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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 617

d'oliveira, 21.12.21

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Também eu!

mcr, natalício, aos 21 de Dezembro, num dia de sol

 

Os  leitores merecem uma explicação para este título. Ela remonta aos meus anos de Coimbra (ou antes já nem sei: em Coimbra o peso da tradição varava os anos e, as histórias passavam de geração em geração e situações havia que com a aparência de recentes, tinham já barbas, e grisalhas!...) e era assim: A Legião Portuguesa (uma caricatura triste e pobre das tropas de elite do partido nazi) inaugurou  um quartel na zona da Alta, próximo da Sé Velha. E, já que a ocasião era de festa, juntou-lhe um letreiro fanfarrão: “Aqui não mora o medo”. A dois passos, os habitantes da República “Prá-kis-tão”  entenderam responder: “Aqui também não!”

Ora eu, por muito pouco coimbrinha que pretenda ser  não consigo despir  à pele do jovem estudante estúrdio que fui e à vista da proclamação do sr. Manuel Pinho  “Fiz mal em entrar para o Governo. Perdi uma fortuna incalculável!” respondo com uma confissão: fiz mal em não entrar para os circuitos do podr: perdi, eventualmente, outra fortuna, não sei se incalculável  mas seguramente uma fortuninha, vá lá um pé de meia, umas economiazinhas para a velhice.

Feito tonto, não quis ser deputado, chefe de gabinete, o que me impediu de, mais tarde, poder aspirar a euro-deputado,  Um excelente amigo, também dos tempos de estudante, bem que me disse: olha que sem andar a fazer falcatruas com os quilómetros nem vida monástica, aquilo  permite amealhar uma soma mais que decente para os dias da velhice “E confidenciou-me que ao fim de uma legislatura tinha já uns cacauzinhos simpáticos, muito simpáticos até, acrescento eu, invejoso.

Eu tinha a vaga ideia de que Manuel Pinho não era exactamente uma luminária, uma “cabeça” como se confidenciava. À luz da sua tonitruante declaração, começo mesmo a pensar que a criatura afinal era mais para o género de fazer “corninhos” a um adversário do que o esmagar pela inteligência, discernimento, bom senso, seja o que for.

A declaração, aliás presunçosa, permite várias ilações:  Primeiro que os 15.000 euros de mesada do BES ou similar, eram tão só uma fraca compensação pelo que perdera durante esses quatro anos de governação .

Depois que sem a chatice do Governo (mesmo com a gorjeta já referida) ele Pinho teria hipótese de fazer uns milhões, tudo dependendo do que o homenzinho acha incalculável .

Pior: a coisa até parece uma justificação para sacudir a lama do capote já sujo pela prova do recebimento daquele óbolo, sem falar de outros eventualmente albergados na tal “tartaruga” cuja carapaça devia ser de oiro puro.

Esta gente, e aqui está mais um ponto de comparação com o prófugo Rendeiro, é, ainda por cima, arrogante e trata-nos, a nós paisanos que nunca conseguiram sair duma modesta cepa torta, como parvos. 

É claro, que, eventualmente, alguém, alguma instituição benévola, um grupo de amigos generosos há de aparecer para pagar a bagatela de seis milhões que o malvado juiz lhe pede. E, já agora, mesmo sem querer defender este último, é bom lembrar que o igualmente tenebroso Ministério Público, exigia dez milhardas, quase o dobro. E, das duas uma: ou o MP não passa duma desmiolada seita de doidos furiosos, que desconhece o valor do dinheiro, ou então tem conhecimento das reais posses do agora preso no domicílio que, pelos vistos, é da sogra...

 

Eu sei que a época é para a bondade, para o perdão, para a boa vontade, jingle bells, jingle bells all teh way,  O Tanenbaum, e outras cantorias piedosamente entusiásticas. Mas a desfaçatez é demasiada, desavergonhada e não merece que a deixemos no esquecimento.

Não haverá um pai natal às avessas que leve daqui no saco vazia das prendas este tipo de criaturas lá para os confins do polo norte ou sul como melhor lhe pareça?

Acho que nem as renas refilariam com a carga...

Eu teria posto uma árvore de Natal não fora existir este esp´cime também vegetal chamado arvore da pataca (ou das patacas?) nome apropriado aos cavalheiros de indústria que infectam o torrãozinho de açúcar.

estes dias que passam 616

d'oliveira, 20.12.21

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Ah, o cigarrinho…

mcr, 20-12-21

 

 

Há um divertido texto de Tchekov sobre  “os malefícios do Tabaco” cuja leitura recomendo vivamente.

Todavia, agora, não é de diversão que falo mas de estupidez supina e criminosa.

Então não é verdade que o incêndio na ala de pneumologia do Hospital de S João foi provocado por um doente que, estando a receber oxigénio, entendeu puxar de um cigarro e, obviamente, acendê-lo?

Claro que a explosão terá sido medonha, que há varias pessoas em estado grave, que boa parte do piso onde os serviços estavam instalados sofreu danos importantes, que, por isso, o HDJ verá a sua eficácia, neste capítulo, diminuída.

Desta feita não vale a pena atirar as culpas para o Hospital, os seus serviços ou a sua Dirrecção. É que  oacto em si é tão for a do comum, tão imbecil, tão improvável que seria preciso um milagre para o evitar.

Suponho que o atrevido fumador seja a vítima mortal anunciada. Por muito caridoso que deva ser nesta quadra nãoconsigo pensar que a morte da criatura não seja um justo castigo não só por (sofrendo de alguma doença respiratória) persistir em fumar mas sobretudo porn um local onde era suposto melhorar o estado miserável dos seus pulmões se teratrevido a acender o cigarro. Já nem sequer me refiro à ignorância crassa do eventual morto que exceed os limites do imaginável. 

Apenas record que, e justamente, nos próximos dez quinze dias, haverá no país um número considerável de acidentes na Estrada provocados por excesso de velocidade, excesso de álcool, de parlenga ao telemóvel e por aí fora. 

