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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 649

d'oliveira, 16.02.22

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à procura do proletariado…

mcr, 16-02-22

 

 

O jornal “Público” tem uma nova lista de comentadores fixos o que é sempre louvável, como igualmente louvável é virem, como virão, mais mulheres (creio que três) para esses espaços. O jornal assinala igualmente que duas são “afro-descendentes” que é o que agora se chama a pessoas com uma qualquer proporção de sangue negro. Conviria perguntar se estas senhoras vem de África ou já são 2ª ou 3ª geração por cá.

Lembraria, também, que se pode ser interessante esta diversidade também, então já que foi erigida em princípio, porque não alguém das operosas comunidades chinesa e indiana, para já não referir as minorias cigana e outra representativa da cada vez maior comunidade leste-europeia. E da brasileira, evidentemente...    

Voltemos porém à primeira intervenção de uma das novas comentadoras que sucede na mesma página a Rui Tavares. A comentadora começa por afirmar que os pobres, os trabalhadores, os que recebem o salário mínimo nacional, terão ficado sem representação dada a hecatombe registada à Esquerda.

Verifico que a referida senhora entende que os pobres votam sempre à Esquerda, coisa que sempre foi duvidosa, discutível ou mesmo falsa. Historicamente atése criou o conceito de lumpen-proletariado para identificar os proletários sem consciência de classe que, por isso  mesmo, dariam o seu apoio eleitoral a partidos “reaccionários”, ou simplesmente burgueses.

Deixemos essa pequena controvérsia porquanto tem-se verificado um pouco por toda a europa uma clara transferência de votos da antiga Esquerda para partidos xenófobos, racistas, de direita radical. Os famosos bastiões vermelhos, a não menos conhecida cintura vermelha à volta de Paris, as regiões operárias do Norte da França, o Leste da Alemanha, o Norte da Itália  têm votado em peso na Direita passando uma trágica certidão de óbito aos partidos comunistas locais.

Mesmo entre nós, é notória a votação de certas regiões alentejanas e outras suburbanas de Lisboa no Chega. Basta ir consultar a distribuição eleitoral por freguesias...

Dizer que os pobres ficaram sem representação por não terem dado o seu aval às travessuras do BE e do PCP é passar um atestado de menoridade a cidadãos que, apesar de pobres, se deram ao cuidado de ir votar.

Aliás, isto reflete uma velha ideia, vinda das catacumbas leninistas ou seja a de que os partidos operários precisam de uma direcção de políticos profissionais, educados, de origem burguesa, conhecedores dos “clássicos” e das teorias revolucionárias para os enquadrar, iluminar, dirigir. Quanfo tal não se verifica, é o naufrágio, o povo vota à Direita, o ingrato que não quer premiar os seus devotados auto-salvadores.

(na antiga RDA, quando o regime imposto pela ocupação soviética, já estrebuchava por todos os lados, dezenas ou centenas de milhares de cidadãos manifestavam-se todas as sextas feiras sob o slogan “Wir sind das Volk”- Nós somos o povo”. Isto diante da poderosa polícia política, das alegadas “milícias operárias” da tropa enviada em força  para sufocar a contestação!)

Portanto, e para já, o que ficou sem representação política foi a ideia pelo menos utópica de que só a extrema Esquerda representa o povo.

O que é mais curioso é que, desde meados de 1975, se foi notando e crescendo uma forte animosidade geral ao rumo que o país, embarcado num PREC de opereta, tomava.

Nos últimos dez, quinze, anos foi notória a erosão da Esquerda, que cada vez mais se encostava ao PS (sempre considerado u partido de trânsfugas, sempre acusado de enganar e trair as classes populares, de estar ao serviço de obscuros interesses, da Europa e sei lá que mais.

É verdade que pode ter ocorrido uma forte tentação de votar utilmente, coisa que a articulista, e bem, só observa na “esquerda. Convinha, no entanto, recordar o clima em que decorreram estas eleições, o chumbo do Orçamento sem que ninguém explicasse o porquê depois de anos de geringonça.

À semelhança do que se passou com o CDS governado por um rapazola , as pessoas entenderam – e bem! – punir esses desmandos políticos. O CDS ficou mesmo sem representação parlamentar. É de crer que muitos dos seus eleitores se tenham abstido ou mesmo votado nos dois mais recentes partidos da Direita. Pessoalmente, julgo que ambas as situações concorreram para o mesmo fim. Claro que a recusa do PSD em ir em coligação também não favoreceu o finado (aliás há estudos e contas que dão a tal coligação um maior número de deputados o que permitiria a sobrevivência de um e o crescimento eleitoral do mais forte.  É curioso mas ninguém, neste caso, aponta o dedo a Rui Rio que, de resto, se limitou a aceitar o veredicto de uma qualquer comissão nacional ou algo do mesmo teor. )

Não faço a menor ideia do que se poderia ter passado sem estas guerras eleitorais fabricadas à pressão. Discutir o nariz de Cleópatra é, no mínimo, ocioso.

Eu tenho por certo que com este sistema eleitoral só os partidos grandes se aguentam ou prosperam. Mais, com a concentração de deputados nas duas grandes cidades pode ocorrer que um pequeno partido consiga eleger um, dois deputados graças ao método de Hondt mesmo se, nacionalmente, seja risível ou inexistente a sua importância. Creio que, apesar de todos os defeitos que se lhe apontam, a eleição por círculos uninominais tem mais vantagens e sobretudo esta: o deputado eleito sabe que os que o elegeram lhe pedirão contas do que fez ou não fez ao fim do mandato. Desapareceriam assim um largo par de mortos vivos que se arrastam em S Banto, levantando e abaixando o respectivo si senhor à ordem do chefe da bancada. Diminuiria o peso dos “aparelhos” partidários na escolha dos candidatos e provavelmente haveria mais pessoas e melhores para tentar a vida parlamentar.

