“Há um milhão de portugueses sem empregp. O que esse milhão de portugueses lhe exige são medidas concretas, mas está aí de braços cruzados a la Jonet”.
O autor desta funesta e imbecil pérola literária parece ser João Semedo, coordenador do BE, consoante se aponta no jornal Público..
A criatura citada no fim da frase canalha e repugnante deve ser a presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, a menos que ande por aí alguma besta que cruza os membros anteriores quando se fala de desemprego.
Se é assim e as criaturas são mesmo estas, convém anotar duas ou três coisas. A primeira é que, diga-se o que se disser, Isabel Jonet é uma das grandes responsável pelo BA e por isso mesmo reconhecida à escala europeia como presidente da entidade que federa os bancos alimentares.
Pelo que me dizem, o BA consegue fornecer algo como vinte mil refeições dia a pessoas que de outro modo passariam fome.
Mas, a mim, modesto contribuinte aquando das campanhas, bastar-e-iam dez mil, cinco mil, mil até para só por isso entender que essa acção vale a pena. De poucom de nada, me importa que nas dezenas de milhares de voluntários, haja senhoras “bem”, “tias de Cascais”, órfãos do padre Américo, escuteiros, católicos, beatas, sacristães, cavalheiros de bigode e meninas virtuosas ou rrapazolas com acne na tromba. Acodem a quem precisa e isso é que me parece importante. Dão de comer a quem tem fome, aqui e agora, e não pedem nada a quem vrecebe. Nem orações, nem agradecimentos, nem o voto. Nem a crença em Deus ou nos “amanhãs que cantam”. Dão, ponto, parágrafo.
Antes dar a quem precisa que gastar um cêntimo com os partidos políticos que uivam no parlamento onde os seus representantes comem excelentemente a preços ridículos. Lá até a bica é metade do preço de cá de fora...
Portanto a senhora Jonet, que não conheço nem estou especialmente interessado em conhecer, merece o meu respeito e se me bater à porta lá a receberei civilizadamente com o pão e o sal da hospitalidade. E agracendo-lhe por fazer mais do que eu, pobre homem de Buarcos, ateu e indignado desde que me conheço.
E o senhor Semedo?
Bem, o senhor Semedo, conheço-o ainda que pouco e mal. E mais: do ponto de vista estritamente pessoal, tinha-o na conta de pessoa simpática, inteligente e civilizada. Mesmo se, como é sabido, este actual pourfendeur da caridade cristã “de braços cruzados” tenha frequentado uma organização sinistra que até hoje ainda não reconheceu toda a infâmia da sua história (ou da história de quem a influenciou sempre, o PCUS, organização de mafiosos contumazes que não só liquidou largas dezenas de milhões de pobres diabos que tiveram o azar de viverem na radiosa pátria do “sol da terra”, como se notabilizou por, mesmo intra-muros, liquidar dezenas de milhares de militantes políticos sob as mais variadas e fantasiosas acusações, mais tarde atribuídas, pasme-se, ao delírio homicida de “pai dos povos” e a três capangas por ele chefiados. A história do PCUS e de todos os seus grupos satélites, onde brilhava excelsamente, a organização a que o senhor Semedo dedicou largos anos da sua vida de adulto culto e conhecedor do que se passava, é algo tão repelente quanto a da outra organização gémea que, para mal de outros tantos milhões de homens e mulheres, o enfrentou, nas ruas, nas fábricas e nos campos de batalha. Em nome do futuro, uns, da raça e das suas virtudes e direitos, outros, conseguiram tornar o século vinte um açougue incomensurável de que ainda hoje sentimos e padecemos os ecos.
Que um Semedo, vindo dessa caverna escura e odiosa ache que dar de comer a um compatriota é uma canalhada anti-revolucionária e confunda esse gesto com o desastrado e mal avisado Passos Coelho, triste exemplo da vacuidade política e da falta primordial e definitva de qualquer raio de inteligência social, ética ou moral, é algo que faz vómitos ao mais ressequido leitor de jornais.
E é sobretudo a prova provada que um homen inteligente pode ser tão desumano e tão desapiedado quanto os dois fantoches, por uns tempos aliados e amigos, Yossip Vissarionvitch Djugatchivili (no século conhecido por Stalin) e o cabo austríaco pintor “de brocha gorda”, Adolph Hitler. Que lhe preste!