Que os prevaricadores sofram as consequências da sua absoluta imprevidência não me incomoda especialmente. Porém nestes acidentes há sempre terceiros vítimas da má condução e da imprudência dos primeiros e isso acaba por tornar ainda mais indesculpável a falta de cuidado (de redobrados cuidados numa época como esta, com normalmente mau tempo, chuva circulação mais intense e perigosa) que terá ,como quase inevitável resultado, o acidente. 

 

Este ano, não me arriscarei a viajar nesta quadra. Por razões várias antecipei a visita natalícia à família mais chegada pelo que o popó ficará na manjedoura sem menino, pais, pastores, reis magos e outas personagens dessa milenar história. Ficará tranquilo e sobretudo não perigoso nem aà mercê de alguém distraído mais do que a conta.

O mesmo não se poderá dizer das vítimas directas do fumador inveterado e as indirectas, as que não poderão aceder aos serviços entretanto encerrados para reparação urgente.

 

 

estes dias que passam 615

d'oliveira, 19.12.21

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Aumentar a população, um imperativo nacional. Por quaisquer meios?

mcr, 19-12-21

 

 

Há diversas maneiras de tenta inverter a quebra da natalidade, o declínio populacional e o envelhecimento da população. pátria.

Agora, junta-se ao tradicional cardápio de incentivos à natalidade, apoios aos casais jovens, e protuecção especial às crianças, um outro meio: dar a nacionalidade portuguesa a cidadãos de origem ou religião judaica desde que

  1. provem sem quaisquer dúvidas ter ascendência portuguesa ( portuguesa e não sefardita como erradamente se diz. Os sefardies podem também ser oriundos de Espanha)
  2. na falta disso terem dinheiro que chegue para ajudar as comunidades judaicas locais que com grande escrúpulo (como não?) se encarregarão de provar sem quaisquer dúvidas que os candidatos tem uma indubit´vel origem ortuguesa que remonta, no mínimo ao reinado de D Manuel.

O jornal “Público” dedica 4 (quatro!!!) páginas ao recentíssimo naturalizado português, um cavalheiro chamado Roman Abramovitch que além de milionário escapado da Rússia, é o proprietário do clube de futebol Chelsea.

Por razões que desconheço, o Reino Unido, não lhe renovou o “visto” de residência. Longe de mim suspeitar que este cavalheiro, cujas ligações a Putin são conhecidas, será “persona non grata” no país onde possui um clube além de, eventualmente, numerosos investimentos.

O que a mim e, pelos vistos, ao jornal, causa estranheza, é a alegada origem sefardita e, mais do que isso, sefardita portuguesa.

Afirma o jornal que, para lá dos avós da personagem, se desconhecem  outros a antepassados. Nada no seu nome indicia alguma ligação a Portugal. Nem sequer a região onde terão nsscido esses ancestros (Rússia e Ucrânia). Sabe-se que judeus de origem portuguesa terão ido, depois da expulsão, para alguns países europeus, especialmente a Holanda e Veneza, para o norte de África, Marrocos, para o Império turco, actual Turquia e Salónica, cuja comunidade judaica de origem portuguesa foi miseravelmente abandonada por Salazar, durante a 2ª Guerra e, por isso, extinta. Tem-se notícia, bem posterior de comunidades sefarditas portuguesas nas Américas, incluindo os Estados Unidos.

Da Rússia e países limítrofes antes anexados é que não há notícia alguma, pelo menos fidedigna.

Pior se, para trás dos avós, não há praticamente nada que o indique (que diabo sempre serão três séculos de vazio!) como é que a comunidade judaica do, Porto, um seu investigador, que terá postado na Wikipédia mis de 18 anotações sobre Abramovitch, conseguem a proeza de o considerar oriundo de Portugal é que me surpreende.

Aliás, a famosa lei de reconhecimento da nacionalidade portuguesa a judeus sefarditas (de resto copiada da espanhola) mereceria algum estudo e atenção.

Portugal, como todos os países europeus (e mais modernamente, muito mais modernamente, vários países árabes ou de religião muçulmana perseguiram os “filhos de Israel”. No caso europeus, não foram apenas os judeus sefarditas (ou seja de Sefarad, península ibérica) mas também os judeus asquenaze (a quem se atribui uma origem europeia proveniente da conversão de um ou mais povos à religião hebraica) queforam vítimas de perseguições de toda a ordem.

Os leitores  de Walter Scott, mormente de “Ivanhoe” recordarão a judia “inglesa” e a sua família perseguidos por mor da religião. Aliás, se em Portugal a Inquisição se notabilizou por perseguir “cristãos novos” que “judaizavam”, deve dizer-se que estes não foram as suas únicas vítimas.

E, já agora, conviria dizer que ao lado de tremendos progroms sobretudo na europa de Leste, Portugal nem sequer foi dos países mais agressivos. Já aqui lembrei que no famoso massacre de Lisboa, não só a uns canalhas nacionais exaltados por uns padres fanáticos, se juntaram outros e muitos malfeitores de várias nacionalidade que por cá estavam quase sempre na qualidade de embarcadiços ou tripulações de barcos mercantes. E sabe-se (com a notória falta de atenção do dr. Mário Soares) que o rei D Manuel castigou com inusitadas dureza e rapidez todos quantos foram apanhados pelos enviados reais à capital.

De qualquer modo, sabe-se que para os judeus nacionais, para os que ainda nos alvores do século XX,  “judaizavam” secretamente por pequenas vilas e aldeias da raia ou do interior, a vida não foi fácil.

Conviria, igualmente, acentuar que durante a guerra, os judeus que conseguiram chegar a Portugal foram normalmente bem recebidos pela população como o atentam centenas de testemunhos conhecidos. E se é verdade que sousa Mendes foi castigado pelo Governo pela ajuda a milhares de judeus em Bordeus, outros portugueses houve que se notabilizaram em acções semelhantes, incluindo um diplomata colocado na Hungria. Poder-se-ia ter feito mais? Sem dúvida! Mas muitos, demasiados países fizeram menos mesmo sendo democracias. E nos países ocupados pela Alemanha (à excepção notável e heroica da Dinamarca) os judeus residentes foram impiedosamente denunciados por co-nacionais. Só assim a Alemnaha nazi pode levar a cabo a sua infame acção de extermínio (que, aliás, não se reduziu apenas a judeus como é sabido)

O que a mim me intriga (para lá das quatro (4) páginas do “Público” (jornal que seguramente não é anti-judaico seja por que perspectiva se quiser)    é que o sr Abramovitch sempre poderia ter feito um investimento em Portugal, um par de casas, ima fabriqueta, e receber pelo menos um título de residência, o que lhe bastaria para se passear na Europa. Também parece que terá cidadania israelita o que já lhe garantiria uma posição cómoda para viajar por uma multidão de países incluindo vários Estados árabes.