Basta perguntar a qualquer pessoa  informada quantos deputados pode referir, com obra, com talento, com propostas. Mas isso é outra história e não ocorrerá nos próximos quatro anos. Ninguém quer arriscar-se a mudar os círculos, a reduzi-los, a apostar mais na competência do que na obediência parlamentar.

São a Deocracia e a Cidadania que perdem.

 

estes dias que passam 648

d'oliveira, 15.02.22

Ouvem-se já os tambores…

mcr, 15—02-22

 

Ou pelo menos os rumores...

E não tem fim os temores, nem a antevisão dos horrores.

Refiro-me à “crise” ucraniano-russa”, melhor dizendo russo-ucraniana.

 

De facto, é a Rússia que, desde há semanas, concentra tropas na fronteira comum, que, desde há anos apoia minorias russofonas separatistas na fronteira leste, que também já ocupou a Crimeia.

E que, agora, realiza grandes manobras militares na Bielorrússia  país situado a norte da Ucrânia com quem tem uma grande fronteira comum.

Das duas, uma: os Moscovo encena uma peça que não pretende levar a cabo ou ameaça real e violentamente o país vizinho. 

Por seu lado, este, que depois de uma brevísssima independência, logo depois da 1ª Guerra foi reocupado manu militari pela URSS, mesmo mantendo, como aliás outras repúblicas “socialistas e soviéticas”, um verniz de vaga independência (acentuada depois da 2ª Guerra pela participação –conjuntamente com a Bielorrússia- de um lugar nas Nações Unidas), proclamou novamente independência depois do colapso da URSS.

Coo todos os ex-satélites da URSS , na chamada Europa de Leste, a Ucrânoa, manteve sem relação à Rússia uma desconfiança ancestral-

E havia razões, fortes, fortíssimas razões, para tal. O Império Russo de que a União Soviética foi herdeira absoluta, foi sempre profundamente cauteloso quanto à salvaguarda das suas fronteiras. Os países bálticos, a Moldávia,  por exemplo foram pura e simplesmente anexados durante a 2ª guerra, a Finlândia perdeu a Carélia, e no século XX houve um conflito (perdido) como  Japão e ainda durante a existência da URSS a fronteira com a China foi constantemente abalada com pequenos recontros entre as tropas fronteiriças. 

O caso mais notório de defesa perante o “Ocidente”, no caso os Impérios Centro-Europeus, foi a Polónia  continuamente ocupada, invadida e repartida. 

A História refere que uma ds origens da Rússia foi o principado de Kiev até o poder se estabelecer em Moscovo.

A Crimeia foi ocupada pelos russos no sec XIX, contra os Tatars que mais tarde seriam expulsos em massa para os confins da Sibéria. O único grande conflito com o “Ocidente” teve o seu desenrolar na Crimeia (na guerra do esmo nome) pelo que é uso dizer-se que o solo desta península está “empapado de sangue russo”

Depois da constituição da URSS e não  obstante o dirigente ucraniano Makhno ter criado um exército e com eleter derrotado toda uma série de generais “brancos” o que constituiu uma inestimável ajuda para o o incipiente poder soviético, este, em 1920 conseguiu ocupar o território ucraniano, eliminar boa parte dos militares makhnovistas e ocupar todo o território. Seguiu-se uma política brutal de ocupação de verdadeiro confisco de terras e alimentos que terá feito mais de cinco milhões de vítimas pela fome. 

Este “genocídio” de ucranianos, juntado às deportações de dezenas de milhares de camponeses e à eliminação física da maioria da elite ucraniana,  não apagaram de todo a vontade independentista que, com a invasão alemã, renasceu. Todavia, apesar de nos primeiros dias ser recebido por multidões em festa, o exército alemão cometeu tais excções que rapidamente virou a população contra ele. A resistência ucraniana foi realçada pelas autoridades soviéticas, nomeadamente distinguindo as cidades de Kiev, Odessa e Sebastopol. Um quarto do total dos soldado soviéticos caídos em combate era de nacionalidade ucraniana.

Foi Krutschev quem integrou a Crimeia na Ucrânia durante o seu mandato como Secretário Geral do PCUS (anos 60) e esta assim permaneceu até à invasão e reocupação russa, cinquenta e poucos anos depois. 

As línguas russa e ucraniana tem enormes afinidades, a escrita é idêntica (cirílico) e boa parte dos ucranianos são ortodoxos. De todo o modo, a Independência de fins do século XX  foi calorosamente recebida e é indiscutível que exiete no país uma forte desconfiança da hegemonia russa, mesmo entre russofalantes. 

No fundo a questão que se põe é simples. A desconfiança ucraniana levou o país a estabelecer na sua Constituição o desejo de adesão à NATO e a integração na União Europeia

Estes dois desideratos são, aliás, veladamente admitidos por outros ex-países da URSS e também eles vítimas de intrusões do Exército Russo (o caso da Geórgia é o mais evidente mas não o único. Também aqui se criaram estados fantasmas pró-russos que só existem à sombra das armas do Exército russo).

É verdade que o passado da guerra fria, o desastre da implosão da URSS, o receio de uma europa demasiadamente aliada aos americanos, permitem perceber os receios russos, tanto mais que o seu grande vizinho do Sul, a China,  também não morre de amores pela antiga aliada comunista. 

Neste momento, nada se sabe, sobre se a guerra eclodirá ou não, sob a forma que eventualmente assumirá, sobre a reacção (não militar) dos ocidentais, sequer sobre a limitada capacidade de resistência da Ucrânia cujas forças armadas são desproporcionadamente menores do que as russas. 