Posso dizer que conheço bem a realidade das políticas de atracção de investimento levadas a cabo em Portugal, seja ao nível da administração central ou local. De um modo geral, os governos procuram criar instrumentos que favoreçam o investimento, sobretudo quando ele provém do estrangeiro, e as autarquias tentam tirar partido dos meios à sua disposição para atrair esses investidores para o seu território.
Hoje em dia, com a crise em que Portugal está mergulhado e com o desemprego a crescer de forma galopante, ganha ainda mais premência o esforço colocado na atracção de empresas que possam criar emprego e contribuir para o crescimento económico. Contudo, essa vontade de atrair investimento não pode fazer-se a qualquer preço, sob pena de estarmos a delapidar os activos que ainda nos restam.
O Estado e as autarquias têm muito por onde intervir nesta matéria: IRC, IRS, IMT, IMI, Imposto do Selo, derrama, incentivos, subsídios, fundos comunitários, taxas de licenciamento e o mais que houver. Não faltam, portanto, instrumentos que permitam convencer os empresários a investirem no nosso país. E alguns municípios adoptam, de facto, uma política direccionada para a atracção de investidores e empreendedores, apostando, desse modo, no desenvolvimento económico e na criação de riqueza.
Contudo, esta ânsia de acolher investimentos leva muitas vezes os decisores a alienarem levianamente parcelas importantes do seu território, seja sacrificando terrenos incluídos em reservas de área agrícola ou ecológica, seja transaccionando esses terrenos por valores irrisórios. As políticas de ordenamento do território não deviam permitir, com tanta facilidade, a alienação de espaço público, um bem de todos, para benefício desta ou daquela empresa, só porque esta prometeu umas escassas dezenas ou centenas de postos de trabalho. Quem faz, depois, a avaliação destas decisões? Quem cuida de acompanhar o retorno desses projectos e dar explicações aos vindouros sobre as decisões tomadas? Alguém responde por essas opções?
Estas reflexões, que me acompanham há muito, surgiram de novo ao deparar-me com dois casos flagrantes do que acabei de referir. Em Ílhavo, a Câmara Municipal permutou com o Estado um terreno de quatro hectares para instalar uma nova fábrica de louça de mesa do Grupo Vista Alegre Atlantis. Esse terreno será alienado por duzentos mil euros (5€/m2), o que representa 1% (!) do valor total do investimento e estará certamente muito longe do respectivo valor económico. Quanto custará à autarquia e aos seus munícipes, a médio e longo prazo, prescindir de quatro hectares de terreno por (apenas) duzentos mil euros? Infelizmente, não há escrutínio sobre estas deliberações.
Já em Loulé, a autarquia aprovou um plano de urbanização que altera a capacidade de uso de terrenos até aqui incluídos na Reserva Agrícola Nacional (RAN) para acolher um investimento comercial da cadeia Ikea, com o beneplácito das entidades públicas que gerem o ambiente e o ordenamento do território no Algarve. Havia terrenos disponíveis em áreas fora da RAN, mas imperou a vontade do investidor, que terá começado a comprar terrenos antes mesmo de saber se podia alterar o uso dos solos. Poder de adivinhação? Recorde-se que a Ikea já tinha beneficiado de um tratamento de favor aquando da instalação de uma unidade industrial em Paços de Ferreira, onde escolheu terrenos inseridos na Reserva Ecológica Nacional. São gostos…
Nos últimos anos tem-se assistido a um distanciamento crescente entre os partidos políticos e a sociedade. A seguir ao 25 de Abril de 74, no auge da participação política, os partidos eram um retrato daquilo que melhor havia na sociedade portuguesa. Em resultado disso, os governos, o parlamento e as autarquias receberam o contributo dos quadros mais qualificados, que estavam genuinamente empenhados na participação cívica e na governação democrática do país.
Com o decorrer dos anos, os partidos foram-se enclausurando em si mesmos, tornaram-se aparelhos impiedosos e autênticas máquinas de "assalto ao poder". Começou a sentir-se então o divórcio entre as aspirações do cidadão comum - interessado na sua comunidade e naquilo que de melhor se pode fazer por ela - e as motivações das estruturas partidárias, preocupadas sobretudo em encontrar a melhor forma para se perpetuarem no poder. O poder interno, em primeiro lugar, para depois se ver se é possível chegar ao poder "lá fora".
