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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Uma pandemia dentro da pandemia maior…

JSC, 22.10.20

Mais logo, o EIXO DO MAL. Programa que costumo ver, umas vezes em directo, outras em diferido. A temática COVID (mais o folhetim Bloco/OE) tem dominado os últimos programas, como, provavelmente, vai entreter o desta noite.

O EIXO do Mal, com particular ênfase para as intervenções da Drª Clara, tem elogiado o comportamento das pessoas (apesar de ser as transportadoras do bicho) e arrasado o Ministério da Saúde e as conferências (que apelidam de “missas”), que promove diariamente, sendo particularmente visada a Directora da DGS.

Confesso que tenho uma grande admiração e apreço pela Senhora Directora da DGS, a quem devemos reconhecer a paciência infinita como responde às questões dos jornalistas; os conselhos concisos e precisos que incutem confiança e segurança apesar de toda a incerteza que advém desta pandemia em crescendo; a transparência e clareza na mensagem que faz passar.

No entanto, no falar do EIXO, para a Dr.ª Clara, a Directora da DGS (e já agora a Ministra) parece ser a responsável por trazer a pandemia para dentro de portas e por não conter a sua evolução. Seria bom que a Dr.ª Clara e seus companheiros de painel atentassem no que se passa no resto dos países. Vejamos, notícia de hoje, Bélgica, as unidades de cuidados intensivos já atingiram os níveis máximos de capacidade.   França, Rússia, Roménia, Ucrânia e República Checa também estão a aproximar-se de uma situação semelhante.

É caso para dizer que enquanto a Directora da DGS informa, esclarece, acompanha, incute confiança, enfim, está no terreno a dar a cara pela pandemia, outros, no conforto do estúdio, desconsideram a DGS, falam em descoordenação de serviços que desconhecem de todo, enaltecem o comportamento das pessoas para imputar culpas à DGS, dão palpites, fazem jus à maledicência…

É uma pandemia dentro da pandemia maior

Nós, os políticos, a justiça e a Europa

José Carlos Pereira, 22.10.20

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Dados recentes do Eurobarómetro, publicados no "Expresso", revelam que os portugueses se posicionam acima da média da União Europeia (UE) quando chamados a avaliar a satisfação com a democracia no seu país (61% em Portugal para uma média na UE de 56%), a confiança no Governo (46% para 34%), no Parlamento (39% para 34%), nos partidos políticos (22% para 19%) e no Parlamento Europeu (60% para 54%)

Estes números podem surpreender aqueles que estão permanentemente a depreciar os nossos agentes políticos. Quando se constata nesta sondagem que a percepção global dos portugueses sobre o sistema político e os seus protagonistas acaba por ser bem mais positiva do que na média dos países da UE, isso quererá dizer que, afinal, não temos os piores políticos do mundo, como às vezes o populismo muito presente nas redes sociais parece fazer crer.

Coisa diferente sucede quando é avaliada a justiça e a corrupção, domínios em que nos encontramos pior que a média da UE. A independência da justiça tem uma avaliação de 42% em Portugal para 54% na UE e a disseminação da corrupção é percepcionada por 94% dos inquiridos em Portugal e por 71% na UE. Justiça e corrupção são temas intimamente relacionados - quem administra a justiça tem o dever de perseguir e condenar em tempo útil os agentes de corrupção activa e passiva.

Enquanto órgão de soberania, os Tribunais têm somado descrédito com alguns dos casos mais recentes, que envolveram actos de corrupção no seio da própria magistratura. Também a forma como a investigação do Ministério Público tem decorrido em alguns processos mais mediáticos, arrastando-se penosamente no tempo sem que as acusações sejam produzidas, acaba por reforçar a ideia de que não é feita justiça em tempo útil, minando os alicerces do regime democrático.

Se na política e na governação há sempre caminho a percorrer visando o reforço da ética e do compromisso com o mandato conferido pelos eleitores, na justiça exige-se que os seus agentes sejam exemplo permanente de determinação, acção, rigor e imparcialidade no serviço ao país.

ME, 55 - Colégios, 0 (in Público)

JSC, 19.10.20

É mais que certo que ainda nos lembramos das diversas e folclóricas manifestações contra o Ministério da Educação devido às restrições impostas pelo Governo no financiamento dos chamados “contratos de associação”, mecanismo que serviu para transferir milhões de OE para os colégios privados durante anos e anos a fio.

Perdida a batalha política, a Associação dos Colégios Particulares transferiu a luta para os Tribunais. Sabemos agora, pelo Público, que “55 processos judiciais concluídos, 55 decisões favoráveis às posições do Ministério da Educação”. Ou seja, os Colégios perderam a guerra política e perderam a batalha judicial.

Suponhamos agora que a decisão judicial tinha sido desfavorável ao ME logo no primeiro desses processos. O que teria acontecido?