Apenas subsiste uma evidência_ é a Rússia que ameaça, que exige e que envia forças para as fronteiras ucranianas. Isso não é uma auto-defesa contra uma ameaça ridícula de ataque militar ou sequer estratégica. 

Hoje, num jornal de referencia, um comentador saudoso da URSS vem assinar um artigo miserável, confuso, misturando alhos com bugalhos e, obviamente, tentando explicar que é o “ocidente” quem ameaça via Ucrânia, uma pacífica Rússia.   Só lendo...

Mesmo que se saiba que, neste momento, as preocupações dos EUA  e , de certo modo, dos seus aliados e amigos, se viram mais para a zona do Pacífico e concretamente para a China, há ainda quem insista numa espécie de continuação da guerra fria, amparando-se à sombra, de uma hipotético renascimento de uma ideologia morta  mais por culpa própria do que por acção adversa. Mas isso começa a ser costume...

 

* o título é roubado a um verso de José Afonso.

 

Desafios para a nova legislatura

José Carlos Pereira, 14.02.22

Ultrapassadas as primeiras reflexões acerca dos resultados eleitorais de 30 de Janeiro e conhecidos alguns efeitos já provocados nos partidos políticos, os portugueses interrogam-se sobre o que podem esperar para o futuro próximo, anunciada que está a posse do novo governo para 23 de Fevereiro.

António Costa, com o resultado obtido e a perspectiva de governar quatro anos em maioria absoluta, tem a responsabilidade de constituir um executivo forte, capaz, composto por personalidades de indiscutível mérito e reconhecimento. Um partido como o PS, que passa a dispor de uma maioria que não fica amarrada às exigência de Bloco e PCP, tem condições para atrair para o governo políticos, gestores e académicos da máxima reputação. O próximo governo tem perante si o imperativo de colocar o país numa rota de crescimento sustentado, promovendo as reformas necessárias para mobilizar todo o nosso potencial. Creio, aliás, que esse é o desiderato de António Costa: entregar o país em 2026 num patamar de desenvolvimento e de equilíbrio das contas públicas substancialmente diferente do que se encontra hoje, tirando o devido partido dos fundos provenientes da Europa, seja o Plano de Recuperação e Resiliência, seja o Portugal 2030.

Quanto à oposição, que se deseja firme e determinada, o PSD tem pela frente o difícil desafio de escolher a liderança mais adequada para um período que prolongará por mais quatro anos o afastamento do poder. Uma liderança que, ainda por cima, não terá voz própria no parlamento e que corre o sério risco de não conseguir chegar às próximas legislativas, como sucedeu em períodos anteriores com Marques Mendes, Luís Filipe Menezes ou Marcelo Rebelo de Sousa.

Espero que o Chega, com os novos deputados, comece a demonstrar a verdadeira natureza dos seus "tesouros deprimentes", como já se tem visto nas inúmeras lutas internas e no posicionamento de vários autarcas eleitos. André Ventura, até aqui líder omnipresente, não vai conseguir tapar todos os buracos, deixando evidenciar a boçalidade e o oportunismo político de tantos dos eleitos por este partido.

A Iniciativa Liberal surpreendeu com a campanha que fez e o resultado que obteve. Fará o seu caminho de afirmação, mas também é provável que comece a ser levado mais a sério por outros contendores, que não deixarão de criticar e apontar o dedo a muitas das propostas da sua cartilha, seja à esquerda ou mesmo no campo político do centro-direita, no PSD ou no CDS, partido que tudo fará para conseguir sobreviver.

Do Bloco de Esquerda e do PCP, castigados de forma inclemente nas eleições, virá com toda a certeza uma oposição dura, na tentativa de afirmar as suas divergências com a maioria do PS, aos olhos destes partidos visto muitas vezes como o seu principal adversário. O PCP, através da CGTP, tentará ainda aproveitar as lutas sociais para recuperar algum do terreno perdido.

PAN e Livre, com um deputado cada, enfrentam o desafio de tornar a sua voz audível num quadro de maioria parlamentar, embora partindo de circunstâncias diversas. O PAN após um sério revés eleitoral e com sérias divisões internas, o Livre reforçado por recuperar um lugar no parlamento depois de uma campanha avaliada de forma positiva por muitos eleitores.

au bonheur des dames 468

d'oliveira, 14.02.22

No S Valentim…

(ou Au malheur de quelques jeunes filles)

mcr, 14.02-22

 

 

 

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Uma prestável senhora oficial da PSP  informava pela rádio que só no ano que passou houve mais de três mil agressões entre namorados. Melhor dizendo houve mais de três mil vítimas de agressões. Quase todas mulheres , quase todas abaixo dos 25 anos.

Parece que, também houve vítimas do sexo masculino mas em número reduzido. Poderá eventualmente dar-se o caso de alguns homens terem preferido não fazer queixa por razões de vergonha  mas o facto é que a larga, larguíssima percentagem de vítimas é do sexo dito fraco.

Também se verifica que dois terços das agressões são contra ex-namoradas    o qu permite recordar a imortal frase de que a dor de corno só passa à porrada.

Y, sempre 

esse meu filosófico amigo, afirma que entre dois males é preferível o menor. Ou seja uns tabefes em vez de um assassínio. E recorda que a média nacional está nuns honrosos três homicídios por mês. E avisa que a tendência é no sentido de aumentar.

” O macho lusitano não gosta de perder nem a feijões” acrescenta.  E vai daí, pelos vistos, quando a donzela, farta de bofetão ou pior, desanda e vai à sua vida, ei-lo que, agastado, vai-lhe no encalço e uma vez caçada, zupa-lhe forte  e feio. 