E, finalmente, o recurso a uma bizarra origem sefardita portuguesa é de tal modo surpreendente, para não dizer incongruente, que mesmo eu, adepto da maior tolerância na recepção de candidatos à cidadania portuguesa ou, pelo menos, ao direito de viver e trabalhar pacifica e honradamente em Portugal, fico perplexo. Perplexo, desconfiado, altamente desconfiado de que aqui há algo que cheira mal, que tresanda para ser mais expícito.

 

(nota: eu deveia, já agora, referir-me á infame perseguição da GNR de Odemira a cidadãos indefesos que trabalham em ofícios que ninguém quer. Que tem uma cor diferente, uma religião diferente mas contra quem não é possível apontar quaisquer crimes, violações da lei. Essa gentalha da GNR tem de ser imediatamente expulsa do corpo sob pena de, não o sendo, gangrenar toda a corporação. )

 

au bonheur des dames 452

d'oliveira, 18.12.21

A imbecilidade em modo puro

mcr, 18-12-21

 

 

Viver em Portugal deve ser muito agradável para estrangeiros (desde que não sejam emigrantes, não vivam em Odemira e não se cruzem com efectivos da GNR),. Bom clima, preços mais baixos do que nos países de origem. Boa cómida alguma tranquilidade e (verificar o que acima se disse entre parêntesis) e, pelos vistos, facilidade em conseguir, querendo, obter a nacionalidade portuguesa desde que haja dinheiro e alguém que garanta que o candidato descende de judeus expulsos no reinado de D Manuel (a este propósito escreverei –se me lembrar – qualquer coisa, muito em breve)

No caso dos nacionais, dos que ainda falam português, dos que pagam impostos, as coisas correm diferentemente.

Veja o bizarro caso das candidaturas a ser “representante de Portugal” na Bienal de Veneza.

Dantes a coisa (sempre polémica) era resolvida pelo Governo: nomeava-se alguém e já está. Havia sempre umas criaturas que achavam a escolha horrível, bramiam durante uns dias e depois tudo voltava ao sítio.

Parece que, farta de queixumes e críticas, a srª Ministra da Cultura terá encontrado uma maneira fácil de sacudir a água do capote: nomeia-se um júri e este que se desengome. 

O que foi feito. 

Parece que a escolha recaiu num cavalheiro (para mim desconhecido...) que entre outras características num cavalheiro chamado Pedro Neves Marques que, além de outros gloriosos argumentos, terá uma “experiência pessoal não binária” (o que traduzido em miúdos, para o povinho perceber significa “alguém que não se identifica estrictmente com o género masculino ou feminino”. Ora tomem lá!)

 

Uma criatura que será “investigadora” (de quê?) que dá por Ana Teixeira Pinto veio a terreio acusar o júri de ser racista e misógino  e de não dar a devida imprtancia a outra também desconhecida criatura de sua graça Graça Kilomba porque mulher e negra com ascendência em S Tomé e Angola. Isto, pelos vistos, para  “investigadora” é um claro sinal de que Portugal condena à sub-representação não só as mulheres mas sobretudo as das minorias ex-coloniais!

 

 Ao que apurei, esta senhora nasceu em Lisbos, em 1968, provavelmente nunca pôs o delicado pé numa colónia mesmo se escreva sobre trauma, racismo, colonialismo e quejandos. Reside em Berlim e dará aulas (ou deu em várias universidades, incluindo a Humboldt.  

 Temos pois que a eventual luta (ignoro se já processos judiciais ou algo de mesmo género e substância) é entre um homem branco (grave . muito grave) mas “não binário” (bem, excelente argumento) e uma mulher (argumento de peso) negra (mais peso ainda) e igualmente desconhecida do público em geral que provavelmente estará divertido a assistir a esta medonha situação eivada de machismo (não demasiado) e racismo e com relento de passado colonial. 

Bem andou a Ministra (uma vez sem exemplo!) ao safar-se do ónus da escolha que, pelos vistos, deve ater-se a critérios sociais, políticos e étnicos sob pena de sub-representar minorias (ciganos, emigrantes nepaleses espancados pela GNR ou não, marroquinos, indianos de origem goesa ou apenas das ex-colónias, algum artista fugido de Macau  e do sr Jiping, um timorense (era maravilhoso arranjar um timorense, se possível espancado pelos indonésios nos velhos tempos já post- coloniais. Ou um ucraniano, moldavo ou próximo desses condecorado com algum safanão dado a tempo pelo SEF. Excluem-se, por motivos óbvios, presos políticos ou ex. estilo Sócrates, Rendeiro, Pinho ou Salgado mesmo que haja quem possa reconhecer neles um dedo, uma mão, um cotovelo ou braço inteiro dotado para a arte (cfr padre Manuel da Costa) que, de qualquer modo nunca iriam pavonear-se na Veneza proletária e artística que, aliás, facilmente se esquece de ano para ano.

Isto a que assistimos, estupefactos, poderia ser uma nova edição da guerra do alecrim e da mangerona mas a coisa fia mais fino. Estão em causa conceitos fascistóides de utilização da arte para fins a ela absolutamente exteriores, está aqui a surdir uma nova seita de zelotas que tenta impor uma outra concepção de minorias combativas contra  maiorias se possível silenciosas mas...pagantes. Porque, não restem dúvidas, somos nós quem paga esse fútil exercício de ir a Veneza a título de representar o país encarregando o primeiro auto-intitulado artista, reconhecido, por um ou dois alegados curadores (também pagos pelos cofres públicos, presume-se) mostrar ao mundo rendido de admiração a “arte que se faz em Portugal”

Assim de repente, recordo que já fomos representados por Siza, Pedro Croft (no ano passado) ou Joana Vasconcelos (há já um par de anos). Nesses casos havia um consenso mínimo e um notavl conhecimento público sobre o percurso e a obra desses artistas. Algo nos antípodas dessas luminárias agora em disputa. 

