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Acho piada que quem quer dizer algo que possa parecer como estar a defender José Sócrates ou a contrariar muito do que por aí se escreve e diz tem que, previamente, declarar que não apoiou as suas políticas, que não gostava do estilo, que…
Também sou daqueles que criticavam Sócrates enquanto primeiro-ministro. É certo que não criticava tudo. No domínio da modernização administrativa, da educação, da ciência e tecnologia, do SNS e mesmo da Justiça desenvolveram-se políticas globalmente positivas e com resultados muito satisfatórios, ainda hoje sentidos. Onde as coisas correram mal, muito mal, foi nas famigeradas parcerias público-privadas. Escrevi aqui, no Incursões, sobre isso.
O que por aí se escreve e diz induz o cidadão comum a pensar como se Sócrates já tivesse sido julgado (pelos Tribunais) e dada a sentença de prisão e ele preso, a cumprir sentença final. Até jornais, chamados de referência, como o Público e o DN, inventam títulos de capa que inspiram tramoias e situações rocambolescas. Depois, quando se vai ler, constata-se o logro do título.
O mesmo se passa para com as pessoas que vão visitar o ex-primeiro-ministro. O mais cómodo para esses era não ir visitar José Sócrates. Não tinham que dar a cara, mostrar qualquer sentimento de alma. O facto dessas pessoas saírem da sua área de conforto para se deslocarem a um local pouco apetecido e irem encontrar-se com alguém que está a ser diariamente acossado, confesso, que merecem a minha simpatia, que deveriam merecer o respeito de todos.
Acredito que a situação de José Sócrates não é propícia a outorgar favores. Acredito que na vida se estabelecem relações pessoais de amizade e de estima que perduram para além de factos ou eventos menos felizes. Uma coisa é a manifestação sincera da amizade. Outra é a opinião sobre a acusação em curso. Depois, como se diz por aí, é nos momentos difíceis que se reconhecem os amigos.
Pelo que se escreve e ouve, parece que muitos, mesmo muitos, não só olham para Sócrates como se ele já tivesse sido julgado e condenado, como ainda rezingam porque há por aí alguém que ousa visitar José Sócrates.
Há dias Cavaco Silva comentava os efeitos sobre Portugal resultantes da prisão preventiva do ex-primeiro-ministro… Para nos tranquilizar, concluía que não vai afectar a imagem de Portugal. E parece que era verdade.
Pois bem, Cavaco Silva tem agora uma nova oportunidade para nos tranquilizar sobre o efeito das medidas tomadas pelo Governo na opção de partis o BES em Banco Bom e Benco Mau, porque;
Está-se mesmo a ver quem vai pagar…
Plagiando Pedro Paixão, hoje, neste país corrupto, o que nos une é o futebol e a vergonha.
A imaginação fica muito aquém da realidade
Nos últimos tempos tenho descurado bastante a minha assiduidade neste blog. Não que isso seja importante ou ponha em causa o mundo, os leitores e mesmo eu próprio. Todavia, alguma razão me assiste para esta prolongada ausência: as notícias, sempre elas, as NOTÍCIAS, repito em letra gorda, são tantas e tão extraordinárias que o um modesto cronista fica sem palavras e sem força para dar ao dedo.
Comecemos pois por uma já surrada pelo tempo: o Bloco, o inefável BE. Os leitores recordarão que há muito tempo que aquele bizarro ajuntamento dava de si. Pelo menos desde o tempo em que o euro-deputado Tavares se travou de razões com o “coordenador” Louçã. Tavares saiu, passou a roda livre e, como se previa, acabou por fundar mais um grupo de amigos. Louçã também saiu, sabe-se lá porquê, e agora aparece surpreendentemente independente a ditar para a acta opiniões que, convenhamos, não se distinguem do que já antes anunciava. Com uma diferença: agora pagam-lhe para as ter nos palcos da comunicação social.
Depois, uma senhora deputada entrou em ruptura. Tarde mas a tempo para, com mais outro grupo de amigos, começar a lançar o seu pequeno movimento. Manifesto, chama-se, presumivelmente em homenagem ao imortal documento de Marx e Engels. Porém é melhor não comparar: o “Manifesto...” dos dois barbudos era um monumento literário de alta qualidade e, simultaneamente, um documento prenhe de porvir e não é o facto, dramaticamente verdadeiro, de ter sido miseravelmente traído pelos que destruíram a IIª Internacional que o deslustra.