Provavelmente, alevantava-se um coro em redor dos Colégios, a pedir a queda do Ministro. Ora, como processo a processo as decisões foram sendo favoráveis ao ME fez-se silêncio, um silêncio cúmplice que o Público hoje quebrou e ainda bem.

EM NOME DOS DIREITOS E LIBERDADES INDIVUDUAIS...

JSC, 19.10.20

Do que ouço, do que leio, parece que vivemos num país à beira do caos, pior, à beira de uma terrível ditadura. Um jornalista (inteligente) pergunta, “a Constituição vai ser suspensa?” O Senhor Bastonário (omnipresente na rádio e na tv) insurge-se contra todas as medidas que surgem no SNS ou porque não estão bem articuladas ou porque não o ouviram ou porque não. Um Administrador Hospitalar anuncia a confusão nos hospitais que ele administra, o esgotamento, porque não foram tomadas as medidas (quais?) que a sua associação terá sugerido. E que dizer dos comentadores, dos fóruns, onde o modo como formulam as questões já induz a resposta, todos fazedores de opinião, que propagam em uníssono que nada está certo, nada esteve certo, que o que aí vem será muito pior, que, por omissão, tudo isto só sucede por estas bandas…

Entretanto, sem todos eles levarem isto em conta, o vírus continua a expandir-se, levado pelas pessoas, pelas famílias, pelos amigos, pelas festas particulares, pelos convívios. O vírus solta-se por aí e todos esses entendidos continuam a bater nas medidas, eles agora até sabem o que deveria ter sido feito em Março e criticam a DGS, a Ministra por não ter feito o que na altura, verdadeiramente, ninguém sabia o que fazer com grande certeza. Uma lástima.

Quanto a colocar o dedo onde dói, o comportamento solto das pessoas, que não levam a sério as medidas recomendadas pela OMS e pela DGS, quanto a isto nada de nada.  Porque é assim? Provavelmente, não devem querer chamar à atenção das pessoas para o cumprimento das regras mínimas de cidadania, para eles isso é uma coisa menor. Em alternativa, sabe-se agora e com grande ênfase, talvez pensem que o cumprimento dessas regras deve ficar ao critério de cada um, em nome das liberdades individuais. Ou seja, em nome dos direitos e liberdades individuais cada um é livre de infectar quem lhe aprouver.

Nota, não incluo nas medidas a tomar por cada cidadão o uso da aplicação de nome inglês de que tanto se fala. Quanto a isto entendo que cada pessoa deve fazer o que a sua consciência ditar. Concordo com o Senhor Bastonário quanto a não ser uma solução milagrosa, mas se contribuir para o SNS identificar eventuais infectados já cumprirá o objectivo.

au bonheur des dames 423

d'oliveira, 17.10.20

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Com o devido respeito

(recado a S.ª Ex.ª, o Sr. Primeiro Ministro)

mcr 17 de Outubro

 

V.ª Ex.ª, patrioticamente preocupado com a saúde e salvação dos Seus súbditos, entendeu por bem anunciar que, a partir de uma data muito próxima, todos os portugueses munidos de telemóvel deverão ter descarregado a aplicação contra o covid. Os contraventores serão multados, pesadamente multados, pelo polícia de giro mais próximo que verificar o incumprimento aleivoso da orientação ministerial (quem diz polícia diz guarda republicano, polícia municipal ou marítima. Excluem-se os cavalheiros do serviço de estrangeiros e fronteiras por se saber que têm a mão demasiado pesada que o diga o desgraçado ucraniano apanhado no aeroporto de Lisboa. E parece que a ASAE também não faz parte das forças telefónico-repressoras ora em causa).

Devo antes de mais, dizer que tenho cumprido na generalidade e sem discussão, as medidas normais e gerais anti-pandémicas. Lavo as mãos, uso máscara nos recintos públicos fechados, guardo a distancia dita “social” e mesma na rua se houver muita gente tenho o cuidado de defender as pessoas usando a máscara. Saio pouco (compra de alimentos, farmácia, jornal e um café na esplanada semi-deserta) e nos elevadores do prédio lá ponho a mordaça mesmo se viajar sozinho.

Uma vez por dia, à noite, aguento o noticiário e a consabida conferencia inútil de imprensa que, por junto, gira à volta de lugares comuns, narizes de cera e números que fora do contexto pouco ou nada esclarecem. Ouvi mesmo os pouco sofisticados devaneios da srª Ministra sobre a desnecessidade de recorrer aos privados, mesmo sabendo-se como se sabe que o SNS mobilizado contra o vírus, deixou de realizar milhões de tarefas e, eventualmente permitiu que cinco a sete mil cidadãos morressem a mais do que no ano passado. (E isto só até Julho e sem falar nos morto dos lares...)

Dir-se-á que o progresso atropela necessariamente algumas vítimas mas que, para além dessa comezinha consequência, o risonho futuro justifica tudo.