E isto acontece em todo o lado, na Escola, na Universidade, no emprego, na praia, enfim onde der jeito ou simplesmente onde se encontra a pérfida Eva, já farta do másculo Adão de mão ligeira.

Também consta que estes jestos de brutal ternura insatisfeita colhem não direi o aplauso mas pelo menos um tácito consenso. “eles gostam de malhar nas namoradas” E sentem-se nesse direito.  Durante um largo par de anos, as queixas eram raras. Parece que aquele faduncho “quanto mais me bates ais gosto de ti”, gozava do direito de cidade entre a nossa juventude.

Confesso que isto, apesar de tudo me surpreende. Tive a minha juventude, namorei quanto pude, namoradas vieram, namoradas foram mas nunca me deu na  mona ir por elas para “lhes acertar o passo”. Fiquei ofendido, umas vezes, triste outras, aliviado algumas mas não passou disso. E nos círculos que frequentava e onde se namorava tanto quanto se podia e a vigilância das mães permitia poderia haver alguma zanga mas não recordo sequer a mínima ameaça. Outros tempos, dir-se-á. Provavelmente, neste único capítulo, mais civilizados, mais conservadores, mais timoratos o que queiram. A violência entre namorados , se existia, era mais do que rara e, sobretudo, clandestina. A violência chegava depois do casamento e isso já era mais conhecido, mais falado mesmo se muitas testemunhas assobiassem para o lado ou achassem que uns afagos mais violentos até davam um certo picante à relação conjugal. Conheci esposas maltratadas, fugidas dos maridos, apanhadas e devolvidas aos mesmos (havia no Código civil uma coisa assustadora chamada “depósito da esposa” cuja justificação e termos já não recordo, mas de tdo o modo repelente.) quem como eu assistiu ao 25 A e, como eu, advogado, teve um largo  par de clientes que tentavam acabar com uma relação falida, errada, violenta por vezes divorciando-se o mais depressa possível. Foi um ver se te avias, uma autentica libertação para muitas mulheres e homens mas não tenho memória de jogos violentos entre adolescentes  ébrios de sexo, sentimentalismo bacoco, amor por vezes, muita ilusão e muita candura tola.

Isto, agora, está institucionalizado, a ponto de haver especialistas na PSP, conselheiros nas Escolas e claro alarme social.

Para progresso há que chega. E não só entre casais heterossexuais mas também nos restantes que mesmo poucos contribuem com a sua quota-parte de pancadaria e maus tratos.

Y, novamente, conta-me o caso de um economista, bem cotado, bem instalado, que lhe disse que não suportava “as manias culturais da mulher que lia muito, gostava de concertos de música clássica e se aventurava a frequentar uma que outra galeria de arte. Uma mulher, diga-se, também licenciada, também bem sucedida qu não pedia ao marido dinheiro para as suas “estravagâncias” culturais.

O ecomnomista em questão era demasiado bem educado para levantar a mão justiceira sobre a cara metade mas não suportando esses devaneios optou por uns discretos insultos e encaminhou-se para o divórcio. Y, citava oprovérbio

Mula que faz him e mulher que sabe latim arrenegá-las até ao fim

(ou Deus me livre a mim). 

E acrescentava, “mesmo no S Valentim...

(as leitoras, sempre generosas, desculparão o tom do folhetim, demasiado varonil, mas terão em linha de conta que eu não consigo imaginar-me na pele de uma mulher perseguida, humilhada, batida. E, já agora, que a violência de género me parece uma infâmia e me envergonha infinitamente, como ser humano, primeiro como homem sempre e mais ainda. )

*na vinheta:  S Valeentim

 

estes dias que passam 647

d'oliveira, 13.02.22

Espojam-se gozosos...

mcr, 13-02-22

 

 

Era eu rapaz, teria ainda menos anos do que o rapazola terrorista e inimigo público nº1, (r/c esq.) quando se estreou um filme que se chamava “mundo cão”. Ao contrário do que se possa pensar, era meso sobre cães e os tratos de polé que eles sofrem à mão meiga e protectora do homem.

Desta feita, o meu “mundo cão” é alegórico e refere apenas esta desmiolada situação que vivemos.

É ver quem mais comenta na TV quem se deixa amavelmente entrevistar, quem se arrepie ao falar do tema, quem se persigne, se amedronte, se espante, se exalte: ai o grande filho da mãe!!!!!!

Enquanto não vem a guerra da Ucrânia, um golpe de Estado em África, uma troca de murros no futebol ou alguma maldita nova estirpe do covid, este tema ainda vai dar para mangas. 

Ora então, afinal, o “terrorista” apanhado “em flagrante delito” era, segundo colegas e vizinhos um fulano pacato, tímido e reservado. 

O “flagrante delito” é afial, zero acção mas apenas a intenção de levar a cabo um horrendo assacre. Com bombas? Não Com metraloadoras? Não. Com as “bombardas de Diu e os sinos da velha Goa (esta é apenas para os são velhos e se lembram)? Também não.

Pelos vistos, o facinoros o estudante tinha facas (quantas? De que género? De cozinha? De manteiga? Com ou sem serrilha?), isqueiros, botija(s) de gás, uma besta e setas com pontas de aço- 

Pergunta inocente: as setas eram adequadas à besta? 

Outra pergunta: E fisgas? O assassino de massas tinha fisga que se visse? 

Depois a preparação: havia um plano escrito ainda que, pelos vistos, sumário. Cmeçava por ir a uma retrete, sair armado e em cinco exactos minutos fazer a folha a quantos colegas apanhasse. Sempre de faca(s). 

Sabendo que uma criaturas tem duas mãis pergunta-se se trazia membros acoplados para os restantes talheres mortíferos. Com os isqueiros e a botija o estudante de informática, originaria uma explosão. 

