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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

21
Jun11

O regresso de Durão ao país da tanga

JSC

Em 2002, quando primeiro ministro, Durão Barroso inventou a famosa frase “ o país está de tanga”. Pouco tempo depois, deixou o governo e o país para ir tratar do governo de Europa. É o que se sabe.

 

Agora Durão Barroso aproveitou a mudança de Governo para louvar a sua governação no tempo de tanga e o que disse ele?

 

 “Quando era primeiro-ministro, no dia em que terminei o meu mandato, o défice [orçamental] estava, de facto, abaixo dos 3,0 por cento [...] e a dívida
[pública], se me recordo bem, estava nos 57 ou 58 por cento, portanto abaixo do limite de 60 por cento do PIB”.

 

“Nessa altura [2004] eu estava a tentar que o meu país fizesse esforços e algumas pessoas não concordavam com esses esforços”, recordou, defendendo que “o problema aparece quando esse caminho não tem continuação”.  

 

A conclusão que se pode tirar é que Durão Barroso perdeu a memória do “país de tanga” que abandonou. Mas perdeu também a memória dos tempos mais recentes, do “porreiro pá”! Lastimável.

21
Jun11

Imaginem…

O meu olhar

Este texto do sociodialetica consta como comentário a este post do Incursões. Pela sua relevância penso que merece destaque de primeira página.

 

Imaginem que o capital-dinheiro susceptível de ser utilizado nos mercados bolsistas é essencialmente privado e muitíssimo superior ao que os Estados dispõem para poder actuar em sentido contrário.
Imaginem que há um movimento organizado de desestruturação do euro e da União Europeia.
Imaginem que muito do sistema financeiro ainda está intoxicado com lixo especulativo.
Imaginem que a Grécia, Portugal e outros países são os elos mais fracos, não por terem uma situação financeira pior mas porque têm um processo produtivo mais débil, são de menor dimensão e apresentam uma maior subserviência política.
Imaginem ainda que o FMI de Dominique Strauss-Kahn (linchado na praça pública, independentemente dos actos efectivos) que dá prioridade ao "emprego de qualidade" tem que ser efectivamente afastado das referências ideológicas do mundo dos negócios.
Imaginem ainda que as "agências de rating" são marionetas (como o demonstraram inequivocamente antes e durante a crise de sobreprodução que nos avassala) são parte integrante do capital especulativo.
Saibam ainda que os eventuais impostos do "dinheiro português" que está nos offshores davam para resolver a crise financeira portuguesa.
Saibam que quando já não tiver interesse para esses circuitos financeiros Portugal e Grécia muitos outros países poderão saltar para o circo dos ditos mercados.
Depois de tudo isto, e o muito mais que não sabemos, o que interessam os olhos dos ministros, as bocas dos comentadores ou a constituição do governo?
Tudo isso são alguns grãos de areia (nacionais) de uma praia imensa (da globalização) de que os jornalistas gostam de falar e a hiperidentidade lusitana gosta de afagar para sonhar que o que se faz em Portugal ainda tem alguma relevância no mundo da alta finança!

21
Jun11

Pinga mas não é Doce

O meu olhar

Eu era uma compradora assídua do Pingo Doce. Hoje só lá vou porque fica mais perto e em casos estritamente indispensáveis. A marca pingo doce está por todo o lado, a ocupar a quase totalidade das prateleiras, pelo que as opções são restritas. Além disso, a política que praticam de esmagamento das margens dos produtores é conhecida. Aliás, essa também é a prática do Continente. Estas grandes cadeias, contrariamente ao que apregoam, não favorecem a produção nacional porque não lhes dão margem de desenvolvimento mas apenas de sobrevivência. Esta notícia no Expresso é disso exemplo.

Além disso, sei por experiência própria que os frescos devem ser comprados na loja de bairro: São melhores e mais baratos. É pena que as pessoas comprem tudo no mesmo sítio. É o que se chama, com propriedade, meter todos os ovos no mesmo cesto. Com esse tipo de consumo não se favorece a produção nacional. É um gesto importantes para a economia nacional: comprar perto, na loja do bairro, todos os frescos.