Ai a pandemia

Regionalização

José Carlos Pereira, 17.12.21

Acompanho por inteiro a posição do presidente da CCDR Norte, António Cunha, sobre a regionalização, manifestada em recente artigo no "Jornal de Notícias". Deve preparar-se com tempo um processo que tenha bases sustentadas e que permita explicar, de forma clara, aos portugueses o que têm a ganhar no seu dia a dia com a institucionalização de um modelo de governação do território mais próximo das pessoas, das empresas e dos seus anseios de desenvolvimento.

estes dias que passam 614

d'oliveira, 17.12.21

Então?

mcr, invejoso, a 16-12-21

 

 

Pelos vistos o Tribunal impôs uma caução de 5 milhões a Manuel Pino (o dos corninhos). De o fez é porque tem informação segura de que o agora arguido em prisão domiciliária terá sem quaisquer dúvidas esse dinheiro e provavelmente mais em contas que agora serão conhecidos ex ministro 

Só assim se percebe a brutalidade da caução. Ou então há por aqui um abuso de direito inqualificável. Ontem, as declarações do advogado de Pinho não só iam no sentido de que ele não tem esse dinheiro, mas  nem meios para o realizar. Aliás, contra a alegação do MP, o advogado, certamente sabedor de tudo, afirma que Pinho e esposa não venderam património em Portugal. Em que ficamos?

Também, sempre a acreditar na defesa, não terão sido transferidos bens do casal para a sogra de Pino.

Depois temos as afirmações da mulher de Pinho que jura que o salário de vários milhares de euros (entre 7 e 10, consoante as notícias) era um salário normal para as funções de “curadora” de uma colecção de fotografia. A quem pertence essa tão admirável colecção? É costume pagar-se assim, tão regiamente, a curadoria de uma colecção? 

Há nisto tudo, um deficit de informação que deixa perplexos os cidadãos que se interessam por este tipo de assuntos. Será que o “segredo de justiça”, tantas e tantas vezes atropelado, não permite a nós, paisanos, saber algo que nos permita avaliar honradamente e com certeza, o bem fundado da decisão? 

Eu, sobre o cavalheiro Pinho confesso que tenho uma fraca opinião. Só um imbecil se põe a fazer corninhos em pleno parlamento, à vista de todos e à mercê das câmaras de televisão. O gesto, de sua natureza boçal, é ainda pior se atendermos ao local e às personagens envolvidas. Que diabo sempre eram um ministro e um deputado. E no parlamento em plena sessão!!!

Fossem, de resto dois carroceiros, a coisa também não seria bonita mesmo se desculpável se os intervenientes carecessem da educação básica normal.  Mas perceber-se-ia justamente por isso, pelo facto de tal linguagem gestual ser eventualmente menos mal conotada nas classes ditas “baixas. E mesmo assim a coisa ainda terminaria bum arraial de pancadaria. 

De resto, se a caução é assim tão desconforme, nada melhor do que recorrer. Não há de ser só o outro juiz a perder sempre num tribunal superior...

De todo o modo, na esplanada do costume as opiniões eram unânimes: “até que enfim!” 

 

Noutra latitude, a defesa de outro cavalheiro acima de toda a suspeita propõe uma caução de 2100 euros para permitir a Rendeiro passear-se pela África do Sul. Isto de perseguir gente pobre está a tornar-se um hábito da justiça nacional...

Entretanto os jornais noticiam que os tradutores jurídicos, além de mal pagos, recebem os honorários com anos de atraso. Dez anos, chega a citar o jornal! 

Que vergonha! 

 

Nota: este texto como a data indica deveria ter saído ontem. Eu bem que cumpri as regras normais da edição mas, sabe-se lá porque malas artes o resultado foi pífio. Volto a tentar hoje

. 

 

 

au bonheur des dames 451

d'oliveira, 15.12.21

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O vírus “Estaline” nas vísceras

mcr, 15-12-1 

 

escrevi, aqui, há dias um suelto dobre o já esquecido slogan “estaline está vivo nos nossos corações”.

Um leitor atento e generoso diz-me que, também ele, acreditou na sua juventude que o ditador georgiano estaria vivo e impante no seu coração.

Por mim, o facto de Stalin (é assim que eu grafo o sr Yossip VissarionovitchDjugatchivilli) estar nuns tenros corações ignorantes porque jovens, não tem nada de mal. 

O perigo é quando o vírus sobe ao cérebro. E mesmo nesse caso, não a figura do “pai dos povos#, o bigode farfalhudo, os olhos pequeninos, o ar vagamente severo que torna as coisas mal.

O stalinismo foi uma doença ad idade adulta  do comunismo e traduziu-se numa curta série de princípios dogmáticos sobre a figura do chefe, o poder dele, os deveres dos restantes para com ele. A isso acrescentou-se a ideia da infalibilidade do chefe, a redução da colegialidade dos órgãos centrais do partuido a uma caricatura de unanimidade continua, a postergação da liberdade de opinião tornada crime contra o partido, e  ideia de que o centralismo democrático começava desde cima. A instituição da ideia de que “o anti-partido” era um crime colectivo, extensível às famílias e provavelmente ao serviço de potências estrangeiras ou de desvios internos do sistema, o mais famoso dos quais foi o trotskismo. E pano de fundo, a colectivização forçada de todo o aparelho produtivo, a suspeita sobre todo o pensamento individual, a submissão das actividades artísticas e/ou intelectuais a um pretenso espírito de partido ouainda ao que se chamou o “marxismo-leninismo” fez o resto. Mesmo do ponto de vista social, alguns progresso foram rápida e convenientemente abolidos ou esquecidos, desde a liberdade para abortar e, em regra geral, os direitos das mulheres, das minorias sexuais e das minorias nacionais tout court. 

