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O que os mesmos analistas explicam é que isso se deve, em grande medida, à forte injecção de dinheiros públicos que os Estados fizeram para suster a derrocada financeira, razão para duvidarem do que as estatísticos mostram. Ou seja, o que temem é que os Estados não consigam continuar a afectar mais recursos públicos e que tal se traduza no definhar da economia.
É neste quadro, de receio fundamentado, que as agencias financeiras exercem pressão sobre os Estados. Esta pressão é feita pelo lado do controlo das finanças públicas, que se traduz em imporem a redução da despesa pública. Neste domínio, o que se põe em causa não são os encargos que os Estados têm de suportar com o colossal apoio financeiro que concedem aos bancos mas sim o que os Estados gastam, designadamente, com o exercício das chamadas funções sociais. É nestas funções que os Estados têm que cortar para libertar os meios que possibilite, sem elevar a despesa, continuar a apoiar, directamente, as instituições financeiras ou, indirectamente, através de negócios e parcerias de natureza diversa.
Mas essa pressão exerce-se, também, no sentido de impedir que os Estados melhorem e sejam mais interventivos no controlo e regulação financeira do sector bancário. Uma regulação mais eficiente iria expor os movimentos dos capitais, travar a lavagem de dinheiro e tornar mais difíceis os negócios virtuais, com impacto negativo sobre a economia real.
É assim que a Banca clama contra a intervenção reguladora do Estado, invocando que tal se traduzirá numa redução da rentabilidade e no aumento do custo do crédito. Este último argumento é poderoso e de fácil aceitação pelas empresas e pelo público em geral, que não estão preocupados como é que a banca obtém os seus lucros desde que disponibilize dinheiro a custo aceitável.
As recentes notícias de distribuição de chorudos prémios e gratificações entre administradores de instituições que beneficiaram de fortes apoios públicos e a distribuição de benévolos dividendos pelos accionistas mostram que os argumentos da Banca são fortíssimos, pela simples razão que são eles que têm o dinheiro e determinam o seu custo.