Entretanto, militantes anónimos, simpatizantes e outros compagnons de route escafediam-se sem alarido, fartos, desgostosos ou simplesmente incomodados pelo BE. Entrementes, pela voz do seu casalinho dirigente, o BE jactava-se de que, a cada saída, mais forte ficava e mais unido. Com tanta união chegou ao Congresso das votações irreconciliáveis. Para além da melancólica frouxidão das decisões aprovadas subsistia a unidade inexistente. “Que fazer?”, como diria o cavalheiro do Lena, Ulianov de seu vero nome? Pois recompor o órgão dirigente, desta feita a seis. Seis! Apre que isto é união à fartazana!... Semedo, prudentemente, recolheu ao seu posto de deputado. A senhora Martins, passou a porta voz de algo que não se sabe rigorosamente o que é.
(Passos, o resistente, o resiliente, o incompetente, esfrega as mãos de contente, no que certamente estará acompanhado por Jerónimo)
A segunda maravilha desta nossa fatal idade é o partido do senhor Marinho E Pinto. Desta feita, depois de ter descoberto os sete círculos do pecado no Parlamento Europeu que paga balúrdios para escândalo do bom povo português, eis que a criatura lança um partido. Outro!
Lembremos, de passagem, e para memória futura, que Pinto o indignado não levou a sua condenação do Parlamento Europeu ao ponto de prescindir dos avultados proventos que este entrega aos seus deputados.
Ao lado de Eurico Figueiredo (meu Deus, ao que chegou a geração da crise de 62!) ei-lo ufano a entregar as assinaturas dos que responderam ao seu apelo. Pinto vem salvar a pátria exausta num redobrar de sinos populista, demagógico da miséria disto tudo...
Deus nos proteja dele e das brotoejas...
O terceiro passo desta via dolorosa é a aventura do banqueiro que nunca foi dono disto tudo. Foi apenas, como agora se sabe, uma espécie de DDT que hoje é acusado de fazer mais mal que bem.
Eu não tive a dita de conhecer qualquer Espírito Santo, salvo o que, ainda infante e inocente, me foi revelado nas aulas de catequeses. Nunca conheci amigos do senhor (Minto: conheci e estimei –e de certo modo estimo – o dr. Soares que chama malandros aos membros do TCIC e louva as grandes qualidades do dr. Ricardo. Feitios!...). ou sequer amigos de amigos. Sou um provinciano, provincial, um paisano desamparado, uma espécie de cidadão desconhecido. É bem feito por ter este mau feitio e gastar o pouco que tenho em livros inúteis...
Entretanto, consta que o senhor banqueiro era pessoa muito esmoler e apoiava todos os políticos, todos os candidatos e não se coibia de fazer um desconto (hipótese simpática) à festa do Avante, ou de (hipótese antipática) doar o seu óbolo de 6.000 euros para aquela gloriosa jornada do proletariado.
Uma pessoa amiga disse-me enquanto almoçávamos num simpático restaurante que já “se tinha inscrito” para visitar o involuntário novo habitante de Évora. Fiquei banzado: com que então há entre os fieis do PS uma espécie de informal brigada destinada a confortar o injustiçado (Soares dixit) ex-governante. É bonito! E comovente! E, já agora, reparo que ninguém faz reparos nos seus “scritti sotto la forca”, salvo seja. Sócrates não é Fucik nem arrisca o mesmo (e, já agora, não está onde está pelas mesmas nobres causas e razões). As epístolas aos novos coríntios que de Évora nos chegam são dramaticamente pueris: pelos vistos, grassa no país, uma onda negra, que digo?, um tsunami de más intenções contra os inocentes e, sobretudo, contra ele.
Todavia, no dizer emocionado do dr Fernando Gomes, subitamente ressuscitado das mais que confortáveis trevas onde vivia a sua sinecura, ele está “animado e animoso”. A ex-esposa, afirma tê-lo encontrado profundamente filosófico, queira isso dizer o que quer que seja. Eis-nos perante uma nova “Consolatio Philosophiae” mesmo se não desejamos para Sócrates (o José) a mesma sorte de Boetius...
Entretanto um já quase desconhecido António Campos, medíocre ex-dirigente do PS, veio dizer que com a prisão de um ex-primeiro ministro foi lançada uma terrível bomba atómica contra a democracia. António Campos tem, como alguns outros cadáveres políticos, a desculpa da idade e foi aliás penoso ouvi-lo justificar a aberrante justificação. Todavia, era bom lembrar a este género de estouvadas criaturas que afirmações tão tremendas são contraproducentes e eventualmente prejudicam o preso preventivo. São bem piores do que os imbecis pedidos de habeas corpus que chegaram ao Supremo Tribunal. Agora, pelos vistos, qualquer tonto de atar pode para maior glória pessoal enviar o seu papelinho. E, pelos vistos, nem sempre, os seus propositores pagam as custas.