Elegem-se os líderes dos partidos porque reúnem mais apoios no aparelho, sem cuidar de saber se a população, os eleitores, pensam o mesmo. A situação repete-se em muitos municípios, em que os candidatos às autarquias conseguem obter o apoio de escassas dezenas ou centenas de militantes do partido, mas isso não basta para serem reconhecidos pelos seus concidadãos. As recentes sondagens sobre o PS, Seguro e António Costa demonstram mais uma vez essa realidade, isto é, a divergência entre o que pensam (e votam) os militantes socialistas e aquilo que julga a generalidade dos eleitores.
Pacheco Pereira tem discorrido muitas vezes sobre este tema e Pedro Adão e Silva, sociólogo e membro da direcção do PS na liderança de Ferro Rodrigues, debruçou-se também sobre ele esta semana no "Expresso", a propósito do "caso Parada" em Matosinhos.
Este divórcio entre os partidos e a sociedade não é benéfico para a democracia e não contribui para assegurar uma maior participação na vida política. Os partidos têm de saber encontrar, urgentemente, fórmulas que permitam ultrapassar esta clivagem, sob pena de acabarem a falar sozinhos...
Sobre as confusões maiores e menores que afligem a pátria imortal e os seus egrégios netos
Há uma lei imbecil e mal feita que comina uma proibição para os autarcas: ao fim de três mandatos nãop se podem recandidatar.
A questão que logo se verificou foi a seguinte: proíbe-se a candidatura à Câmara onde se esgotaram os três mandatos ou a todas?
Convenhamos que, independentemente da bondade desta lei, a dúvida tem algum sentido para os amadores de bordados & ponto cruz.
Qualquer pessoa sensata diria que a proibição não pode ser meramente territorial mas geral. Não o entenderam assim os partidos que, numa primeira volta se contentavam com a não candidatura do dinossáurio autárquico à Câmara onde durara três longos e rendosos mandatos. Parece que, com isso, acabava o eventual forrobodó mais ou menos passível de corrupção.
Anda nesta ideia muito angelismo e igual dose de burrice: supondo o exemplo do Porto/Gaia ou Porto/Matosinhos onde é que uma ponte ou uma mera estrada interrompem a caminhada voraz da sanguessuga?
Pessoalmente, penso que esta lei (celerada e já o explicarei) só terá sentido se se impedir o autarca de reptir na casinha ao lado as suas eventuais malfeitorias. Três mandatos e bonda. Um quarto só se for em período de nojo. Tudo o resto é paisagem.
Uma lei que só tem dois artigos não permite grandes interpretações mas a ideia imbecil e chico-espertalhona de que o autarca que muda de Câmara ganha uma nova virgindade é algo de extraordinário e muito digno da fama de Fátima, como local sumamente milagreiro.
Portanto, não sendo Fátima a totalidade do país, mas apenas um cagasésimo do “jardim à beira mar plantado”, temos que os senhores com três mandatos efectivos deveriam ir dar uma volta ao bilhar grande e reaparecer daqui a uns anitos, quatro, por exemplo...
Dito isto, voltemos à peregrina ideia de limitar os mandatos dos presidentes de Câmara e de junta de Freguesia, a três. Porquê?
Para evitar a corrupção (como se esta precisasse de doze anos para se manifestar...) para evitar clientelas (como se estas tivesse fronteiras unultrapassáveis!) para evitar a criação de caciques (como se isso ocorresse sempre...).
Anda por aqui uma ideia bizarra e que é de que estes cargos políticos são inexoravelmente corruptos ou corruptíveis. Ou seja, como se (espera-se!) a excepção fosse notoriamente a regra.
E outra ideia: para além da aceitação da inevitabilidade da corrupção, deve desprezar-se a ideia de que homens sábios, diligentes e capazes, úteis não devem governar demasiado tempo e eventualmente até podem ser substirtuídos por incapazes.
Eu sei que há outros exemplos de limitações de mandatos, quais ejam os do Presidente da República. Trata-se de uma idiotia inspirada nos Estados Unidos que, por acaso viram um dos seus mais amados presidentes exercer ( Roosevelt) o terceiro mandato até morrer no seu posto. Ou seja, copiou-se como constitucional um uso, uma tradição mas não uma injunção absoluta!
Vejamos: à falta de regras claras, simples e duras contra o abuso de poder, eis que se levanta uma proibição absurda. Contra a constipação, clama-se pela ablação dos pulmões!