Eu, pobre de mim, professo a antiga ideia de que os fins nunca justificam os meios pelo que de há muito que não comungo das certezas ministeriais que, tem uma carga ideologia que, no limite lembram, salvo as devidas distâncias, a argumentação do falecido Pol Pot que também expurgou os males reais ou imaginários do Cambodja mandando ad patres um terço dos seus concidadãos.

A ideia de uma aplicação telefónica que conseguisse opor uma barreira clara e total ao avanço das infecções, em teoria até nem parece má. O problema está num ponto simples. Ainda não se verificou em nenhum país europeu um sucesso mesmo só de estima na utilização deste meio. Bem sei que na Europa, selvagem e pouco civilizada, a aplicação é voluntária e depende dos humores de cada um dos portadores de telemóvel.

Cá, pelos vistos, e daí a gritaria, será obrigatória. Daí estarem os cidadãos munidos de telemóvel à mercê de um cabo de esquadra que, por fas ou por nefas o mande parar e lhe inspecione o objecto. Bem me parece que a coisa é inconstitucional mas até que o TC o declare, muito boa gente será investigada e, no caso de não terem a aplicação, punida com multa e um eventual “safanão dado a tempo” (como bem dizia o dr. Salazar).

Eu que fui “safanado” em muitos e vários tempos, recuso-me a mais pauladas nos velhos e magros lombos. Daí entendi que lá terei de me divorciar do telemóvel que, aliás, uso pouco. Fora a CG que entende dar-me as suas ordens quando ando fora do redil, raras vezes a coisa toca e menos ainda a uso. É provável que alguma vez me fará falta, que eventualmente ficarei prejudicado por o não trazer mas entre isso e a obrigatoriedade da aplicação ao alcance de qualquer agente da ordem, não me resta grande escolha.

É provável que, se tal obrigação não se tornasse absoluta eu, com ajuda de alguém, fosse capaz de meter o diabo da aplicação. Mas obrigado, vou ali e já volto.

Apetecia-me dizer às excelentíssimas e reverendíssimas autoridades civis, militares religiosa e outras que podem meter o meu telemóvel onde muito bem lhes der gozo mas temo ser mal interpretado e como não estou para me defender dizendo que os meus opositores “descontextualizaram” as minhas palavras, nem sequer isso digo.

Passe V.ª S.ia muito bem e que o covid não lhe bata à porta pois, pelos vistos, agora começou a rondar os governantes. E se é verdade que os trumps e os bolsonaros saíram daquilo sem beliscadela evidente o mesmo pode não acontecer a outros. Bem anda o Sr. Presidente que dia sim, dia não, faz o testezinho. Se isso o consola, porque não?

 

Nota: num post recente referi que a expressão "torrãozinho de acúcar" constava da "Campanha Alegre" Nada disso, vem no volume "Notas contemporâneas" como, muito bem e educadamente, um leitor me lembrou. Já lhe respondi mas volto a agradecer-lhe o reparo e o bom gosto: ler Eça faz o covid parecer quase suportável. Se esse amabilíssimo leitor me der a direcção terei o maior gosto em lhe enviar um livrinho que, espero o fará sorrir.

A máscara e a StayWay Covid

José Carlos Pereira, 16.10.20
Os efeitos da pandemia provocada pela covid-19 agravam-se e não resta alternativa que não seja a implementação de novas medidas de convivência social. Não sendo um apaixonado pelo uso de máscara, que utilizava até aqui em espaços públicos fechados, reconheço que o seu uso ao ar livre em locais muito frequentados pode ajudar a travar a propagação da covid-19.

Já quanto à app StayAway Covid, que desde o início instalei no meu smartphone, confio plenamente no trabalho do INESC TEC, cujos projectos acompanho há muitos anos, bem como na confiabilidade e no potencial da aplicação. Aliás, acredito que muitos dos preocupados com a segurança e a privacidade da app, devem ter os seus smartphones com inúmeras aplicações de proveniência bem mais duvidosa...

au bonheur des dames 422

d'oliveira, 15.10.20

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“Ai Portugal é um torrãozinho de açúcar!” *

mcr, 15 de outubro

 

Coitados dos políticos que surfam temerariamente as ondas do nosso descontentamento. Eles, gloriosamente, de pé no mar bravio, enfim na rebentação, e eis que uma pobre palavra os atira de focinho para o poceirão (era assim que numa cada vez mais longínqua e difusa infância chamávamos cova que as ondas faziam e onde se perdia o pé. Fui pela palavra ao Houaiss mas nada. Às tantas era um termo muito próprio de Buarcos )

E agora quem foi o náufrago do português língua traiçoeira por excelência?

Pois o senhor Ministro Siza Vieira, homem cauteloso que raras vezes dá azo a zurzidela.