Como? Assim a secas, toma lá a botija e o isqueiro e pum, catrapum? 

Vê-se que nno capítulo terrorismo a PJ ainda é mais burramente imaginativa do que o detido.

Temos depois que, afinal, não havia “dark internet” nenhuma mas, apena,s uma rede social igual às que difundem canalhices (a que nenhuma polícia liga, mesmo se daí saiam difamações, mentiras e o que mais alguém se lembrar).

E que nessa rede social, o cavernoso homicida (a forma pensada, nem sequer tentada) teve conversas com um gajo americano que suspeitando de “grossa actividade conspirativa” (cito um processo da pide sobre a minha modesta pessoa) alertou o FBI que, por sua vez alertou a PJ que , durante uma semana seguiu e vigiou passo a passos o rapazola para finalmente o prender não sei se em flagrante, ou fragrante ou flamante, pois foi preso em casa, desarmado e rapidamente conduzido a uma enxovia e dí para uma juíza e depois para uma cadeia, finalmente para o hospital prisão de Caxias.

Assim, a secas. Junte-se a fotografia e o nome expostos a toda a gente, a não presunção de inocência daí decorrente,  a pose inchada da PJ que, desta vez, não mostrou o “arsenal” do criminoso.

Vamos a apostas: haverá acusação? E se houver, que nestas coisas “há sempre alguém que” insiste, alguém que diz sim senhor, cadeia com o cabraozinho? Haverá julgamento? E sentença condenatória? 

Ou tudo como dado o que se sabe e mais ainda que se suspeita, tudo isto não será apenas e  “só fumaça”?

Os colunistas, ou alguns colunistas do meu jornal de referencia são bem mais severos do que eu e apontam o dedo, todos os dedos à PJ 

Eu também faria o mesmo mas descobri que cá em casa há seis canivetes, dez facas de  cozinha, mais sete sem serrilha, um afiador de facas , onze tesouras, muitos pregos,  lâminas de barbear descartáveis, um alfinete de gravata,outro tanto de parafusos, fora as agulhas de tricot da CG, os tacos do bilhar, dois serviços completos de talheres, um série de varias ferramentas, incluindo chaves de fendas. E ha três martelos. Lamento mas já não isqueiros com gaz, mas há dois Dupont descarregados, também não temos botija de gás mas, que diabo, não podemos estar armados até aos dentes, não é?

É só por via deste tremendo arseal que não ouso atacar a PJ mesmo se o simples facto de escrever já indicie um caracterizado espírito malvado.

ARRE!    

 

au bonheur des dames 467

d'oliveira, 12.02.22

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Coitado do Trump , Não o deixam brincar

Ou “flutuat nec mergitur”

mcr, 12-92-22

 

Os jornais e as televisões anunciaram em parangonas enormes que Trump destruía documentos na casa de banho.

Daí passaram a acusações mais graves, desde conspiração a atentado contra a segurança do Estado.  Um horror!

Ora, apesar de escatológica, há uma explicação fácil, plausível de orig4em quase garantida (mas não a revelarei por questões que se prendem com a protecção das fontes informativas) que sirvo aos meus escassos mas leais leitores.

Toda a gente sabe  que o nosso saudoso Donald (não confundir com o pato!) detestava  o protocolo, a severidade, o conservadorismo bon chic bon genre da Casa Branca. Por isso escapulia-se para um tal mar a logo (ou coisa parecida) sempre que havia um fim de semana. Aí, comia, bebia, jogava golfe, ao berlinde, aos quatro cantinhos, enfim, vivia e divertia-se.

Na Casa Branca, obrigado a usar uma horrenda gravata vermelha, comprida e mal amanhada, tinha desseguir protocolos rígidos. Só tinha alguns momentos de escape quando se refugiava na casa de banho. Aí, com a ajuda de uns papéis surripiados na secretaria da sala oval, jogava sozinho à batalha naval, construindo barquinhos  de papel e aviões do mesmo material.

Os primeiros eram postos a flutuar na sanita e os segundos eram atirados contra eles como os antigos kamikaze. Se o avião acertava no alvo este afundava-se e Trump marcava um ponto. Se não, nova tentativa.

Quando faltavam aviões, lá tinha de os retirar do elemento líquido, que não era propriamente o velho “mar cor de vinho” mas apenas uma pálida imitação do famoso Mar Amarelo, o tal que banha as costas do grande rival oriental (ou ocidental consoante o ângulo de observação).

Daí, juntamente com a mania de pentear –se com as mãos, aquele tom extraordinário da sua cabeleira.

Portanto, caros/as leitores/as,  não há nesta actividade eminentemente lúdica sinal algum de tentativa de prejudicar os EUA, de esconder segredos de Estado, de destruir provas seja do que seja. Apenas o jogo possível e solitário de alguém que, fechado em Washington não podia ir jogar golf. 

au bonheur des dames 465

d'oliveira, 11.02.22

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O “miúdo” da catana  

mcr, 11-02-22

 

 

 

Não quero menosprezar eventuais, quse certos, crimes  a cometer. Porém, umas facas, entre elas, uma catana, um recipiente com gasolina, outro com gás não chegam para provocar uma hecatombe.

Mesmo que esse fosse o desígnio do “terrorista” de 18 anos, aluno da faculdade de Ciências de Lisboa. Esquecia-me de acrescentar que o mesmo perigoso  futuro homicida também tinha um arco e flechas.

Tudo um tanto ou quanto primitivo, adolescente e duvidosamente capaz de um morticínio de massa.

Também parece certo que o futuro crime era propagandeado na internet a tal ponrto que oFBI americano deu por ele e preveniu as autoridades portuguesas.

Convenhamos que isto é demasiadamente amadorístico, suficientemente ingénuo e, provavelmente, fruto de uma imaginação  pouco saudável.