Quando Churchill, que, de resto, nunca foi um entusiasta do regime russo (e digo russo porque neste caso foram os russos o elemento dominante e aglutinador do poder soviético, não deixando nada ou quase para as restantes nacionalidades a ucraniana incluída e aliás terrivelmente maltratada durante a grande fome.

Do estricto ponto de vista económico, a ideia do plano que tudo deveria gerir e a que tudo se deveria submeter também originou toda a espécie de desastres mesmo se a edificação a passo de corrida de uma indústria pesada (e nesse capítulo a do armamento)parecesse transformar um país semi-agriccla em 17 numa potencia industrial à  morte de Stalin). 

Incidentalmente, deve notar-se que os mais duros aspectos repressivos do regime permitiram o aparecimento de um formidável exército de mão de obra gratuita através da instituição do GULAG cujos detido cruzaram canais, assentaram vias férreas e estradas, trabalharam nas minas do fundo da Sibéria até morrerem de doença, fome, cansaço ou maus tratos.

De tudo isto houve sempre sinais e enúncias que nem sequer no Ocidente mais conservador tiveram especial impacto. Muito menos, obviamente entre a militância comunista do resto do mundo, cujos partidos cuidadosamente enquadrado pelo Komintern, submetidos a uma severa mas altamente discreta coordenação e intervenção interna dos enviados da 3ª Internacional que eram os correios entre a Direcção em Moscovo e a as direcçõespartidárias nacionais.

É que, em relação às duas anteriores internacionais (a 2ª de resto continuou a existir) havia uma diferença de peso: não estavam ali partidos autónomos e independentes uns dos outros mas apenas sujeitos disciplinados à moda bolchevique que tinham por missão acatar as directivas vindas do país em que “se construía o socialismo” e que devia ser preservado por todas as maneiras do cerco imperialista. Não admira, portanto, que mesmo nas nações mais expostas e ameaçadas pelo duplo crescimento do nazismo e do comunismo, consubstanciados pelo pacto  Molotov-Ribentrop, os partidos comunistas locais aceitaram tudo mesmo se, vozes mais cautelosas avisassem que seriam as primeiras vítimas dessa aliança contra-natura.

Estava a França já ocupada pelo exército alemão e o partido comunista francês continuava a afirmar que a guerra era entre dois blocos igualmente condenáveis pelo que a URSS fizera bem em não se posicionar mesmo se, o seu não posicionamento significasse um dilúvio de ajudas em artigos e bens de todo o género para a Alemanha hitleriana. E na eliminação da independência da Polónia e dos países bálticos, na entrega de numerosos refugiados judeus, comunistas na generalidade, aos seus perseguidores. 

Só quando a URSS foi invadida é que, subitamente, os partidos comunistas ocidentais se mobilizaram. No caso dos países ocupados, até esse momento, a Resistência anti-fascista era de origem socialista, conservadora ou radical e duramente criticada pelos comunistas (mesmo se haja conhecimento de numerosos casos individuais de militantes comunistas que desobedecendo ao partido se juntaram à luta clandestina contra o invasor). 

Esta cegueira ideológica dessa época não desapareceu. Voltou a emergir nos anos sessenta, quando os efeitos de uma tímida destalinização produziram alguns ifualmente tímidos efeitos na estrutura dos partidos ocidentais e sobretudo na política da URSS. 

Subitamente, porventura com a activacolaboração da RP China, começaram a surgir em todo o  Ocidente pequenos grupos que contestavam as políticas locais dos respectivos PC e a política mundial da URSS. Para o efeito, e apenas emblematicamente, usaram a figura de Stalin, entretanto condenado como figura de proa de uma renovação do espírito do comunismo puro e duro de 17. 

Junte-se-lhe a descolonização, a emergência do 3º Mundo, a revolução argelina ou a cubana e a continuidade da guerra de libertação do Vietnam (primeiro contra os franceses vencidos em Dien Bien Phu e pouco depois substituídos pelos americanos que ajudavam o Vietnam do sul). 

A irrupção da juventude (desde os Estados Unidos ou o México, até à Alemanha Ocidental e depois à França e à Itália) chegou obviamente a Portugal, com a ajuda da eclosão da guerra de África, a partir de 61 mas sobretudo crescentemente visível em 63/64 e massificada a partir de 1959. 

Não vale a pena (ou antes valeria mas demoraria o espaço de mais três posts) ir verificar a queda de popularidade do PC nacional entre os jovens progressistas portugueses (fundamentalmente os universitários, claro). Aconteceu, a guerra soprou as chamas da indignação, primeiro, da revolta (e do medo de morrer, evidentemente), depois. Tratou-se fundamentalmente de pequenos grupos, que aliás se iam dividindo, reunindo ou dispersando sem qualquer espécie de ordem, facilmente detectados pela polícia (ou mesmo denunciados por outros concorrentes basta lembrar as primeiras denúncias em letra de forma contra a FAP e os seus três principais dirigentes qualificados de ”provocadores”. O 25 de Abril possibilitou uma nova explosão de grupos e consequentemente uma enorme dificuldade em os diferenciar substancialmente. Todavia, a consolidação da democracia foi-os eliminando sem dificuldade de maior, por desistência de unsm absorção de outros até ao último redutos de iludidos lutadores que em nome das FP 25 abateram uma boa dúzia de pessoas cujo papel “imperialista, capitalista” ou outro qualquer era inexistente. Sem ideologia capaz, sem organização eficiente, sem educação política que se visse foram rapidamente caçados pela polícia e depois, mercê de um a lei miserável que protegia a cúpula da organização, acabaram sem sentenças especiais. A morte das vítimas foi ignorada e os assassinos , pelo menos os que ainda estão vivos, gozam uma tranquila velhice. No mesmo cao estão uns milhares de miseráveis que, durante os anos de chumbo, forneceram à polícia informações sobre militantes políticos ou por vingança ou a troco de dinheiro. Outra lei infame veio proteger os seus nomes infamados por cinquenta anos se não estou em erro. É o país dos brandos costumes que temos. O mesmo que assiste ao fim de processos de corrupção conta antigos políticos por prescrição e que, talvez, vá assistir à tranquila libertação do sr Rendeiro por o Ministério Público não ter tradutores!... E nunca se ter preocupado em, o momento vindo, ter as coisas prontas... 