Numa qualquer sessão da Assembleia da República, questionado pelo rumor constante crescente da “corrupção”, S.ª Ex.ª terá dito, e cito, “colocar a corrupçãoo acima de alguns poderes estruturais é um sinal externo muito negativo”

Ou seja, o Ministro, apelou obliquamente para o patriotismo dos deputados avisando a Assembleia dos perigos do uso e abuso dos alarmes contra a corrupção. O estrangeiro, sempre atento, a tudo o que se passa no jardim à beira mar plantado, poderia recuar nas suas intenções de investimento...

Todavia, numa investigação do “Expresso” (Revista, pp 7 e 8) da passada semana lá aparecia, um quadro internacional onde a disseminação da corrupção atingi o valor espantoso de de 94% contra, por exemplo, 22% na finlandia. Ou seja, os cidadãos portugueses estão convictos que o país é um imenso pinhal da Azambuja. No mesmo artigo, referia-se, entre outros o caso da deputada Hortense Martins que se tinha abarbatado com duzentos e tal mil euros de fundos comunitários e que, oh surpresa divina!, continua sentadinha no areópago sem que ninguém lhe vá à mão e lhe peça delicadamente para ir dar uma volta ao bilhar grande.

O Ministro decerto não ignora que os tribunais estão cheios ou correm esse risco de processos contra políticos, magistrados, banqueiros do regime, de todos os regimes, aliás, enfim de que fora deste caldeirão de Pero Botelho aparent rari nantes in gurgite vasto para citar Virgílio, o poeta latino de que apareceu uma brilhante tradução. Por outras palavras, e traduzindo o latinório, no outro mar vasto– o da virtude, são raros os marinheiros que se deixam ver. O resto é como nas esquadras que vinham do Oriente: afundam-se nomes e reputações ao peso da muita canela obtida por meios pouco claros.

Eu só soube destas declarações ministeriais porque a CG se engasgava de riso ao ler um suelto no facebook . Como não frequento essa (e outras) rede tive de a ouvir. As declarações do ministro tinham suscitado uma onda de indignações e um comentário brejeiro mas esclarecedor. Alguém, dizia que “se os corruptos tivessem uma luz no cu, Portugal inteiro pareceria mais feérico que Las Vegas”.

Tirando o pequeno ponto escatológico, a criatura tinha montes de razão. O panorama é estarrecedor e ao cheiro dos fundos que hão de vir da UE as suspeitas avolumam-se quanto à ladroagem que se põe em guarda.

Ainda por cima, ninguém esquece que um presidente do Tribunal de Contas mal concluído o mandato foi irremediavelmente substituído por outro cavalheiro. Ora sucede que há uma longuíssima tradiçãoo, praticamente ininterrupta de renovar os mandatos neste Tribunal, sobretudo se, como se depreende das palvras do Presidente da República, do Primeiro Ministro e do alegado líder da Oposição, o substituído é digno de todos os louvores. Esclareça-se que o ex-presidente do TdC tinha durante vários mandatos ocupado um mais que honroso cargo numa instituição comunitária de cariz semelhante de onde saiu cumulado de honrarias.

A tese novíssima e sem apoio na constituição de que este mandato deverá ser único foi repentinamente mencionada pelos dois primeiros quando já todas as sirenes tocavam a rebate. O Sr Presidente disse mesmo que ele, constitucionalista, sempre fora pelo mandato único. Contudo, foi quando presidia (sem chama nem fulgor, nem herança visível) ao PPD que a constituição foi revista e nem uma palavra a favor dessa tese foi seguida. Mais: nessa mesma revisão a teoria ora em curso foi chumbada! Quanto ao líder da oposição a coisa parece clara. Depois de o informarem que o Presidente do TdC ia ser substituído, perguntaram-lhe se concordava com o futuro nomeado e ele aceitou. Todavia, em entrevista acrescentou que “por ele se manteria o antigo”... Portanto, até na chamada do seu nome, houve um pequeno entorse à verdade plena. Ninguém, pelos vistos, lhe deu a escolher o nome mas apenas o consultaram sobre o que já estava nomeado.

Voltemos, porém, ao Ministro Siza Vieira. Nada tenho contra ele, bem pelo contrário. da minha preguiça, perdi de vista. Portanto, repito, é com alguma perplexidade que em vez de ouvir uma dura condenação da corrupção e um claríssimo anúncio de que os seus dias estariam contados (pelo menos no que respeita ao Ministério da Economia e enquanto ele conseguisse continuar a ser monistro...) eis que o governante se dá ao luxo de prevenir as raras vozes que no deserto parlamentar clamam sobre os males de tal escarcéu! “Não façam ondas que os estrangeiros assim não investem”. E é mau para a reputação do país!... O dr. Siza Vieira que certamente lamenta a corrupção endémica que grassa no seu país, aflige-se com a reacção dos investidores, provavelmente os cavalheiros chineses, que poderão ficar desmotivados...

