Um olhar sobre as sondagens autárquicas do “JN”
As sondagens publicadas há pouco mais de uma semana pelo “Jornal de Notícias” trouxeram a público alguns dados relevantes, numa altura em que nos encontramos a cerca de quatro meses das eleições autárquicas.
Entre as capitais de distrito das regiões Centro e Norte, verifica-se que o PSD deve manter a presidência folgada das autarquias de Aveiro e Viseu, enquanto Viana do Castelo permanecerá socialista. As principais disputas vão, assim, ocorrer em Braga e Vila Real: o limite de mandatos atingido por Mesquita Machado (PS/Braga) e Manuel Martins (PSD/Vila Real) pode originar a mudança de cor naquelas autarquias. Ricardo Rio (PSD), à terceira tentativa, pode derrotar o actual vice-presidente, Vítor Sousa, em Braga e o deputado socialista Rui Santos almeja conquistar Vila Real ao PSD, que apresenta a votos o presidente de uma Junta de Freguesia.
Estes dois exemplos comprovam que as lideranças prolongadas acabam, muitas vezes, por não deixar espaço para a afirmação de sucessores de méritos reconhecidos, com protagonismo e visibilidade aos olhos dos eleitores. Nestas situações, saem a ganhar projectos de oposição consistentes e determinados, que não “abanaram” à primeira contrariedade.
No Grande Porto, confirma-se o duelo fratricida em Matosinhos entre Guilherme Pinto e António Parada. Veremos quem leva a melhor, se o aparelho da autarquia ou o aparelho do partido. O PSD, por seu lado, repete uma candidatura desajeitada, desta vez com o antigo deputado Pedro da Vinha Costa, e não consegue tirar proveito de uma certa transformação social que tem vindo a marcar Matosinhos, que atrai cada vez mais jovens quadros superiores dos municípios vizinhos.
Em Gaia, a embrulhada criada por Luís Filipe Menezes com o processo da sua sucessão parece poder resultar na sorte grande para o PS. O docente universitário e antigo presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, Eduardo Vitor Rodrigues, lidera as sondagens e o seu principal adversário não é o “paraquedista” que concorre pelo PSD, o deputado Carlos Abreu Amorim, mas sim o advogado, antigo vereador e presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo, José Guilherme Aguiar. Este recém-independente deixa a vereação em Matosinhos, onde se mancomunou com o PS, para regressar a Gaia e, despeitado, baralhar as contas do seu antigo partido.
Como se já não bastasse a corrida em Gaia, também o Porto corre pessimamente para Luís Filipe Menezes. Até aqueles que sempre vaticinaram uma vitória de Menezes, atendendo à imagem de obra feita que se lhe colou e sobretudo à forma populista como se insinua junto das populações, têm agora reservas. O deputado socialista Manuel Pizarro e o independente Rui Moreira apresentam intenções de voto que se aproximam bastante de Menezes e, neste momento, já tudo parece possível.
A entrada em cena do antigo presidente Nuno Cardoso, que nunca foi a votos, recorde-se, não deve passar de um fait-divers. Cardoso tem sido um consultor privilegiado de Menezes e da Câmara de Gaia. O objectivo da sua candidatura não é mais do que dividir o eleitorado avesso a Menezes, de modo a retirar força aos candidatos já no terreno. Se for bem recebido nestes meses mais próximos, o objectivo de Cardoso deve passar por uma aliança com Menezes, seja nas listas ou na vereação, em caso de vitória daquele.
Enfim, os tempos mais próximos prometem animação…