Deixemos, no entanto, este caso sui generis e recordemos a outra espantosa polémica dos vistos Gold.
Dão esses vistos a nacionalidade portuguesa aos cavalheiros que investem em Portugal, ou, tão somente, a licença de estadia e a possibilidade dos “visados” poderem viajar pelo espaço Schengen? É esta dadivosa acção algo de inédito nos países da União Europeia? Serão os cavalheiros chineses os maiores compradores de casas em Portugal ou estarão absolutamente ultrapassados pelos investidores ingleses e franceses como parece ocorrer numa escala gigantesca? Uma coisa é dar o tal visto, outra é receber luvas pelo facto, como reza da acusação. Pessoalmente não sinto que o país esteja mais à venda do que estava há três anos quando a presença de proprietários comunitários era já altamente significativa pelo menos no Algarve ou na linha de Cascais. Sem querer fazer processos de intenção cheira-me que o facto dos recentes compradores serem chineses e angolanos (ou, por outras palavras, de amarelos e pretos, como recorrentemente se ouve em todo o lado) tresanda a racismo e ressabiamento. É missa a que não vou mesmo se, em meu entender, a compra de casa não deva de per si preencher totalmente a ideia de investimento com direito a visto. As vendas de casas não enriquecem apenas os mediadores, sequer os proprietários mas também toda a fileira da construção civil que, é bom lembrar, é o ganha pão de dezenas (ou centenas) de milhares de humildes trabalhadores. Seria bom que os auto-intitulados defensores do proletariado pensassem nisto. Se é que pensam e, mais importante, se é que ainda defendem os proletários...
Não queria terminar este folhetim sem regressar ao inditoso banqueiro Espírito Santo: foi extraordinário ver alguém confessar que não passa de um desastrado profissional que é atingido por calamidades medonhas, piores que as sete pragas do Egipto. O senhor Salgado foi uma vítima incapaz de se defender da economia internacional, do colapso do BES Angola, da inépcia do Governo e do silêncio do BP, dos primos, tios e sobrinhos e do senhor sobrinho, um angolano que não deve ter qualquer familiaridade com os Espírito Santo mas que seguramente parece ser mais milagreiro do que o ex DDT.
Os debates quinzenais que o parlamento promove pouco ou nada acrescentam nem contribuem para esclarecer o que quer que seja.
Aquilo são só palavras previamente estudadas. Há perguntas de um lado e não respostas do outro. O primeiro ministro voa e aproveita a pergunta para dizer o que quer dizer e o que quer dizer são frases que possam dar lugar a manchetes ou citações pela comunicação social. O debate de hoje não escapou à regra.
Pedir ao primeiro ministro para explicar a sua teoria do mexilhão é dar-lhe asas para a demagogia, para poder sustentar melhor a mentira e até poder mostrar que a mentira é a sua verdade.
Á oposição bastaria confrontar o primeiro ministro, número a número, com o que Bagão Félix escreveu a propósito da visão que o primeiro ministro tentou passar sobre as condições de vida do mexilhão. É que Passos Coelho pode escolher as palavras que quiser para falar da vida da classe média que ele elegeu como mexilhão. O que ele não pode, se confrontado, é apresentar outros números contra os números que as estatísticas oficiais revelam.
A notícia nada diz sobre o papel do Governo e do BdP neste negócio.
A REN, a EDP, a FIDELIDADE, o BESI, vistos gold, o Governo tem na China a sua árvore das patacas. O mexilhão vai pagar tudo isto bem caro.
Mário Soares completa hoje 90 anos. Uma vida longa e plena. Oposicionista ao regime do Estado Novo, líder e fundador do Partido Socialista, primeiro-ministro por três vezes, Presidente da República durante 10 anos, vencedor de eleições para o Parlamento Europeu aos 74 anos e recandidato presidencial aos 80 anos.
Mário Soares nunca foi uma personalidade consensual, como nunca o são as personagens marcantes da história. A ruptura com a esquerda mais extremista, que permitiu a consolidação da democracia em Portugal nos anos de brasa de 74/75, e as repercussões à direita de um doloroso processo de descolonização contribuíram muito para que Soares gerasse uma oposição forte em determinados sectores.