Em segundo lugar, o dr. Siza Vieira parece ignorar que esta calamidade pública é pública e notória e dela se fazem constantemente eco relatórios internacionais. Ou seja, poucos ignoram que, em Portugal, há sempre uma multidão de mãos ávidas que esperam comprador mesmo barato para exercerem as suas influências no descaminho das despesas públicas.

Será o dr. Siza Vieira assim tão ingénuo ou pretenderá apenas calar as vozes dissonantes que contrariam a tese da melhoria da ética pública?

Recomendaria a leitura sempre excelente de Eça de que ele decerto ouviu ofalar nos seus anos de escola secundária. Bem sei que as leituras obrigatórias suscitam um profundo e duradouro horror à grande maioria das vítimas inocentes e jovens do eduquês que cá se pratica com alto grau de malignidade mas convido-o a esse “patriótico” esforço para perceber que o patrioteirismo do seu apelo é malsão e, sobretudo, ridículo.  

* o título é retirado de "Uma campanha alegre"

 

 

 

 

au bonheur des dames 421

d'oliveira, 08.10.20

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A metade do céu?

Talvez mais...

mcr, 8 de Outubro 2020

 

 

Mao Ze Dong que, no meu tempo de descuidosa juventude, ainda se chamava Mao Tse Tung terá dito alguma vez que “as mulheres são metade do céu”. Se o disse ou não é irrelevante, tanto mais que ele nunca se mostrou particularmente favorável à gens feminina, o que, aliás, está dentro da tradição comunista (basta ver o lugar reservado às mulheres no que toca à acção política ou ao desempenho de cargos. Das soviéticas Clara Zetkin ou Inessa Armand escasseiam provas que tivessem – como prometiam – sido decisivas. A alemã Rosa Luxemburgo morreu cedo ainda que deixando uma obra teórica de fôlego mas repudiada pela “inteligentsia” oficial do Komintern. Restaria Dolores Ibarruri, “la Pasionaria”, emblema da revolução espanhola e stalinista convicta. Dela não há memória teórica que valha apesar de algumas fórmulas que fizeram fortuna mesmo que não tenham tido êxito: no pasarán!; mas vale morir de pié que vivir de rodillas...).

Todavia, a História (com H grande) é atravessada subterraneamente por vultos femininos imorredouros, de escritoras e artistas, de intelectuais de enorme influência e mesmo de políticas que marcaram o seu século, desde Maria Teresa a Catarina a Grande ou as primeiras Isabel, a inglesa e a Católica.

A História é feita, porém, por quem a escreve e houve que chegar ao século XX para, independentemente de feminismos mais barulhentos que eficazes, se começar a desenhar com vivacidade uma outra cartografia da “metade do céu”.

Aproveito, portanto, a boleia da última capa da “revista” do Expresso que destaca Elvira Fortunato (já aqui citada pro mais de uma vez!) para festejar, desde já, dois Nobel a Química, um a Física e duas mulheres que, além de alemãs e europeias (cela va de soi) são duas extraordinárias impulsoras das melhores e mais abertas políticas que nos dizem respeito. Refiro-me obviamente, a Angela Merkel (várias vezes aqui citada) e a Ursula von der Leyen, ctual Presidente da Comissão.

De Merkel já referi, mesmo quando isso era politicamente incorrecto, algumas decisões que não só dignificaram a Alemanha mas sobretudo a Europa, pelo exemplo e pela oportunidade. Bastaria lembrar o acolhimento de um milhão de refugiados para perceber a diferença que faz desta Chanceler, uma estadista numa época em que isso é mais raro do que nunca.

De Ursula von der Leyer que foi recebida com frieza e desconfiança também já não é preciso falar. Em menos de um ano, esta aristocrata e médica, mãe de sete filhos (e ainda por cima uma bonita mulher!) calou todas as críticas, aliás injustas e todas as desconfianças imerecidas. Se o seu program se cumprir a 50% já teremos dado um salto quantitativo e qualitativo digno de menção em todos os manuais de História.Há minutos, recebi via mail uma comunicação da “wook” que me informa da atribuiçãoo do Novel de Literatura à americana Louise Gluck. É a 16ª mulher a receber esta distinção, o que mostra à evidência quão forte é presença de homens neste campo.

Não a conheço, sequer de nome, sei que há um poema dela traduzido (rapinei-o e vai no fundo desta página) e que tem 77 anos. Quase a minha idade! Borges, esse gigantesco autor que a Academia sueca preteriu sempre por razões incompreensíveis, absurdas ou meramente ideológicas, disse uma vez quando o prémio recaiu sobre um autor mais novo um ou dois anos do que ele: ainda bem que se lembraram da juventude!”.

Parafraseando-o, com diversa intenção, direi que ainda bem que se lembraram de uma velha senhora nova-iorquina, ou seja vinda de uma elite cultural americana obnubilada pela sombra infamante do trumpismo e dos seus sequazes analfabetos.