É pró que estamos.

 

Uma pequena anedota sobre os estalinistas. Conheci bem (e cruzei-me com ele, várias vezes inclusive politicamente) o Pedro Baptista, um dos enérgicos líderes de uma pequena seita maoísta (fundamentalmente) portuense de que fui, em meia dúzia de casos defensor pro bono em processos estudantis. 

Quando lhe disse como se chamava Stalin, e qual o seu pseudónimo de juventude (Koba) quando assaltava bancos para encher os cofres depauperados do partido, ficou espantado pois nunca tinha lido sequer uma nota biográfica do ditador. E muito menos as suas duas obrinhas sobre a nacionalidades e sobre as questões do leninismo! Isto diz tudo, ou uma boa parte, do estalinismo cardíaco de alguns jovens portugueses que confundiram a sua generosidade com um vago culto da personalidade de um déspota georgiano. De facto o slogan, naquele caso, era um mero desafio a um establishment “revolucionário” consubstanciado pelo PC e aliados. Nada mais. Ainda bem!

 

Vai esta dedicada a um amigo que me ofereceu um livro ontem chegado e que confessou também ele ter usado o mote. Dessa escapei eu, por ser mais velho, por ter lido a tempo alguma história e por ter sido genro de Jorge Delgado (Sérgio na clandestinidade) que conhecia (e detestava) o estalinismo sob todos os ângulos.            

* na vinheta funerais de Stalin Foram grandiosos como grandiosa foi a comoção em todo o universo comunista. E como grandiosa foi a sensação de ter escapado. em boa verdade entre os que carregaram o ataúde, houve, prisões, afastamentos e execuções.

 

 

estes dias que passam 612

d'oliveira, 14.12.21

 

Mons  parturiens

mcr,14-12-21 

 

O uso do latim chega para provar que o escriba é velho (velho e não ”sénior”, idoso nem sequer antigo. Velho é palavra que consta do dicionário e foge ao politicamente correcto, vício recente dos cultores da nov-língua que, em boa verdade, nunca leram Orwell –também é de calcular que, se lessem, não perceberiam)

Prova ainda que, tantos anos depois, ainda recorda textos da “selecta Latina” (provável nome do livro de texto para os 6º e º anos do Liceu) instrumento obrigatório para a juventude que tentava ir para Direito, história, Filosofia Românicas e Clássicas.

Durante séculos, os eruditos faziam citações extensas dos clássicos latinos e gregos. Hoje, começa a ser duvidoso que quem os lê perceba o que de facto queriam dizer.

Portanto, antes de mais aqui vai uma tradução  só para perceberem: o monte que está a parir. 

Eque pariu a montanha? Pois um rato! 

Bem sei que actualmente as montanhas costumam parir fogo, nuvens de cinza, lava, horrores e desastres que transtornam a vida dos povos, sobretudo, como é hábito, dos mais pobres e desprotegidos. No meio disso tudo, chega a ser arrepiante o turismo vulcânico como ocorre agora nas ilhas espanholas...

Tudo isto a propósito e um longo processo ligado às PPP rodoviárias que tinha elencados vários ministros e secretários de Estado acusados de corrupção activa, passiva, associação criminosa., sei lá que mais...

Onze anos, onze, durou essa saga que agora (cfr. Público de hoje, 14-12-21) vai pelo cano porque os crimes prescreveram quase todos. O MP jura que tou sempre com falta de meios, que os pobres e sacrificados magistrados andaram perdidos na selva dos contratos, adendas os ditos e outras aventuras. 

Este blog foi fundado por ilustres membros desse corpo e deles tenho recordação boa e valiosa. Isso mesmo se foi reflectindo em escritos meus onde, tomei, várias vezes a defesa do corpo. Também é verdade que, perante alguns processos, nomeadamente franceses entrei em forte polémica com um ou outro dos meus companheiros de blog. Tantos anos passados verifico que tive razão pois, havia de facto, abusos inqualificáveis de poder, investigações coxas e feitas de qualquer maneira, preconceitos a granel. De todo o modo, tratava-se de coisas ocorridas mormente em França que não beliscavam a qualidade da magistratura nacional.

Eu não tenho acesso a este processo, apenas me louvo na notícia do jornal e para ela remeto. 

Ainda ontem, numa televisão, um conhecido advogado lisboeta afirmava que era quase impossível haver prescrições. Pois bem, hoje, parece que ele não tinha inteiramente razão. 

(incidentalmente, esse distinto causídico, dizia que tomava conta de casos famosos não pelo dinheiro mas apenas pelo “desafio” que isso representava! Maravilhei-me!)

 

Continuando em  domínios assimilados, eis que finalmente se irá celebrar um contrato de aquisição de cento e  dezassete comboios e de várias outras coisas ligadas a eles, incluindo uma nova oficina de reparação). Ficam para mais tarde 12 comboios de longo curso para uma linha de alta velocidade que só poderão ser comprados quando a CP voltar a ter capacidade para se endividar. O ministro ou fontes do seu gabinete juram estar optimistas para, num curto prazo, se celebrar tal concurso. Lembrado que estou que desde 2009 havia um concurso onde tudo isso se anunciava “para já”, refreio o meu entusiasmo mesmo se isso me transformar, outra vez, num velho do Restelo.

Entretanto, no mesmo jornal já citado, o editorial afirma que se o ministro tivesse devotado à ferrovia o que já esbanjou na TAP outro galo nos cantaria. Devo dizer que não só o galo não canta  mas que há a forte previsão de mais e mal milhões serem engolidos poe essa companhia falida.

 

De fora, também no mesmo jornal fica a notícia de uma senhora ex-ministra dinamarquesa, de sua graça Inge Stojberg ter sido condenada pelo “Tribunal de Destituição” a 60 dias de prisão por claramente ter abusado da sua posição e ter agido ilegalmente em ração a uns refugiados. Ora aqui está um país onde a justiça funciona rapidamente. Prevê-se que perca também o seu lugar de deputada por “indignidade” (suponho que o conceito deve ser desconhecido por cá.

