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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

11
Abr14

Au bonheur des Dames 357

d'oliveira

 

 

 

 

Carnaval tardio ou o 1º de Abril prolongado

 

Com a prestimosa e diligente ajuda do Bloco de Esquerda, o senhor Passos Coelho deu início à campanha publicitária das europeias. Não que outros partidos não tivessem também, desde já, criado condições para o foguetório de promessas incendiárias que, felizmente, morrem na noite das eleições. Nada disso. Só que o senhor Coelho e a rapaziada do BE (e a raparigada, deixemo-nos de política de “género) são mais impudentes e imprudentes. Com insofrido arrebatamento, o sr Coelho veio, agora, declarar o seu amor pelo aumento do salário mínimo. A criatura ainda há semanas declamava em voz dramática e cava que mexer naquilo (o miserável salário que, aliás, nem sempre é cumprido) conduziria a pátria amada ao naufrágio e ao desastre irremediável. Como se um aumento previsto para um par de anos atrás revestisse a face horrenda do terramoto de 1755. Todavia, logo que o tempo arrebitou e as eleições europeias se aproximaram, eis que a medonha desgraça, qual saca de pão, se transformou em rosas no regaço, generoso mas viril, de Coelho, o da cartola de onde surdiu para espanto e maravilha da lusa e fera gente. Vai daí, apanhados neste vendaval de promessas, as vociferantes criaturas do BE, exigiram solenemente que o salário mínimo passasse imediatamente dos 485 euros actuais para 545! Já! Convenhamos que no clamar não são pecos: os 15 euros com que se conformam a UGT e o patronato, sempre generoso, convertem-se em 60, ou seja quadruplicam, deixando a operosa CGTP nuns envergonhados 30. Assim se prova que o BE é duas vezes mais amigo do povo, dos trabalhadores, do proletariado, da população em geral do que o PCP e a CGTP. Ora toma! E quatro vezes mais amável para o mesmíssimo proletariado do que o “fascista/capitalista/neo-liberal/populista Passos... O mesmo risonho e reivindicativo BE entendeu igualmente levar à douta Assembleia da República uma proposta de referendo sobre o Tratado Europeu. O povo deverá ser chamado a decidir se quer continuar a ser dominado por Castela, perdão, pela Frau Merkel ou se, numa nova e felicíssima Aljubarrota, corre de uma vez por toda com os “europeus” que nos exploram, com os donos do euro, com os salafrários que nos emprestam dinheiro (e disso se cobram com generosa avidez...), com o estranjeirame, os pedreiros livres protestantes e nórdicos, pálidos e ricos que nos invejam o sol, o clima e a doçura dos nossos costumes, e manda tudo isso às malvas, à merda ao diabo que os carregue regressando os descendentes dos egrégios avós à época de oiro e rosas em que vivíamos, eventualmente mesmo ao abraço angelical do dr Salazar. A senhora deputada Martins resumiu tudo numa frase encantadora: vamos perguntar ao povo se quer continuar na austeridade ou se prefere ser livre! Eu sempre achei extraordinária a capacidade de “comunicar” da talentosa co-dirigente do BE. Só me parece estranho que ela entenda (talqualmente o dr Santana Lopes) que andam por aí uns traidores que preferem viver esfomeados a ser ricos, esbeltos, felizes e risonhos. Ou então acha que perante uma pergunta deste teor o povo, os proletários etc..., se ponha gravemente a meditar com ar estudioso e reflectido se sim ou sopas! Ao pé desta proposta de referendo crucial até a ideia dos 60 euros e aumento parece coisa pouca. É claro que tudo isto é apenas um começo, um ensaio, do que para aí virá. Tirante o senhor Seguro que já declarou que, logo que seja Governo, acaba com os sem abrigo, isto é dá abrigo a todos, trabalho a todos (não estava a pensar que, ele, Seguro, os quisesse pura e simplesmente eliminar da face da terra, credo!) e assim torna o país mais feliz, mais justo e mais igual. Como, não se sabe, como também se desconhece que milagre ocorrerá a Portugal no dia, entre todos radioso, em que o referendo das senhoras Martins afundará definitivamente um Tratado injusto assinado por Portugal sem que a grande maioria das pessoas inebriadas pelos fumos da Europa se tivessem questionado. E mesmo se alguma pessoa invejosa e desconfiada venha agora interrogar-se sobre esta súbita vesânia do BE (porquê agora e não há um ano, dois, três, quatro, dez?), atribuindo-a maliciosa e vilmente à época eleitoral, deveremos mostrar a nossa gratidão profunda à audácia do BE. Sem ele, a vida seria muito menos divertida, mesmo se, como cavilará algum invejoso, o efeito de tal proposta seja igual a zero. Há algo, porém, que me parece ligeiramente inquietante: será que o BE pensa obter vencimento para a sua proposta? E se sim, que futuro, que medidas, têm ele em carteira para, ganha nas urnas populares a expulsão da troika e de tudo o que ela representa, para nos tornar mais ricos, mais felizes e mais livres, mesmo se menos europeus, claro? Ou tudo isto não passará de uma mera bravata, de um vago e estranho exercício de humor negro, coisa que, convenhamos, não parece coadunar-se com a exaltada gravidade revolucionaria que o BE ostenta? Ou finalmente, sempre de acordo com uma linha revolucionaria a outrance, achará o BE que se deve adoptar a teoria do quanto pior melhor, do morra Sansão e quantos aqui estão e outras maravalhas do mesmo teor cujos resultados se conhecem (isto é cujos resultados são conhecidos de algumas pessoas mas não exactamente dos proponentes deste extraordinário referendo)? Ou, mais outro “finalmente”: será o parlamento, mesmo este que nos coube em sorte, um terreiro ideal para o jogo do chinquilho, uma nave dos loucos fugida de um pesadelo de Bosch?