Deixo-vos com o poema Circe de Louise Gluck. A tarde tornou-se gloriosa e o ar outonal mais transparente

 

Nunca transformei ninguém em porco.
Algumas pessoas são porcos; faço-os
parecerem-se a porcos.

Estou farta do vosso mundo
que permite que o exterior disfarce o interior.

Os teus homens não eram maus;
uma vida indisciplinada
fez-lhes isso. Como porcos,

sob o meu cuidado
e das minhas ajudantes,
tornaram-se mais dóceis.

Depois reverti o encanto,
mostrando-te a minha boa vontade
e o meu poder. Eu vi

que poderíamos ser aqui felizes,
como o são os homens e as mulheres
de exigências simples. Ao mesmo tempo,

previ a tua partida,
os teus homens, com a minha ajuda, sujeitando
o mar ruidoso e sobressaltado. Pensas

que algumas lágrimas me perturbam? Meu amigo,
toda a feiticeira tem
um coração pragmático; ninguém

vê o essencial que não possa
enfrentar os limites. Se apenas te quisesse ter
podia ter-te aprisionado.

 

a vinheta: o "casal primordial" dogon, versão sentado (bronze). De todo o modo sempre são 71 centómetros. O povo dogon não é o único a recorrer a esta associação homem mulher em igualdade de circunstâncias, posição e dignidade. Todavia, é o de maior nomeada.

 

estes dias que passam 492

d'oliveira, 05.10.20

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Se algum Deus existisse...

mcr 5 de Outubro

 

Bolsonaro e Trump teriam rido o mesmo destino de dezenas ou centenas de milhares de outros infectados pelo vírus. Vá lá escapariam à vala comum mas da certidãozinha de óbito não escapavam.

Eles menos rezaram a pandemia e, pior, menosprezaram os afectados. E desqualificaram aberta e despudoradamente todos quantos alertavam para os perigos evidentes do covid.

Só que eles não são meros cidadãos dos respectivos países: são presidentes, eleitos provavelmente por muitos dos que morreram (ave Cesar morituri...).

E por serem presidentes, mesmo desdenhosos e incapazes de pensar nos seus desgraçados súbditos, tiveram direito ao mais refinados tratamentos, aos cuidados mais extremos, à inovação mais moderna.

É bom que se diga que qualquer destas duas desprezíveis criaturas terá gasto ou irá gastae (em tratamentos de ponta) ao Estado somas centenas ou milhares de vezes superiores às alocadas aos cidadãos normais.

E por isso escapam e sobrevivem. Para gáudio dos seus descerebrados apoiantes, muitos dos quais irão inexoravelmente morrer com o vírus e sobretudo porque no seu entusiasmo cego e fanático não se protegem minimamente.

Eu, como terão eventualmente reparado, desta gentuça falo pouco, questão de não sujar metaforicamente os pobres dedos que lá vão teclando estas palavras.

Por outro lado, como num imortal romance de ficção científica (“os marcianos divertem-se”, Frederic Brown, colecção Argonauta, Livros do Brasil, circa 1955/60), tento apaga-los da realidade concreta e com isso condená-los à não existência. Vê-se, porém, que a ficção científica é apenas isso, ficção, e há que aguentar com estas pragas presidenciais que não estão sozinhas, basta lembrar a Venezuela, a Nicarágua, a Coreia do Norte inter alia...

Os noticiários afirmam que Trump terá alta hoje. Claro que é uma “alta” política e, já se conhecem reacções contra de médicos que o acompanharam.

A pandemia pode fazer com que esta prodígio do analfabetismo político, este naufrágio da dignidade política, seja derrotado justamente pelo que ele destemperadamente escarneceu e negou. Todavia nem isso é certo qi a memória dos homens é curt, a cegueira fanática gigantesca e as ajudas externas (russas, por exemplo) podem desvirtuar uma eleição nestes tempos tumultuosos.

Bem que vimos mulheres, muitas mulheres, votarem num tipo que as despreza, as apalpa, as rebaixa. É extraordinário que no país que inventou o # me too #, que persegue com exagerada violência alegados predadores sexuais, existam tantas mulheres que apoiem a criatura. Pelos vistos o #me too# só funciona entre elites artísticas, vagamente de esquerda que, até à data, tem sido impotentes para conter o tsunami infamante e anti cultural do trumpismo. Hollywood fica seguramente noutro planeta que não nos Estados Unidos ou mesmo na Terra.

Á luz desta sinistra realidade, não me admira que um homenzinho professor de Direito, catedrático e tudo, compare o feminismo ao nazismo e o diga alto e bom som e o escreva nuns papeluchos que, felizmente, só são lidos nos soturnos gabinetes universitários.

Apenas refiro esta obscena realidade portuguesa porque, pelos vistos, há cavalheiros que até no Tribunal se safam de acusações de sexismo virulento.

Trump vai, pois, para casa mesmo se essa casa (branca) esteja pejada de infectados como parece ser o caso. Todos, claro, terão os melhores tratamentos e é duvidoso que partilhem a sorte dos milhares que apenas partilham com eles uma vaga cidadania americana.