Num país civilizado, com um povo exigente e digno, estas leis celeradas seriam objecto de galhofa quando não de severa e justa indignação. Não se deve aceitar ser tratado como tratante só porque há, aqui e ali, umas criaturas capazes de roubar o mealheiro a um menino de quatro anos de idade. Não é porque uns largos milhares de cobardes batem nas mulheres que todos os homens portugueses devam ser considerados suspeitos de violência de género!
Em boa hora, uma comissão ad-hoc que por aí anda entendeu submeter aos tribunais a impugnação das candidaturas de cavalheiros que já cumpriram três mandatos sucessivos noutros municípios. Espera-se que os Tribunais saibam, por uma mísera vez, decidam depressa e bem. E claro, clarinho, como água de beber.
Para matar a chicana, pelo menos durante algum tempo, que para sempre é, em Portugal, pedir muito. Será?
Como entender toda esta roubalheira e a não captura dos responsáveis e dos beneficiários do dinheiro roubado?
Como aceitar que o Governo exija que os contribuintes “aguentem” o pagamento desta roubalheira e ainda os insulte apodando-os de terem vivido acima das suas possibilidades?
Vinte mil! Vinte mil manuscritos queimados pelos djiadistas muçulmanos em Tombuctu! Documentos únicos vindos da madrugada da História, guardados cuidadosamente, amorosamente, por homens por vezes iletrados mas orgulhosos de os possuir. De vos conservar. De os transmitir para a geração seguinte. E para a seguinte à seguinte. “To our children’’s children’s children” como cantavam os Moody blues”.
Obras muitas vezes únicas, já aqui tinha referido esse extraordinário apego dos habitantes de Tombuctu, há um par de anos. Tentando convencer leitores e amigos a contribuir para a digitalização desses documentos. Há, felizmente, muita obra feita nesse domínio, sobretudo por parte da Espanha.
Mas, pelo brutal número, agora divulgado, fácil se torna perceber, que o irreparável aconteceu graças a uma seita de canalhas que, em nome de Maomé, são contra a vida, a religião, a paz, a tolerância, as tradições brilhantes de uma civilização que, inclusive, permitiu a mágica existência de Tombuctu.
A intervenção francesa, Deus a abençoe, provou que estes grupelhos de bandidos só atacam os mais fracos. Convirá recordar que não era só o norte do Mali que estava ameaçado mas todo o país que, lembremos, é um dos mais ricos em arte africana que não se limita ao povo dogon mas que abrange uma dúzia de etnias mais com um património riquíssimo.
Sei bem, que aí, pelos cantos, rosna uma meia dúzia de anti-colonialistas de fresca data e duvidoso passado que ainda não percebeu que defende não as vítimas mas os opressores. Que, contra a praga ultra-religiosa, tenha ela o sinal que tiver, há que, uma vez por todas, agir. Em nome dos Homens, da Cultura e de todos quantos, como hoje se viu exuberantemente no Mali durante a visita de François Hollande a tombuctu, se sentem libertados. Em nome da Liberdade, ao fim e ao cabo.
Só um imbecil pode dizer que se os sem abrigo aguentam, os portugueses podem aguentar.
Ou não sabe falar! Ou não sabe português! Ou não sabe pensar!
Ou não merece ser cidadão...
Criaturas destas que andam por aí à solta com “cães perdidos sem coleira” correriam, noutros tempos, o risco de serem abatidas. Por mera higiene pública; por algum anarquista justiceiro ou qualquer outra razão. Por absoluta higiene cívica, ética e moral.
Não quero a cabeça do senhor Ulrich que, cada vez que lhe põem um microfone à frente, solta as coisas mais extraordinárias.
Alegrar-me-ia, isso sim, vê-lo sem abrigo, a calcorrear ruas e travessas, com os magros pertences num cartão, lendo o desprezo nos olhos dos que, assobiando para o lado, tapam o nariz e seguem em frente para lhe não sentir o cheiro a suor...
Ou nem isso: esta patética criatura que rosna sem pudor sobre coisas que não sabe, que ofende sem necessidade, devia ver a sua fotografia em todas as esquinas, nos caixotes do lixo, nas sargetas e noutros locais igualmente semelhantes que é donde gente como ele se escapuliu.
Não há dúvida que fez um excelente serviço ao BPI. Pela minha parte vou cancelar a minha conta lá. Perdem pouco, quase nada, mas eu ganho muito. Pelo menos a dignidade da solidariedade com quem está pior do que eu.