Diz-se, é a imprensa que o afirma, que o “terrorista” aprisionado era  e fora alvo de bulying constante por parte das futuras vítimas.

Tudo isto soa a drama de faca e alguidar, mete dó, pede psiquiatra e, já agora, investigação séria ao comportamento dos fautores do bulying.

Não sou apologista da compreensão a todo o custo, da piedade cristã, ou da causa adolescente mas desconfio sempre do alarmismo exagerado, da gritaria, das classificações apressadas.

Não percebo que é que a PJ deitou cá para fora mas isto, assim, descosido, é pouco e dá azo aos maiores disparates. E à condenação rápida em praça pública.

Faltava a Portugal, um acto terrorista mesmo se apenas na forma planeada. Aliás, a forma planeada é óptima pois mantém intacta a reputação de país seguro ao mesmotempo que desperto um voluptuso frémito de terror no público indígena e nos turistas já fartas da simpatia lusitana.

Não sou psiquiatra (felizmente) muito menos psicólogo (idem, aspas) mas tuso isto mecheira a uma desesperada chamada de atenção para algo que é real, que é repelente, que crece assustadoramente nas nossas escolas e universidades: o bolying.Ainda há dois dias, a televisão mosrou o espancamento de uma miúda de onze anos que gritava e como uma possessa, pedia ajuda mas essa apenas chegou via filmagem em telemóvel

A Direcção da referida escola, fechou-se em copas, não sabia de nada, ninguém viu, ninguém ouviu. Quase que estamos diante da personagem do Romeiro na peça de Almeida Garrett, o tal que apontando para o seu retrato exclamou  (que não era) “ninguém!”

Notícias deste género de “terrorismo” a abrir telejornais e a encher duas páginas do jornal serão óptimas para o “share” da emissora e para A venda avulsa de mais três ou quatro exemplares, mas não servem a justiça, a verdade ou a defesa dos direitos humanos (do presumível agressor e das presumíveis futuras vítimas).

 

(faço notar que este folhetim se baseia nas notícias já acima identificadas e que podem ser apenas – e mal!- parcelares ou até destituídas de real fundamento. E 18 anos, valha-me Deus, é ainda muito próximo da meninice mesmo quando, para citar uma frase célebre” tenho 20 anos e não permito a ninguém que me diga que é a mais bela idade da vida”(Paul Nizan).

*na vinheta: Paul Nizan, um autor a ler com urgência. E um homem digno e exemplar.

 

estes dias que passam 646

d'oliveira, 10.02.22

Mau caminho, péssimo! 

mcr, 10,2,22

 

 

 

O supremo Tribunal de Justiça considerou o isolamento de turmas no estado de calamidade como uma violação o da Constituição.

Duras críticas ao que foi comparado como uma “pena curta de prisão” porventura até com aspectos mais graves como “por exemplo a falta de acesso a um espaço comum ara exercício físico” 

Nem vale a pena acrescentar que as vítimas eram crianças e adolescentes. Foram, pelo menos dois pais que conseguiram chegar até essa alta e respeitada instância. Sobre isto o Ministério da Saúde ao mesmo tempo de afirma ir resolver, alija responsabilidades fazendo notar que foram penas dois casos os considerados pelo STJ.

Ou, por outras palavras, as luminárias desse ministério dão de barato a situação criada amilhares de jovens, as queixas e reclamações de muitos pais e considera que os dois casos em que é severamente criticado sã só dois casos. E decisões, acrescenta “proferidas por uma das três secções do STJ em sede de fiscalização concreta    e portanto com efeitos circunscritos aos casos  concretos...”

Por outras palavras, o MS acha que tudo isto não passa de um fait divers, de uma tempestade num copo de água, quase uma birra.

Conviria lembrar a essa gentinha que duas decisões de um Tribunal supremo são, em qualquer país civilizado, mais que suficientes para fazer rolar cabeças. A vergonha, nessas terras prodigiosamente distantes em termos de ética e de respeito pela justiça, seria bastante. Cá não! 

Sabemos, por experiência própria continuamente relembrada que o Estado português está farto de ser condenado por Tribunais europeus por falhas evidentes e clamorosas. 

Enchemos a boca com os casos da Hungria e da Polónia, envoltos num manto de diáfana virtude mas, sempre que podemos, zás!, lá estamos a pisar o risco, a fazer batota e a tentar tapar o sol com uma peneira e desculpas de mau pagador. 

Ão não respeitar as decisões dos tribunais, no caso estas que já vinham na sequência de decisões idênticas da primeira instancia, mostramos ao mundo e ao país como as coisas funcionam a certos níveis ministeriais. E abrimos caminho a que, doravante, cada vez menos pessoas respeitem o Ministério da Saúde.

É o país que temos, os ministros que merecemos sempre que aceitarmos este tipo de situações e actuações sem protesto. Mesmo quando este é inútil como vai ser o caso.     

 

estes dias que passam 645

d'oliveira, 09.02.22

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A ignorância quando atrevida é apenas burrice 

mcr, 9-2-22

 

 

 

 

uma criatura de aspecto cansado e gasto, que dá por Pacheco de Amorim  e foi eleita para a AR e será candidata a vice presidente da mesma Casa, veio a público bolsar umas patetadas sobre a cor dos portugueses.

Segundo esta luminária, que parece ser o ideólogo e o “intelectual” do Chega, a cor dos portugueses é branca, pois estes serão caucasianos.

Se o pobre homem tivesse dito que os portugueses são predominantemente brancos (menos, provavelmente, que os espanhóis e muito menos que, por exemplo os polacos)nada se lhe poderia dizer, excepto quanto às conclusões em que teoriza sobre a “raça”.

