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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

21
Nov11

O Cenário é assustador

JSC

Espero estar errado, mas acho que a Grécia é o roteiro. A Grécia entrou em ‘default' e Portugal e a Irlanda também não vão pagar. Em relação a Portugal, vai entrar em incumprimento porque não vejo de onde virá o crescimento, os números são assustadores", concluem analistas do Group Chief Investment Officer da Schroders.


Por sua vez, o Ministro das Finanças disse hoje que o Governo agravou as previsões macroeconómicas para o próximo ano, prevendo uma contracção do PIB de 3%, a previsão anterior era de 2,8%.

 

Parece que a previsão do Ministro das Finanças está em linha com a previsão do analista da Schroders.  De facto o cenário é assustador. Lamentável é que o Ministro das Finanças, o da economia e o próprio primeiro ministro não levem em conta o muito que por aí se diz e escreve contra a orientação política seguida pelo governo, a começar pelo que vem do interior do partido do governo.

20
Nov11

O debate do não assunto

O meu olhar

No programa Prós e Contras Fátima Campos Ferreira vai levar a debate uma questão "essencial" para o país: a redução dos salários no sector privado. Segundo a publicidade ao programa pretende-se saber o que pensam os empresários e os trabalhadores desse assunto. Brilhante! Dificilmente se conseguiria melhor. Na semana da greve geral, onde o que não faltam são razões muito sérias para a fazer, o tema central deste programa é um não assunto, sobre o qual o Governo não tem qualquer influência. Ou seja, o Prós e Contras vai fazer uma manobra de diversão. Até porque todos os partidos estão de acordo que esta questão, da redução dos salários no sector privado, não faz sentido nenhum. Então porque um debate se todos estão de acordo?

Se a memória não me falha, quando se anunciavam grandes manifestações estas eram sempre o tema central desse programa. Agora, assobia-se para o lado e nem manifestações, nem greve geral, nem nada. Não se passa nada.

Já deu para perceber que o que Fátima campos Ferreira sabe fazer de melhor é fretes ao PSD mas, convenhamos, seria de bom tom não ser tão notório.

 

19
Nov11

A troika manipulada pelo governo?

JSC

A peregrina ideia de, não se sabe bem como, o governo poder decretar a redução de salários no sector privado foi a melhor ajuda que, nesta altura, os troikos poderiam dar ao governo, a ponto de se poder conjecturar que aquilo até pode ter sido encomendado, tal como já o tinha sido a famigerada questão da TSU.

 

Vejamos. Um dos troikos vem dizer que é preciso reduzir os salários no sector privado. Qual foi o efeito imediato desta declaração? Ser eleita como o tema central do debate político, dois dias antes da retirada de 50% no subsídio de natal. Desde então, o que se tem discutido e questionado é sobre  a declaração dos troikos. Portanto, o primeiro efeito foi conseguido. Calou o corte dos 50% do Subsídio de Natal e colocou o país político a discutir sobre nada.

 

Como se sabe, umas curtíssimas horas após a declaração dos troikos,  apareceu  o primeiro ministro a dizer que não concordava com a medida, o que para a opinião pública, valoriza a imagem do primeiro ministro e até lhe dá algum ar de independência e de discordância com os troikos, o que lhe fica bem, mesmo que seja uma grande mentira.

 

Portanto, o segundo efeito foi este, pôr o primeiro ministro a dizer que não quer baixar os salários dos privados, como ainda hoje fez em Vila Real, e não ser questionado com o corte nos 50% do subsídio de natal, nem com as medidas recessivas que toma, nem com a sua ideia de aconselhar os recém licenciados a irem para o estrangeiro, como disse, claramente, a partir do Brasil.

 

Em conclusão, a declaração dos troikos, de tão absurda, bem pode ter sido induzida por alguém próximo do governo e com a intenção de facilitar a vida ao governo, conduzindo a comunicação social e os agentes políticos para um debate em torno de uma ideia vazia, sem qualquer possibilidade de ser executada por interferência do governo.

18
Nov11

estes dias que passam 228

d'oliveira

 

 De

 

 

 

Desentendo...

 

Está por aí um sururu do catorze: um grupo de trabalho (outro!) resolveu pela voz do principal responsável dizer o que lhe ia na alma sua gentil quanto a informação televisiva e existência de canais nacionais de TV.

 

Comecemos pelo óbvio: um grupo de trabalho não é garantia de coisa nenhuma, muito menos, ou especialmente, de inteligência, de competência, de boa fé ou sequer de ... trabalho.