Deus tenha piedade de nós

*na ilustração: Bosch: A nave dos loucos

10
Abr14

O Triunfo dos Cínicos

JSC

Pensionistas da Segurança Social recebem pensões mais baixas a partir de hoje. Pensões acima de 1000 euros terão redução de 3,5% a 10%. Medida afecta mais 165 mil pessoas.

 

Primeiro foram os pensionistas da função pública. Agora são todos os que auferem uma pensão acima de 1000€. Amanhã…

 

A Contribuição Especial de Solidariedade (CES) é um imposto com a mesma natureza e origem do IRS. Só que o Governo não lhe que chamar um imposto, o que lhe permite não afectar a receita de IRS. Ou seja, o valor da CES soma ao IRS sem que o Governo o assuma e deixe que os pensionistas pensem que estão a pagar menos IRS. Na prática, os pensionistas com uma pensão acima de 1000€ estão a ver os seus rendimentos mais tributados em sede de IRS que os demais contribuintes.

 

O cinismo do Governo vai ao ponto de criar uma Contribuição Especial (dita) de Solidariedade, a pagar por muitos e muitos que bem necessitariam de obter a solidariedade de terceiros, incluindo do Governo (em sede de política redistributiva), para saírem do limiar da pobreza que as estatísticas têm confirmado.

09
Abr14

Um exemplo a seguir?

JSC

Ministra demite-se após petição de mais de 185 mil

 

A ministra britânica da Cultura, Media e Desporto, Maria Miller, demitiu-se hoje do Governo, na sequência da polémica sobre as suas despesas parlamentares. E depois de uma petição à qual aderiram mais de 185 mil pessoas, defendendo que a ministra devia ou reembolsar as 45 mil libras em causa (55 mil euros) ou demitir-se.

 

E se em vez das manifestações e dos manifestos se organizasse uma petição a exigir a saída do Passos e do Paulo do governo? Fundamento: mentirosos irrevogáveis. Quantas assinaturas seriam precisas para eles abandonarem o pote?

09
Abr14

estes dias que passam 318

d'oliveira

 

 

 

Le monde tel qu'il est

 

Algum(a) leitor(a) recordará um texto por aqui publicado acerca do senhor Manuel Valls, actual primeiro ministro da França. Lembre-se, apenas, que se criticava porventura desabridamente, as manias persecutórias da criatura contra os emigrantes em geral e os ciganos em particular.

Valls, ele próprio emigrante, filho de emigrantes, tornou-se popular entre a Direita francesa e também entre alguma esquerda xenófoba que acusa os emigrantes de “roubarem trabalho” aos pobres proletários franceses de gema.

As recentes eleições municipais que deram uma vitória à Direita e permitiram a primeira verdadeira (se bem que pouco expressiva) implantação local à Extrema Direita, fizeram com que o absurdamente extraordinário senhor Hollande chamasse a criatura para o cargo de 1º Ministro.

Se o Hollande  político tivesse um décimo do êxito do Hollande amoroso teria percebido que está a mostrar ainda mais, se possível, que no que toca a Esquerda, a Socialismo, também não vai longe.

Esperemos que os colegas de cá, do “nosso” PS, recordem a coisa demodo a não voltarem a iludir-se (e a iludir algum incauto) com um eventual apoio francês aos negócios da dívida portuguesa. E muito menos, a tentarem seguir, o sinuoso percurso político francês no que toca a finanças públicas, economia nacional e outras práticas desastradas com que o actual poder gaulês brinda os seus cidadãos que se vêm empobrecer.