Todavia, este esforçado “pensador” atirou com claros intuitos provocatórios (muito s que semelhantes aos que animam a hoste, igualmente ignorante e pateta dos anti racistas encartados que descortinam em Portugal uma espécie de África do Sul do apartheid, para pior) estas afirmações que, de resto,  cheiram ao que de pior se herdou de séculos de abjecta estupidez.

Mesmo entre os teóricos do Estado Novo, onde eventualmente esta sumidade terá dado os primeiros e incertos passos, defendia-se a ideia de um Portugal multiracial, multicolorido, do Minho a Timor. E propagandeava-se como alto benefício da expansão e da colonização, o facto de os portugueses se misturarem alegre e proficuamente com indianos, africanos, indios do Brasil e outras eventuais raças do Oriente.

E corria a história dos múltiplos casamentos entre “reinois” (os nossos, de cá) e jovens indianas em grande quantidade e apadrinhados porAfonso de Albuquerque. Do Brasil, via Gilberto Freire, vinha o luso tropicalismo, a profundíssima mestiçagem em séculos de posse dacolónia. Havia mesmo a pitoresca históriadeportugas desembarcados em plagas brasileiras e rapidamente povoadas por dezenas (um dois até com centenas!!!) de filhos paridos pelo ventre fecundo de dezenas ou centenas de “esposas” brasileiras e índias.

Das colónias, com destaque para Cabo Verde e Angola, façava-se, e com razão, de outro tanto de casos de mestiçagem , de que o arquipélago é o mais perfeito exemplo mas que em Angola deu origem às “ilustres famílias” mulatas que de Luanda a Sá da Bandeira enxamearam as administrações locais.

E, basta ir àHistória, que dizer da longa, longuíssima ocupação “árabe” (melhor dizendo berbere) de boa parte de Portugal?

Acaso a pachequenta figura não leu “o bispo negro” de Herculano?

Que que aconteceu às dezenasde milhares de escravos e escravas que povoaram Portugal a partir das Descobertas? Morreram todos sem descendência e sem e cruzarem com os indígenas locais?  Quem era a Maria Parda, momento alto do teatro de Gil Vicente? E os “pretos do sul do Tejo que até aos anos cinquenta se notavam sobretudo nas margens do Sado e que desapareceram diluindo-se na população portuguesa. E as dezenas de milhares de pessoas negras e mulatas que desembarcaram, integradas na enorme multidão de retornados, em Lisboa ente 74 e 76?

E por aí fora...

E os refugiados indianos? Casaram-se todos entre si? E as famílias luso-chinesas?  Timor, para não ir mais longe, ostenta , na sua elite dirigente uns centos de cidadãos com nomes portugueses e clara filiação em desterrados que para aquelas terras foram por motivos políticos.

Na própria União Indiana, fiz há trinta anos uma pesquisa sobre nomes portugueses no Governo e na Alta Administração Indiana. Pasmem, amigos leitores: encontrei duas dúzias de nomes portugueses. Aliás nomes com ressonância aristocrática (Noronha, Coutinho, Peçanha, Albuquerque ) ou mais popular (sousa, Frias sei lá que mais.

Num país que tem um primeiro ministro com “sangue” goês, uma ministra com evidentes origens africanas (e das citadas “gloriosas famílias) que se gaba de ter um reputadíssimo intelectual com evidente sangue santomense (Almada Negreiros) que se pode (e bem gabar) de alguns cientistas de origem africana, desde o Drector da Ncva School em Oeiras (Traça)  ou do químico e catedrático, cientista do ano, Maulide, por acaso ambos filhos de amigos meus e contemporâneos em Coimbra, a que vem esta cretinice do pobre Amorim, que bem deveria verificar se na sua família não há traços de extra-caucasianos?

É este género de patetas que produz os Mamadu Ba & associados, que dá origem à vandalizaçãoo da estátua do Padre António Vieira e nega toda uma evidência centenária de relações multirraciais (com claros altos e baixos mas sempre contínua e as mais das vezes pacífica).

Parece que é esta a criatura que o Chega pretende levar à vice-presidência da AR. Já não bastava a hipótese tragicómica da falada candidatura da srª. Edite Estrela.  S Bento começa a parecer cada vez mais com uma espécie de circo ou de museu das incongruências nacionais.

 

(não vou pronunciar-me sobre se se deve ou não criar um cordão sanitário em volta do Chega nem se este pode ou não candidatar alguém a cargos honoríficos no Parlamento. A lei só fala em candidaturas mas parece não obrigar à efectiva presença de vários partidos na mesa. Provavelmente, penderia para essa obrigatoriedade mas, neste momento, e desde há muito, a minha guerra é a do voto unipessoal. Deputados eleitos um a um elos cidadãos. O  resto é mera paisagem folclórica e perigosa.

E não vale a pena propor ao sr. Amorim que estude. Está demasiado velho para aprender línguas ou História. Deixem-no dormir uma soneca nas bancadas parlamentares e ajudem-no a atravessar a rua que ele vai precisar.

*na imagem: Lisboa, rª Nova dos Mercadores, sec XVI:seprocurarem bem verão um negro com as insignias de Santiafo, o que não era, à epoca, coisa pouca

au bonheur des dames 465

d'oliveira, 08.02.22

 

Um ano depois

Mauel Sousa Pereira

 mcr 8/2/22

 

 

Exactamente há um ano, dia por dia, morria de covid o Manuel . Éramos amigos desde 75 mas, 

na verdade, poderíamos datar essa amizade de 1961. 

De facto, nesse ano (ou já no seguinte?), realizou-se em Coimbra o “iº Encontro Nacional de Estudantes”, uma tentativa de juntar as três academias. A polícia, melhor dizendo o Governo, achou péssima essa ideia sediciosa e, vai daí, proibiu tudo. O costume...