 

20
Jun11

estes dias que passam 230

d'oliveira

Uma derrota? Nem isso: uma mera verificação...

 

Confesso que gostaria de averbar as duas violentas derrotas de Fernando Nobre na conta de lucros e perdas do senhor Primeiro Ministro. Ao fim e ao cabo, foi ele quem foi desinquietar a criatura e quem, num alarde de tolice e mau cálculo, o fez candidato.

 

Mas não, mesmo com grande pena minha (temperada pelas gargalhadas ao saber dos infortúnios de Nobre – até as gatas se rebolaram no maple que indevidamente ocupam)  não é possível. Nobre é como Sócrates: sofre de uma rejeição visceral e generalizada. A criatura foi petulante quando aceitou candidatar-se e imprudente quando afirmou que se não o elegessem presidente do parlamento iria embora, batendo a porta.

 

Não se deve excitar a populaça mesmo se, como é o caso, se trate de um ajuntamento variegado de putativos pais e mães da pátria.

 

O dr Nobre ainda não percebeu que a sua efémera fama politica como candidato à outra presidência – a da República – foi construída por uns cavalheiros que não lhe queriam bem nenhum. Tratava-se de aproveitar o primeiro inocente plausível para barrar o caminho a Manuel Alegre, para lhe roubar o máximo de votos, sob a surpreendente e refalsada afirmação de que Nobre era de Esquerda!

 

Conhecem-se os mentores declarados (e também os ocultos) desta manobra de baixa politica, de politica politiqueira. Conhecem-se as suas declaradas intenções e, mais ainda, as outras, as contrabandeadas, os ecos do mau perder, os arrufos, os odiozinhos de estimação que estão na origem da súbita revelação de Nobre aos três pastorinhos.

 

Marcelo Rebelo de Sousa, que não é flor que se cheire, mesmo se, agora,  se apresenta desprendida e didacticamente como um inocente e independente comentador politico,  bem que deu ontem uma ajuda a Nobre. Não era o seu candidato mas que diabo, é uso, na AR, votar o proposto pela maioria, são faltam oito votos, vá lá, façam o jeito, não à  primeira mas à segunda volta, já aconteceu mais vezes , blá, blá, blá...

 

Desta vez, ainda não sei se haverá terceira volta, o galo não cantou. Os senhores deputados e as senhoras deputadas não se comoveram. Em termos simples nem sequer o PPD votou todo nele. Todavia, com é possível pensar que algum centrista e algum socialista (dos que, in imo pectore, o apoiaram para a campanha anti-Alegre  também lhe deu o ámen, temos que no PPD a divisão é ainda maior.

 

A mim, o que me espanta, é ainda não ter ouvido Nobre (são mais de 18.15) anunciar a desistência. O homem teve ainda menos votos à segunda volta do que à primeira. Para vergonha (ou para quem a sente) já basta.

 

A CG veio tilintante anunciar que Nobre vai aparecer. Espero por ele que seja para dizer que já chega.

 

......

 

Fernando Nobre lá desistiu. Todavia, quando se esperava que dissesse adeus ao Parlamento, ei-lo que, qual cordeiro sacrificial, afinal entende permanecer nessa casa que o não quis como presidente. É com ele. Ele lá sabe. Começa mal, portanto. Como aliás aqui já escrevi, a criatura não merece tanto palco. Sequer um post. Mas que querem? Falta-me assunto, falta-me inspiração e, como naquela genial peça de Eça, oiço as botas do moço da tipografia a chiar no corredor.

 

Pensei, em homenagem ao “pobre homem da Póvoa do Varzim”, espancar (metaforicamente, só metaforicamente...) o bey de Tunes. Mas Tunes felizmente já não tem bey e não me parece que deva citar os beys de Damasco ou de Tripoli. Um par de bandidos daquele jaez merecem nota bem menos bem disposta do que esta mera galhofa.