O país, contudo, deve-lhe muito. A implantação e consolidação do regime democrático e a adesão à Europa tiveram na sua acção um contributo determinante. Mário Soares é, sem qualquer dúvida, um dos pais fundadores da nossa ainda jovem democracia.
Aos 90 anos, Soares mantém-se orgulhosamente fiel ao princípio de lutar e resistir às adversidades, mas, como bem lembrava Henrique Monteiro no “Expresso” da passada semana, o seu discurso inflamado de hoje e as palavras às vezes excessivas devem ser devidamente enquadradas e temperadas. Todos nós gostamos de uma forma especial dos amigos e familiares que atingem tão bonita idade.
Encontrei-me duas vezes com Mário Soares, nas campanhas eleitorais presidenciais vitoriosas, que apoiei convictamente. Na primeira campanha, integrei a pequena comitiva que o recebeu à entrada do município de Marco de Canaveses e daí seguimos para um comício bem sucedido em que também intervim. Recordo com saudade o abraço apertado e emocionado que me deu no final desse comício, quando as perspectivas de vitória eram ainda longínquas. Esta minha intervenção, quando era então um jovem militante da JSD, valeu-me, aliás, uma inconsequente ameaça de expulsão. Cinco anos depois, já livre de militâncias partidárias, voltei a conversar com Mário Soares num evento da sua campanha no Porto.
Lamentei a sua decisão de se candidatar novamente à presidência da República em 2006 e decidi, por isso, não corresponder ao convite para ser o seu mandatário concelhio em Marco de Canaveses. Já não era o tempo de Mário Soares, embora percebesse o que o fazia avançar. Não o apoiei, mas também não votei contra esta sua última investida.
Parabéns, caro Presidente Mário Soares!
O Ex-ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, escreveu um livro sobre a passagem no Governo. Pelo extracto que a Renascença mostra, o livro deveria estar (ou ter estado) no centro do comentário político. Encontrei a notícia por acaso.
Quem melhor que um ex-ministro, parceiro de Paulo Portas no conselho de Ministros, para nos revelar o papel, os objectivos, os interesses superiores que o então Ministro, agora Vice-primeiro ministro, verdadeiramente perfilha enquanto governante.
Escreve Álvaro Santos Pereira:
E, por fim, interroga: "Porque será?".
Eu também me interrogo, porque será que a comunicação social, em particular os comentadores das TVs, sempre tão atentos a esmiuçar estas coisas, não agarraram este manancial noticioso? Será que estão tocados pelo irrevogável Paulo Portas?
9H00
O programa Bom dia Portugal da RTP introduz o tema do IRS. Apresenta Paulo Núncio a falar do que o país precisa.
E do que é que o país precisa, segundo Paulo Núncio?
O país precisa de consensos alargados, o país precisa disto e daquilo, o país precisa de um PS com sentido de Estado, o país precisa de um PS com sentido de responsabilidade.
E do que é que o país não precisa, segundo Paulo Núncio?
O país não precisa de um PS que vira á esquerda e que se aproxima do radicalismo ideológico do PCP e do BE.
O tema era o IRS. Do PS ou de outros partidos ninguém teve direito à palavra.
9H12
A pivô anunciou que Pedro Passos Coelho está preocupado com as contas certas e que isso deveria ser partilhado por outros partidos. Logo apareceu o próprio. “podemos divergir em muitas coisas, achar que o Estado pode fazer mais assim ou assado, mas sem contas certas o que temos é mais impostos e sacrifícios, essa responsabilidade deveria ser hoje apartidária porque é uma questão de regime…
9H14
A pivô anuncia que Paulo Portas defende que PSD e CDS devem apresentar-se às próximas eleições com posições políticas moderadas, por causa da viragem à esquerda do Partido Socialista. Explicado isto, logo apareceu o próprio PP a confirmar que o PS guinou à esquerda…
9H40
Voltou o Paulo Núncio com a conversa sobre o que o país precisa e não precisa.
9H42
Ligação directa para o Alfeite. Pedro Passos Coelho discursa em directo do Alfeite.
A seguir, Luís Marques Guedes explica a complexidade da medida governamental que deu dois dias de tolerância de ponto, sob condição de ser autorizada pelas respectivas chefias. Sobre isto aparece Pires de Lima a dizer que desconhecia essa medida.
9H54
Volta Pedro Passos Coelho, em directo do Alfeite. Durante 4 – quatro – minutos discorre sobre a actualidade política - missão da marinha, feriados, tolerância de ponto, alianças eleitorais. E com Pedro Passos Coelho a RTP terminou, no que toca à política, o Bom Dia Portugal do Governo.