Não corremos o risco de Valls inspirar o senhor Passos Coelho (tirado da cartola de quem sabemos) quanto a políticas imigratórias. Os emigrantes presentes em Portugal vão desandando para horizontes mais benignos para desespero de quantos alimentavam a secreta esperança de os manter cá, mal pagos mas prolíficos, portadores de uma fortíssima taxa de natalidade que, lá para 2060, nos salvaria de sermos só cinco ou seis milhões de irredutíveis lusitanos.

Os emigrantes já não acorrem em catadupa ao torrãozinho de açúcar e os naturais voltaram a sair do país com a tradicional velocidade com que saíam desde princípios do século XIX. DE Portugal imigrou-se sempre e  em fortíssima percentagem. As únicas mostras de abrandamento ocorreram durante as duas guerras mundiais e isso apenas se deveu ao facto de a nossa frota ser escassa e não poder dar-se ao luxo de ser alvo dos submarinos alemães. Fora isso, traduziu-se sempre em várias dezenas de milhar/ano o número de pessoas que iam procurar vida fora de portas. Até durante a guerra colonial houve (e expressiva) imigração para Angola ou Moçambique! Não era comparável ao que se passava com a ida para França e para o resto da Europa mas dizia bem do desconforto com que se vivia em Portugal.

Há umas semanas, os media uivaram indignados com um referendo suíço que limitava duramente a entrada de estrangeiros. Sobre Valls, o “socialista”, ainda não vi nada. Bem se nota que os jornalistas e as mesnadas de comentadores políticos com a televisão nos entretém já não leem nem falam francês!...

 

* alguém que me lê obliquamente enquanto escrevo, tentou corrigir mesnada por manada. Tive de explicar que, mesmo que a mudança me agradasse, eu queria, de facto, dizer mesnada: tropa de soldados mercenários assalariados, séquito de um homem de guerra, etc... Fica, pois, mesnada, palavra do agrado de Alexandre Herculano, entre outros. 

 

 

 

 

06
Abr14

Duas visões sobre os bitaites do Durão

JSC

Marcelo, sempre em defesa dos seus, garante que Durão quis mostrar que "não tinha nada a ver" com BPN.

 

Por sua vez, Sócrates desafia Durão a explicar-se sobre BPN.

 

Durão precisava de entrar na política nacional, para tanto inventou  um “facto” à medida dos que  MRS criava. O problema é que os tempos são outros, a coisa está a correr mal. Admito, contudo, que Durão pouco se importe. Na fase actual, prestes a deixar a UE, sem honra nem glória, com bons proveitos arrecadados, o que Durão deve querer é que o pessoal fale dele. Mal ou bem, pouco importa, importante mesmo é que se fale.

04
Abr14

…E não deixa de mentir

JSC

Agora, o primeiro mentiroso do país garante que “Não vamos alargar os cortes em salários e em pensões para 2015”. Como é óbvio, se estivéssemos a falar de gente séria, ele não estaria a garantir que, para 2015, o Governo não prepara reduções adicionais nos rendimentos dos funcionários públicos e dos pensionistas. O que estaria a dizer era que em 2015 ia repor o valor dos salários e das pensões, pelo menos ao nível do que estavam antes dos cortes.

 

A habilidade ministerial passa por nos anunciar, fiquem contentes, não vos vou aumentar o valor do saque, batam palmas, portem-se bem, podia ser pior. Como qualificar quem assim governa? Mentiroso, é suficiente?

02
Abr14

Para onde vai o nosso dinheiro?

JSC

Para onde vai o valor do saque das pensões, dos salários, do colossal saque fiscal?

 

O INE dá a resposta:

 

Bancos custaram 4735 milhões aos contribuintes

 

O reporte das contas (défice e dívida) enviada ontem pelo INE a Bruxelas mostra que entre 2008 e 2013 os sucessivos governos (PS e PSD/CDS) gastaram 6134 milhões de euros em operações como pagamento de juros, injeções de capital, garantias entretanto executadas, nacionalização do BPN, tendo recuperado apenas 1399 milhões de euros. A diferença entre ganhos e perdas dá os 4735 milhões de prejuízo líquido.

01
Abr14

Frases Que Ficam

O meu olhar
"será que o deputado Duarte Marques considera mais grave a actuação do polícia ou dos ladrões? Será que o deputado Duarte Marques se atiça contra Constâncio por este ser do PS e nada diz sobre o facto dos responsáveis do caso de polícia em que se tornou o BPN serem todos do PSD?"
Nicolau Santos, Expresso, Abril de 2014

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