 

Todavia, existem. São criados, as mais das vezes, por alguém que quer sacudir a água do capote. Sabendo o velho ditado “quem anda à chuva molha-se”, não há politico avisado que não recorra a este truque, copiado de outras latitudes onde existindo, tem funções, características e fins bem diferentes. Por cá, o grupo é uma amálgama de gente, criteriosamente escolhida por meras razões políticas, que reúne, produz umas larachas, publica-as e depois vai à vida. Regra geral, ninguém liga pevide ao resultado das suas esforçadas elocubruções. Sequer quem o nomeou e mandou pagar, que estas coisas nunca saem de borla.

 

Agora, um cavalheiro de seu nome Duque vem dizer três ou quatro trivialidades, outras tantas barbaridades sobre a informação, sobretudo sobre a que competiria a um canal internacional. A criatura, sempre a “bem da nação” (oh tempo volta para trás... e dá saudades minhas aos cadáveres insepultos do Palácio Foz) acha que a informação a prestar no canal internacional deve ser ponderada, pensada, expurgada do que é feio, porco e mau dentro do torraozinho de açúcar. Para não dar nas vistas, para não parecer mal, para defender o bom nome da “nação valente e imortal”.

 

Este grupo, que, entretanto, se esfacelou em vida, produziu – ao que vejo pelos jornais - um rato. Não que o grupo fosse uma montanha, valha-nos Deus, aquilo não passava de uma colina e das baixinhas.

 

Olhemos em volta e comparemos.

 

Basta ir a dois países vizinhos, quase irmãos, a Espanha e a França. Aliás, atenhamo-nos ao exemplo francês.  A França e os restantes territórios francófonos animam uma televisão chamada TV5. Até há pouco, apanhava-se nas televisões por cabo. Agora só nos programas mais especiais é que se pode ver. Pagando mais, obviamente. De todo o modo, trata-se de algo muito bem pensado, com bons noticiários vindos de França, Bélgica, Canadá e Suíça, com programas específicos de África e dando ao público um leque de escolha variado e, genericamente bom. Vejo lá programas interessantíssimos, do teatro ao cinema, da diversão ao documentário. E bons noticiários, análises, reportagens políticas e culturais, enfim, trata-se de um canal variado e cheio de vida. E económico, uma vez que se abastece nos canais dos países que serve.

 

Não parece difícil transpor para cá uma fórmula semelhante. Aliás tenho por mim que dos países africanos de língua portuguesa viria o suficiente para animar as comunidades por cá expatriadas e dá-los a conhecer uns aos outros. Do Brasil e da sua impressionante produção televisiva nem falo. Pouco que viesse, seria sempre melhor do que um canalzeco meio místico, meio parolo que as televisões por cabo importaram decerto a baixo preço.

 

Com isso poder-se-iam eliminar esses subprodutos televisivos do género rtp áfrica, rtp memória (de quê, Santo Deus? De quê?) a rtp notícias eoutras saloiadas do mesmo género que custam muito dinheiro ao saco sem fundo da RTP e, por isso mesmo, a nós todos, pagadores finais.

 

Como nunca percebi quais serão as qualificações profissionais da ducal criatura que presidia à comissão e que mostrou amplamente qual o conceito que tem de informação, sempre direi que Portugal  e os portugueses só ganhariam em mostrar ao mundo o que são, como são pois parece-me que, apesar de tudo, no capítulo das notícias, uma política austera mas verdadeiraenobrece um país e o respectivo povo.

 

Desgovernamentalizar a televisão é isso mesmo e não entregar uma qualquer rtp internacional ao ministério dos Negócios Estrangeiros que já tem com que se entreter. Dizer que a informação melhora se vier do privado é tão ridículo e tão estúpido como afirmar que a oriunda do público é melhor ou mais isenta. Ou alguém, mesmo o senhor Duque (de paus?), acha que os privados são, de per si, portadores de uma qualquer especial virtude informativa? Ou achará que tudo o que é público (incluindo as comissões de estudo, claro) é passível de governamentalização, de manipulação e de falta de isenção?