 

Foi por isso, só por isso que, “pobre homem de Buarcos”, e sem pedir meças a quem quer que seja, tive de recorrer ao dr Nobre. Coitado! Enganado por alguma Esquerda, toureado por outra tanta, e agora abandonado pela Direita. O pobre homem não tem lugar. Até parece que estamos a jogar aos quatro cantinhos e ele, o desinfeliz, não arranja cadeira onde acolher-se. Deve ser por isso que sempre fica na Assembleia...

 

 

 

20
Jun11

Frases Que Ficam

O meu olhar

«É de uma enorme hipocrisia política falar-se em gastos excessivos do Estado na Saúde e não ter uma palavra sobre os gastos imensos que o Estado teve em parcerias público-privadas»

Carvalho da Silva, Expresso, a propósito das declarações do Presidente da República

19
Jun11

Uma primeira impressão sobre o novo Governo

José Carlos Pereira

Começo por dizer que espero que as coisas corram bem ao futuro Governo, sobretudo do ponto de vista institucional. Aquilo de que Portugal menos precisa, no actual contexto nacional e internacional, é de um clima de guerrilha permanente no seio da coligação que se vai instalar no poder. À oposição caberá estar atenta e vigilante e fiscalizar o exercício do poder, mas há que deixar a nova maioria governar de acordo com o mandato que acabou de receber. Lá virá o tempo em que os portugueses perceberão melhor qual é a ideologia e os princípios que moldam o novo Governo e aí ver-se-á que o voto anti-PS e anti-Sócrates não validou o programa eleitoral acentuadamente liberal do PSD, mas isso serão contas de um novo rosário.

A primeira impressão que o elenco deste novo Governo deixa é de alguma decepção, depois de ter sido anunciado por Passos Coelho que teríamos na governação do país os melhores dos melhores. De facto, estes novos ministros não são os melhores dos melhores, nem têm a experiência e o capital político que se exigiria num momento como este.

Passos Coelho e Paulo Portas escolheram alguns dos seus mais próximos para pastas importantes, o que revela que a confiança pessoal e política prevaleceu sobre as respectivas aptidões e experiências. Aí temos Aguiar Branco, Miguel Relvas, Miguel Macedo, Mota Soares e Assunção Cristas. Os quatro independentes têm pesos diferenciados: se Nuno Crato e Paulo Macedo têm à partida, embora por razões diferentes, condições para um bom exercício do cargo, já Santos Pereira levanta-me sérias dúvidas na pasta da Economia. Trata-se de um académico há muitos anos radicado no estrangeiro, sem contacto directo com o meio empresarial nacional e com ideias muito radicais sobre algumas matérias, designadamente quando olha para a liberalização dos despedimentos como um factor decisivo para aumentar a competitividade das empresas portuguesas. Confesso que preferia ter visto Pires de Lima (CDS), com grande experiência empresarial, abraçar a pasta da Economia.

Finalmente, Vítor Gaspar, o novo ministro de Estado e das Finanças. A sua experiência no Banco de Portugal, no Banco Central Europeu e na própria Comissão Europeia parecem recomendá-lo para o lugar. Já tenho sérias dúvidas que tenha o perfil político para ser o número dois do Governo. Nas mais recentes experiências de governação à direita, Durão Barroso e Santana Lopes foram buscar pesos pesados - Manuela Ferreira Leite e Álvaro Barreto - para esse lugar de número dois, de modo a "tamponar" Paulo Portas. Veremos como corre esta experiência com o independente Vítor Gaspar.

As notícias que vieram a lume sobre as recusas de algumas personalidades mostram-nos como, em alguns casos, ainda é um sinal de coragem querer assumir um lugar na governação, abandonando lugares materialmente mais confortáveis na administração de empresas ou em outros lugares-chave. Continua a ser bem mais fácil lançar palpites como comentador ou conferencista do que assumir o encargo de estar sob escrutínio permanente da opinião pública e publicada.

Resta esperar pela lista de secretários de Estado e pela nova orgânica governamental para perceber em concreto como ficam arrumadas tutelas importantes como as das autarquias, dos fundos comunitários ou da administração pública. Só aí poderemos ter um retrato completo do novo governo PSD/CDS.