E mais não digo para não me acusarem de perseguidor de políticos, ministros ou não.)    

au bonheur des dames 450

d'oliveira, 13.12.21

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A propósito de Assis (mas não só...)

mcr, 13-12-21

 

Francisco de Assis, que há poucos dias manifestara vontade de voltar ao parlamento (e já agora à Presidência da AR o que não é ter-se em pouca conta...) não será candidato nestas legislativas.

Como ele, noutros partidos há nomes conhecidos que não estarão presentes. Regra geral, pode arriscar-se que não são eles os que saem mas outros (o aparelho e os dirigentes) que os não querem por lá.

Nada de especialmente extraordinário numa instituição cujos membros são nomeados a dedo e cujos nomes entregues em pacote aos eleitores.

Quem não está as graças da escassa multidão que gere o partido (seja ele qual for) não recebe as sacras ordns parlamentares.

Isto é assim desde há uns bons trinta anos, ou seja desde que os aparelhos partidários começaram a ser realmente preponderantes. Já o eram antes mas esse difuso poder ainda tinha contrapesos numa democracia que se presumia jovem e que ainda tinha claramente presentes os pais fundadores dos partidos e a exigência vigilante das massas militantes.

Agora é o que se vê. Vozes discordantes vão sendo paulatina mas firmemente escorraçadas para as trevas exteriores.

É uma espécie de morte civil dos mais independentes, dos que têm espinha dorsal. Em vez deles, eis que aparecem mansos rebanhos de criaturas sem passado conhecido, sem fulgor profissional, sem reconhecimento social mas obedientes  e pouco dadas à autonomia (já nem se fala em rebeldia...).

A coisa vai de tal maneira que até Luís Marqus Mendes, um histórico do PSD, comentador televisivo dominical, já ousa propor a votação uninominal (benvindo ao clube, caro LMM, ntes tarde do que nunca!)

Voltemos a Assis, porém. E convenhamos que ele se pôs a jeito. Era, e bem, contra aquela caricatura de “frente popular” que deu por “geringonça” e que poderá ter falecido durante o parto /aliás aborto) do Orçamento.

Por isso, e coerentemente, terá recusado ser deputado em 2019. E aí começou uma breve travessia do deserto que, entretanto, não foi longa. Foram busca-lo para a Presidência do Conselho Económico e Social que agora morre logo que houver novas eleições e nova AR.

Assis, inocentemente, julgou que, dado o seu longo currículo político iniciado muito novo quando conquistou a CM de Amarante , teria um lugar assegurado. Esqueceu-se que Costa (à semelhança de outros dirigentes de outros partidos) também não tem a memória curta. Quanto aos rancores vai-se vendo que são duráveis.

Depois, diz-se 8(ou dizem os mentideros) para a Presidência da AR, tem Costa uma candidata, Edite Estrela (de quem eu já me nem lembrava tão discreta que a criatura tem nadado. Devo dizer ue, a meu humilde ver, há no PS quatro ou cinco mulheres  que seguramente são melhores mas, pelos vistos Estrela serve melhor os interesses do aparelho...

É verdade que foi vice de Ferro ms este governou sozinho sem dar cavaco aos restantes membros da mesa. Eu até proporia, se valesse a pena, um “quizz” para se acertar nos nomes dos restantes. E tenho a íntima convicção que uma enorme maioria de eleitores bão seria capaz de indicar mais o que um deles. Se é que sequer indicaria um.

Conheci vagamente Assis, era  ele Presidente de Câmara e eu Delegado da SEC na Região Norte. Não fiquei entusiasmado na altura e só me voltei a cruzar com ele numa tumultuosa sessão na Cooperativa Árvore onde um grupo de criaturas ligadas ao meio teatral, episódicmente, unidas sob a sigla “pronúncia do Norte” vociferava por mais apoios às companhias locais que, aliás, já eram apoiadas. Todavia, com a queda do cavaquismo e a chegada de Guterres ao poder, lá terão entendido que se Luís Miguel Cintra, um lisboeta em Lisboa, recebia mais eles também deveriam amesendar-se por quantia idêntica. Pelos vistos não lhes passava pelas cabecinhas que nisto de Teatro há bom, sofrível medíocre e mau.

Mais tarde, Assis fez aquela via sacra de Felgueiras de onde a dona Fátima se tinha escapulido para o Brasil, sob os insultos de um punhado de criaturas boçais mas, pelos vistos, mobilizadas pelo PS local. Mais tarde ainda, se estou certo, foi Assis candidato à CM do Porto tendo tido desde o início a infeliz frase de que se candidatava apenas a presidente, deixando nos desamparados eleitores a ideia de que, mesmo eleito, desandaria para as europas onde, se não erro, era deputado europeu. (ou continuaria deputado na AR?...)

Os tripeiros já, por várias vezes, mostraram que esse entendimento não assegura votos muito antes pelo contrário.

Depois, confesso, perdi-o de vista ou deixei de me interessar. Não contesto a sua inteligência, a constância de posições, ou mesmo o péssimo gosto em gravatas. Apenas o fui perdendo de visto, porventura injustamente.

Porém, no caso em apreço, mesmo se entenda que costa perde em não o candidatar, percebo  (mesmo sem as aplaudir) as razões deste. E as do aparelho.

Curiosamente, mesmo sendo anti-geringonça parece que seria o presidente da AR preferido pelo senhor Pedro Nuno Santos o grande paladino (ou o inocente útil ) da geringonça. Mistérios da vida política onde me não vou meter. Afinal sou apenas um eleitor sem préstimo especial e escriba de um blog que não chegará aos ínclitos dirigentes nacionais, regionais ou locais do PS. Ou ao de qualquer outro partido ou ajuntamento.