 

Uma segunda questão respeita ao destino a dar ao 2º Canal. Importa, desde logo, perceber que boa, a esmagadora, parte da gritaria da SIC e da TVI tem a ver com o mercado da publicidade. Ora, não vejo por que bulas deverá o Estado proteger estes seus dois concorrentes e não tentar tornar apetecível o canal de que se quer desfazer. Vai nisso, entre outros motivos, o futuro dos trabalhadores da “2”. E se há dinheiro para pagar os altíssimos salários de certas vedetas desta banda, decerto que não será o desvio de alguma publicidade para o canal em venda que afectará as finanças dos outros dois. Aliás nunca compreendi a razão de o Estado não ter no canal público receitas provenientes da publicidade. Será que teremos de ser sempre nós os pagantes integrais da RTP? E das rtp dos Açores e Madeira a que não temos acesso? Haverá nas ilhas tanta especificidade, tanta matéria que necessitem, além do canal nacional, de canais privativos? Alguém acredita nisso? Aliás, viram a reacção dos governos regionais? Não querem ter um canal. Se não querem, por que é que havemos nós de querer?

 

Confesso que vejo pouca televisão indígena. Então os noticiários são de bradar aos céus. Aquilo é mais comprido, e muito mais chato, do que a espada de Afonso Henriques! Uma hora de cada vez! De manhã então repetem-se sem intervalo. Sempre, aliás,  com as notícias da noite anterior!

 

Parece que a querida RTP tem mais de quatro mil trabalhadores. Quatro mil? E que é que fazem além de se pisarem os mimosos pés uns aos outros? E de se desmultiplicarem por várias televisões fantasmas (algumas já acima referidas). Aposto que as duas televisões privadas juntas tem menos gente. É que aí, há que ter lucro! E mais uma vez: quem paga isto tudo?

 

Em resumo: deixemos as fantasias, os maus hábitos, a grandeza que esconde muita miséria e muito dinheiro mal gasto e já que as comissões mesmo pinguemente pagas parem um rato, copie-se de onde haja melhores e mais económicos (e eficazes) exemplos. Duques só os quatro do baralho.  

 

18
Nov11

A causa das causas da crise do Euro

JSC

Para os que ainda duvidam que na base da crise euro está a luta travada, desde sempre, pelos EUA contra a criação de uma moeda que, de algum modo, poderia esbater o papel dominante do dollar no comércio mundial, pois bem, as razões que conduziram à “demissão” de António Borges, do FMI, deve-lhes retirar todas as dúvidas.

 

Preocupante é saber que alguém como António Borges não serve aos falcões que mandam no FMI, com quem a srª francesa, pelos vistos, se identifica.

 

Com a ajuda do FMI, parafraseando o Ministro Álvaro, 2012 marcará o fim do euro.

17
Nov11

Equidade, precisa-se!

JSC

O alemão Jürgen Kröger, líder da troika, deu hoje uma pequeniníssima entrevista do DN, onde acabou por deitar põe terra o argumento do governo, que tem servido de justificação ao corte dos subsídios de férias e de Natal aos trabalhadores da administração pública e do SEE.


Como se sabe, o governo tem insistido na ideia de que o ajustamento tem de ser feito pelo lado da despesa e que se fosse criar um imposto extraordinário sobre aqueles abonos, o que estava a fazer era aumentar a receita fiscal, o que, dizem, contraria os troikos governantes.


Sempre que alguém fala de equidade, logo aparece outro alguém a lembrar que a troika exige redução na despesa e coisa e tal.


Pois bem, agora o Sr. Jürgen Kröger disse, bem clarinho, que nada impede que o governo aplique um imposto a todos os portugueses em vez de estar a penalizar apenas os trabalhadores da administração pública e do SEE.


Qual será o novo argumentário (governamental e comentadores) para lixar a administração pública?


A entrevista termina assim:
Jornalista: - Dentro de dois anos estaremos a viver melhor?
Jürgen Kröger: - Não sei, não sei. Como posso saber?

15
Nov11

A crise alastra para o centro

JSC

Depois da Irlanda, Grécia e Portugal e dos apertos que devastam a Espanha e a Itália, está em via de se cumprir a tragédia anunciada dos PIGS. Assunto arrumado. Os mercados (?) venceram.

 

Na calha já estão a França, Bélgica e a Áustria. Agora é que as coisas vão mesmo começar a doer. Melhor, agora é que a ameaça começa a tornar-se séria para os bancos alemães, que de tão expostos à dívida soberana francesa e italiana não deixarão de pressionar a Srª Merkel para agir.

 

Falta escrever o último acto. Mas tenho por certo que não vai ser a Sr.ª Merkel a autora. Os mercados (?), que pelos vistos não apreciam o €, vão ditar o final.

 

(P.S.: quem deve estar a apreciar o desenrolar desta peça é o nosso ex-primeiro ministro, o dos saudosos PECs, em que tanto bati).