18
Jun11

Au Bonheur des Dames 286

d'oliveira

E a barca vai...

 

Fin che la barca va, lasciala andare

 

(canção italiana)

 

 

 

Está aberta a época eleitoral no PS. Eleitoral, digo, e não de caça. De caça ao voto, entenda-se. O jornal que leio, de longe o mais sério e equilibrado que por cá temos, já trouxe duas extensas entrevistas aos dois candidatos em liça. Para já, e que eu saiba, foi o único. Do que li, ficaram-me algumas ideias sobre os candidatos e alguma simpatia.

 

Parca simpatia, mas simpatia. E digo parca porque se lermos bem nas entrelinhas, agora ambos discordam de várias práticas anteriores. Alguém os ouviu criticar? Aqui, também não!

 

A comunicação social assegura que Seguro é o homem do aparelho e que Assis tem o apoio das duas federações mais poderosas (Lisboa e Porto). Enquanto a coisa não se decidir por votos claros isto não passa de meras conjunturas. Mas, realmente, a pressa com que quinze bonzos federativos se acolheram ao regaço do angélico Seguro, faz-me temer o pior. Por ele, claro, que isto de ver tanta pressa, ainda as cinzas de Sócrates estão quentes, parece-me extraordinário.

Disse extraordinário? Disse, e repito-o. Eu sei que nos aparelhos, os momentos de indecisão são, para os aparatchiks, séculos de angústia, pavor e solidão. O momento grave de escolher entre duas alternativas, entre o céu e o inferno, é medonho. Esta pressa não me augura nada de bom: fiquei com a suspeita que há neste controverso grupo de repolhudas personalidades distritais uma vontade de queimar etapas, de esmagar o adversário no ovo. Será assim?

 

E depois, sobre Assis, caiu uma maldição estranha: que ele era o homem de Costa. Costa, encostado às boxes por razões diversas (e por muito cálculo...) mandaria uma lebre por ele. Perdendo ou ganhando, a corrida seria solitária dado que nos próximos quatro anos são os “outros” que governam. E todos nós sabemos o que é, em Portugal, a oposição: um luto, um jejum rigoroso, uma tristura de todo o tamanho, um embezerramento.

 

Apesar de já ter visto algum mundo, custa-me a aceitar esta teses. Não morro de amores por Assis, vi-o (e ouvi-o...) defender o indefensável (aquela defesa do deputado amador de electrodomésticos até a mim me envergonhou...) e não suporto os seus arroubos líricos e oitocentistas. O homem deve pensar que é o José Estêvão! Não é, e se fosse também não seria grande coisa!

 

Cá em casa, casa de farta maioria feminina, que com gatas incluídas chega aos 5-1, é voz corrente que Assis precisa de fazer a barba (todos os dias e com gilette super) de pentear o cabelo, maxime, de o rapar. Não que fique um Adónis, mas apenas para ter um ar lavadinho. Como Seguro, por exemplo. As eleitoras olham muito para isto. Em segundo lugar, esta já tem algo meu, convinha que o cavalheiro não fosse tão cinzento e descuidado na roupinha: sempre que dou por ele, a criatura vai metida num fato demasiado grande, com a gravata às três pancadas (sem gravata ainda fica pior!) enfim num toque que se pretendia parecer “negligé” acaba por dar a ideia que está em viagem e dormiu vestido durante uma semana.

 

De todo o modo, e isto não é um voto em Assis, Deus me livre!, o homem teve alguns momentos e algumas atitudes (a via crucis em Felgueiras, para não ir mais longe) que lhe dão dignidade e espessura. Ora é isso que eu não vejo (não por que a criatura não tenha tais virtudes, mas apenas por as não ter nunca mostrado) em Seguro. Nunca lhe ouvi uma opinião, um grito de alma, um suspiro, um desabafo mal humorado, enfim uma graçola, brejeira ou não. Seguro, como o nome, é liso, tão liso que parece fazer parte da paisagem, duma paisagem de teatro de província, melodrama em três actos, gran finale e muito amor e filhos e casamento depois de umas suaves desventuras e de um largo torpor.

