputados incluídos, corre o risco de se ver “excluída de facto”. Alguém se lembrará dos deputados alegristas mais contumazes. Ficou algum no actual parlamento?

A máquina do partido tritura vontades e anseios, corrói consciências e castiga os comportamentos desviantes. E molda por uma rasoira cada vez mais baixa a qualidade dos seus representantes nas diferentes instancias políticas e governativas.

Pessoalmente, acho um disparate a regra votada no congresso do PPD. Por iníqua! E por desnecessária!  E nem vale a pena falar no flanco que se dá aos adversários exteriores ao partido. Mas um congresso ululante votou-a o que prova à saciedade a incapacidade política dos delegados, a ligeireza da sua escolha. E faz-nos temer uma eventual vitória eleitoral de um partido, deste partido.

O dr. Santana não tem emenda. E não aprende com a idade. Tem todavia um mérito, diz alto o que muitos pensam baixo. No segredo dos confessionários tenho a vaga mas sentida suspeita de que no país real a sua proposta causou pouco escândalo.

 

 

17
Mar10

As corridas dos aviões

JSC

Em tempos foi anunciado que os aviões da Red Bull iam para Lisboa. Levantou-se logo um coro de protestos. Os do costume desataram aos berros e reclamar contra o centralismo, a dizer que só não levavam a Torre dos Clérigos porque não podiam.

 

Confesso que não cheguei a entender bem como é que as corridas da Red Bull beneficiavam o Norte. Voar duas ou três tardes no Porto, melhor, a meio do rio que separa Porto-Gaia, trazia muita gente e extensas montureiras dos dois lados do rio, mas sempre me pareceu que o grande beneficiário da iniciativa era a própria Red Bull.

 

Pois bem, parece que a Red Bull vai voltar a voar entre o Porto-Gaia, o que, certamente, constitui uma vitória para os que deram voz ao protesto. Agora que a Red Bull vai regressar ao Norte, a fúria anti-centralismo foi aplacada e no grande dia das corridas muitos poderão dizer: Foi por nós que vieram! Outros (a fazer de palermas) perguntarão: E quem paga?

 

17
Mar10

Privatizações: A história repete-se

JSC

Agora que as privatizações voltaram à agenda política, com alguns “especialistas de mercado” a dizerem que chegou a hora de vender os anéis, parece que há por aí alguma confusão ou pior que isso há mesmo interesses mesquinhos, de quem apenas vê o potencial de lucro imediato e deixa de fora os reais interesses do país, isto é das futuras gerações.

 

De facto os anéis há anos que foram vendidos. O que se trata agora é de vender alguma réstia de poder e controlo que ainda resta para o Estado sobre algumas das actividades económicas (de interesse geral) que as essas empresas desenvolvem.

 

Como se sabe, depois das nacionalizações o Estado passou a assumir um peso considerável na economia, fosse qual fosse o critério de avaliação: produto, volume de investimento, emprego. O Estado geria e controlava sectores estratégicos, sendo que em alguns domínios se verificou uma forte dinamização, com resultados positivos, numa lógica de avaliação político-económica-social.

 

Até ao final dos anos 80 o sector empresarial público não só foi responsável pela revitalização do mercado e da própria Bolsa, como criou as condições para o aparecimento dos grupos privados que acabaram por absorver uma boa parte dessas empresas, em consequência das privatizações.

 

À época, as privatizações foram defendidas como o argumento de que o Estado era incompetente na gestão daquelas empresas, donde a privatização constituir o instrumento para as devolver ao sector privado, que melhor dinamizaria a economia, na perspectiva de se obter maior eficácia e ganhos de produtividade, que colocasse Portugal no pelotão da frente das economias desenvolvidas.

 

Outra razão, a mais importante para o Ministro das Finanças da altura, para que o Estado alienasse a sua participação nessas empresas e entregasse a gestão ao sector privado foi a necessidade do Estado obter receitas para aplicar na diminuição do défice.

 

Esta foi a história da venda dos anéis. O que é que se conseguiu? O afastamento cada vez maior do tal pelotão da frente e um défice ainda maior.

 

17
Mar10

Factos Económicos

JSC

Agora que são conhecidas as intenções do Governo em matéria do desenvolvimento económico pela via do investimento público não subsistem grandes dúvidas sobre o que vem aí, em matéria de emprego e de crescimento da economia.

 

As notícias dizem que o peso do investimento público na economia se situará ao nível mais baixo pelo menos 1977. Uma vez que o cenário PEC também contempla a queda significativa do peso das remunerações e dos consumos públicos intermédios, a consequência será a redução da procura interna.

 

Com menos emprego, com menos dinheiro, os portugueses terão ainda um aumento de 2,7% na carga fiscal no período de vigência do PEC. A questão mantém-se: E depois do PEC?

 

14
Mar10

Acabou-se a crítica ao líder

JSC

Pelo que se vai ouvindo, a grande medida tomada no congresso do PSD foi a aprovação da proposta de Santana Lopes acerca do exercício da liberdade no interior do próprio partido. Assim, de ora em diante, os militantes que criticarem os líderes do partido são expulsos, sem mais.

Em tempos a ainda líder do PSD aventou a necessidade de suspender a democracia por uns tempos, a fim de se cuidar das grandes reformas de que o país precisa. Santana Lopes fez aprovar a suspensão do exercício da crítica no interior do PSD. Digamos que é um começo.