Eu não tenho deus (nem mestre) mas com certeza absoluta, não partilho o que nas notas de dólar aparece citado (in God we trust). Não, nesse deus que vê isto com indiferença e com isso vai conseguindo tornar muita gente indiferente

na vinheta: a nota citada

 

 

 

diário político 229

d'oliveira, 02.10.20

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La Cina é vicina

d’Oliveira fecit Outubro de 2020

 

 

Causou natural burburinho a entrevista do sr. George E Glass, actual embaixador americano em Portugal. Nos meios diplomáticos usuais não é normal, longe disso, uma linguagem tão brutal quanto a que foi usada pela criatura.

Em boa verdade, o sr Glass não é um diplomata de carreira, antes um embaixador vagamente político eventualmente nomeado por ter sido um apoiante financeiro da campanha de Trump. Para países como Portugal, há muito o hábito de enviar este tipo de personagens como agradecimento dos seus anteriores préstimos.

É duvidoso que este embaixador saiba qualquer coisa sobre o país para além do que eventualmente terá aprendido nos últimos anos. Será por isso que a entrevista que concedeu foi tão divulgada e comentada. Ele disse em termos crus e pouco elegantes o que provavelmente um membro da carreira diplomática americana sugeriria sempre entre vénias e mesuras.

Convenhamos: a importância de Portugal no quadro da campanha anti Huawei é diminuta e pouco risca. E risca ainda menos quando se sabe que, num caso destes, a questão do 5 G, o governo português acolher-se-á sempre ao guarda chuva da U E.

Todavia, o homenzinho lá veio com o seu discurso vagamente ameaçador e isso incendiou as opiniões. Eu, mesmo, fiquei profundamente irritado pela desfaçatez mesmo se compreenda o fundo da questão em que Portugal é um parceiro menor, entre os menores.

O sr Ministro dos Negócios Estrangeiros já respondeu e o sr Presidente da República não se coibiu de vir dizer que Portugal é um parceiro económico da China há 500 anos.

Não é exactamente assim, Sª Ex.ª que me desculpe o arrojo. É verdade que portugueses dispersos e em ordem dispersa, por sua livre iniciativa aportaram à China a partir eventualmente de 1540 e tentaram fazer negocio com as populações locais. Em boa verdade, basta ler atentamente o “Tratado das cousas da China” de fr. Gaspar da Cruz para se perceber como esta relação comercial se ergueu, de quando em quando, por períodos limitados e iniciativa privada. E de como o comércio era substituído pela pilhagem quando os portugueses se sentiam seguros. Há, aliás, e da mesma época, cartas de cativos portugueses em que se expõe em toda a sua crueza este género singular de relações que, de resto, eram idênticas às das relações fortuitas que se estabeleciam com outros povos da região.

Por outro lado, a pequenez lusitana nunca suscitou uma ampla corrente de trocas comerciais com a China, E o exemplo de Macau nada tem a ver com isso nem nunca os chineses enquanto Estado lhe deram especial importância.

De todo o modo, deve-se a portugueses alguns dos primeiros documentos sobre a China e o Tibete e esses textos estão publicados entre nós mesmo hoje em dia.

Eu não faço a mínima ideia quanto ao perigo da espionagem chinesa via Huawei. Estou, porém, predisposto a aceitar que num país totalitário todos os seus agentes económicos devam forte obediência ao Estado e, no caso em apreço, ao Partido que o controla ferreamente.

Esta é uma das enormes diferenças entre o “Oriente” e o Ocidente tal qual o vemos e habitamos. Por cá, a grandes empresas dão-se ao luxo de não acatar as orientações do Estado. Bastaria lembrar um exemplo caricato. Quando os Estados Unidos boicotaram os jogos olímpicos de Moscovo, uma empresa americana, a Coca-Cola subsidiou a representação portuguesa. O Secretário de Estado da altura , e meu amigo, Joaquim Barros de Sousa contava divertidíssimo a conversa com um representante da empresa que, inquirido sobre a proibição americana lhe terá dito mais ou menos o seguinte: o Governos dos E U A é o governo dos E U A e a Coca-cola é a Coca-Cola, ponto final, parágrafo.

Como é evidente, ninguém está sequer a imaginar um dirigente da Huawei a dizer algo de remotamente semelhante sobre as relações da empresa com o governo chinês.

Aceito, até, que não é de todo improvável que o “patriotismo” da Huawei a leve a comunicar ao Governo algo que este peça (ou imponha). Não tenho qualquer prova disto como não tenho qualquer prova de mil e uma coisas que se passam ou passaram na China pelo menos desde que o poder passou para as mãos do PCC.

A China nunca foi algo de totalmente transparente para o Ocidente. Sempre se lhe associou uma farta dose de mistério e exotismo desde o “Milhão” de Marco Polo, esse livro que incendiou as imaginações de todos os europeus e que ainda hoje é lido fervorosamente.