 

Dizem-me que isso, essa suave e esfíngica atitude, foi a forma mais simples mas mais eficaz de proclamar a sua oposição ao frenético Sócrates.

 

José Medeiros Ferreira, esse açoriano arguto que já navegou com muito mar pela proa, disse há dias, num debate televisivo que “o PS tem o hábito de levar os seus Secretários Gerais ao colo até ao cemitério”. Nada mais acertado, e nesse trajecto qualquer murmúrio soa a apostasia e é castigado como tal. A inquisição aparelhística funciona a pleno vapor nestes casos e o PS, neste domínio, não se distingue do PC e muito menos do BE (que por intermédio do inefável Fernando Rosas e no mesmo debate acima referido, condenava Daniel Oliveira por este “usar os meios de comunicação social ao seu dispor enquanto os outros –presume-se que a desastrada direcção do Bloco - não tinham as mesmas armas”. Querem melhor e mais parolo? E mais trágico?). Em tocando o “Degüello”, aquilo é pior do que a cavalaria mexicana frente ao Forte Álamo: vai tudo raso!

 

Se isto for assim, e foi, percebe-se a sibilina prudência de Seguro. Era inútil gastar munições num combate frontal e a espera pelo momento mais propício é sinal de inteligência. Que meteu água (a inteligência) na noite eleitoral. De repente, a pressa de Seguro colidiu com a gravidade da noite e pareceu (me) uma desesperada tentativa de ganhar na secretaria. Ainda o defunto não estava enterrado e já alguém lhe calçava as botas!

 

Mas, perguntarão daí, desse lado do ecrã, que é que este gajo tem a ver com o PS? Não andou por aqui a tentar dar mais pazada que a padeirinha de Aljubarrota em tudo o que mexia no grupo da rosa?

 

Convém recordar que o dito cujo que abaixo se assina, atacou e não se arrepende minimamente aquilo que corporizou o PS: a sinistra elite dirigente que, endeusando o “falecido”, fez do partido uma tábua de surf para os mais atrevidos (e nem falo do Tagus Park) e uma barca naufragada para milhões de portugueses. E para a esquerda que se viu miseravelmente retratada naquele bando de aventureiros sem ideologia, nem causas, nem valores, que usavam o marketing em vez da politica, a ameaça, em vez do argumento, e abusaram da mansidão torpe dos militantes. Vai demorar tempo a restaurar a confiança, a atalhar o passo aos instalados, mas o melhor é começar já. E por isso mesmo, o melhor é começar a pensar nas hipóteses que estes dois candidatos têm, no que querem, no que afirmam, no que prometem. Eu faço parte dos votantes naturais do PS e tenho pressa, muita pressa, em voltar a dar-lhes um voto limpo, são e desinteressado.

 

Nada disso me impede, é bom que se diga, de esperar (sem fé...) que o actual Governo faça o seu trabalho, bem e patrioticamente, e nos livre desta trapalhada. Não me aflijo com a putativa “falta de experiência” de alguns ministros anunciados. No governo Sócrates sobraram casos idênticos (a começar pelo ministro das Finanças e a acabar  -mal – nas criaturas da Cultura) mas não foi daí que vieram os piores desastres. De todo o modo, mesmo se o meu principal divertimento ou o mais caro anseio, não é “arrear na Direita” (como sugestivamente e em hora desinspirada afirmava o doutor Santos Silva), aqui deixo o aviso: Não há “estado de graça” e não vou em desculpas com o passado. Ganharam as eleições confortavelmente, têm mãos livres, prometeram bastante, só lhes falta cumprir. À cautela tenho na estante um álbum de recortes com o que afirmaram. E tenho, sobretudo, boa, excelente, memória.

 

Surpreendam-me senhores governantes! Mostrem que eu estava errado quando deixava escrito que Passos Coelho foi tirado de uma cartola. Eu sou bom perdedor e sei dar a mão à palmatória.

 

Fin che la barca va, lasciala andare...

 

Ou mais vicentinamente e sem má intenção:

 

 à barca, à barca houlá

 

que temos gentil maré!