Não me atrevo a pensar que a falta de Assis ou a falta de outros conhecidos políticos nas listas adversárias prejudique os respectivos partidos. Duvido, isso sim, que aumente o número de votantes. Provavelmente até contribuirá para mais umas dúzias de abstencionistas mas como o PS está em situação não especialmente boa talvezas coisasanimem pelo lado do PSD mesmo com Rio ao leme.

O mesmo Rio   ue “descobriu” agora que a prisão de Rendeiro foi uma trapalhada resultante doa mancomunação do Governo, do Ministério  Público e da Polícia Judiciária!!!

Digamos, piedosamente, que Rio “não se veda!”

Está-lhe na massa do sangue.  

A vinheta pretende representar o que Assis não é : uma voz com dono. O mesmo não direi de muitos outros parlamentares  

estes dias que passam 611

d'oliveira, 12.12.21

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“Pela boca morre o peixe”

 

mcr, 12-12-21

 

  1. Não é Rocambole quem quer

 

 

Provavelmente a maioria dos leitores já não leu Ponson du Terrail, um escritor francês do sec. XIX que se notabilizou em romances de capa e espada, as mais das vezes publicados em folhetins de periodicidade variável. Rocambole, herói por ele criado é um trapaceiro que faz trinta por uma linha e consegue escapulir-se à justiça.

Ponson, com Paul Féval (autor dos “Lagardere”) foram a muito publicados m Portugal até aos anos 50, por uma editoras especializada neste género de aventuras e chamada Romano Torres

Hoje, estas aventuras só se apanham nos alfarrabistas onde de resto são raridades.

Não vale a penas estar a descrever as proezas da personagem de du Terrail aqui chamada apenas porque, depois, deu uma palavra, um adjectivo, para ser mais preciso: “rocambolesco/a” que se aplica a histórias quase impossíveis.

Também não direi que o fugido (e agora capturado) Rendeiro fosse exactamente tão extraordinário como Rocambole mas, enfim, é o que temos.

Não faço parte dos que apontam o dedo à polícia que não o vigiou suficientemente ou à Justiça que quase lhe estendeu um tapete vermelho para se baldar à prisão.

E sempre entendi que, mais cedo ou mais tarde, neste mundo globalizado, a criatura seria apanhada. Como foi, aliás, não de calças na mão mas em pijama numa suite de luxo de um hotel de Durban.

Em boa verdade, o homem mais pretensioso que inteligente, já dissera que ninguém, durante a fuga o impedira de ir à praia. Ora, no nosso inverno, praia é sempre sinónimo de países do hemisfério sul e, mesmo se a escolha entre eles é grande, a África do Sul era uma razoável aposta.

De todo o modo, há que apontar o excelente trabalho da PJ que, de resto, e desde há uns bons cinquenta e tal anos, tenho por eficiente. Fu, no final da crise de 69, hóspede desses cavalheiros, mais propriamente da brigada que depois de apanhar os elementos mais importantes e desarticular a LUAR, foi enviada para Coimbra para caçar estudantes que se tinham atrevido a desencadear uma greve que, finalmente, foi vitoriosa.

Terei sido o último detido (e o que mais tempo passou nas enxovias do Palácio da Justiça de Coimbra) dessa brigada e recordo que os agentes que diariamente me importunavam gabavam-se da anterior façanha anti-terrorista. A LUAR, provavelmente supusera que o facto de se evadirem para o estrangeiro punha os sem membros fora do alcance da polícia portuguesa mas, pelos vistos, não contara com a pertinácia dos perseguidores, com a cumplicidade de forças policiais de vários países (pelo menos a Espanha e a França) nem percebera que, num caso daqueles, até prender gente num lado e passar fronteiras para os trazer até território nacional não constituía nada de excepcional.

É verdade que aquela organização não soubera clandestinizar os seus elementos, deixara muitas abébias à polícia e, nem sempre preparara os seus militantes parasse fecharem em copas frente à polícia.

E mesmo com a falta de meios de que se queixa a Direcção desta polícia, a verdade é que conseguiram seguir a pista dum gabarola que pensava estar fora do alcance dela. A ideia de que utilizar meios informáticos importantes, bastaria para apagar o rato dele e do dinheiro revelou-se infrutífera.

O pateta que se gabou demasiado cedo da sua habilidade tornou-se a partir de ontem numa fonte de piadas.

Aliás, nunca consegui perceber qual o interesse do figurão em anunciar a fuga, dar entrevistas, enfim em se expor. O homenzinho pode ter ludibriado umas centenas de pessoas mas isso também a dona Branca fez e um largo par de vigaristas e charlatães consegue. Depois de “abrir” a boa prudência e a melhor inteligência aconselhavam recato e cautelas redobradas. Mas isso, agora, é com ele e com os seus amigalhaços e cúmplices.   

 

  1. dar o dito por não dito

 

A dr.ª Graça Freitas ainda não percebeu exactamente em que regime vive. E a que limitações democráticas está sujeita.

A história da vacinação de crianças é exemplar. A Administração Pública deve obedecer a regras de transparência claras e legalmente definidas.

A teimosia em não revelar pareceres que eram eventualmente exigíveis por cidadãos mais informados e mais desejosos de entender o que se passa nos arcanos da DGS, foi uma (mais uma!...) tontice que poderia evitar-se.

É verdade que tais pareceres deverão ser para a maioria dos cidadãos quase ininteligíveis  mas isso não é, não pode nunca ser argumento. E não é porquanto a sê-lo, seria abrir a porta a toda a espécie de jogos malabares sobre outras matérias também elas importantes para a vida da comunidade. Além do mais, a ideia de que o “pagode” não percebe portanto não vale a pena contar com ele, revela uma arrogância mais próxima da toleima que do bom senso.

Claro que, desta feita, para lá das reclamações partidárias e do Ordem dos Médicos outras e mais fortes vozes se fizeram ouvir e eis que a mesma senhora veio , como se nada fosse com ela, pôr as informações ao alcance de todos.

Espera-se  que, de futuro, não voltará à mesma prática do segredo pelo segredo. Sempre fica melhor na fotografia e na ideia de que já consegue perceber melhor os deveres que sobre a DGS e ela própria pesam

Ou seja, espera-se que o diácono Remédios não volte para dizer que “não havia necessidade”...