Curiosamente, os nossos exploradores na China contraditaram por várias vezes a descrição maravilhosa de Polo mesmo tendo em conta que chegaram lá mais de dois séculos depois. Todavia, as descrições, algo têm em comum, desde a imensidão da terra, a administração eficiente do território, a disciplina dos súbditos do imperador e a opacidade da governação.

Quando Mao tomou as rédeas da China (e digo Mao propositadamente e não o PCC de que ele dispôs e moldou várias vezes, eliminando companheiros de sempre com um grande à vontade) o segredo e o mistério não só não desapareceram mas tornaram-se até um modo de funcionamento do Estado. A China esteve sempre fechada ao estrangeiro, União Soviética incluída que, no máximo foi tolerada enquanto foi necessário, e as variadíssimas reportagens sobre a China “nova” foram sempre fundadas no conhecimento imperfeito da língua, na vigilância constante dos visitantes que nunca conseguiram pôr pé em ramo verde e na absoluta perseguição dos mínimos desvios internos.

Ainda hoje, se desconhece exactamente o número de vítimas do Grande Salto em Frente e mais ainda da Grande Revolução Cultural e Proletária. Aliás, nem sequer se tem uma noção rigorosa do número de vítimas da “Longa Marcha”, da Guerra Civil as mais das vezes travestida em guerra patriótica contra os japoneses , mesmo se uma forte percentagem dos confrontos fosse com as forças de Chiang Kai Chek e do Kuominang.

(aliás também ninguém conseguiu saber quem era o homem que na praça Tien An Men desafiou uma e outra vez os tanques da repressão. É caso para dizer que aquela longa tradição de segredo e mistério tem de longe em longe algum efeito positivo)

A China (a República Popular da China) é uma potência mais que emergente. É a 2ª ou 3ª maior economia mundial e dá passos gigantes para tentar ultrapassar os EUA A sua política comercial agressiva, o facto de ela ser pensada estrategicamente desde Pequim, a “nova rota da seda”, a cooperação inteligente com umas dezenas de países pobres que não obtém investimentos idênticos nas antigas metrópoles ou nos EUA, tornam a América de Trump e do embaixador Glass, num adversário semi vencido sobretudo porque o actual inquilino da Casa Branca ainda é mais isolacionista que qualquer dos anteriores presidentes isolacionistas americanos. E mais ignorante, infinitamente mais ignorante. Trump olha para os seus eleitores mas escapa-lhe a América e o slogan make america greta again leva-o a desprezar aliados antigos e seguros (incluindo o Reino Unido!...)Mais um mandato de Trump e a China terá vencido a corrida.

Com Huawei ou sem ela. Com o porto de Sines ou sem ele. Apesar da pesada impertinência de Glass, um industrial caído na diplomacia sem qualquer espécie de preparação e sem conhecer sequer o mundo, já nem falo de Portugal.

       Trump, basta ver como se veste, como se penteia, imaginar como consegue viver naquela horrenda casa de Nova Porque, cheia de dourados esdrúxulos, usando uma sub-língua de retardado mental e uma sintaxe que arrepela o mais tolerante, mesmo quando pões o dedo na ferida, consegue, como um elefante numa sala cheia de bibelots, causar um destroço espantoso.

Que esta criatura esteja a disputar a reeleição é algo que tira o juízo a qualquer um. Que haja, por aí, uns tolinhos que sustentem a teses que entre um e outro dos candidatos venha o diabo e escolha, é algo que me assusta. Joe Biden já não é novo mas tem uma longa biografia de homem decente, cumpriu honrosamente toda uma série de mandatos como senador, foi o nº 2 de Barak Obama e é conhecido pelas suas posições moderadas e pela defesa dos direitos das minorias a quem deve a nomeação como candidato. Conhece bem o mundo pois dirigiu a influente comissão de Política Externa. Tem uma preparação académica de qualidade tendo obtido o grau de “júris doctor” na Universidade. Poderá não vir a ser um grande presidente mas será sem qualquer dúvida um presidente muito aceitável quer interna quer externamente.

Infelizmente nós não podemos votar ao contrário de uma série de grunhos ultra racistas, bisonhos, ignorantes, sexistas e religiosamente fanáticos. E é nesse campo onde a eleição também se joga. Que Deus abençoe a América e lhe inspire algum bom senso, exactamente o que falta a muito híper crítico de cá.

Na vinheta: um fotograma de “la Cina é vicina” filme de Marco Bellochio (1967) e que marcou muito alguma malta da minha geração. Prefiro-o a “La Chinoise” de Godard, mesmo ano, mas claramente mais confuso. De todo o modo, ambos prefiguram algo que irá rebentar no ano seguinte e que, obviamente ainda é um marco absoluto cinquenta anos depois.

 

 

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