Do Porto vinha um autocarro carregado de perigosíssimos revolucionários que, foi interceptado na Mealhada. O autocarro fica aqui. A rapaziada tripeira não desanimou e decidiu chegar a Coimbra a pedibus calcantibus. E chegaram, claro, recebidos, em festa por malta de Coimbra e Lisboa eufórica. 

Nesse grupo vinha o MSP mas nem ele nem eu (que até era da comissão de recepção) nos recordamos de nos encontrar. 

Há vários anos, mais de vinte, publiquei um livrinho (“A pedra no sapato, a  pata na poça”) onde narrava essa pequena mas corajosa aventura.

Por várias vezes, combinei com o Manel refazer a história eprovar o nosso encontro adiantando em quase vinte anos a inauguração da nossa amizade. A coisa meteria polícias, mulheres blandiciosas, fugas arriscadas pelas íngremes ruas coimbrãs, enfim , uma pequena loucura. Nunca levamos a cabo tal reescrita do passado por culpa de mbos.

De todo o modo, e para celebrar este primeiro e tristíssimo aniversário, aqui republico o texto  “os do Porto a pé!”

Os leitores que conheceram o MSP decerto apreciarão e os outros treão de ter paciência ou mesmo generosidade em lerem o texto que, por nota apostólica, dá desconto nos pecados ditos “carnais”. 

E aqui vai  

Os do Porto a pé!

 

" São os do Norte que vem"

Tobias Barreto, cit. por Manuel 

Bandeira in "Estrela  da Vida Inteira"

 

1961 foi um ano de "chumbo": torpe espesso, pesado de desalentos e prisões. O país ostentava a tranquila fealdade de um regime já apodrecido e nas "chanas" de África lavrava, ainda oculto e insipiente, o fogo da revolta.

 

Para nós, estudantes, a realidade não nos aparecia assim tão dramática   -éramos novos e as inépcias governamentais na questão das autonomias universitárias e associativas dávam-nos razão, força e aliados.

 

A esquerda "republicana" ganhava as eleições para a Associação Académica de Coimbra sob a direcção do Carlos Candal e, em Lisboa, as associações tinham por dirigentes Jorge Sampaio, Eurico Figueiredo, Vasco Pulido Valente, Medeiros Ferreira para só citar alguns.

 

No Porto as coisas corriam pior: as escolas estavam todas muito afastadas e nos meios mais progressistas ainda havia ecos (e medos) de uma enorme vaga de prisões. De todo o modo havia gente a mexer-se, que os "tripeiros" não gostam de ser segundos nem a feijões .

 

Destaque-se sem desprimor para outros, a Escola de Belas Artes e as pro-associações de Medicina e dos Liceus (nesta última começava a despontar um tal Zé Mário Branco de que eventualmente já terão ouvido falar ...)

 

Resolveu-se, já não sei por que motivos, realizar em Coimbra um Convívio Nacional de Estudantes para o qual a AAC e toda a comitiva coimbrã (teatros, orfeon, corais, tuna, repúblicas e conselho de veteranos) convidaram as duas outras academias. O programa era o habitual: colóquios circunspectos, reuniões inter-secções das A.A., meia de desporto, sarau e copos.

 

Isto tudo teria lugar durante a tradicional Tomada da Bastilha (25 de Novembro) feriado académico que comemora a conquista da primeira sede da Associação Académica de Coimbra. Bastava o fundamento para verificar o quanto os poderes receavam tal celebração.

 

Claro que ao saber desta festividade a "benemérita" coimbrã pôs-se em campo mobilizou toda a bufaria disponível e pediu reforços.

 

Discretamente puseram a p.s.p. a interceptar tudo o que se dirigisse a Coimbra e tivesse aspecto de jovem e reviralhista.

 

Algum erro de cálculo terão, entretanto, cometido porque à hora aprazada já tinha chegado toda a malta de Lisboa (e entre eles, corajoso como poucos, o compositor Emanuel Nunes então caloiro em Letras). Dos do Porto é que nada. Nem novas bem mandados. Virão?  Não virão?  Na praça da Republica, umbigo da comuna estudantil, ao nervosismo juntava-se, insidioso, o desânimo.

 

Quando chegou a notícia das barragens policiais o desalento aumentou e aumentaram, "mezza voce", que a "pidalhada" estava próxima, os impropérios.

 

Estávamos neste impasse, a ganhar raiva e a gastar tempo, quando alguém, esbaforido e aos uivos,  incendiou a academia.

A malta do Porto fora de facto parada e as camionetas mandadas para trás. Todavia aquela tripeiragem toda resolvera calcorrear à pata a dúzia de quilometros até Coimbra e estava prestes a desembocar na praça de Sansão.

 

Foi uma corrida, um grito. Bastou um minuto para nos juntarmos aos peregrinos cantarolando "Olá, olé. Assim é que é. Os do Porto vêm a pé."

 

Coisas destas, mesmo a 30 anos de distância, aquecem a alma e aumentam-me os brios de viver nesta cidade.

 

 

 

Vai este em memória gratíssima do Francisco Cordeiro que esteve em todas quando isso tinha, de facto, significado.

 

(aproveito a boleia do antigo texto para juntar na dedicatória um par de amigos que conheci nesse dia: Nuno Brederode, Jorge Sampaio, Mª Emília Brederodo, José Medeiros Ferreira entre outros que não perdem pela demora)

**em boa verdade este folhetim pertenceria à série "estes dias ..."Porém o Manel nunca me perdoaria excluí-lo de "Au bonheur... Em questão de damas foi um amador que sempre teve entrada nas tabelas dos jogos olímpicos...