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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

01
Mar10

Sinais de Arrogância

O meu olhar

        

Esta noite assisti a um péssimo momento televisivo: a entrevista de Sousa Tavares a Gonçalo Amaral. Como esta é a segunda emissão do programa Sinais de Fogo, ainda não deu para perceber qual o objectivo das entrevistas. Se a ideia de Sousa Tavares é funcionar como um juiz que não deixa falar o réu, que vai formatado e não lhe interessa saber o que este tem para dizer, que só tem interesse em apregoar a sua verdade acusadora, então conseguiu plenamente. Gonçalo Amaral não teve oportunidade de acabar uma única ideia. Pelo contrário Sousa Tavares passeou toda a sua aversão à figura do “entrevistado” ao longo do programa, provando-lhe, de agressão verbal em agressão verbal, que ele, “entrevistador” tresandava de razão. É preciso ter pachorra para aguentar uma “ entrevista” destas. Aguentou-me a curiosidade de saber se Gonçalo conseguiria acabar alguma das suas intervenções.
No final Sousa Tavares esboçou um “o tempo é pouco” . Para quê, pergunto eu. Para continuar a ouvir-se a si próprio?
 
01
Mar10

Factos económicos

JSC

Os indicadores que as agências internacionais vão disponibilizando mostram que a actividade das principais economias evolui de modo favorável ou até aceleram face às expectativas criadas.

 

O que os mesmos analistas explicam é que isso se deve, em grande medida, à forte injecção de dinheiros públicos que os Estados fizeram para suster a derrocada financeira, razão para duvidarem do que as estatísticos mostram. Ou seja, o que temem é que os Estados não consigam continuar a afectar mais recursos públicos e que tal se traduza no definhar da economia.

 

É neste quadro, de receio fundamentado, que as agencias financeiras exercem pressão sobre os Estados. Esta pressão é feita pelo lado do controlo das finanças públicas, que se traduz em imporem a redução da despesa pública. Neste domínio, o que se põe em causa não são os encargos que os Estados têm de suportar com o colossal apoio financeiro que concedem aos bancos mas sim o que os Estados gastam, designadamente, com o exercício das chamadas funções sociais. É nestas funções que os Estados têm que cortar para libertar os meios que possibilite, sem elevar a despesa, continuar a apoiar, directamente, as instituições financeiras ou, indirectamente, através de negócios e parcerias de natureza diversa.

 

 Mas essa pressão exerce-se, também, no sentido de impedir que os Estados melhorem e sejam mais interventivos no controlo e regulação financeira do sector bancário. Uma regulação mais eficiente iria expor os movimentos dos capitais, travar a lavagem de dinheiro e tornar mais difíceis os negócios virtuais, com impacto negativo sobre a economia real.

 

É assim que a Banca clama contra a intervenção reguladora do Estado, invocando que tal se traduzirá numa redução da rentabilidade e no aumento do custo do crédito. Este último argumento é poderoso e de fácil aceitação pelas empresas e pelo público em geral, que não estão preocupados como é que a banca obtém os seus lucros desde que disponibilize dinheiro a custo aceitável.

 

As recentes notícias de distribuição de chorudos prémios e gratificações entre administradores de instituições que beneficiaram de fortes apoios públicos e a distribuição de benévolos dividendos pelos accionistas mostram que os argumentos da Banca são fortíssimos, pela simples razão que são eles que têm o dinheiro e determinam o seu custo.

 

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